Confucionismo
Confucionismo, também conhecido como ruísmo ou classicismo ru, é um sistema de pensamento e comportamento originário da China antiga. Variadamente descrito como uma tradição, uma filosofia, uma religião humanista ou racionalista, um modo de governar, ou simplesmente um modo de vida, o confucionismo desenvolveu-se a partir do que mais tarde foi chamado de cem escolas de pensamento a partir dos ensinamentos do filósofo chinês Confúcio.
Estritamente falando, não há nenhum termo em chinês que corresponda diretamente ao "confucionismo". Na língua chinesa, o caractere rú 儒 que significa "erudito" ou "homem refinado" é geralmente usado tanto no passado quanto no presente para se referir a coisas relacionadas ao confucionismo. O caractere rú na China antiga tinha significados diversos. Alguns exemplos incluem "domar", "moldar", "educar", "refinar".:190–197 Vários termos diferentes, alguns dos quais de origem moderna, são usados em diferentes situações para expressar diferentes facetas do confucionismo, incluindo: Três deles usam rú. Esses termos não usam o nome "Confúcio", mas concentram-se no ideal do homem confucionista. O uso do termo "confucionismo" foi evitado por alguns estudiosos modernos, que preferem "ruísmo" e "ruístas". Robert Eno argumenta que o termo foi "sobrecarregado... com as ambiguidades e associações tradicionais irrelevantes". O ruísmo, como ele afirma, é mais fiel ao nome original chinês da escola.:7
Cinco Clássicos (五經, Wǔjīng) e a visão confucionista
Tradicionalmente, pensava-se que Confúcio era o autor ou editor dos cinco clássicos, que eram os textos básicos do confucionismo. O estudioso Yao Xinzhong admite que há boas razões para acreditar que os clássicos confucionistas tomaram forma nas mãos de Confúcio, mas que "nada pode ser dado como certo em relação às primeiras versões dos clássicos". Yao diz que talvez a maioria dos estudiosos hoje tenha a visão "pragmática" de que Confúcio e seus seguidores, embora não pretendessem criar um sistema de clássicos, "contribuíram para sua formação". O estudioso Tu Weiming explica esses clássicos como incorporando "cinco visões" que fundamentam o desenvolvimento do confucionismo:
A humanidade é o núcleo no confucionismo. Uma maneira simples de apreciar o pensamento de Confúcio é considerá-lo como sendo baseado em diferentes níveis de honestidade, e uma forma simples de entender o pensamento de Confúcio é examinar o mundo usando a lógica da humanidade. Na prática, os elementos do confucionismo acumularam-se ao longo do tempo. Existe o clássico Wuchang, constituído por cinco elementos: Há também o Sizi clássico, com quatro elementos: Há ainda muitos outros elementos, tais como: Chi (耻, vergonha, juízo e senso de certo e errado), Rang (让, modéstia, discrição). Entre todos os elementos, o Ren (Humanidade) e o Yi (Justiça) são fundamentais. Às vezes, a moralidade é interpretada como o fantasma da Humanidade e da Justiça. Ver agir em relação aos outros, mas de uma atitude subjacente da humanidade. O conceito de Confúcio de humanidade (仁, ren) é provavelmente melhor expresso na versão confucionista de Ética da reciprocidade, ou a Regra de Ouro: "não faça aos outros o que você não gostaria que fizessem a si".
Ritual
No Confucionismo, o termo "ritual" logo foi estendido para incluir o comportamento cerimonial secular e, eventualmente, refere-se também ao decoro ou polidez que se vê no dia a dia. Rituais foram codificados e tratados como um sistema completo de normas. O próprio Confúcio tentou reanimar a etiqueta das dinastias antigas. Após sua morte, as pessoas o viam como uma grande autoridade sobre os comportamentos dos rituais. É importante notar que o "ritual" desenvolveu um significado específico no confucionismo, ao contrário de seus significados religiosos usuais. No confucionismo, os atos da vida cotidiana são considerados rituais. Os rituais não são necessariamente regimentados ou práticas arbitrárias, mas sim as rotinas em que muitas vezes as pessoas se inserem, consciente ou inconscientemente, durante o curso normal de suas vidas. Moldar os rituais de uma forma que leve a uma sociedade saudável e satisfeita e a um povo saudável e satisfeito é um objetivo da filosofia confucionista.
Lealdade
A lealdade (忠, zhong) é equivalente à piedade filial em um plano diferente. É particularmente relevante para a classe social a que a maioria dos alunos de Confúcio pertencia, porque a única maneira de um jovem estudioso e ambicioso fazer o seu caminho no mundo confuciano chinês era entrar em um serviço civil no governo. Como a piedade filial, no entanto, a lealdade era frequentemente subvertida pelos regimes autocráticos da China. Confúcio defendia uma sensibilidade à Realpolitik das relações de classe na sua época. Ele não propôs que "o poder dá a razão", mas que um ser superior que recebeu o "mandato do céu" (天命) deveria ser obedecido devido a sua retidão moral.
De acordo com He Guanghu, o confucionismo pode ser identificado como uma continuação da religião oficial Shang-Zhou (~1600–256 a.C.), ou a religião aborígene chinesa que durou ininterruptamente por três mil anos. Ambas as dinastias adoravam a divindade suprema, chamada Shangdi (上帝 "Divindade Mais Alta") ou simplesmente Dì (帝) pelos Shang e Tian (天 "Céu") pelos Zhou. Shangdi foi concebido como o primeiro ancestral da casa real Shang, um nome alternativo para ele ser o "Progenitor Supremo" (上甲 Shàngjiǎ). Na teologia Shang, a multiplicidade de deuses da natureza e ancestrais eram vistos como partes de Di, e os quatro 方 fāng ("direções" ou "lados") e seus 風 fēng ("ventos") como sua vontade cósmica. Com a dinastia Zhou, que derrubou os Shang, o nome da divindade suprema tornou-se Tian (天 "Céu"). Enquanto os Shang identificavam Shangdi como seu deus ancestral para afirmar sua reivindicação de poder por direito divino, os Zhou transformaram essa reivindicação em uma legitimidade baseada no poder moral, o Mandato do Céu. Na teologia de Zhou, Tian não tinha descendência terrena singular, mas concedeu favor divino a governantes virtuosos. Os reis Zhou declararam que sua vitória sobre os Shang foi porque eles eram virtuosos e amavam seu povo, enquanto os Shang eram tiranos e, portanto, foram privados do poder por Tian.


