Consoante retroflexa
Uma consonate retroflexa é uma consoante coronal apical articulada entre osso alveolar e o palato duro na qual a língua assume uma forma plana, côncava ou curvada.
Consoantes retroflexas, como várias outras consoantes coronais, apresentam diversas variedades condicionadas por: formato da língua, que pode estar plana, côncava, ou com a ponta curvada para trás; ponto de contato do órgão, que poder ser com a ponta (apical), a lâmina (laminal) ou sua parte inferior (subapical); o ponto de contato com o céu da boca, que pode ser com o osso alveolar (alveolar), a área entre o osso e o palato duro (pós-alveolar), ou o palato duro (palatal); e, finalmente, maneira de articulação - tanto consoantes sibilantes (fricativas e africadas) quanto não sibilantes (nasais, laterais, oclusivas e róticos) podem assumir articulações retroflexas. A maior variedade de combinações ocorre com sibilantes, já que nessas quaisquer pequenas mudanças na forma e na posição da língua levam a transformações significativas no som produzido. Sons retroflexos geralmente tem tons mais baixos que outros de consoantes alveolares ou pós-alveolares - com uma diferença notável em comparação com o som de sibilantes alveolares sulcais. Quanto mais atrás no céu de boca for o ponto de contato, mais côncavo é o formato da língua e mais baixo é o tom do som, com as consoantes subapicais sendo as mais extremas.
Outros sons
Sons retroflexos devem ser diferenciados de outras consoantes produzidas na mesma área da boca: As três primeiras classificações de sons acima são articuladas com a língua em formato convexo, o que adiciona aos fonemas uma articulação secundária palatal. O último tipo é articulado com a formação de um sulco extremamente marcado na parte central da língua, o que dá aos fonemas uma forte característica de sibilação. Os sons retroflexos, ao contrário, possuem forma plana ou côncava, e são desassociados de qualquer palatalização ou formação de sulco. A aproximante velar encontrada em variedades nortistas do holandês e em algumas variedades do inglês estadunidense são acusticamente similares à aproximante retroflexa, já que ambas são articuladas com a língua em contato com o palato mole.
Transcrição no IPA
No Alfabeto Fonético Internacional, os símbolos para consoantes retroflexas são tipicamente os mesmos que para as consoantes alveolares, mas com a adição de um diacrítico em formato de gancho virado para a direita sob o símbolo. Consoantes retroflexas são transcritas no Alfabeto Fonético Internacional como a seguir:
Outras convenções
Alguns linguistas restringem o uso desses símbolos a consoantes com articulção palatal subapical, em que a língua é curvada para trás e entra em contato com o palato duro. Nesses casos, os símbolos usados para articulações pós-alveolares apicais são os das consoantes alveolares com um diacrítico em forma de ponto subposto ao símbolo da consoante: [ṭ], [ḍ], [ṇ], [ṣ], [ẓ], [ḷ], [ɾ̣], [ɹ̣]; nota-se que esse diacrítico está obsoleto e fora do padrão do IPA. Colateralmente, nos casos de retroflexos laminais, como os encontrados em russo e polonês, são usados [ᶘ] e [ᶚ] Os últimos também são encontrados transcritos com um diacrítico de retração, s̠; em outros casos, são tipicamente (porém inadequadamente) transcritos como se fossem palatoalveolares, como em [ʃ].
Embora os dados não sejam precisos, estima-se quem em torno de 20% das línguas do mundo contenham consoantes retroflexas de um ou outro tipo. Cerca de metade dessas línguas possui apenas retroflexos continuantes, e a maioria do resto tem tanto oclusivos quanto continuantes. Consoantes retroflexas estão concentradas no subcontinente indiano, especialmente nas línguas indo-arianas e dravídicas, mas são encontradas em outras línguas da região, como mundari e Burushaski. As línguas nuristani do leste do Afeganistão também tem consoantes retroflexas. Entre as Línguas iranianas orientais, elas são comuns em pastó, wakhi, ishkashimi e munji-yidgha. Também ocorrem em outras línguas asiáticas como mandarim, javanês e vietnamita. No oeste asiático, o variante shihhi do árabe também tem aproximantes retroflexas. Retroflexos são relativamente raros em línguas europeias, mas ocorrem, por exemplo, em sueco e norueguês.


