Basílica de São Paulo Extramuros
Basílica Papal de São Paulo Extramuros, chamada também de Basílica Papal de São Paulo fora dos Muros, é uma das quatro basílicas papais de Roma juntamente com a Arquibasílica de São João de Latrão, a Basílica de Santa Maria Maior e a Basílica de São Pedro e uma das sete igrejas de peregrinação de Roma. É uma das propriedades extraterritoriais da Santa Sé em território italiano e fora do Vaticano, localizada no quartiere Ostiense da capital. Isto significa que o território da basílica é inteiramente parte da Santa Sé e a Itália está legalmente obrigada a reconhecer a soberania papal no local e a conceder-lhe "imunidade concedida pelo Direito Internacional às sedes de agentes diplomáticos de estados estrangeiros".
São Paulo fora da Muralha foi fundada pelo imperador romano Constantino I sobre o túmulo de São Paulo, exatamente no local onde, depois da decapitação do apóstolo, seus seguidores erigiram um tropaeum (troféu) conhecido como cella memoriae. Este primeiro edifício foi ampliado por Valentiniano I na década de 370. Em 386, Teodósio I (r. 379–395) começou a construção de uma basílica muito maior e mais bonita, dotada de uma nave central ladeada por dois corredores de cada lado com um transepto; a obra, incluindo a suntuosa decoração em mosaico, só se completou no papado de Leão Magno (r. 440–461). Nesta época, São Paulo fora da Muralha era maior que a Antiga Basílica de São Pedro. O pota cristão Prudêncio, que a visitou na época do imperador Honório (r. 395–423), descreve o que viu em pouca linhas bastante expressivas. Como ela era dedicada também aos santos Taurino e Herculano, mártires de Óstia Antiga do século III, ela era conhecida na época como 'Basilica trium Dominorum ("Basílica dos Três Senhores").
Incêndio
Em 15 de julho de 1823, um incêndio provocado pela negligência de um operário que trabalhava na cobertura de chumbo do telhado resultou na destruição quase completa da basílica, que, única entre todas as igrejas de Roma, tinha preservado seu formato original por 1 435 anos. Ela foi restaurada por Luigi Poletti e reaberta em 1840. Em 1855, foi reconsagrada pessoalmente pelo papa Pio IX acompanhado de cinquenta cardeais. O fim das obras levou mais tempo e muitos países contribuíram. O vice-rei do Egito enviou pilares de alabastro, o imperador da Rússia, as pedras-preciosas malaquita e lápis-lazúli para o sacrário. A obra na fachada principal de frente para o Tibre foi completada pelo governo italiano, que declarou a igreja um monumento nacional. Em 23 de abril de 1891, a explosão do depósito de pólvora do Forte Portuense destruiu todos os vitrais.
O pórtico coberto que precede a fachada é uma adição neoclássica da reconstrução no século XIX. A porta do século XX incorpora o que restou da original constantinopolitana, que tinha cenas do Antigo e do Novo Testamento. À direita está a Porta Santa, que é aberta apenas durante um jubileu. A nova basílica manteve a estrutura original de uma nave e quatro corredores, com 131 metros de comprimento, 65 metros de largura e quase 30 metros de altura no interior, a segunda maior igreja de Roma. As oitenta colunas da nave e o teto decorado em estuque são do século XIX. Tudo o que restou da antiga basílica é a parte interior da abside, inclusive o arco triunfal. O mosaico da semicúpula da abside, obra de Pietro Cavallini, foram quase totalmente perdido no incêndio e os fragmentos que restaram foram incorporados na reconstrução. Já os mosaicos do arco são originais do século V: uma inscrição na parte inferior atesta que foram feitos na época de Leão I e pagos por Gala Placídia. O tema é o Apocalipse de João, com o busto de Cristo no meio rodeado por 24 Doutores da Igreja e encimado pelos símbolos dos evangelistas. São Pedro e São Paulo estão à direita e à esquerda do arco, este último apontando para baixo (provavelmente para seu túmulo).
De acordo com a tradição, o corpo de São Paulo foi enterrado a pouco menos de quatro quilômetros de seu martírio, num local à beira da Via Ostiense que pertencia a uma cristã chamada Lucina. Um tropeu foi erigido no local e logo se tornou um local de peregrinação e veneração.[b] Constantino I erigiu sua basílica no local onde ficava o tropeu e esta foi substituída no século IV pela basílica maior, destruída no século XIX. Nesta época, as relíquias de São Paulo, com exceção de sua cabeça, foram colocadas num sarcófago (conta a tradição que a cabeça está em São João de Latrão) sob uma laje de mármore na cripta da basílica, a pouco menos de 1,5 metros abaixo do altar-mor. Nela está inscrito "PAULO APOSTOLO MART ("a Paulo, apóstolo e mártir"). O sarcófago dentro do túmulo mede 2,55 m de comprimento, 1,25 m de largura e 1 m de altura. A descoberta do sarcófago está mencionada na crônica do mosteiro beneditino anexo à basílica e se deu durante a reconstrução no século XIX. Ao contrário de outros sarcófagos encontrados na época, este não foi mencionado nos documentos da escavação.


