Pesquisa · Mapa mental

Colônia do Sacramento

Colônia do Sacramento (português brasileiro) ou Colónia do Sacramento (português europeu) é uma cidade do Uruguai, capital do departamento de Colônia. Tem origem na antiga cidade de Colônia do Santíssimo Sacramento, fundada em 22 de janeiro de 1680 por Manuel Lobo, então Governador da Capitania Real do Rio de Janeiro, a mando do Império Português no século XVII. A área onde localiza-se a fundação portuguesa faz parte do Centro Histórico, reconhecido pela UNESCO como Patrimônio da Humanidade.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 28/08/2026
01

História

Antecedentes

Alguns anos após o Descobrimento do Brasil, uma expedição comandada por Martim Afonso de Sousa chegou com suas caravelas até ao estuário do Rio da Prata, com a missão de colocar marcos de posse portuguesa na margem esquerda da foz daquele rio, tendo, entretanto, sido incapaz de completá-la em razão do naufrágio de sua embarcação.

A Colônia do Santíssimo Sacramento

A Coroa Portuguesa expressou novamente os seus interesses em estender as fronteiras meridionais de sua colônia americana até ao Rio da Prata quando determinou ao governador e capitão-mor da capitania do Rio de Janeiro, D. Manuel Lobo (1678-1679), que fundasse uma fortificação na margem esquerda daquele rio. Desse modo, com o apoio dos comerciantes do Rio de Janeiro, desejosos de consolidar os seus já expressivos negócios com a América Espanhola, a expedição de D. Manuel Lobo aporta em Santos em fins de 1679 e alcança a bacia do Prata em Janeiro do ano seguinte. A 22 de janeiro de 1680, as forças portuguesas iniciaram o estabelecimento da Colônia do Santíssimo Sacramento, fronteiro a Buenos Aires, na margem oposta. O núcleo desse estabelecimento foi uma fortificação simples, iniciada com planta no formato de um polígono quadrangular.

Traficantes de Escravos - Século XVIII

Colônia de Sacramento, devido ao seu caráter comercial, possuía, entre as décadas de 1730 e 1750, um vasto grupo de comerciantes, somando mais de 100 homens. Estes homens, embora não tenham sua função bem-vista na metrópole, chegaram a postos importantes dentro da sociedade do Antigo Regime colonial que se estabeleceu no Novo Mundo. Tornaram-se, assim, parte da elite colonial, contrariando as "leis" sociais da metrópole. Estes homens que costumavam estabelecer comércio com outras praças lusas na costa brasileira - como Rio de Janeiro e Bahia - usavam desses contatos comerciais para aumentar sua influência frente as demais regiões e na sua própria localidade. Outra forma de aumentar suas redes sociais são as relações de compadrio. Muitos dos traficantes de escravos escolhiam para serem padrinhos de seus filhos outros comerciantes de outras praças, ou também pessoas que possuíam títulos militares. Mas, o que chama atenção nesse contexto é que muitos traficantes de escravos escolhiam como compadres governadores da Colônia de Sacramento. Como no caso de Luiz Garcia de Bivar, que foi padrinho de filhos de mais de um traficante, entre eles Manuel Coelho Rosa. Este que também estabeleceu relações com Luiz Coelho Ferreira - traficantes de escravos baiano - que além de vender escravos para Colônia de Sacramento, tornou-se padrinho de uma de suas filhas.

A Nova Colônia do Santíssimo Sacramento

No contexto da Guerra de Sucessão da Espanha (1701-1713), a Grande Aliança (Grã-Bretanha, Países Baixos, Áustria, Prússia etc.) opõe-se à Espanha e à França, na Europa. Portugal aderiu à Grande Aliança em 1703. A fortificação na Nova Colônia do Santíssimo Sacramento foi reconstruída a partir de 1704 com planta abaluartada. Atacada nesse mesmo ano pelos espanhóis de Buenos Aires, foi conquistada no ano seguinte por forças sob o comando de Afonso Valdez. Ocupada, só foi devolvida aos portugueses pelo segundo Tratado de Utrecht (6 de fevereiro de 1715), embora dentro da chamada política do tiro de canhão, que significava que o território da Colônia não deveria passar do alcance de um tiro de canhão disparado dos muros da fortaleza.

Do Tratado de Madrid ao Tratado de Badajoz

O Tratado de Madrid, celebrado a 13 de janeiro de 1750, dispunha que Portugal entregaria a Colônia do Sacramento à Espanha, em troca do recebimento do território dos Sete Povos das Missões. Devido às dificuldades das demarcações e à resistência suscitada pela Guerra Guaranítica (1753-1756), as disposições do Tratado foram anuladas por um novo diploma, o Tratado de El Pardo, celebrado a 12 de fevereiro de 1761. O contexto da celebração do Pacto de Família (1761) unindo os Bourbon da França, da Espanha, de Nápoles e de Parma acirrou a tensão entre Portugal e a Espanha. No contexto da Guerra anglo-francesa dos Sete Anos (1756-1763), permanecendo a Colônia do Sacramento em mãos de Portugal, esta foi novamente invadida por tropas espanholas sob o comando de D. Pedro de Cevallos (30 de outubro de 1762), para ser devolvida em virtude do Tratado de Paris (1763).

Da incorporação da Cisplatina à Independência do Uruguai

A Colônia do Sacramento voltou à posse de Portugal a partir de 1817, quando D. João VI incorporou toda a região do Uruguai aos domínios de Portugal no Brasil. Com a Independência do Brasil (1822), a Colônia passou a integrar os domínios do novo país até à Independência da República Oriental do Uruguai, em 1828. O seu último comandante foi o brigadeiro Manuel Jorge Rodrigues, que só abandonou a praça no momento do estabelecimento da Convenção Preliminar de Paz entre o Império do Brasil e as Províncias Unidas do Rio da Prata (27 de agosto de 1828), ratificado pelo Brasil em 30 de agosto e pela Argentina a 29 de setembro, e que chegou a Montevidéu em 4 de outubro de 1828. Por este diploma, o Uruguai se tornava independente.

02

Geografia e clima

O núcleo histórico de Colônia do Sacramento, com apenas 12 ha, localiza-se na península de San Gabriel, às margens do Rio da Prata. Atualmente a área da cidade supera em muito a da cidade histórica. Colônia está a 177 km de Montevidéu.[nota 1] O clima é temperado e úmido, com uma temperatura média de 18 °C. A pluviosidade média é de 1 000 mm por ano. As pradarias de gramíneas na área circundante e o solo adequado permitiram o desenvolvimento de atividades agrícolas e pecuárias.

03

Turismo

Colônia do Sacramento é hoje um dos destinos turísticos mais importantes do Uruguai, recebendo milhares de visitantes por ano. A localização da cidade é privilegiada para receber turistas, uma vez que se encontra a uma hora de barco desde Buenos Aires e a duas horas em carro desde Montevidéu. A oferta turística inclui a cidade histórica, museus e praias do Rio da Prata.

Centro histórico

Em reconhecimento ao valor histórico de Colônia, foi criado em 1969 um Conselho Executivo Honorário para a conservação e restauro da cidade antiga. O Conselho realizou um levantamento detalhado da zona e iniciou trabalhos que incluíram escavações arqueológicas, o restauro de fachadas e interiores do casario e até a mudança de nomes de ruas para recuperar a toponímia antiga. Na década de 1970 foram restauradas a Igreja Matriz do Santíssimo Sacramento e também o portão de armas e parte da muralha, reconstruída parcialmente com as pedras originais. No seu relatório sobre a cidade histórica, o comitê avaliador da UNESCO considerou que o trabalho de restauro foi efetivo e garantiu a autenticidade da zona o que, junto com o valor histórico do conjunto, levou à declaração do bairro histórico de Colônia do Sacramento como Patrimônio da Humanidade em 1995. Segundo o comitê, Colônia do Sacramento é um exemplo excepcional de povoado de fronteira que mostra, em seu traçado urbano e edifícios, uma mistura única entre as tradições portuguesa e espanhola.

Real de San Carlos

Colônia atrai visitantes desde o início do século XX, quando o empresário argentino Nicolás Mihanovich criou um complexo turístico na zona denominada Real de San Carlos. A partir de 1908 foi construída ali uma praça de touros, um hotel-cassino, um estádio de pelota basca e um balneário. O complexo funcionou até 1917.

Vídeos recomendados

Fontes consultadas

Continue pesquisando