Portátil Magalhães
O portátil Magalhães foi um computador portátil, de baixo custo, montado em Portugal. Era baseado na segunda versão do portátil Classmate PC da Intel.
A segunda versão foi apresentada em conferência de imprensa a 8 de janeiro de 2009 pela J. P. Sá Couto. Esta versão chama-se Magalhães 2. Segundo a empresa, a segunda versão não iria substituir a primeira, coexistindo ambas no mercado, prevendo-se que o custo seja 30 a 40 euros superior à primeira versão. Só em julho ou agosto de 2009 é que começaria a ser produzido, e em setembro passou a estar disponível para comercialização. Esta nova segunda versão esteve disponível no programa e-escolinha. Esta versão resulta num memorando de entendimento, assinado em 21 de novembro de 2008, entre as empresas J.P. Sá Couto, Intel e a associação Centro para a Excelência e Inovação na Indústria Automóvel (CEIIA). A primeira versão e a segunda versão do Classmate PC da Intel e a segunda versão do Magalhães e o Albacomp Activa.
Previa-se que o Magalhães fosse exportado para Macau através de uma parceria com a empresa local TeckEd para distribuição e comercialização no país. Em 2011 foram exportados 378 580 computadores para a Venezuela, havendo uma segunda fase de exportação prevista com mais 500 000 computadores. Também foram exportados Magalhães para a Bolívia.
O portátil causou uma série de polémicas, tendo a ver com as acusações de fraude e fuga ao fisco que levaram a J. P. Sá Couto a tribunal. A empresa foi pronunciada em fase de instrução, e o processo seguirá para julgamento. A Federação Nacional da Educação denunciou queixas de várias centenas de docentes por estarem a ser obrigados a cumprir burocracias e tarefas administrativas relacionadas com o portátil, a fornecer os documentos para o adquirir, fazer os pagamentos às operadoras móveis, a receber e a entregar aos encarregados de educação as facturas das operadoras, e a aconselhar os pais e os alunos em relação à operadora mais adequada para cada caso. Numa nota à imprensa, a FNE acusou o Ministério da Educação de “desrespeito absoluto pela actividade docente, introduzindo até no acto de leccionar uma componente comercial abusiva”. Em Setembro de 2008, durante as acções de formação para professores sobre a utilização do Magalhães, as formadoras da Intel solicitaram aos professores que compusessem “cantigas” sobre o portátil. Um dos professores filmou alguns vídeos, mostrando os colegas a cantarem versões do “Malhão” e “Vida de Marinheiro” adaptados à temática. Os vídeos depressa se espalharam pela Internet, causando nova polémica. O professor também denunciou a falta de documentação em formato digital para todos os professores, e as dificuldades de compreensão de formadores de nacionalidade russa.
Erros de português no Software de aprendizagem incluído com o Magalhães
Detetado pelo deputado José Paulo Areia de Carvalho, a 7 de março de 2009 é noticiado na capa do semanário Expresso que o Magalhães está “repleto de erros de Português”. Segundo o jornal, nas instruções dos jogos incluídos no portátil, existem mais de 80 erros de ortografia, sintaxe e gramática. O programa em questão é o GCompris, um programa educativo de código aberto dirigido às crianças composto por 107 atividades lúdicas. O criador do programa Bruno Coudoin, um engenheiro de software francês, soube através de um jornalista da distribuição do programa nos portáteis e pediu ajuda para a correção da tradução. A 7 de março de 2009, o Ministério da Educação requisitou à empresa J.P. Sá Couto que retirasse o programa dos portáteis. Para os portáteis já distribuídos, cerca de 200 mil, o ministério disponibilizou um manual de instruções para desinstalar o programa GCompris. Perante a decisão do Ministério da Educação, chegou a ser criada uma petição pela Associação Nacional para o Software Livre dirigida à Assembleia da República e ao Governo Português para que o Governo altere a decisão de remover o programa do Magalhães.
Em 2014, a Universidade Portucalense fez um estudo ao computador Magalhães, concluindo que foi um fracasso. A razão é simples: o portátil pouco era usado pelos alunos e quando era utilizado não era integrado nos trabalhos das aulas. O estudo revela que os alunos do 1.º ciclo a quem foi dado o Magalhães “apenas utilizavam esta ferramenta de forma esporádica dentro do contexto de sala de aula”. Os resultados deste estudo permitem verificar que 89,1% dos professores, 84,5% dos encarregados de educação e 86% dos alunos consideram que nunca ou raramente o computador foi utilizado nas salas de aula.
O Portátil Magalhães foi responsável pelo sucesso do jogo SuperTux em Portugal. A versão do jogo incluída no sistema foi a v0.3.2 rexported, que vinha instalada no sistema operativo Linux Caixa Mágica. Especula-se que este jogo, mais os outros que vinham com o sistema, terá sido a causa do facto de os alunos utilizarem o portátil mais para entretenimento e lazer, do que uma ferramenta educacional. Apesar de tudo isto, foi muito popular.[carece de fontes?]


