Companhia dos Guardas-Marinhas
A Companhia dos Guardas-Marinhas (CGM) constituiu o corpo militar que enquadrava os guardas-marinhas, durante o seu período de formação para se tornarem oficiais da Marinha Portuguesa. Estabelecido em 1782, está na origem dos atuais Corpo de Alunos da Escola Naval de Portugal e Corpo de Aspirantes da Escola Naval do Brasil.
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Até 1761, não existia um sistema regularizado para recrutamento dos oficiais da Armada Real Portuguesa. Estes eram oriundos de várias proveniências e incluíam nobres que se alistavam voluntariamente, mestres e pilotos da Armada promovidos a oficiais, antigos oficiais do Exército e antigos oficiais da marinha mercante. Para regularizar o recrutamento e a formação dos oficiais da Armada, pelo Decreto de 2 de julho de 1761, foi criada a classe dos guardas-marinhas, composta por 24 jovens que receberiam instrução prática a bordo dos navios de guerra. O recrutamento e as condições de serviço dos guardas-marinhas eram equivalentes às dos cadetes das tropas de terra, mas tinham uma graduação equiparada à de alferes de infantaria. Os guardas-marinhas tinham assim que ser de origem nobre ou filhos de oficiais militares de patente superior à de sargento-mor (atual major). Aparentemente, não foi então criado nenhum corpo militar que enquadrasse os guardas-marinhas.
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A Companhia dos Guardas-Marinhas era comandada por um oficial general com o título de "comandante e inspetor dos estudos". O comandante era coadjuvado por um auditor, por um secretário, por um capelão e por um tambor. Os guardas-marinhas e aspirantes guardas-marinhas repartiam-se por três brigadas. Cada brigada era chefiada por um chefe de brigada, coadjuvado por um brigadeiro e por um sub-brigadeiro e incluía, além destes, 20 guardas-marinhas e oito aspirantes guardas-marinhas. Os chefes de brigada eram equiparados a tenentes do mar e os brigadeiros e sub-brigadeiros a tenentes de infantaria, excepto se tivessem patentes superiores, mantendo-as nesse caso.
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A Companhia dos Guardas-Marinhas tinha o raro privilégio da sua bandeira regimental ser considerada um estandarte real. Como tal, só se poderia desenrolar estando presente um membro da Família Real e nunca se abatia, mesmo perante o Monarca, por incluir a imagem de Nossa Senhora da Conceição, a padroeira do Reino de Portugal. Este estandarte teve uma história rocambolesca, desaparecendo e voltando a aparecer, até ser praticamente destruído num incêndio em 1916. O estandarte original da CGM, seguia o modelo dos estandartes reais portugueses de então, sendo feito de seda vermelha, com uma altura de 126 cm e um comprimento de cerca de 112 cm, tendo numa face do mesmo uma imagem de Nossa Senhora da Conceição pintada a óleo e na outra face as armas reais de Portugal. A imagem de Nossa Senhora da Conceição estava assente sobre um disco, tendo como fundo um sol, assentando o disco sobre uma estrela de quatro pontas cujos vértices iam até aos bordos do estandarte. As armas reais estavam acompanhadas por um troféu de armas, tudo assente sobre o casco de uma nau do século XVIII. Sob as armas reais estava colocada uma fita com a inscrição "Companhia dos Guardas Marinhas" e duas âncoras cruzadas. Nos cantos do estandarte estavam colocados monogramas "MPR" (Maria Primeira Rainha) encimados pela coroa real.


