Constantino XI Paleólogo
Constantino XI Dragases Paleólogo, ou Dragaš Paleólogo, foi o último imperador bizantino (romano) reinante, governando de 23 de janeiro de 1449 até sua morte em combate durante a Queda de Constantinopla, em 29 de maio de 1453. A morte de Constantino marcou o fim definitivo do Império Romano do Oriente, cuja origem remontava à fundação de Constantinopla por Constantino, o Grande, como a nova capital do Império Romano em 330.
Constantino Dragases Paleólogo nasceu em 8 de fevereiro de 1404 como o quarto filho do imperador Manuel II Paleólogo (r. 1391–1425), oitavo imperador da dinastia Paleólogo. Sua mãe, de quem herdou o sobrenome Dragases, era Helena Dragaš, membro da poderosa Casa de Dragaš e filha do governante sérvio Constantino Dejanović. Por meio de sua avó paterna, Helena Cantacuzena (1333–1396), Constantino estava ligado à proeminente família Cantacuzeno, enquanto sua linhagem materna o vinculava à dinastia imperial sérvia Nemanjić. Constantino é frequentemente descrito como Porfirogênito ("nascido na púrpura"), distinção concedida aos filhos nascidos de um imperador reinante no palácio imperial. Manuel governava um Império Bizantino em processo de desintegração e contínuo encolhimento territorial. O principal fator que desencadeou o declínio bizantino foi a chegada dos turcos seljúcidas à Anatólia no século XI. Embora alguns imperadores, como Aleixo I Comneno e Manuel I Comneno, tenham conseguido recuperar partes da Anatólia com o auxílio dos cruzados ocidentais, essas conquistas foram apenas temporárias. A Anatólia era a região mais fértil, populosa e rica do império, e sua perda marcou o início de um longo período de decadência. Embora grande parte do território tenha sido posteriormente reconquistada, o Império Bizantino foi gravemente enfraquecido pela Quarta Cruzada de 1204 e pela perda de Constantinopla para o Império Latino, estabelecido pelos cruzados. Sob Miguel VIII Paleólogo, fundador da dinastia Paleólogo, Constantinopla foi recuperada em 1261. Ao longo do século XIV, os turcos otomanos conquistaram vastas extensões de território e, em 1405, controlavam grande parte da Anatólia, da Bulgária, da Grécia central, da Macedônia, da Sérvia e da Tessália. O Império Bizantino, que outrora se estendia por todo o Mediterrâneo Oriental, havia sido reduzido à capital imperial, Constantinopla, ao Peloponeso e a algumas ilhas do mar Egeu, sendo também obrigado a pagar tributo aos otomanos.
Início da carreira
Após o fracasso do cerco otomano de Constantinopla em 1422, Manuel II sofreu um derrame que o deixou paralisado de um dos lados do corpo. Viveu ainda por mais três anos, mas o governo do império passou, na prática, para as mãos do irmão de Constantino, João. Tessalônica também estava sob cerco otomano e, para evitar que a cidade caísse em mãos inimigas, João a entregou à República de Veneza. Assim como Manuel II havia esperado anos antes, João procurou obter apoio da Europa Ocidental e, em novembro de 1423, deixou Constantinopla rumo a Veneza e à Hungria. Nessa altura, porém, Manuel já havia abandonado qualquer esperança de auxílio ocidental e chegou a tentar dissuadir João de prosseguir com essa política. Para Manuel, uma eventual união das Igrejas — que se tornaria o principal objetivo de João — apenas provocaria a hostilidade dos turcos e da própria população do império, podendo inclusive desencadear uma guerra civil.
Governo Inicial na Moreia
A incorporação dos territórios moreotas conquistados por Tocco complicou a estrutura administrativa da Moreia. Como seu irmão Teodoro recusou-se a abdicar do título de déspota, o despotado passou a ser governado por dois membros da família imperial pela primeira vez desde sua criação, em 1349. Pouco depois, o irmão mais novo, Tomás (então com 19 anos), também foi nomeado terceiro déspota da Moreia, o que significava que o despotado, embora nominalmente indiviso, havia se fragmentado, na prática, em três principados menores. Teodoro não compartilhou o controle de Mistras com Constantino nem com Tomás; em vez disso, concedeu a Constantino terras espalhadas por toda a Moreia, incluindo a cidade portuária de Égio, ao norte, fortalezas e cidades na Lacônia, ao sul, e Calamata e Messênia, a oeste. Constantino fez de Glarentza, à qual tinha direito por casamento, sua capital. Tomás, por sua vez, recebeu terras ao norte e estabeleceu sua sede no castelo de Kalávrita. Durante seu governo como déspota, Constantino mostrou-se corajoso e enérgico, embora, em geral, fosse prudente.
Segundo período como regente
Em março de 1432, Constantino, possivelmente desejando aproximar-se de Mistras, firmou um novo acordo territorial com Tomás (presumivelmente aprovado por Teodoro e João VIII). Tomás concordou em ceder sua fortaleza de Kalávrita a Constantino, que a transformou em sua nova capital, recebendo em troca a cidade de Élida, que passou a ser a nova capital de Tomás. As relações entre os três déspotas deterioraram-se gradualmente. João VIII não tinha filhos para sucedê-lo, e era amplamente esperado que seu herdeiro fosse um de seus quatro irmãos sobreviventes (Andrônico já havia morrido). O sucessor preferido de João era Constantino. Embora essa escolha fosse aceita por Tomás, que mantinha boa relação com o irmão mais velho, era profundamente ressentida por Teodoro. Quando Constantino foi convocado para a capital em 1435, Teodoro acreditou, erroneamente, que a intenção era proclamá-lo coimperador e herdeiro oficial, e dirigiu-se a Constantinopla para apresentar suas objeções. A disputa entre os dois irmãos só foi resolvida no final de 1436, quando o futuro patriarca Gregório III foi enviado para reconciliá-los e evitar uma guerra civil. Ficou acordado que Constantino retornaria a Constantinopla, enquanto Teodoro e Tomás permaneceriam na Moreia. João precisava de Constantino na capital, pois partiria em breve para a Itália. Em 24 de setembro de 1437, Constantino chegou a Constantinopla. Embora não tenha sido proclamado coimperador, sua nomeação como regente pela segunda vez, por sugestão de sua mãe Helena, indicava que ele era considerado o herdeiro pretendido por João.
Segundo casamento e ameaças otomanas
Apesar de ter sido dispensado do cargo de regente após o retorno de João, Constantino permaneceu em Constantinopla durante o restante de 1440, provavelmente para encontrar uma nova esposa, já que haviam se passado mais de dez anos desde a morte de Teodora. Escolheu Catarina Gattilusio, filha de Dorino I Gattilusio, senhor genovês da ilha de Lesbos. Esfrantzes foi enviado à ilha em dezembro de 1440 para propor e organizar o casamento. No final de 1441, Constantino navegou até Lesbos acompanhado por Esfrantzes e Lucas Notaras, e casou-se com Catarina em agosto. Em setembro, deixou a esposa com seu pai em Lesbos e seguiu para a Moreia. Ao retornar à Moreia, Constantino observou que Teodoro e Tomás haviam governado de maneira eficaz durante sua ausência. Passou então a acreditar que poderia servir melhor aos interesses do império se estivesse mais próximo da capital. Seu irmão mais novo Demétrio governava o antigo apanágio de Constantino em torno de Mesembria, na Trácia, e Constantino cogitou a possibilidade de trocarem de posições, retomando seu antigo domínio junto ao mar Negro enquanto Demétrio assumiria suas possessões na Moreia. Enviou Esfrantzes para apresentar a proposta tanto a Demétrio quanto a Murade II, que, nessa altura, precisava ser consultado sobre qualquer nomeação.
Déspota em Mistras
Com a saída de Teodoro e Demétrio, Constantino e Tomás esperavam fortalecer a Moreia. Naquele período, a região era o principal centro cultural do mundo bizantino e oferecia perspectivas mais promissoras do que Constantinopla. Mecenas das artes e das ciências haviam se estabelecido ali por convite de Teodoro, e igrejas, mosteiros e mansões continuavam a ser construídos. Os dois irmãos Paleólogos pretendiam transformar a Moreia em um principado seguro e quase autossuficiente. O filósofo Gemisto Pletão, que servia a Constantino, afirmava que, se Constantinopla fora outrora a Nova Roma, Mistras e a Moreia poderiam tornar-se uma “Nova Esparta”, um reino helênico forte e centralizado.
Pouco depois da morte de Murade II, Constantino tratou de enviar emissários ao novo sultão, Mehmed II, na tentativa de negociar uma nova trégua. Segundo as fontes, Mehmed recebeu os enviados de Constantino com grande respeito e os tranquilizou jurando por Deus, pelo profeta Maomé, pelo Alcorão, pelos anjos e pelos arcanjos que viveria em paz com os bizantinos e com seu imperador pelo resto da vida. Constantino, contudo, permaneceu desconfiado e suspeitava que o humor de Mehmed pudesse mudar abruptamente no futuro. Para se preparar para uma eventual ofensiva otomana, Constantino precisava garantir alianças, e os reinos mais poderosos que poderiam estar dispostos a ajudá-lo encontravam-se no Ocidente. O aliado em potencial mais próximo e diretamente interessado era Veneza, que mantinha uma grande colônia comercial em seu bairro de Constantinopla. Entretanto, os venezianos não eram considerados dignos de plena confiança. Nos primeiros meses de seu reinado como imperador, Constantino aumentou os impostos sobre as mercadorias que os venezianos importavam para Constantinopla, pois o tesouro imperial estava praticamente esgotado e era necessário arrecadar recursos por algum meio. Em agosto de 1450, os venezianos ameaçaram transferir seu comércio para outro porto, possivelmente sob controle otomano, e, apesar de Constantino ter escrito ao doge de Veneza, Francesco Foscari, em outubro daquele ano, eles permaneceram irredutíveis e firmaram um tratado formal com Mehmed II em 1451. Em resposta, Constantino tentou estabelecer um acordo com a República de Ragusa, oferecendo-lhe um posto comercial em Constantinopla com concessões fiscais limitadas, embora os ragusinos pouco pudessem oferecer em termos de auxílio militar ao império.
Em fevereiro de 1451, com a morte de Murade II, assumiu o comando dos otomanos o sultão Maomé II, o Conquistador, seu filho. Seu objetivo claro era a tomada de Constantinopla. Para isto, fez tratados diplomáticos com possíveis aliados de Constantino XI (como a República de Veneza), além de incursões militares contra cidades que pudessem enviar socorro a Constantinopla. Com a construção da fortaleza Rumelihisarı, ao norte de Constantinopla, em agosto de 1452, Maomé II – munido de artilharia pesada – passou a impedir a navegação da cidade. Abandonada pelo Ocidente, sem contato com seus aliados e sob o peso da poderosa artilharia turca, coube a Constantino XI sozinho organizar a resistência. No entanto, contra os 60 mil combatentes de Maomé II, o imperador conseguiu reunir apenas oito mil soldados (sendo quase a metade deste contingente composta por estrangeiros). No mês de abril de 1453, começaram os bombardeios e as tentativas de assalto contra a cidade. Eles conseguiram resistir bem contra os fortes ataques, mesmo sem a ajuda do ocidente, eles conseguiram isso graças ao mercenário genovês Giovani Giustiani Longo, repeliram os ataques até mesmo sem perder nenhum soldado, mas no dia 23 de maio a cidade foi conquistada pelos otomanos
Quando os otomanos foram fazer seu último e desesperado ataque (pelo cerco ter se estendido por mais tempo do que deveria), Constantino XI fez um belo discurso para todos os soldados, especialmente para os romanos, lembrando de seus antepassados, como César e Augusto falando que o sangue deles corriam nas suas veias. Depois disso o ataque começava e o destino do Império Romano estava em jogo
Na madrugada de 29 de maio, a lenta agonia cessou. Sob o ataque de três frentes, a cidade de Constantinopla caiu sob o domínio do Império Otomano. Não há nenhuma informação precisa a respeito, pois nenhum dos autores que escreveram sobre o episódio foi testemunha da morte do imperador e, portanto, não podem nos dar relatos confiáveis sobre a sua morte, porém, a maioria dos relatos cristãos e muçulmanos, bem como a historiografia moderna, concorda que Constantino XI permaneceu na cidade durante o ataque e morreu durante a batalha. Segundo alguns desses relatos, o imperador recusou qualquer conselho ou possibilidade de fuga e decidiu permanecer com seus defensores até o fim, morrendo bravamente durante o combate, sendo lembrado como um mártir, não um imperador que abandonou seu império. Por seu corpo supostamente nunca ter sido encontrado, surgiu a lenda de que "quando estava rodeado pelos inimigos, um anjo o teria transformado em estátua de mármore e o escondido em uma caverna", donde sairá um dia para expulsar os turcos de Constantinopla e restaurar o império, no entanto parece ser mais provável que seu corpo tivesse sido encontrado e logo depois fosse decapitado. Segundo o historiador bizantino do século XV Critóbulo de Imbros, as últimas palavras de Constantino antes de avançar contra os otomanos teriam sido ‘A cidade caiu e eu ainda estou vivo’, embora a autenticidade da afirmação seja incerta. A cidade permanece sob domínio turco até hoje, atualmente com o nome de Istambul.


