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Conspiração dos Suassunas

Conspiração dos Suassunas, ou dos Suaçunas, foi um projeto de revolta supostamente proposto em Olinda, na então Capitania de Pernambuco, em 1801. O motim compõe o cenário de crise do Antigo Sistema Colonial, durante o qual eclodiram levantes de teor emancipatório. Assim como a Inconfidência Mineira (1789) e a Baiana (1798) e a Revolução Pernambucana (1817), expressou a insatisfação dos colonos frente as políticas deficientes da metrópole Portugal, prenunciando a Independência do Brasil, decretada em 1822.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 26/07/2026
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Contexto

No mesmo ano de 1801 em que foi deflagrada a Conjuração dos Suassunas, a Espanha invadiu Portugal, por convencimento de Napoleão Bonaparte, a fim de fechar os portos lusitanos ao comércio inglês, assim iniciando a batalha que se estenderia por um mês e ficaria conhecida como Guerra das Laranjas. A França se uniu aos espanhóis, para tanto castigar o afastamento recente de Portugal como forçar a Grã-Bretanha, sua rival endividada, a socorrer os lusitanos emergencialmente e, com o desgaste disso, também enfraquecer-se. O jogo político prosseguia. As forças militares e econômicas de Portugal eram parcas e, não bastasse isso, as águas portuguesas tornaram-se infestadas por vários corsários franceses, que intensificaram os prejuízos do país na virada para o século XIX. E é sob esse contexto de pressões externas, guerras e incursões de franceses acometendo Portugal que se ergue a Conspiração dos Suassunas, em Pernambuco.

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Acontecimentos

Tentativa

O bispo Azeredo Coutinho recebeu a denúncia em 1801. Em 1800, fundara o Seminário de Olinda, entre cujos membros figurava o Padre Miguelinho, depois implicado na Revolução Pernambucana de 1817. Suspeitava-se, ainda, das reuniões sigilosas nas lojas maçônicas, seio da propalada conspiração nacional, de que se destacou o Areópago de Itambé, fundado pelo padre Manuel Arruda Câmara e de cujas discussões, indiscutivelmente, não participavam europeus, uma vez que o movimento, composto por profissionais liberais, do clero e da pequena burguesia, assumia um caráter disruptivo e não conciliatório. A maçonaria adotava uma postura política e intelectual direcionada a um projeto antiabsolutista, voltado aos elementos antigos que a instalação da Corte no Brasil, em vez de mitigar, como esperado, reforçara.

Enfraquecimento

É inegável que se o Príncipe Regente caísse em mãos inimigas, em 1801, se verificaria a implementação de um governo provisório não só na capitania de Pernambuco, mas no Brasil, à maneira do que ocorreu na América Espanhola com as juntas autônomas, formadas com o fim da autodefesa e em nome da monarquia. O projeto, porém, ruiu com a chegada da família real portuguesa, fugitiva desesperada do exército de Napoleão, que decretara o Bloqueio Continental e há pouco tentara acossar também os portugueses. A instalação do aparelho estatal no Rio de Janeiro, então capital do país, anunciando a intenção de fundar um grande império luso-brasileiro, que recuperasse o protagonismo de Portugal no cenário político-econômico europeu, provocou uma inflexão imprevista e negativa à emancipação da América portuguesa. Com sua fixação no Rio, a Coroa ficou exponencialmente mais apta a se intrometer nos negócios provinciais, redundando, com isso, na diminuição, também assertiva, da autonomia e da influência das elites locais.

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Consequências

Pois, então, fracassa a intentona, limitadamente romântica. Nas correspondências do correio marítimo remetidas a Lisboa, teve-se cautela para evitar que a família dos irmãos soubesse do ocorrido. Fecha-se o Areópago. Mas o espírito que o animara subsiste, e novas sociedades secretas, de semelhante espírito insubmisso, continuam atuando como centros de politização. A Academia dos Suassunas, localizada no engenho do mesmo nome, e a Academia do Paraíso, situada no pátio de igual denominação, agem, junto à pregação pessoal de Antônio Carlos Ribeiro de Andrade, ouvidor-mor de Olinda, e conhecido, pelo seu vasto saber, como "Academia Ambulante", com o propósito de implementar a educação política revolucionária dos nordestinos, a partir das reuniões particulares, especialmente aquelas dirigidas com dinamismo por Antônio Carlos. E dessa atuação, embora sem sucesso, desse insurgimento idealista, eivado de concepções patrióticas e antimonárquicas, surge a monumental e efetiva Revolução de 1817.

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Fontes consultadas

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