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Programa de Contrainteligência

COINTELPRO foi um programa conduzido pelo Federal Bureau of Investigation (FBI) dos Estados Unidos com o objetivo de vigiar, infiltrar, desacreditar e perturbar ativistas e críticos do governo. Os registros mostram que os recursos da COINTELPRO tiveram como alvo grupos e indivíduos que o FBI considerou subversivos, incluindo organizações feministas, o Partido Comunista, opositores da Guerra do Vietnã, ativistas dos direitos civis e dos negros, ambientalistas e protetores dos direitos dos animais, movimentos de independência, uma variedade de organizações que faziam parte da Nova Esquerda, grupos de supremacia branca como a Ku Klux Klan e o grupo de extrema-direita Partido dos Direitos dos Estados Nacionais.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 02/11/2026
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História

1956: Início e comunismo

As operações sob termo "COINTELPRO" começaram oficialmente em agosto de 1956 com um programa destinado a "causar perturbações e ganhar deserções" dentro do Partido Comunista dos Estados Unidos. As táticas incluíam telefonemas anônimos, auditorias do Internal Revenue Service (IRS) e a criação de documentos que dividiriam a organização internamente. Um memorando de outubro de 1956 do diretor J. Edgar Hoover reclassificou a vigilância do FBI sobre líderes negros, incluindo-a dentro do COINTELPRO, com a justificativa de que o movimento foi infiltrado por comunistas. Em 1956, Hoover escreveu uma carta denunciando T. R. M. Howard, um líder dos direitos civis e empresário de Mississippi que criticou a inação do FBI na resolução dos recentes assassinatos de afro-americanos no sul. Quando o SCLC, uma organização afro-americana de direitos civis, foi fundada em 1957, o FBI começou a monitorar e visar o grupo quase imediatamente, focando particularmente em Bayard Rustin, Stanley Levison e, eventualmente, Martin Luther King Jr..

1967: Black Hate

Em meio à agitação urbana de julho a agosto de 1967, o FBI iniciou o "Black Hate", que se concentrou em King e na SCLC. O subprojeto instruiu 23 escritórios a "interromper, desorientar, desacreditar, ou de outra forma neutralizar as atividades de organizações" dos direitos dos negros. Um memorando de março de 1968 afirmava que o objetivo do programa era "identificar potenciais criadores de problemas e neutralizá-los antes que exerçam seu potencial", "evitar que grupos e líderes nacionalistas negros militantes ganhem respeitabilidade, desacreditando-os" e "impedir o crescimento de longo alcance de organizações negras militantes, especialmente entre os jovens".

1971: Encerramento

O programa foi secreto até 8 de março de 1971, quando um escritório do FBI em Media, Pensilvânia, foi invadido e o material enviado para as agências de notícias. A luta de boxe entre Muhammad Ali e Joe Frazier em março de 1971 forneceu cobertura para o grupo ativista conseguir o roubo. Muhammad Ali era um alvo da COINTELPRO porque havia se juntado à Nação do Islã e ao movimento antiguerra. Muitas organizações de notícias inicialmente se recusaram a publicar imediatamente as informações, com a notável exceção de The Washington Post. Depois de confirmar a veracidade dos documentos, publicou-os na primeira página (desrespeitando o pedido do Procurador-Geral da República), levando outras organizações a seguir o exemplo. No mesmo ano, o diretor J. Edgar Hoover declarou que o COINTELPRO havia acabado e que todas as futuras operações de contra-espionagem seriam tratadas caso a caso.

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Métodos

De acordo com o advogado Brian Glick em seu livro War at Home, foram usados cinco métodos principais durante o COINTELPRO: infiltração, guerra psicológica, assédio/gang stalking, uso da força e minando a opinião pública. O FBI desenvolveu táticas destinadas a aumentar a tensão e a hostilidade entre vários movimentos, por exemplo, entre os Panteras Negras e a US Organization. Uma carta falsa foi enviada à essa última expondo uma suposta conspiração dos Panteras Negras para assassinar o seu chefe, Ron Karenga. A intensificação da informação resultou em inúmeras mortes, entre as quais os membros John Huggins, Bunchy Carter e Sylvester Bell. Outro resultado de cartas anônimas foi o conflito do líder do Blackstone Rangers, Jeff Fort, contra o ex-aliado Fred Hampton. Elas também foram fundamentais para a divisão entre Eldridge Cleaver e Huey Newton, incitando os dois líderes do Partido dos Panteras Negras.

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Alvos

No início, o alvo principal do programa era o Partido Comunista. Os grupos que eram conhecidos como alvos das operações da COINTELPRO incluem: Organizações comunistas e socialistas; organizações e indivíduos associados ao movimento dos direitos civis e direitos das mulheres; grupos do movimento nacionalista negro; o Movimento Indígena Americano; grupos de supremacia branca, incluindo a Ku Klux Klan; o Partido dos Direitos dos Estados Nacionais; organizações rotuladas como "nova esquerda"; quase todos os grupos protestando contra Guerra do Vietnã; grupos nacionalistas como aqueles que buscavam a independência de Porto Rico, reunificação da Irlanda, e movimentos de exilados cubanos. Dezenas de pessoas notórias também foram alvos do programa, como: John Lennon, por seu protesto contra a Guerra do Vietnã, Ernest Hemingway, Charlie Chaplin, Ralph Abernathy, Mumia Abu-Jamal, Muhammad Ali, James Baldwin, H. Rap Brown Kwame Ture, Bunchy Carter, Eldridge Cleaver, Fred Hampton, Tom Hayden, Abbie Hoffman, Martin Luther King Jr., Viola Liuzzo, Malcolm X, Jessica Mitford, Huey P. Newton, Mario Savio, Jean Seberg e Assata Shakur.

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Pós-programa

Embora o COINTELPRO tenha sido oficialmente encerrado em abril de 1971, a espionagem doméstica continuou. As diretrizes de contraterrorismo implementadas durante a administração de Ronald Reagan foram descritas como suporte para o uso das táticas. Entre 1972 e 1974, está documentado que o FBI plantou mais de 500 escutas sem mandado e abriu mais de 2 000 correspondências pessoais. Ações secretas sempre fizeram parte da cultura popular, com opiniões divergentes sobre o tema. Caroline Woidat argumenta que o programa deve ser entendido dentro de um contexto histórico no qual os estadunidenses "foram vistos e viram o mundo através das lentes da teoria da conspiração". Outros autores argumentam que, embora algumas teorias relacionadas ao COINTELPRO sejam infundadas, a questão da contínua vigilância e repressão do governo é real. Após 1971, pessoas e grupos acusaram oponentes de serem informantes do FBI ou assumiram que agentes estavam se infiltrando, incluindo o Earth First!. Documentos divulgados sob a lei de acesso à informação mostram que o jornalista vencedor do Prêmio Pulitzer, David Halberstam, foi vigiado por mais de duas décadas. Em 2005, a morte do ativista de Porto Rico, Filiberto Ojeda Ríos, por um agente foi descrita por um comitê especial das Nações Unidas como assassinato e causou controvérsia. Já o ambientalista Eric McDavid, condenado por acusações de incêndio criminoso, foi libertado depois que surgiram documentos demonstrando interferência em materiais que comprovavam que o crime não poderia ter sido cometido, repetindo o mesmo padrão da COINTELPRO. A imprensa reportou que essas práticas também se espalharam contra muçulmanos na trama terrorista no Bronx em 2009.

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