A Cabana do Pai Tomás (telenovela)
A Cabana do Pai Tomás é uma telenovela brasileira produzida e exibida pela TV Globo de 7 de julho de 1969 a 28 de fevereiro de 1970, em 204 capítulos. Substituiu A Grande Mentira e foi substituída por Pigmalião 70, sendo a 6.ª novela das sete da emissora.
Em 1852 no Kentucky, Estados Unidos, o fazendeiro Artur Shelby (Turíbio Ruiz) precisa vender seu mais leal casal de escravos, Tomás (Sérgio Cardoso) e Cloé (Ruth de Souza), para quitar suas dívidas, o que entristece o filho dele, George (Érico Freitas), que promete os reencontra-los e liberta-los. Levados para Nova Orleans, eles são comprados pelo diplomata Saint Clair (Paulo Goulart), dando início a uma profunda amizade entre Tomás e seu novo senhor. Prima do diplomata, Ofelia (Maria Luíza Castelli) é uma abolicionista a frente de seu tempo, que vive um romance com o sedutor Dimitrius (também Sérgio Cardoso), ao mesmo tempo que ele se envolve com a bela Bárbara (Miriam Mehler). Prestes a alforriar Tomás e Cloé, Saint Clair é assassinado e a esposa dele, a fria Marie (Ivete Bonfá), que o desprezava e odeia negros, decide ignorar o desejo do falecido e vende-los junto com Bessie (Isaura Bruno) ao nefasto Legreé (Edney Giovenazzi). Após convencer a escrava Cassie (Jacyra Silva), que sofria abusos do senhorio, a fugir para o Canadá, onde não existe mais escravidão, e levar consigo Bessie, Tomás passa a sofrer maus-tratos constantes de Legreé, mas não desiste de ensinar aos demais escravos que existem pessoas boas no mundo e que a abolição um dia chegará.
Para a novela, a 6.ª da emissora no horário das 19 h, foram construídos dois estúdios na emissora em São Paulo. Uma embarcação do século XIX foi reproduzida para as gravações e uma colheita de algodão, numa fazenda de Campinas foi antecipada exclusivamente para que o local servisse de locação para a história. Porém, com o incêndio que destruiu parcialmente as instalações da emissora na capital paulista, apenas uma semana após a estreia da novela, a equipe de produção foi obrigada a se transferir para o Rio de Janeiro, onde passou a contar com menos recursos. Fábio Sabag dirigiu os oito primeiros capítulos, mas foi substituído por Daniel Filho, devido a uma séria estafa. Posteriormente Walter Campos e Régis Cardoso entraram na equipe de direção a pedido do ator Sérgio Cardoso. A Cabana do Pai Tomás foi a última novela da Globo inteiramente baseada em textos estrangeiros. A novela subsequente no horário, Pigmalião 70, já retratava a realidade brasileira.
Blackface e representação negra
A Cabana do Pai Tomás é considerada uma obra racista pelo uso de blackface — prática de atores brancos se pintarem de preto para pareceram negros. Sérgio Cardoso pintava o corpo com carvão de cortiça, utilizava peruca feita com mistura de cabelo e palha de aço e rolhas no nariz para alarga-los, além de falar e andar de forma que estereotipava os afro-brasileiros. A escolha de Sérgio foi uma imposição da Colgate-Palmolive, responsável pelo patrocínio das telenovelas da Globo na década de 1960, cuja filial americana não queria seus produtos, focados nas classes A e B, ligados à um ator negro. Nos Estados Unidos, na época, era comum o uso de blackface, porém a empresa não analisou as implicações disso no Brasil, um país miscigenado.
A novela começou a ser reprisada na faixa da tarde enquanto está no ar em suas últimas semanas entre 19 de janeiro a 30 de março de 1970 substituindo A Grande Mentira e sendo substituída por Pigmalião 70.


