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Conquista muçulmana do Magrebe

A conquista muçulmana do Magrebe, ou conquista árabe ou omíada do Magrebe, foi a continuação da rápida expansão árabe-muçulmana que se seguiu à morte de Maomé em 632. Em 640 os árabes já detinham o controlo da Mesopotâmia, tinham invadindo a Arménia, estavam em vias de concluir a conquista da Síria bizantina e Damasco tinha-se tornado a capital do Califado Omíada. No final de 641, todo o Egito estava em mãos árabes e em 642, com a destruição do exército sassânida na Batalha de Niavende, a conquista do Império Sassânida ficou praticamente concluída.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 27/07/2026
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Fontes para a história das conquistas

Praticamente não há registos contemporâneos das invasões, especialmente das que não dizem respeito ao Egito. Dado que as histórias das guerras são usualmente escritas pelos vencedores, as fontes árabes tendem a predominar e as mais antigas que nos chegaram são as de ibne Abde Aláqueme, Baladuri e Califa ibne Caiate, todas escritos no século IX, aproximadamente 200 anos depois das primeiras invasões. Essas fontes não são muito detalhadas e no caso da mais informativa, a História da Conquista do Egito e do Norte de África e de Espanha, de ibne Abde Aláqueme, Robert Brunschvig argumentou em 1975 que é uma obra escrita mais para ilustrar alguns aspetos da lei maliquita do que para documentar a história, embora alguns dos eventos descritos sejam provavelmente históricos. No século XI, académicos de Cairuão começaram a elaborar uma nova versão da história da conquista, a qual foi finalizada por Ibraim ibne Arraquique (m. ca. 1027). Esta versão da história foi copiada na íntegra e por vezes interpolada por autores posteriores, atingindo o seu zénite no século XIV com académicos como ibne Idari, ibne Caldune e Anuairi. Esta versão difere das anteriores não apenas por ser mais detalhada, mas também por apresentar versões contraditórias de alguns eventos.[carece de fontes?]

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Primeira invasão (647-648)

A primeira invasão do Norte de África, ordenada pelo califa Otomão, foi lançada em 647. Uma força de 20 000 árabes vinda de Medina, na Arábia, juntou-se a outra força de igual número em Mênfis, no Egito, e marcharam sobre o Exarcado Bizantino da África liderados por Abedalá ibne Sade, começando por conquistar a Tripolitânia, no que é hoje a Líbia. O Conde Gregório, o governador local bizantino, que tinha declarado a sua independência do Império Bizantino, autoproclamando-se "imperador de África", juntou os seus aliados e enfrentou os invasores mas foi derrotado na batalha de Sufétula (atual Sbeitla, na Tunísia), cerca de 250 km a sul de Cartago. Com a morte de Gregório, todo o Norte de África ficou subjugado ao Califado Ortodoxo, ao qual pagava tributo e do qual ficou vassalo. A campanha militar durou 15 meses, tendo o exército de Abedalá regressado ao Egito em 648. Todas as conquistas militares foram interrompidas pouco tempo depois devido à guerra civil islâmica que estalou entre fações árabes rivais que resultou no assassinato do califa Otomão em 656. Ali sucedeu a Otomão, mas também ele foi assassinado em 656.[carece de fontes?]

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Segunda invasão (665-689)

Entre 665 e 689 foi lançada outra invasão do Norte de África. Segundo Will Durant, «um exército de 40 000 muçulmanos avançou através do deserto até Barca,[nt 1] conquistou-a, e marchou para os arredores de Cartago», para proteger o Egito de um ataque de flanco pela Cirene bizantina. Um exército defensor bizantino de 30 000 homens foi derrotado nestes combates. Depois foi formada uma força de 10 000 árabes comandada pelo general árabe Uqueba ibne Nafi a que se juntaram alguns milhares de outros soldados de outras proveniências. Partindo de Damasco, o exército marchou para o Norte de África e tomou a vanguarda. Em 670, a cidade de Cairuão (a aproximadamente 160 km a sul da moderna Tunes), que se viria a tornar um dos principais polos da cultura árabe-islâmica da Idade Média, foi criada como um campo de refúgio e base para as operações futuras, que se viria a tornar a capital da província islâmica de Ifríquia, que seria constituída pelas regiões costeiras do que é atualmente a Líbia ocidental, a Tunísia e a Argélia oriental.

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Terceira invasão (692-700)

O fim da guerra civil trouxe de volta a ordem interna, o que permitiu ao califa retomar a conquista muçulmana do Magrebe, a qual recomeçou com a reconquista de Ifríquia. Os bizantinos responderam aos ataques com tropas de Constantinopla, às quais se juntaram soldados e navios da Sicília e um poderoso contingente de visigodos da Hispânia. Isso forçou o exército árabe invasor a retirar para Cairuão. Depois, segundo Gibbon, «os cristãos desembarcaram; os cidadãos aclamaram a insígnia da cruz, e o inverno foi passado indolentemente no sonho da vitória ou libertação.» Na primavera seguinte os árabes lançaram um novo assalto por terra e por mar, forçando os bizantinos e os seus aliados a evacuar Cartago. Os árabes incendiaram e destruíram completamente a cidade, deixando a área abandonada durante os dois séculos seguintes. Outra grande batalha ocorreu em Útica, na qual os árabes foram novamente vitoriosos, forçando os bizantinos a abandonar de vez aquela parte de África.[carece de fontes?] Seguiu-se uma revolta berbere contra os novos senhores árabes.

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Conclusão da conquista

Em 709 todo o Norte de África estava sob o controlo do califado árabe, possivelmente à exceção de Ceuta, na Coluna Africana de Hércules. Outras fontes sustentam que Ceuta representava o último reduto bizantino em África e Julião, a quem os árabes chamavam Iliane, era um exarco (governador provincial) bizantino. Garcia de Valdeavellano avançou outra possibilidade: «parece mais provável que ele tenha sido um berbere que era o líder da tribo católica de La Gomera.» De qualquer forma, sendo um diplomata hábil, era conhecedor profundo das políticas dos visigodos, berberes e árabes, Julião pode também ter negociado com Muça condições de rendição que lhe permitiram manter o seu título e comando.[carece de fontes?] Nesse tempo, a população de Ceuta incluía muitos refugiados de uma guerra civil visigoda que tinha estalado na Hispânia. Entre estes encontravam-se familiares e confederados no rei Vitiza (morto em 710), cristãos arianistas fugidos à conversões forçadas da Igreja Católica Visigótica e judeus perseguidos. Talvez tivessem sido esses refugiados que, através do Conde Julião tenham pedido ajuda aos muçulmanos do Norte de África para derrubarem Rodrigo, o novo rei dos visigodos.[carece de fontes?]

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Destino dos cristãos indígenas do noroeste de África após a conquista árabe

Segundo a perspectiva histórica convencional, a conquista islâmica do Norte de África pelo Califado Omíada entre 647 e 709 acabou de forma efetiva com o catolicismo em África durante vários séculos. A teoria mais aceite é que a Igreja desse tempo ainda não era sustentada numa tradição monástica e ainda sofria com a ressaca de heresias, entre as quais a donástica, e isso contribuiu para a extinção rápida da Igreja no atual Magrebe. Alguns historiadores realçam o contraste dessa situação com a do Egito, onde se considera que a forte tradição monástica copta foi um fator determinante para a sobrevivência da cristianismo como um credo maioritário no país até depois do século XIV.[carece de fontes?] Esse ponto de vista é contestado por novos académicos atualmente. Há registos de que o catolicismo persistiu na região desde a Tripolitânia, no que é hoje a Líbia, até o que é atualmente Marrocos durante vários séculos após a conquista árabe de 700. Sabe-se da existência de uma comunidade cristã em Cala, na Argélia central, em 1114 e há provas da de peregrinações religiosas ocorridas depois de 850 aos túmulos dos santos católicos fora da cidade de Cartago, além de evidências de contactos religiosos com cristãos da Ibéria muçulmana (al-Andalus). Outro indício é o facto das reformas de calendário adotadas na Europa terem sido disseminadas entre os cristãos de Tunes, o que não teria sido possível se não houvesse contactos com Roma.[carece de fontes?]

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