Cotia
Cotia é um município brasileiro do Estado de São Paulo, localizado na Zona Sudoeste da Região Metropolitana de São Paulo. Conforme a lei estadual nº 1.139/2011 e o Plano de Desenvolvimento Urbano Integrado (PDUI), integra a Microrregião de Itapecerica da Serra. Com uma população estimada em 287.004 habitantes em 2024 e uma área de 324 km², a cidade se situa às margens do rio Cotia, afluente do rio Tietê.
Pontos-chave
- Cotia é um município da Zona Sudoeste da Região Metropolitana de São Paulo, com população estimada em 287.004 habitantes em 2024.
- O nome 'Cotia' deriva da palavra guarani 'koty', que significa 'ponto de encontro'.
- A economia de Cotia é diversificada, com destaque para os setores industrial e agrícola, além de ser um polo de condomínios residenciais.
- A cidade possui um rico patrimônio histórico e cultural, incluindo casas bandeiristas e festas religiosas tradicionais, mas enfrenta desafios na preservação.
- Cotia tem um clima subtropical, com temperatura média anual de 17,8 °C e topografia acidentada.
O nome 'Cotia' tem suas raízes na palavra 'koty' do idioma m’byã (guarani), que significa 'ponto de encontro'. Essa origem deu lugar a diversas grafias ao longo do período colonial, como Coty, Cuty, Cutia, Acutia e Acotia, até a designação atual 'Cotia', adotada após sua elevação a município em 1906.
Cotia já foi conhecida como 'Cidade das Rosas' devido à Fazenda Roselândia, fundada em 1933 para cultivo e comercialização de flores. Atualmente, essa fazenda está em processo de loteamento para um condomínio, o que alterou o significado dessa designação. Hoje, Cotia é um dos municípios mais ricos e desenvolvidos de sua região, apesar da notável desigualdade socioeconômica. A cidade tem experimentado uma expansão residencial significativa, com a proliferação de condomínios, incluindo muitos de luxo na região da Granja Viana, ao lado de bairros de baixa renda.
As principais fontes sobre a história econômica de Cotia, embora escassas e focadas na primeira metade do século XX, incluem a Enciclopédia dos Municípios Brasileiros (1957) e a monografia 'Cotia' de Fernando Pereira Cardim (1964). Para o século XIX, os dados são ainda mais raros, encontrados principalmente nos Almanaques da Província de São Paulo e jornais da época. Sabe-se que a economia de Cotia nos séculos XVIII e XIX era predominantemente de subsistência, com algum excedente comercializado com a capital e outras vilas do oeste paulista, incluindo a criação de gado e o cultivo de milho e feijão.
Caminho de Pinheiros e Caminho da Cutia
O povoado que originou a Freguesia da Cutia foi estabelecido na confluência do Rio Cotia com o Caminho do Peabiru (pré-cabralino), posteriormente rebatizado como Caminho de São Tomé pelos jesuítas e, mais tarde, Caminho das Tropas. Inicialmente um aldeamento indígena, também serviu como ponto de parada entre a Vila de São Paulo de Piratininga e o oeste da Capitania de São Vicente. A antiguidade e uso colonial do Caminho do Peabiru são evidenciados por referências históricas e pela quantidade de casas e fazendas estabelecidas ao longo do trajeto no século XVII, algumas das quais ainda existem e são tombadas pelo IPHAN, como a Casa do Butantã e o Sítio do Padre Inácio.
A Aldeia de Koty e a Colonização
A administração portuguesa na região oeste da Capitania de São Vicente começou em 12 de outubro de 1580, com a concessão de sesmaria em Carapicuíba aos índios da Aldeia de Pinheiros (fundada em 1560). Há indícios de que o Capitão-Mor Gaspar Conqueiro possuía uma sesmaria entre Cotia e Vargem Grande Paulista no início dos anos 1600. Posteriormente, fazendas como Carapicuíba (1615) e a sesmaria M’boy (Embu, 1624) foram doadas aos jesuítas, integrando os 12 aldeamentos indígenas da Capitania de São Paulo.
A Freguesia da Cutia: Fundação da Capela
No início do século XVIII, o coronel Estevão Lopes de Camargo doou terras para a construção de uma nova capela no alto de uma colina, onde hoje se encontra a matriz, alguns quilômetros adiante no Caminho das Tropas (atuais km 33 a 34,5 da Rodovia Raposo Tavares). Essa nova capela sediaria o povoado da Cutia. A Capela de Nossa Senhora do Monte Serrate foi inaugurada em 8 de setembro de 1713, com a entrada solene da padroeira. O assento de posse do Padre Mateus de Laya Leão, no livro de Tombo de Cotia de 1713 (ou 1703, segundo alguns), é a principal fonte sobre a mudança de Cotia para seu sítio atual, indicando o coronel Estevão Lopes de Camargo como 'protetor' do novo povoado.
Da Vila da Cutia ao Município de Cotia
A Freguesia de Cutia foi elevada à categoria de Vila pela Lei Provincial n.º 7, de 2 de abril de 1856. A Câmara Municipal de São Paulo comunicou a instalação da nova Câmara da Vila da Cutia em 3 de janeiro de 1857, com José de Araújo Novaes como seu primeiro presidente. Em 1856, a recém-instalada Vila da Cutia contava com 4.125 habitantes, uma agência de correio, um vigário, um professor de primeiras letras e sete eleitores. Em 1873, a Vila, com 5.024 habitantes, já registrava uma estrutura mais complexa, incluindo autoridades municipais, eclesiásticas, policiais, militares, educadores, fazendeiros, comerciantes e artesãos, além de 504 escravos matriculados.
Arruamento e Urbanização de Cotia
O arruamento de Cotia no século XVIII começou entre o Caminho das Tropas (que originou as ruas Batista Cepelos/Senador Feijó) e o entroncamento com o caminho para a Aldeia de Barueri (atual Rua Nelson Ranieri), que deu origem às ruas Dois de Abril, Dez de Janeiro e Estrada Velha de Itapevi II. No entroncamento desses caminhos, foi instalada a Capela do Monte Serrate, formando a atual Praça da Matriz. Ruas como Presciliana de Castro Pedroso e Benedita Barreiro Vítor foram abertas posteriormente, provavelmente no século XIX.
Divisões Territoriais e Administrativas
Em 1911, Cotia era constituída como distrito-sede. Pela Lei nº 1.471/1920, o distrito de Itapevi foi criado e anexado a Cotia. Em 1933, o município era composto pelos distritos de Cotia e Itapevi. Em 1931, a Estação Caucaia da Estrada de Ferro Sorocabana foi inaugurada, e sua altitude de 936 metros levou à designação 'Caucaia do Alto'. Isso favoreceu a criação do distrito de Caucaia do Alto em 1944 (Decreto-lei Estadual nº 14.334), também anexado a Cotia.
Cotia já teve antigas bandas de sopro nos séculos XIX e XX, como a Corporação Musical Imaculada Conceição, extinta na década de 1970. Atualmente, a Congada de São Benedito e a Romaria de Caucaia do Alto a Pirapora do Bom Jesus são Patrimônios Culturais Imateriais do Município (Leis Ordinárias nº 1.823 e 1.824 de 2014). A festa de Corpus Christi também é parte do calendário oficial e feriado municipal. Infelizmente, grande parte do patrimônio arquitetônico de Cotia, especialmente o casario dos séculos XVIII e XIX e as primeiras capelas, foi perdida ou está ameaçada pela expansão imobiliária. A antiga Roselândia, fundada em 1933, está sendo convertida em condomínio, e outras construções históricas, como a capela do Sítio do Padre Miguel, foram demolidas para novos empreendimentos, indicando uma preocupação com a preservação.
Legislação Fundamental de Proteção
A legislação municipal de Cotia abrange diversas formas de patrimônio público. Destacam-se a Lei Orgânica de Cotia (2011), o Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano, Econômico e Social (2007), o Plano Municipal de Cultura (2011), o Plano Diretor Municipal de Turismo (2018), o Plano de Zoneamento e Uso do Solo (2008), e o Plano Municipal de Saneamento (2010). Além disso, foram estabelecidos conselhos como o Municipal de Cultura (2009), o Ambiental - COMAM (2013), o de Desenvolvimento Ambiental e Rural - COMDAR (2009), e o do Meio Ambiente (2001), bem como a Política Municipal de Educação Ambiental (2013), visando a proteção e gestão do patrimônio.
Casas Bandeiristas do Século XVII
O município de Cotia abriga duas importantes casas bandeiristas do século XVII: o Sítio do Mandu e o Sítio do Padre Inácio. Ambas são tombadas pelo IPHAN e pelo CONDEPHAAT. A primeira é provavelmente associada à fundação da Aldeia de Cotia no século XVII, enquanto a segunda está ligada ao novo povoado de Cotia, estabelecido em 1713.
Centro Histórico e Casario Antigo
Na transição do período agrícola para o industrial, o centro histórico de Cotia mantinha uma configuração similar à do século XIX, com casarios antigos, especialmente nas ruas Batista Cepelos/Senador Feijó e Dez de Janeiro/Lopes Camargo/José Barreto, conforme evidenciado em fotografias do IBGE das décadas de 1950 e 1960. Embora muitas dessas casas ainda existam, como a de número 108 da Rua Batista Cepelos (com data de 1915 na fachada), elas carecem de proteção por órgãos patrimoniais e algumas se encontram em avançado estado de degradação.
Igreja Matriz de Nossa Senhora do Monte Serrate
A Igreja Matriz de Cotia, inaugurada em 1713, teve seu piso de terra batida assoalhado ou ladrilhado apenas em 1749, por ordem do visitador diocesano Miguel Dias Ferreira. O arquiteto Mateus Rosada atribuiu o retábulo-mor e os colaterais da Matriz ao entalhador português Bartholomeu Teixeira Guimarães (c.1738 – 1806) ou a seus discípulos, datando do final do século XVIII. O pesquisador também identificou obras com características semelhantes em dezenove altares de dez igrejas em sete localidades, incluindo São Paulo, Sorocaba, Cotia, Santos, Aparecida, Itu (SP) e Viamão (RS).
Convento, Paróquias e Capelas Notáveis
O patrimônio histórico e artístico de Cotia também inclui construções notáveis do século XX, como o Carmelo do Imaculado Coração de Maria e de Santa Teresinha do Menino Jesus (fundado em 1947), a Paróquia de Santo Antônio da Granja Viana (antiga de 1949 e recente de 2004), a Paróquia de Santo Antônio e Nossa Senhora do Carmo do Portão, a Capela dos Pires, a Paróquia de Nossa Senhora da Imaculada Conceição de Caucaia do Alto, o Pequeno Cotolengo de Dom Orione (1961), a Sociedade Beneficente São Camilo (1966), o Templo Zu Lai (maior templo budista da América Latina), o templo budista tibetano Odsal Ling e a Basílica menor de Nossa Senhora do Rosário de Fátima dos Arautos do Evangelho.
Festas Religiosas e Música Sacra Tradicionais
Desde os séculos XVIII e XIX, Cotia celebrava as principais festas católicas anuais, com destaque para a festa da padroeira Nossa Senhora do Monte Serrate, que permanece até hoje. Entre os mais antigos testemunhos artísticos está a 'Missa concertada com violinos, quatro vozes e acompanhamento' de André da Silva Gomes (1752-1844), composta em 1823 para ser cantada na noite de Natal na Igreja da Freguesia da Cutia. Na década de 1950, ainda se praticavam congadas, caiapós, trança-fita e dança de São Gonçalo (a maioria extintas), além da Festa do Divino. A Romaria de Caucaia do Alto a Pirapora do Bom Jesus, realizada desde 1940, também é uma tradição. A Semana da Cultura Japonesa foi instituída em 2006.
A história personalista, que supervaloriza indivíduos em detrimento de um contexto mais amplo, é frequentemente questionada por historiadores. Ela tende a focar em figuras ligadas à política e economia, geralmente homens de classes mais abastadas, negligenciando outras personalidades importantes. Para evitar injustiças e oferecer uma perspectiva equilibrada, é relevante mencionar apenas algumas pessoas amplamente reconhecidas por sua conexão com Cotia e que se inserem na história nacional, sem hierarquizar sua importância em relação a outros cidadãos que contribuíram para o desenvolvimento local.
A economia de Cotia é bastante diversificada, com forte presença dos setores industrial e agrícola. No setor industrial, concentrado ao longo da Rodovia Raposo Tavares, destacam-se produtos como materiais elétricos, químicos, cerâmicos, brinquedos, têxteis, explosivos, alimentos, vinho, aguardente e máquinas agrícolas. Na agricultura, os principais cultivos são batata, tomate, milho, feijão, alho e diversas frutas, com grande parte proveniente de Caucaia do Alto. A avicultura também é uma atividade desenvolvida no município. Em 2014, Cotia contava com 1.200 empresas licenciadas (micro, pequenas, médias e prestadores de serviços) e, no primeiro trimestre de 2015, registrava 6.186 microempreendedores individuais.
A geografia de Cotia é marcada por um terreno acidentado, com predominância de vales e montanhas. O clima é subtropical, característico da Região Metropolitana de São Paulo.
Topografia Acidentada
O terreno de Cotia é predominantemente acidentado, caracterizado por vales e montanhas. A altitude máxima do município atinge 1.074 metros acima do nível do mar, registrada na Serra de Itatuba.
Clima Subtropical
O clima de Cotia é subtropical, assim como em toda a Região Metropolitana de São Paulo. A temperatura média anual é de 17,8 °C, ligeiramente inferior à média da capital. Julho é o mês mais frio (média de 14,3 °C) e menos chuvoso (média de 45 mm), enquanto janeiro é o mais chuvoso (250 mm) e fevereiro o mais quente (média de 22,9 °C). O índice pluviométrico anual totaliza 1.540 mm.
Os indicadores demográficos de Cotia refletem aspectos importantes da qualidade de vida no município.


