Cosa Nostra Americana
Cosa Nostra Americana ou La Cosa Nostra é como chamam os estadunidenses a atualidade à Máfia italiana dos Estados Unidos. É uma das organizações criminosas mais conhecidas da atualidade, tendo já sido a mais poderosa em todo o país.
A primeira organização a assumir os traços da máfia original nos EUA foi a Família Morello, fundada pelo imigrante = corleonês Giuseppe Morello, que já era iniciado em uma das coscas da máfia siciliana. Apesar disso, gangues ítalo-americanas menos sofisticadas já estavam presentes no país anteriormente, como no caso da gangue de Charles Matranga em Nova Orleans. Posteriormente, haviam outras duas "borgatas" estabelecidas e independentes dos Morellos em NY: uma comandada por Nicolo Schiro no Brooklyn, e outra por Salvatore D'Aquila, que na realidade era uma antiga ramificação dos Morellos antes do encarceramento do líder. A consolidação da máfia americana como o fenômeno poderoso que se tornou, teve início com a introdução da "Lei Seca", ou "Proibição", em 1920. A criminalização de um produto de altíssima demanda criou uma nova e gigantesca oportunidade para os grupos mafiosos, que aumentaram exponencialmente seus lucros, entrando em outro patamar de enriquecimento. A ascensão ao poder de Benito Mussolini na Itália por sua vez, e sua feroz perseguição a Cosa Nostra e outros grupos criminosos, provocou a fuga maciça de mafiosos novatos e experientes para os Estados Unidos, como era o caso de Joe Bonanno e seu mentor Salvatore Maranzano.
Imagem: nene_nabou · BY-NC-ND · Openverse
A Cosa Nostra utilizou uma organização beneficente para se estabelecer, a Unione Siciliana, que auxiliava os imigrantes de origem siciliana que chegavam sem lugar para morar ou dinheiro para comida e com muitos filhos para alimentar. Tal organização logo caiu nas mãos dos mafiosos para a utilizarem como fachada para recrutar novos membros, fazerem agiotagem a juros exorbitantes aos recém-chegados e receberem doações da sociedade civil. A fachada era tão bem feita que logo a Cosa Nostra nos EUA foi sendo chamada entre os seus de Unione Siciliana, principalmente em Chicago, onde houve uma disputa entre os sicilianos (liderados por Joseph Aiello) e os napolitanos (comandados por Al Capone) pelo seu domínio. Nos redutos e guetos italianos, gangues de chantagistas implementavam o sistema de extorsão conhecido como "Mão Negra", em virtude do símbolo em tinta preta enviado nas cartas de ameaças. Apesar desse sistema eventualmente ser praticado também por grupos mafiosos, isto é aqueles ligados a Cosa Nostra, nem todos os criminosos da "Mão Negra" (ou Mano Nera em italiano) eram parte ou tinham ligação com a máfia.
Um dos principais motivos que tornou a máfia italiana algo tão poderoso nos EUA nas primeiras décadas do século XX foi a chamada Lei Seca (Volstead Act), entre 1922 e 1933. A proibição de fabricação e venda de bebidas alcoólicas foi vista pelos gangsters (não só italianos) como uma grande oportunidade lucrativa, pois o povo estadunidense não havia ficado nada contente com a nova lei e comprariam bebidas alcoólicas de qualquer forma não importando a procedência. Então, surgiram milhares de pequenas fábricas clandestinas por todo o país, assim como bares. A polícia nada fez para impedir, já que era impossível conter a enorme demanda, e aproveitava para receber subornos para a "taxa de permissão" de álcool. Também surgiram várias rotas clandestinas de importação de bebidas estrangeiras, principalmente do Canadá. Tal época foi chamada de "Era de Ouro" para o crime organizado americano. E quando a Lei Seca foi revogada, os criminosos mais inteligentes, como Charles "Lucky" Luciano, legalizaram suas fábricas clandestinas, continuando num negócio ainda lucrativo como a bebida.
Os principais chefões até 1930 foram Giuseppe "Joe the Boss" Masseria, que lutou pelo título de "Capo di tutti Capi" contra Salvatore Maranzano, ambos sediados em Nova Iorque. Gaetano "Tom" Reina, Gaetano "Tommy Three-Fingers Brown" Lucchese, Gaetano "Tom" Gagliano, Giuseppe "Joe" Profaci, Giuseppe "Joe Bananas" Bonanno (americanizado Joseph e mais conhecido como Joe Bonanno), Vito Genovese (oriundo de Nápoles), Frank Costello (nascido Francesco Castiglia, calabrês), Vincenzo e Filippo Mangano (irmãos, americanizados Vincent e Phillip), Umberto Anastasio (mais conhecido como Albert "Mad Hatter" Anastasia), Carlo Gambino, Charles "Lucky" Luciano (nascido Salvatore Lucania), e Alphonse "Scarface Al" Capone, são alguns nomes que fizeram movimentar a Máfia nessa época. Foi Charles "Lucky" Luciano quem organizou as bases da organização. Teve a ideia da formação da Comissão e também a abertura nas fileiras da Cosa Nostra não só para sicilianos mas também para qualquer italiano ou ítalo-americano (filho de italianos mas nascido nos EUA), já que seus principais auxiliares eram um napolitano (Vito Genovese) e um calabrês (Frank Costello), além de um poderoso judeu russo da época, Mayer Schwoljansky, mais conhecido como Meyer Lansky, e Benjamin "Bugsy" Siegel, mas que não foram aceitos por total oposição dos outros gangsters italianos.
A Cosa Nostra americana ficou organizada como a sua matriz siciliana em relação à sua estrutura interna e formal dos grupos. A pirâmide hierárquica inicia-se com os "soldati" (soldados), homens protegidos pela Família e que devem total devoção aos seus superiores, nunca podendo contestar uma ordem dada; nas ruas, são amplamente respeitados pela comunidade e pelos criminosos (são quase "intocáveis"), e apenas podem ser mortos com uma ordem do próprio chefão. Acima dos soldados estão seus chefes diretos, os "caporegimes", "capos" ou capitães, que chefiam um determinado número de soldados e um pequeno território sob influência da Família e eles têm como principal objetivo gerenciar negócios da organização ou criar novos negócios (nada impede que os soldados também gerenciem e formem novos negócios). Acima dos capitães estão duas figuras auxiliares do chefão: o "sottocapo" (ou "subchefe") e o "consigliere" (ou "conselheiro"):
A Máfia italiana ficou conhecida pelo público em geral quando, na década de 1950, o governo estadunidense conseguiu o primeiro informante da história: Joseph Valachi, um "homem feito" da antiga Família Luciano (hoje Genovese), que revelou quem era quem no submundo mafioso ítalo-americano, desde os pequenos quadrilheiros até os poderosos Dons, sendo Vito Genovese, seu chefe, o principal alvo, este informador quebrou a Omertà (lei do silêncio, que veio junto com os mafiosos da Velha Terra) por estar jurado de morte por aqueles que antes obedecera. Até meados da década de 1980, as principais famílias da Máfia (chamada atualmente pelos estadunidenses de La Cosa Nostra — LCN) eram as Cinco Famílias de Nova Iorque e Nova Jersey: Bem como famílias únicas que controlam as cidades de Chicago, Detroit, Nova Orleães, Cleveland, Milwaukee, Buffalo e Filadélfia, além da região da Nova Inglaterra e até na Flórida.


