Confederação Abolicionista
A Confederação Abolicionista brasileira foi uma organização política criada em 9 de maio de 1883, com o objetivo de pressionar o governo brasileiro para que pusesse fim na escravidão. A Confederação Abolicionista foi capaz de coligar sociedades antiescravistas de todo o Império. Seus meios de ativismos se deram principalmente na imprensa, no teatro, na organização de reuniões e conferências e nos fundos de emancipação locais. Dentre seus membros estavam alguns dos mais ilustres líderes do Movimento Abolicionista brasileiro, tais como: José do Patrocínio, Joaquim Nabuco, André Rebouças, Luiz Gama e João Clapp.
A Confederação Abolicionista foi criada em 1883 no Rio de Janeiro, pelos abolicionistas André Rebouças e José do Patrocínio. A organização defendia uma abolição ampla, imediata, e sem indenização para os proprietários de escravos. O abolicionismo teve diversos fomentadores tanto inter-regionais, como nacionais, alguns desses foram: Luiz Gama, que de acordo com Alonso (2015), foi a pessoa por trás da articulação do ativismo judicial; Abílio Borges, que uniu a mobilização nacional e estrangeira e Joaquim Nabuco aprofundou; José do Patrocínio que coordenou as eximias estratégias no espaço público; e André Rebouças que dentre todos foi o mais importante articulador do Movimento, visto que esse era aristocrata e filho de politico. Assim André Rebouças detinha inúmeras conexões, e deste modo conseguiu transitar nos espaços púbicos, instituições politica, fazer negócios com empresários, e etc. O mesmo, conseguiu se aproximar dos estudantes, profissionais de teatros, dentre outros. Deste modo se tornou um grande influenciador do movimento.
O Manifesto da Confederação Abolicionista do Rio de Janeiro é retratado em uma reunião da Confederação Abolicionista em 11 de agosto de 1883. Dentre de todo o conteúdo contido no manifesto está a afirmação de que propaganda abolicionista não era um anseio ou uma questão anarquista sentimentalista, nem tão pouco uma questão filosófica, mas sim uma apresentação do direito que se encontrava nos tratados parlamentaristas. A propaganda abolicionista dentro dos limites constitucionais tinha o direito de pedir que os delegados do povo a ouçam. Ou seja, inicialmente o texto trás um vocativo (Augustos e Digníssimos Representantes da Nação Brasileira) que nos mostra, que a intenção é que todas as províncias e pessoas do Império escute o que é falado, pois de acordo com o texto a pose de escravo é criminosa, visto que, a liberdade humana é fundamental para que possa atuar as três leis naturais do progresso social que são: solidariedade, concurso e mutualidade.
Nos primórdios de sua formação o Movimento Abolicionista brasileiro relacionou-se com movimentos internacionais e inspirou-se em suas formas de ação. No entanto, diante das especificidades do cenário brasileiro, as ações não puderam ser simplesmente transpostas a militância brasileira. O modelo mobilizador anglo-americano norteou as ações do movimento brasileiro. Mas, ao contrário do caso estadunidense, por exemplo, que contava com o apoio da Igreja protestante e organizava sua militância nas associações Quaker. No Brasil, um país católico, a Igreja era uma das instituições do Estado, assim como o escravismo; cenário similar ao das colônias espanholas: Porto Rico e Cuba - os quais nos anos 1870 também passavam pelo processo de abolição. A Confederação Abolicionista formulou várias estratégias para vencer a luta contra a escravidão, e uma das maiores armas utilizadas pelos abolicionistas foi a retórica. A prática discursiva da retórica foi introduzida pela tradição intelectual e política do país através das instituições de ensino portuguesas. Para o autor Júlio César de Souza Dória (2015) na década de 1880 a retórica era o que estruturava o contexto linguístico e político brasileiro. A presença de elementos de retórica nos discursos do parlamento, ruas, conferências e artigos de jornais que circulavam no Império demonstram que a adoção dessa prática discursiva servia como forma de articulação das ideias, com o objetivo de convencer o público e os opositores da causa. Entretanto, após o ano de 1885 o Movimento Abolicionista insatisfeito com a lentidão do projeto de abolição gradual da escravidão se rebelou contra o Estado, mudando assim seu caráter pacífico.
Formas legais de ativismo
A Imprensa periódica se faz presente na América Portuguesa regularmente desde o século XVII, através das publicações portuguesas e de outros países da Europa. No Brasil os impressos começaram a ser produzidos em 1808 e se consolidaram a partir de 1821. Durante o século XIX os jornais passaram a ser publicados diariamente e assim conquistaram espaço como uma importante fonte de informação da sociedade brasileira. Visto isso, a Confederação Abolicionista utilizou a imprensa como ferramenta imprescindível para formar a opinião pública a respeito da escravidão. Ao longo da década de 80 a discussão sobre a abolição se acentuou e os posicionamentos contra a escravidão se tornaram cada vez mais nítido. Nesse contexto, a imprensa serviu como meio propagandístico de ideias abolicionistas, sobretudo durante a década de 1880. Nos impressos os abolicionistas defendiam suas concepções em debates contra sujeitos reacionários e conservadores.
Formas ilegais de ativismo
As lutas sociais ocorridas na década de 80 contra escravidão levaram o Brasil a um clima de conflitos constantes, além disso, a repercussão das críticas ao escravismo que foram amplamente difundidas pelo Império através dos abolicionistas, no final do século XIX, causou um sentimento de repulsa em algumas pessoas sobre o sistema servil. Contudo, essas lutas foram capazes de levar o sistema escravista a sua degradação no fim do século XIX. Antes de 1887 existiam várias vertentes abolicionistas, umas mais conservadoras e outras mais radicais. Os conservadores não apoiavam a luta pela abolição com o contato direto com escravos. Enquanto que os mais radicais lutavam por uma completa reforma social brasileira. No ano de 1887 o Movimento Abolicionista tornou-se unânime, e segundo Maria Helena Machado (1994), após esse período os abolicionistas começaram a penetrar nas senzalas, organizando as fugas em massa e o abandono das fazendas. A partir disso o protesto dos escravizados ganhou conteúdo e direção política efetiva.
Este verbete é resultado do trabalho desenvolvido por alunas da graduação em História da UFRPE em 2021, na disciplina ministrada pela professora Maria Emília Santos, História da Cultura Afro-Brasileira. Teve como objetivo principal mostrar o surgimento da Confederação Abolicionista, apresentando o seu contexto histórico e as suas formas de atuação dentro do Movimento Abolicionista. Para embasar o trabalho foram realizadas leituras bibliográficas específicas sobre o assunto, e também as pesquisas realizadas pelas discentes Luana Lopes e Julyany Paz, com os respectivos títulos: “Espetáculos da Liberdade: O Movimento Abolicionista e o campo teatral na Cidade do Recife entre os anos de 1885 e 1888 (BIA-FACEPE)” e “A Confederação Abolicionista Pernambucana: práticas e performances entre os anos de 1883 e 1888 (PIBIC-CNPQ)”.


