Conrado de Monferrato
Conrado de Monferrato foi marquês de Monferrato de 1191 até sua morte e um dos principais participantes da Terceira Cruzada. Era filho de Guilherme V de Monferrato e de Judite de Babemberga.
Pouco sabemos da existência juvenil do marquês Conrado. Os primeiros documentos sobre ele são de 1160, mas trata-se de fragmentos ou de notícias pouco relevantes. Notícias, embora confusas, existem sobre um possível tratado de matrimônio entre as filhas do rei inglês Henrique II e um dos filhos de Guilherme V. Mais informações existem de 1172, quando Corrado envolveu-se junto com o imperador Frederico Barbarossa no conflito comunal, pois além de haver parentesco, era tradição familiar dos Aleramos serem filoimperiais. Conrado foi o segundo filho do marquês Guilherme V de Monferrato, "o Velho", e da sua esposa Judite de Babemberga. Era primo em primeiro grau do imperador Frederico I, bem como de Luís VII de França e de Leopoldo V de Habsburgo. Nasceu em Monferrato que é hoje parte da região italiana do Piemonte. O lugar e ano exato são desconhecidos. Ele foi mencionado pela primeira vez numa carta de 1160, quando servia na corte de seu tio maternal Conrado de Babemberga, bispo de Passau, mais tarde arcebispo de Salzburgo. Ele pode ter recebido esse nome em homenagem a esse tio ou ao meio-irmão de sua mãe, o imperador Conrado II.
Em 1179, em seguida à aliança da família com Manuel I Comneno, Conrado liderou um exército contra as forças de Frederico Barbarossa, então comandadas pelo chanceler imperial Cristiano de Mogúncia. Ele o derrotou em Camerino em setembro, tomando o chaceler como refém. Ele mesmo havia sido refém do chaceler anteriormente. Ele deixou o cativo aos cuidados de seu irmão Bonifácio e foi a Constantinopla para ser recompensado pelo imperador, retornando à Itália logo após a morte de Manuel I Comneno em 1180. Então por volta de seus trinta anos, sua personalidade e bom aparência deixaram uma boa impressão na corte bizantina: Nicetas Coniates o descreve como "de bela aparência, na primavera da vida, excepcional e inigualável principalmente na coragem e inteligência, e na flor da força de seu corpo". No inverno de 1186-1187, Isaac II Ângelo ofereceu sua irmã Teodora, como noiva do irmão mais novo de Conrado, Bonifácio, para renovar a aliança do Império Bizantino com a Marca de Monferrato, mas Bonifácio já havia casado. Conrado, recentemente viúvo tomou a cruz na tentativa de juntar-se a seu pai no Reino de Jerusalém. Então ele aceitou a oferta de Isaac e retornou a Constantinopla na primavera de 1187. No seu casamento ele foi recompensado como o título de César. Porém quase que imediatamente ele teve que ajudar o imperador a defender o trono contra uma revolta liderada pelo general Alexios Banas. De acordo com Coniates, Conrado inspirou o fraco imperador a tomar a iniciativa. Ele lutou heroicamente, sem escudo ou capacete e usando um traje de linho em vez de malha, na batalha na qual Banas foi morto. Ele foi levemente ferido no joelho, mas derrubou Banas do cavalo, que foi então morto e decapitado por sues guarda-costas.
Conrado evidentemente tentava juntar-se a seu pai que mantinha um castelo em Santo Elias. Ele chegou primeiro em Acre, que havia recentemente caído sob Saladino, e assim navegou ao norte para Tiro, onde ele encontrou os restos do exército cruzado. Após sua vitória na Batalha de Hatim sobre o exército de Jerusalém, Saladino marchou para o norte e capturou Acre, Sidom e Beirute. Raimundo III de Trípoli e seus filhos adotivos, Reginaldo de Sídon e muitos outros líderes nobres que escaparam da batalha tiveram que fugir para Tiro, mas ansiosos a retornarem ao seus próprios territórios para defendê-los. Raimundo de Trípoli estava com a saúde debilitada e morreu logo após chegar em casa. De acordo com a Continuação de Guilherme de Tiro, em francês antigo, Reginaldo de Sídon foi derrotado em Tiro e estava no processo de negociação de sua rendição com Saladino. Conrado alegadamente atirou as faixas de Saladino e fez os soldados de Tiro jurarem total lealdade a ele. Sua chegada ao poder parece ter sido menos dramática na realidade. Reginaldo refortificou seu próprio Castelo de Beaufort no rio Litani. Com o apoio de comunidades mercantes italianas na cidade, Conrado reorganizou a defesa de Tiro, formando uma comuna medieval, similar àquelas com as quais costumava lutar na Itália.
No verão de 1188, Saladino liberou Guido de Lusignan, o marido de Sibila de Jerusalém, de seu cativeiro. Um ano depois, em 1189, Guido, acompanhado do seu irmão Godofredo de Lusignan apareceu em Tiro e exigiu que Conrado lhe entregasse as chaves da cidade. Conrado recusou e declarou que Guido havia perdido seus direitos ao Reino de Jerusalém na Batalha de Hatim. Ele disse que ele estava mantendo a cidade até a chegada dos reis da Europa. Com isso, ele estava invocando os termos do testamento de Balduíno IV, termos já quebrados por Guido e Sibila: na ocasião da morte de seu sobrinho Balduíno tinha sido vontade de Balduíno que o sobrinho Balduíno V, "o herdeiro com mais direitos" mantivesse a regência até que a sucessão fosse acertada por Henrique II de Inglaterra, o rei da França e o imperador Frederico I. Conrado não permitiu a Guido e Sibila entrarem na cidade, mas permitiu-lhe acampar com seus apoiadores fora das muralhas de Tiro.


