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Cosmovisão

Cosmovisão, visão de mundo, mundividência ou, na forma original em alemão, Weltanschauung, é um conjunto ordenado de valores, crenças, impressões, sentimentos e concepções de natureza intuitiva, anteriores à reflexão, a respeito da época ou do mundo em que se vive. Em outros termos, é a orientação cognitiva fundamental de um indivíduo, de uma coletividade ou de toda uma sociedade, num dado espaço-tempo e cultura, a respeito de tudo o que existe — sua gênese, sua natureza, suas propriedades. Uma visão de mundo pode incluir a filosofia natural, postulados fundamentais, existenciais e normativos, ou temas, valores, emoções e ética.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 28/08/2026
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Construção de visões de mundo

Imagem: ruifo · BY-NC-SA · Openverse

A construção de visões de mundo integrativas começa de fragmentos de visões de mundo oferecidas a cada indivíduo por diferentes disciplinas científicas e os vários sistemas de conhecimento. Ela sofre contribuições de diferentes perspectivas que existem nas diferentes culturas mundiais. Esse é o principal tópico de pesquisa do Center Leo Apostel for Interdisciplinary Studies. Deveria ser observado que, enquanto que Apostel e seus seguidores claramente sustentam que "indivíduos" podem "construir" visões de mundo, outros autores consideram que visões de mundo operam em um nível e/ou de uma maneira inconsciente. Por exemplo: se a visão de mundo de alguém é fixada pela linguagem de alguém, de acordo com a hipótese de Sapir-Whorf, alguém teria de aprender ou inventar uma nova linguagem para construir uma nova visão de mundo. Conforme Apostel, uma visão de mundo é necessariamente uma ontologia, ou um modelo descritivo do mundo. Ela deve compreender esses seis elementos:

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Impacto das visões de mundo

Imagem: Ben-Perrusi Martins · BY-NC-SA · Openverse

Aspectos estruturais

O termo denota um conjunto abrangente de opiniões, vistas como uma unidade orgânica, sobre o mundo como o meio e exercício da existência humana. No contexto conceitual amplo, weltanschauung serve como um quadro para gerar várias dimensões da percepção e experiência humana como conhecimento, política, economia, religião, cultura, ciência e ética. Por exemplo, visão de mundo da causalidade como "unidirecional", "cíclica" ou "espiral" gera um quadro do mundo que reflete esses sistemas de causalidade. Uma visão unilateral da causalidade está presente em algumas visões de mundo monoteísticas com um começo e um fim e uma única grande força com um único fim (por exemplo, cristianismo e islamismo), enquanto que uma visão de mundo cíclica da causalidade está presente na tradição religiosa que é cíclica e sazonal e na qual os eventos e experiências repetem-se em padrões sistemáticos (por exemplo, zoroastrismo, mitraísmo e hinduísmo).

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Variadas visões do mundo

Imagem: ipcohama · BY-NC-SA · Openverse

Folclore e visões de mundo

Assim como a linguagem natural torna-se uma manifestação da percepção de mundo, as literaturas de um povo, com Weltanschauungen comuns, surgem como representações holísticas da percepção de mundo geral de um povo. Portanto, a extensão e a comunidade entre os épicos folclóricos mundiais torna-se uma manifestação da comunidade e extensão de sua específica e própria visão de mundo. Poemas épicos são compartilhados frequentemente por pessoas além de fronteiras políticas e através de gerações. Exemplos de tais épicos incluem a Canção dos Nibelungos dos povos germânicos-escandinavos, a Ilíada dos antigos gregos e povos helenizados, o Cilappatikaram (ou Silappadhikaram) dos povos sul indianos, a Epopeia de Gilgamesh da civilização mesopotâmica-suméria e da maioria da população do Crescente Fértil, o livro As Mil e uma Noites do Mundo árabe e o épico de Sundiata dos povos mandê.

Filosofia e visões de mundo

Um bom exemplo do uso da expressão é encontrado no artigo Questão do Método do filósofo francês Jean-Paul Sartre, que serve de introdução a seu livro Crítica da Razão dialética: (…) reduzido à sua mais simples expressão, o objeto filosófico permanecerá no 'espírito objetivo' sob forma de Ideia reguladora indicando uma tarefa infinita; assim, fala-se hoje, entre nós, da 'Ideia kantiana' ou, entre os alemães, da weltanschauung de Fichte. Weltanschauung (termo alemão que se pronuncia "vèltanxauung"), cosmovisão ou mundividência é a orientação cognitiva fundamental de um indivíduo ou de toda uma sociedade. Essa orientação abrange sua filosofia natural, seus valores fundamentais, existenciais, normativos, seus postulados ou temas, suas emoções e sua ética. Outro sentido do termo é o de uma imagem do mundo imposta ao povo de uma nação ou comunidade, isto é, uma ideologia. O termo é um calco linguístico da palavra de origem alemã que significa literalmente "visão de mundo" ou "cosmovisão". Essa palavra alemã é adotada regularmente em diversas línguas para expressar esses significados. Suas origens etimológicas remetem ao século XVIII. Ela é um conceito fundamental na filosofia e epistemologia alemã e se refere à uma "percepção de mundo ampla". Adicionalmente, ela se refere ao quadro de ideias e crenças pelas quais um indivíduo interpreta o mundo e com ele interage.

Linguística e visões de mundo

Quem concebeu a ideia de que linguagem e visão de mundo (cosmovisão) são inextrincáveis foi o filologista Wilhelm von Humboldt (1767–1835). Argumentou ele que a linguagem é parte da grande aventura criativa da humanidade. Os aspectos culturais, idiomáticos e linguísticos comunitários devem ter ocorrido quase simultaneamente, segundo ele, e não se concebem independentemente. Em contraste nítido com o determinismo apenas linguístico, que considera a língua como uma restrição ou aprisionamento cultural, Humboldt sustentou que o discurso é inerente e implicitamente criativo. Os seres humanos modificam sua língua e sua linguagem, na medida das demandas sociais.

Religião e visões de mundo

As perspectivas sobre fenômenos religiosos bem como a percepção religiosa do mundo são componentes das cosmovisões. Surgiu, porém, entre alguns círculos evangélicos uma acepção divergente do sentido filosófico e antropológico de visão de mundo. Esse tratamento de religião como coincidente com visão de mundo aparece em autores como, por exemplo, no livro do neo-calvinista David Naugle concebe as religiões, notavelmente o cristianismo como uma visão de mundo.Similarmente, o pensador evangelicalista James W. Sire define visão de mundo como "um compromisso, uma orientação fundamental do coração, que pode ser expressa como uma história ou um conjunto de pressupostos (suposições que podem ser verdadeiras, parcialmente verdadeiras, ou falsas) que nós sustentamos (consciente ou subconscientemente, consistente ou inconsistentemente) sobre a construção básica da realidade, e que providencia a fundação na qual nós vivemos e movemos e tem a nossa existência". Ele sugere que "nós todos devemos pensar em termos de visões de mundo, isto é, com uma consciência que não apenas da nossa própria maneira de pensar mas também das outras pessoas, de maneira que nós possamos primeiramente compreender e então genuinamente nos comunicar com os outros em nossa sociedade pluralista. Nishida Kitaro, que escreveu extensivamente sobre "a visão de mundo religiosa" ao explorar a significância filosófica das religiões orientais. No entanto, cientistas da religião mantém a distinção entre religião e visão de mundo, Igualmente, antropólogos empregam o termo visão de mundo em sentido cognitivo, sem delimitar uma visão de mundo a um conjunto fixo de conteúdos religiosos.

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Outros aspectos

Imagem: ipcohama · BY-NC-SA · Openverse

Na linguagem do Terceiro Reich, o termo Weltanschauung passou a designar a compreensão intuitiva de complexos problemas geopolíticos pelos nazistas, o que lhes permitia agir em nome de um ideal maior, permitindo-lhes inclusive realizar atos de agressão a outros países, distorcer fatos e violar direitos humanos.

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