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Conde de Vila Flor

Conde de Vila Flor é um título nobiliárquico de Portugal que teve duas criações, ambas no Século XVII. O título reporta-se ao antigo concelho de Vila Flor, no Alto Alentejo, hoje integrado na Freguesia de Amieira do Tejo do Município de Nisa.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 15/07/2026
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1.ª Criação (1606)

Imagem: Antoine 49 · BY-NC-ND · Openverse

O título de Conde de Vila Flor foi primeiro criado por D. Filipe I de Portugal, II de Espanha, por Carta Régia de 14 de Julho de 1606, a favor de Luis Enríquez de Almansa, filho de Juan Enríquez de Almansa, 2.º marquês de Alcañices. O Conde era espanhol de origem e casando com Joana Quaresma, uma fidalga portuguesa, passou a Portugal, onde viveu até 1640, porquanto tomou partido pelos espanhóis aquando da Restauração e voltou a Espanha. Posteriormente o novo Rei D. João IV declarou vago o título.

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2.ª Criação (1661)

O título de conde de Vila Flor foi novamente instituído em 1659, por Decreto, e confirmado em 23 de Julho de 1661, em plena Guerra da Restauração, por Carta Régia de Rainha-Regente D. Luísa de Gusmão, em nome de seu filho D. Afonso VI, a favor do fidalgo D. Sancho Manuel de Vilhena e tornado de juro e herdade em favor do 2.º Conde D. Cristóvão.

História

D. Sancho Manuel, 1.º Conde, descendia por legítima varonia de Don Juan Manuel de Villena, Mordomo-mor do Imperador Carlos V e cavaleiro do Tosão de Ouro, descendente também por varonia de D. Henrique Manuel de Vilhena, Conde de Seia e Sintra, meio-irmão de D. Constança Manuel, casada com o Rei D. Pedro I de Portugal. Este era por sua vez neto do Infante Manuel e filho de João Manuel de Castela, Príncipe de Vilhena e Duque de Escalona e Penafiel, Regente de Castela, escritor, o autor do célebre El conde Lucanor, e por seu turno bisneto de Fernando III de Castela e Beatriz da Suábia, filha do Imperador do Sacro-Império Romano-Germânico, Rei dos Romanos, e neta de Inácio Angelo, Imperador Romano do Oriente, alegadamente remotamente descendente do Imperador Constantino e seu sucessor na Grão-Mestrado da Ordem Constantiniana.

Senhorios, Coutos e Comendas

A casa dos Senhores de Pancas, depois de unida à dos Senhores da Zibreira e Alcaides-Mor de Alegrete, antes da herdar a Casa dos Condes de Vila Flor e Duques da Terceira e de se unir à Casa Azarujinha, incluia o Senhorio do Couto e Coutada de Pancas, os Morgados de Santa Catarina em Alpedrinha, com a Capela do Leão, e o Morgadio de Alpedrinha, o Senhorio e Morgadio da Atalaya e da Orca, o Senhorio da Zibreira, o Morgadio da Tapada da Cubeira, o Morgadio da Golegã, Moura e castelo branco, as herdades dos Rabaços, Leiteiro e Barba de Alhos em Aviz, a Herdade do Valle do Junco em Aviz, as Terras da Tramagueira no Paul de Benavente e a Quinta e Olival da Castanheira, bem como um Olival em Souzel. Incluia ainda o Morgadio da Alcaparinha dos Abreus, unida à do Morgadio dos Lobeiro, do Vasco Lobeira do Amadis de Gaula. Herdou ainda o Morgadio criado pelo Bartolomeu da Fonseca, inquisidor, e as Capelas dos Anjos, dos Velhos, dos Oliveiras na Graça e dos Magalhães no Convento de S. Francisco de Xabregas.

Armas

Anselmo Braamcamp Freire na sua obra Brasões da Sala de Sintra dedica o capítulo XVII, no Vol. III, aos Manuel. As armas dos Manuel condes de Vila Flor eram: escudo esquartelado: I e IV de vermelho, com uma asa de ouro, terminada por mão de carnação, empunhando uma espada de prata, guarnecida de ouro; II e II de prata, com um leão de azul (ou de negro) armado e lampassado de vermelho. Timbre: os móveis do I quartel. Estas armas encontram-se no Livro do Armeiro-Mor (fl 57r) e no Livro da Nobreza e Perfeiçam das Armas (fl 11v), e ainda na Sala de Sintra. No Thesouro de Nobreza as armas do Conde de Vila Flor são idênticas (fl 24r), enquanto as armas de Manuel apresentam as mesmas peças, mas com a disposição dos quartéis erradamente alterada (fl 29r).

Património

Os condes de Vila Flor habitaram tradicionalmente o Palácio de Arroios, na freguesia de São Jorge de Arroios em Lisboa. Foi lá que o filho do 2.º Conde de Vila Flor recebeu o Grão-Mestre de Malta, seu tio, num magnífico mítico jantar e onde se hospedou durante larga temporada S.A.R. o duque de Sussex, irmão do Rei de Inglaterra, a convite do Conde de Alpedrinha. Esse Palácio foi demolido na década de 1950. Também pertenceu à família o Palácio do Sobralinho, no concelho de Vila Franca de Xira, posteriormente propriedade de Armindo Monteiro, Ministro em diversas pastas dos governos de Salazar, e atualmente propriedade da Câmara Municipal de Vila Franca de Xira. O Palácio Vila Flor Antigo em S. João da Praça, outro dos Palácios da Casa, está hoje dividido num condomínio de apartamentos, e ninguém se recorda quando foi alienado. Pertenceu ainda aos Condes de Vila Flor, no séc. XVIII, o Palácio da Palhavã onde funcionou o Tribunal da Inquisição, segundo as Memórias Paroquiais de 1758, publicadas Por Fernando de Portugal e Afonso de Matos em 1975. O Palácio Pancas, dos Condes de Alpedrinha, também deixou de ser habitado pela família no início do século XIX. Quanto aos Palácios do Campo de Santana (actual Embaixada de Itália) dos Condes de Azarujinha, bem como o emblemático Chalet Azarujinha no Estoril, dispersaram-se em partilhas. Neste início de século XXI, a família dos Condes de Vila Flor e Alpedrinha, Condes de Azarujinha, Duques da Terceira, etc, habita o Palácio Vila Flor, à Costa do Castelo, e possui o Palácio dos Condes de Azarujinha na Azaruja, no Alentejo, bem como alguns ramos o Solar de Gogim. A mãe do actual Conde mora em Sintra numa casa nobre que, no século XIX, pertenceu aos O´Neill.

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Fontes consultadas

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