Pesquisa · Mapa mental

Com o Vaqueiro Mariano

O conto Com o Vaqueiro Mariano, de Guimarães Rosa, narra a viagem que o escritor mineiro fez ao Pantanal Mato-grossense, no mês de julho de 1947, onde conheceu e entrevistou o vaqueiro José Mariano da Silva, na Fazenda Firme, no distrito de Nhecolândia. Embora incluído em um livro de contos, Com o vaqueiro Mariano não é propriamente um conto, uma ficção; é antes uma entrevista-retrato, uma reportagem poética, um relato de viagem.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 21/07/2026
01

Sinopse

Na abertura da entrevista, publicada no livro Estas Estórias, da Global Editora, o escritor mineiro indica as referências geográficas do acontecimento e apresenta o vaqueiro Mariano, - "meu amigo" - com quem conversou "para aprender mais, sobre a alma dos bois". "Em julho, na Nhecolândia, Pantanal de Mato Grosso, encontrei um vaqueiro que reunia em si, em qualidade e cor, quase tudo o que a literatura empresta esparso aos vaqueiros principais. Típico, e não um herói, nenhum. (...) Mas denso, presente, almado, bom-condutor de sentimentos, crepitante de calor humano, governador de si mesmo; e inteligente. Essa pessoa, este homem, é o vaqueiro José Mariano da Silva, meu amigo. Começamos por uma conversa de três horas, à luz de um lampião, na copa da Fazenda Firme. Eu tinha precisão de aprender mais, sobre a alma dos bois, e instigava-o a fornecer-me factos, casos, cenas. Enrolado no poncho, as mãos plantadas definitivamente na toalha da mesa, como as de um bicho em vigia, ele procurava atender-me".

02

Inspiração: as viagens pelo sertão

Guimarães Rosa, diplomata e escritor, foi um mestre da ficção, escrevendo contos e romances. Descreveu como poucos o sertão brasileiro, com sua linguagem singular e mágica. Uma linguagem calibrada, nas palavras do poeta Manoel de Barros. Para compor o seu trabalho literário, Rosa fez pesquisas de campo, foi conhecer os cenários e seus personagens no mundo real, lá no sertão. Assim, realizou muitas viagens pelo Brasil e pelo exterior e dessas viagens resultaram anotações, muitas comprovadamente utilizadas em suas criações literárias, conforme anota Cecília de Lara (IEB-USP), no artigo João Guimarães Rosa na França: anotações do diário de Paris, publicado em 1989. Pelo interior do Brasil, o escritor viajou, em 1947, para Paraopeba e Cordisburgo, sua terra natal, e, no mesmo ano, conheceu o Pantanal Mato-grossense. Em 1952 viajou para a fazenda Sirga, na cidade de Três Marias, em Minas Gerais; no mesmo ano esteve em Caldas do Cipó, onde, como representante do Itamaraty, organizou uma visita do presidente Getúlio Vargas à cidade e participou de uma "concentração de vaqueiros e vaquejadas".

Vídeos recomendados

Fontes consultadas

Continue pesquisando