Pesquisa · Mapa mental

Competição espermática

Competição espermática é o fenômeno presente em espécies em que as fêmeas copulam com vários machos, ocasionando a competição entre eles para a fecundação do óvulo. Ela está relacionada com a monopolização e vigília das fêmeas, produção diferenciada de espermatozóides e certas características do pênis que impedem novas cópulas ou aumentam os intervalos entre elas. A competição espermática também é definida como a competição do esperma de dois ou mais machos dentro do sistema reprodutivo da fêmea para fertilizar os óvulos, sendo que a disputa continua dentro do trato reprodutivo da mesma através desta competição.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 15/08/2026
01

Seleção sexual e consequências evolutivas

Esta é uma forma de seleção sexual pós-copulatória por incluir benefícios diretos à fêmea, como uma maior probabilidade de fecundação, reduzir os riscos de infanticídio e estupro, além da fêmea poder adquirir cuidado parental por parte do macho mesmo que este não seja o genitor da prole. Apesar destes benefícios, existem algumas desvantagens, como é o maior risco de predação, maior gasto energético e de tempo nas cópulas, além de morte por outras causas que não sejam de predação e sim intrínsecas aos próprios indivíduos e às doenças sexualmente transmissíveis. Esta é amplamente reconhecida na evolução da biologia reprodutiva de machos e como determinante do sucesso reprodutivo dos mesmos. A principal premissa da teoria da competição espermática é o aumento do investimento na produção de espermatozoides para maximizar o sucesso de fecundação. Esta teoria é suportada pelo fato de existirem estudos comparativos feitos em borboletas, morcegos e moscas, que demonstraram que existe um aumento do tamanho dos testículos conforme a competição aumenta e que esse aumento proporciona maior produção de espermatozóides. Além disso, há uma relação direta entre o peso testicular e a produção espermática, em que quanto maior o testículo, maior a produção de espermatozóides, assim como a massa dos testículos é diretamente proporcional ao risco de competição espermática em muitos outros táxons, como primatas, aves e anfíbios. Estudos comparativos também indicam que tamanho do grupo também pode ter grande influência sobre a taxa da competição espermática que foi observada em insetos, aves e em mamíferos. Um exemplo é demonstrado em morcegos, que são uma das poucas espécies de mamíferos em que as fêmeas armazenam os espermatozoides por grande período de tempo (até 200 dias), o que levaria à competição espermática. Os morcegos possuem diversos modos reprodutivos, inclusive a promiscuidade, e os grupos sociais e reprodutivos variam em tamanho desde aqueles que são compostos por indivíduos solitários, até por colônias compostas por centenas de milhares de indivíduos. A quantidade de indivíduos nos grupos leva a uma grande variação do risco de competição, sendo maior naqueles compostos por maior número de indivíduos e menor nos menores .

02

Características que contribuem para os machos

Na competição espermática, como vários machos se acasalam com uma mesma fêmea, existem formas pelas quais os machos podem reduzir a chance da parceira com a qual copulou em aceitar o esperma do competidor. Para isso o macho forma as chamadas associações pós-acasalamento (APA) com a fêmea de maneira que eles podem fisicamente, mecanicamente ou quimicamente aumentar suas chances e diminuir as dos competidores em terem seus gametas fertilizando os da fêmea visando prevenir que a fêmea copule com outros machos, por algum período de tempo, assegurando que seu esperma seja utilizado para fertilizar os ovócitos secundários no lugar do esperma de um macho competidor Estas associações estão divididas em quarto categorias: (1) copula prolongada, na qual o macho ainda mantém contato genital após a inseminação; (2) tampões copulatórios que selam o acesso ao trato reprodutor da fêmea; (3) manutenção do contato com a parceira após a cópula; e (4) monitoramento da mesma, porém sem contato físico. Exemplo deste terceiro e quarto tipo de associação ocorre em libélulas em que os machos permanecem em tandem pós-cópula com a fêmea conduzindo-a à postura dos ovos e vigiam a fêmea sem contato físico durante a ovoposição respectivamente .

03

Experimentos

Uma nova técnica para estudo da competição espermática foi desenvolvida por Belote e colaboradores que se baseia no uso de marcadores fluorecentes que marcam os espermatozóides permitindo que se observe ao vivo como a competição espermática ocorre e quais as estratégias usadas pelos machos para aumentar suas chances de sucesso na fecundação dos óvulos da fêmea. Para tal marcaram genes de protamina, responsáveis pela compactação do material genético dos espermatozóides, de machos de 2 linhagens de “Drosophila melanogaster”, monitorando a competição, ocorrida com mais frequência dentro da espermateca, e o caminho percorrido pelo ejaculado ao longo do trato reprodutivo da fêmea. Neste estudo foi revelado a complexidade da competição dos espermas marcado com GFP (Proteína Fluorescente Verde) e o de outro macho marcado com RFP (Proteína Fluorescente Vermelha) descobrindo que o excesso de esperma e sua maior velocidade são adaptadas a este tipo de competição nesta espécie especialmente para deslocar o esperma do macho rival , no entanto, posteriormente outras pesquisas realizadas sugerem que os maiores e mais lentos têm mais vantage sobre os rivais deslocando-os para fora da competição e também menor chance de serem retirados pela fêmea da comtetição .

Vídeos recomendados

Fontes consultadas

Continue pesquisando