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Concílio de Vienne

O Concílio de Vienne foi o décimo-quinto concílio ecumênico da Igreja Católica, tendo se reunido entre 16 de Outubro de 1311 e 6 de Maio de 1312 em Vienne, na França. Seu principal resultado foi o de retirar o apoio papal aos Cavaleiros Templários por estímulo do rei da França, Filipe IV.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 12/07/2026
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Contexto

Os Cavaleiros Templários foram fundados logo após a Primeira Cruzada de 1096 para garantir a segurança dos peregrinos para a recém-conquistada cidade de Jerusalém. Nos anos seguintes, a ordem cresceu em poder e em riqueza. No início do século XIV, o rei Filipe IV da França necessitava urgentemente de dinheiro para continuar a sua guerra contra a Inglaterra e, por isso, ele acusou o Grão-mestre dos Templários, Jacques de Molay, de corrupção e heresia. Em 1307, Filipe mandou prender muitos dos cavaleiros franceses, acusados de heresias, e os fez torturar pelas autoridades francesas até que lhes arrancassem uma confissão. Esta ação o liberou da obrigação de pagar os empréstimos que tinha tomado dos Templários, além de permitir também que ele tomasse todos os ativos da ordem na França. O Papa Clemente V estava sob o controle de Filipe. Um dos seus predecessores, Bonifácio VIII, tinha alegado sua supremacia sobre Filipe e tentou excomungá-lo quando ele discordou. Porém, Bonifácio foi sequestrado em Anagni por um grupo de cavaleiros sob o comando dos homens de Filipe. Embora ele tenha sido solto depois, o já envelhecido Bonifácio morreu logo em seguida. Seu sucessor, Papa Bento XI, durou menos de um ano até que ele também morreu, provavelmente envenenado por um agente de Filipe, Guillaume de Nogaret. O francês Clemente foi assim fortemente pressionado a seguir as ordens de Filipe. Embora os concílios ecumênicos da Igreja Católica sejam convocados pelo Papa, o concílio de Vienne foi, na realidade, convocado a pedido do rei francês para desmontar os Templários nos demais países onde eles atuavam.

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A convocação do Concílio

O Papa Clemente V provocou o concílio emitindo duas bulas, Faciens misericordiam e Regnans in coelis, em agosto de 1308. A cidade escolhida foi Vienne, que fica no rio Ródano, no sul da França, uma região que na época estava fora do controle direto de Filipe IV. Esta escolha visava dar uma impressão de ação independente por parte do Papa. O principal item na agenda do concílio não citava apenas a Ordem dos Cavaleiros Templários em si, mas também "suas terras", o que indicava que novos confiscos estavam previstos. Porém, a agenda também convidou arcebispos e prelados a trazerem propostas para melhorias na vida da Igreja. Uma nota especial foi enviada aos Templários ordenando-os a enviarem defensores adequados para o concílio. O Grão-mestre Jacques de Molay e outros também foram obrigados a aparecer em pessoa. Porém, Molay já tinha sido preso em Paris e os julgamentos de outros templários já estavam em andamento. Esta questão atrasou a abertura do concílio, que finalmente se reuniu em 16 de outubro de 1311. Os presentes consistiam em vinte cardeais, quatro Patriarcas, por volta de cem arcebispos e bispos, além de diversos abades e outros religiosos.

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Decisões tomadas

Os atos do concílio desapareceram, com exceção de um fragmento de um manuscrito na Bibliothèque Nationale de Paris e dos documentos financeiros dos templários que tinham sido previamente requisitados. O trabalho do concílio não foi feito em sessão plenária, com uma comissão tendo sido apontada para examinar estes registros oficiais sobre a ordem e um comitê menor, de arcebispos e bispos presididos pelo arcebispo de Aquileia, que tinha por objetivo examinar exaustivamente os registros oficiais e os resumos preparados. O Papa e os cardeais negociaram com membros desta comissão de acordo com o assunto. Uma comissão de cardeais também foi indicada para investigar as reclamações e propostas apresentadas sobre o assunto das reformas internas da Igreja. A maioria dos cardeais e quase todos os membros da comissão eram da opinião de que a Ordem dos Cavaleiros Templários deveria ter o direito de se defender e que nenhuma prova até então coletada era suficiente para condenar a ordem como um todo da heresia de que era acusada pelo ministro de Filipe sem que fosse necessário "torcer" a lei canônica. A discussão sobre a ordem foi então colocada em espera. O tópico mudou para a necessidade de uma expedição à Terra Santa e sobre a tão necessária reforma da Igreja, sobre a moral eclesiástica. Os delegados do rei de Aragão queriam que a cidade de Granada fosse atacada também nesta mesma cruzada, uma forma de atacar de flanco os muçulmanos. Já outros queriam uma cruzada somente no oriente.

Cátedras universitárias

O concílio também decretou estabelecimento de cátedras de grego, hebreu, aramaico e árabe nas universidades de Avignon, de Paris, de Oxford, de Bolonha e de Salamanca. Isso embora depois a cátedra de árabe não tenha sido criada em nenhuma delas.

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Fontes consultadas

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