Conceição de Macabu
Conceição de Macabu é um município brasileiro do Estado do Rio de Janeiro, situado a 227 km da capital fluminense. Sua população estimada para 2020 é de 23.551 habitantes, sua área é de 348,328 km², e está situado na região Norte Fluminense. Suas coordenadas geográficas são 22° 05' 06" S 41° 52' 04" O. Divide-se internamente em dois distritos: Conceição de Macabu, 1º distrito e sede do município; e Macabuzinho, segundo distrito. É conhecida como a “Cidade Simpatia”, alcunha que lhe foi conferida pelo paisagista Roberto Burle-Marx em 1957.
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Conceição de Macabu é a junção de Nossa Senhora da Conceição, a Padroeira, com Rio Macabu, principal curso hídrico do município. Embora o Rio Macabu conste de documentos Históricos desde o século XVII, quando foi descrito pelos Sete Capitães em sua primeira viagem ao Norte Fluminense. A união dos dois termos só ocorreu em 6 de outubro de 1855, quando a Lei Provincial 812 criou a Freguesia de Nossa Senhora da Conceição de Macabu. Há três versões para a palavra Macabu, sendo a primeira mais aceita: 1. Seria um termo da Língua Geral, significando “rio das macaúbas”, uma referência a macaúba (Acrocomia aculeata), uma palmeira comum na região. 2. Macabu seria uma corruptela de Macacu, criada quando os Sete Capitães o descobriram e batizaram, por acharem-no Rio Macabu parecido com o Rio Macacu. Essa informação consta do "Roteiro dos Sete Capitães, cujo título original era "Descrição que faz o capitão Miguel Aires Maldonado e o capitão José de Castilho Pinto e seus companheiros dos trabalhos e fadigas das suas vidas, que tiveram nas conquistas da capitania do Rio de Janeiro e São Vicente, com a gentilidade e com os piratas nesta costa”, onde se lê a seguinte narrativa:
Imagem: Marcelo Abreu Gomes · CC0 · Openverse
Área e Localização
O município tem área de 349,211 Km² , está localizado na região Norte Fluminense, Estado do Rio de Janeiro, fazendo limites a Leste com Quissamã e Carapebus, a Oeste com Trajano de Morais, ao Norte com Campos dos Goytacazes e Santa Maria Madalena e, ao Sul e Sodoeste, com Macaé. Suas coordenadas geográficas são 22°05’06” de latitude Sul, e 41°51’04” de longitude Oeste, determinadas para a sede do município, tendo por base a Estação Ferroviária, que também é referência para determinação da altitude média da sede, cerca de 39 metros.
Relevo
Situado entre a Planície Litorânea e a Serra do Mar, apresenta duas regiões distintas, divididos entre as parcelas ocidental e oriental do município: Relevo da Parte Ocidental e o Relevo da Parte Oriental.
Hidrografia
O município se situa entre duas bacias hidrográficas, a maior e mais importante, do rio Macabu, ao Norte; a do rio Macaé, ao Sul. O Rio Macabu nasce na Serra do Macabu, no município de Trajano de Moraes, a uma altitude superior a 1.200 metros, distante 40 Km de sua nascente principal, que o rio Macabu, represado, forma o lago da Hidrelétrica do Macabu, com 11 Km de comprimento por até 500 metros de largura. Suas águas são desviadas por aqueduto artificial subterrâneo até o distrito macaense de Glicério, onde sua força mecânica é transformada em elétrica. Suas águas são, portanto, desviadas para o rio Duas Barras, seguindo para o Rio São Pedro, e deste para o Rio Macaé. Com suas águas desviadas para outra bacia hidrográfica, o Macabu desaparece por 5 Km, depois da barragem de concreto próximo a Sodrelândia, onde é visível o leito seco do rio, que renasce através das águas de pequenos córregos, novamente transformando-se em rio, na verdade renascendo, o que nos faz pensar em dois rios Macabu, separados pela barragem. Após quilômetros precipita-se, então, em sua maior e mais bela cachoeira: a da Fumaça, de onde vai encontrar-se com seu primeiro rio afluente, o Carukango, já em terras de Conceição de Macabu, Santa Maria Madalena e Trajano de Moraes. A partir daí, o Rio Macabu perde as características de curso hídrico encachoeirando, tornando-se um rio de planície ou de aluvião, moldando-se ao extenso e fértil vale, que o acompanhará até próximo da Lagoa Feia, entre Campos e Quissamã, onde tem sua foz.
Clima
Dois tipos de Climas são registrados no Município, de acordo com os tipos de Relevo presentes:
Vegetação e fauna
A vegetação predominante é a Mata Atlântica, com fauna típica da mesma. Entre 1985 e 2017, o êxodo rural e o declínio da atividade canavieira, provocaram um aumento da área verde no município, que subiu de 10.504 ha (28%) para 11.288 ha (33%).
Solo
O tipo de solo predominante em quase 80% do município é o Latosolo, que aparece nos morros e montanhas. Tais solos são pobres em húmus, necessitando de adubação para serem cultivados, além de práticas de conservação, como curvas de nível, terraços, cobertura morta, adubação verde, etc. A pobreza em húmus do latosolo deve-se à ação contínua dos agentes erosivos, uma vez que este solo era coberto por densa vegetação e, com sua queima, desprotegido, teve sua camada de húmus carregada para o leito dos cursos hídricos, provocando seu assoreamento. Outros 12% do município é ocupado por solos Hidromórficos, caracterizados pela excessiva umidade e fertilidade; no primeiro caso devido às altitudes baixas e à presença de rios e córregos, no segundo caso em consequência das cheias, que restabelecem a fertilidade dos solos de planície predominantemente Hidromórficos.[carece de fontes]? A frequência cada vez menor de cheias, aliadas ao péssimo uso do solo para agropecuária, vem causando seu crescente empobrecimento.
Imagem: INPE - Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais · BY-SA · Openverse
O município foi formado pela união de dois distritos macaenses, razão pela qual sua divisão interna se mantém em dois distritos: o Primeiro Distrito, a sede, Conceição de Macabu; o Segundo Distrito, Macabuzinho.
Após a Proclamação da República, sob o governo estadual de Francisco Portela, foram criados diversos municípios no Estado do Rio de Janeiro. Nesse contexto, em 1891, Conceição de Macabu, que pertencia a Macaé, foi emancipado pela primeira vez, tornando-se a Vila de Macabu pelo Decreto Estadual 205 de 1 de maio de 1891, tendo como segundo distrito o Curato de Santa Catarina. Entretanto, com a renúncia do Presidente da República, o Marechal Deodoro da Fonseca e a consequente queda de seus aliados, como o governador do Estado, Francisco Portela, seu sucessor no governo estadual, Carlos Baltazar de Oliveira, extinguiu vários municípios, dentre eles, a Vila de Macabu, que durou menos de um ano, sendo extinto pelo Decreto Lei 52, de 29 de abril de 1892, voltando a ser anexado a Macaé, dessa vez, como seu 5º distrito. No alvorecer do século XX, o café aliado a crescente produção de açúcar, tornou o distrito de Conceição de Macabu o mais importante do município de Macaé. Tal importância se fazia não apenas no campo econômico, mas também, no campo social e político, com diversos macabuenses se destacando a nível estadual e nacional, como o coronel Nestor Gomes, a cantora Ângela Maria, juristas e políticos como os irmãos Sylvio, Macário e Aloysio Picanço, Milne Ribeiro; médicos e políticos como os irmãos Barbosa Moreira, com Dermeval, Waldi e Water. No cinema com Eliezer Gomes, nos esportes com Policarpo Ribeiro e Cleóbulo Faria. Mostrando a importância de Macabu além da economia, mas também nos campos da Saúde, Política, Artes, Esporte e Direito.
Povos originais
Índios dos grupos saruçus, coroados e goitacás estão entre os habitantes originais do município, segundo cronistas dos séculos XVII, XVIII e XIX, como Couto-Reys, Monsenhor Pizarro e J. Norberto Souza e Silva. Em geral eram nômades, vivendo de caça e pesca, estavam organizados em tribos, eram coletivista e igualitários. Apesar dos inúmeros objetos indígenas e faisqueiras encontradas no município, pouco se sabe sobre eles. Em geral, o grupo mais estudado, o dos goitacás, costuma servir de referência para os demais, embora pertencessem ao grupo Macro-Gê, enquanto os demais eram do grupo Tupi. As últimas notícias desses índios se referem aos saruçus e estão datadas de 1888.
Início da colonização
Conceição de Macabu foi parte da Capitania de São Tomé, até ser doado em sesmaria aos Sete Capitães, militares portugueses que foram os primeiros exploradores europeus do Norte Fluminense. Com a divisão entre os sete capitães da sesmaria, as terras do município ficaram situandas na parcela do capitão Miguel Aires Maldonado. Isso não significou a exploração do território do município, que do século XVI ao XVIII permaneceu exclusivamente indígena, sem registro de exploração do interior até 1748. Na segunda metade do século XVIII, por volta de 1748, os índios saruçus, habitantes do Sertão de Macabu, foram reunidos, aldeados e catequizados pelo missionário Antônio Vaz Pereira na Aldeia de Nossa Senhora das Neves e Santa Rita. Entretanto, conflitos com colonos levaram os saruçus a abandonarem a missão e retornarem ao Sertão do Macabu alguns anos depois, o que deu início a colonização da região, com a abertura de caminhos terrestres e fluviais.
Charles Darwin
O naturalista inglês Charles Darwin esteve hospedado e fez pesquisas em três fazendas do município de Conceição de Macabu, como descreveu em seu diário. Uma dessas fazendas, onde chegou no dia 12 de abril de 1831, pertencia ao capitão Manoel Joaquim de Figueiredo. A segunda fazenda, um pernoite, não há uma localização específica, mas especula-se a Fazenda São Manoel, hoje parte da localidade do Curato de Santa Catarina. A terceira fazenda, ponto final da viagem de Darwin ao interior fluminense, pertencia ao cidadão irlandês Patrick Lennon e, localizava-se nas proximaidades da localidade da Palioca, estendendo-se até o Rio Macabu, ou seja, englobando até mesmo a cidade de Conceição de Macabu.
O Quilombo do Carukango
Entre 1819 e 1831 a região entre Conceição de Macabu e Macaé sediou um quilombo que ficou conhecido na literatura histórica e tradição oral como Quilombo do Carukango, nome do seu líder, o africano Carukango, cujo nome de batismo cristão era Antônio Moçambique. Segundo o livro Evocações – Crimes Célebres em Macahé, a mais antiga narrativa sobre o evento, o quilombo foi duramente combatido e seu líder, após uma falsa rendição, foi executado e seu corpo barbarizado. Nos últimos anos, além da fonte literária já descrita, inúmeros documentos originais, como Autos de Devassa, Registros de Óbitos e Registros de Terras, tem colaborado para confirmação das informações descritas no livro Evocações.
Fera de Macabu
Manoel da Motta Coqueiro possuía duas fazendas em Conceição de Macabu, as propriedades denominadas Bananal e Carrapato, sendo a primeira na região de Santa Catarina e a segunda, na região de Macabuzinho. Na Fazenda Bananal, em 1852, uma chacina dizimou uma família de oito pessoas, levando a prisão e condenação de Motta Coqueiro à morte, apesar do processo irregular, sem provas, confissões e valendo-se de depoimentos dos escravizados do próprio acusado, o que era ilegal à época. Apesar dos apelos, inclusive ao imperador Dom Pedro II, a pena foi mantida e a execução efetuada em 6 de março de 1855, no Largo do Rossio, em Macaé, sede do município ao qual Conceição de Macabu pertencia.
Freguesia de Nossa Senhora da Conceição de Macabu
O crescimento da economia, da população e da importância da região levou a criação da Freguesia de Nossa Senhora da Conceição de Macabu, pela Lei Provincial 812 de 6 de outubro de 1855. As mesmas particularidades trouxeram para região o ramal ferroviário da Companhia Estrada de Ferro Barão de Araruama em 1878, dinamizando ainda mais o povoamento da região, que triplicaria sua população em menos de 5 anos. No ano de 1890, o ramal ferroviário da companhia foi repassado à Estrada de Ferro Leopoldina, sendo a partir daí, responsável por todo o transporte de cargas e de passageiros da região.
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Intendentes (1891 a 1892)
Intendente era a denominação dos administradores municipais até 1930, equivalente ao cargo de prefeito, só que não era eleito para o cargo, mas, escolhido entre um dos vereadores do município. Vigorou no período Imperial e início da República, muitas vezes era um cargo nomeado pelo governo da Província ou do Estado, como ocorreu com todos os Intendentes de Conceição de Macabu durante a Primeira Emancipação (1891-1892). Foram eles:
Prefeitos (1952-2021)
Prefeito é a denominação do administrador municipal, instituído em todo Brasil a partir de 1930. Via de regra os prefeitos são eleitos diretamente, sendo que, em caso de vacância do cargo, o mesmo é substituído pelo vice-prefeito ou presidente da câmara municipal. O primeiro prefeito de Conceição de Macabu, eleito em 1952, não tinha vice-prefeito, pois tratou-se de uma gestão que deveria ser substituída pelo novo prefeito, eleito em 1954, seguindo o calendário eleitoral do país. Foram eles:
Poder legislativo
O Poder Legislativo é representado pela câmara municipal, composta por onze vereadores com mandato de 4 anos. Cabe aos vereadores na Câmara Municipal de Conceição de Macabu, especialmente fiscalizar o orçamento do município, além de elaborar projetos de lei fundamentais à administração, ao Executivo e principalmente para beneficiar a comunidade. Durante a Primeira Emancipação (1891-1892), a Câmara tinha 5 vereadores, sendo que um deles respondia também pela Intendência. De 1952 até 1967 eram 7 vereadores, a partir daí e até 1988, eram 9 vereadores, número que foi ampliado para 11 há 10 anos. A atual presidente da Câmara Municipal é a vereadora Nathália Braga, do PSDB.
Imagem: Marcelo Abreu Gomes · CC0 · Openverse
Segundo o Mapa de Cultura do Estado do Rio de Janeiro, a Cultura e o Turismo no município se fundem, tendo funções exclusivas ou mesclando interesses culturais e turísticos.
Espaços Culturais
Inaugurada em 15 de março de 2008, a Casa da Seresta é o ponto de encontro dos músicos macabuenses. Antes dela, eles se reuniam em botecos, calçadas e varandas de casas seresteiras nos encontros semanais dedicados ao gênero musical mais tradicional de Conceição de Macabu. Praça central da cidade, ocupa um espaço de mais de 10.000 m², mesclando área verde, lago, parque, busto, área de esportes, etc. Seu nome é uma homenagem ao médico José Bonifácio Tassara, benfeitor da cidade e residente numa sola ao lado da praça. Criada em 2004, a Casa de Cultura funciona em um prédio que abrigou uma unidade de beneficiamento de grãos. No espaço de amplas instalações são realizados encontros culturais e exposições.
Manifestações da Cultura Material e Imaterial
Considerado um importante celeiro de novos talentos musicais, o município de Conceição de Macabu mantém mais viva do que nunca a tradição da seresta. Na esteira do codinome "Cidade da Seresta do Norte Fluminense", um naipe de antigos músicos ajuda a preservar e difundir o gênero. Ao mesmo tempo, respalda a nova geração de instrumentistas de corda e sopro em formação. O melhor exemplo é o Grupo Clave de Sol, cria da Escola Macabuense de Música e Arte, que já começa a conquistar seu espaço. Em Conceição de Macabu, a seresta é uma paixão. Desde 1979, o Grupo Lua Cheia reúne músicos que preservam e difundem a tradição local da seresta. Maior e mais famoso quilombo da região, foi liderado pelo escravizado Carukango.
Turismo
O Turismo se baseia nos aspectos naturais do município, como o constituído por montanhas, planícies, florestas e rios, e, por tradições festivas e culturais, como:


