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CMMI

O CMMI (Capability Maturity Model Integration) é um modelo de referência global que reúne práticas essenciais para alcançar a maturidade em disciplinas específicas. Gerenciado pelo Instituto CMMI, uma organização da ISACA, e desenvolvido pelo SEI da Universidade Carnegie Mellon, ele evoluiu do CMM com o objetivo de criar um modelo unificado para a melhoria contínua corporativa. O CMMI integra diversas disciplinas e modelos, oferecendo um conjunto comprovado de práticas recomendadas que impulsionam o desempenho dos negócios através da criação e avaliação comparativa (benchmarking) de capacidades-chave.

Fonte: Wikipédia (pt)Texto didático por IAAtualizado em 07/07/2026

Pontos-chave

  • O CMMI é um modelo de referência para maturidade em disciplinas específicas, gerenciado pelo Instituto CMMI.
  • Desenvolvido pelo SEI da Universidade Carnegie Mellon, ele integra diferentes modelos para melhoria corporativa.
  • Baseia-se em práticas globais comprovadas para impulsionar o desempenho e permite benchmarking de capacidades.
  • Sua evolução histórica remonta a princípios de controle estatístico de qualidade da década de 1930, aplicados a software.
  • O CMMI possui representações contínua e por estágios, e na v2.0, um modelo coeso com categorias e áreas de processo.
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Evolução Histórica do CMMI

A jornada para o CMMI começou na década de 1930 com Walter Shewhart e seus princípios de controle estatístico da qualidade. Esses conceitos foram aprimorados por W. Edwards Deming, Philip Crosby e Joseph Juran. Watts Humphrey, Ron Radice e outros estenderam esses princípios para o desenvolvimento de software na IBM e no SEI. O livro de Humphrey, 'Gerenciando o Processo de Software', detalha os fundamentos dos CMMs. O CMMI surgiu nos anos 80 como uma ferramenta do Departamento de Defesa dos EUA para avaliar riscos em contratos de software, permitindo prever qualidade, custos e prazos. Para isso, o DOD colaborou com a Carnegie-Mellon University para criar o SEI, responsável pela evolução da família CMM e por diversas pesquisas em engenharia de software.

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Entendendo o CMM

Imagem: Cognizant Technology Solutions · BY-SA · Openverse

Um Capability Maturity Model (CMM), incluindo o CMMI, é uma representação simplificada de processos eficazes. Ele incorpora elementos essenciais baseados nos conceitos de Crosby, Deming, Juran e Humphrey. O SEI adotou a premissa de gestão de processos de que 'a qualidade de um sistema ou produto é altamente influenciada pela qualidade do processo utilizado para desenvolvê-lo e mantê-lo', e definiu os CMMs com base nessa ideia.

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Dimensões Fundamentais do CMMI

Imagem: juhansonin · BY-SA · Openverse

O CMMI foi estruturado em torno de três dimensões principais: pessoas, ferramentas e procedimentos. O processo atua como o elo que une e integra essas dimensões, garantindo uma abordagem coesa para a melhoria.

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Disciplinas Abrangidas pelo CMMI

Imagem: lshimokawa · BY-NC-ND · Openverse

O CMMI abrange três disciplinas ou corpos de conhecimento (body of knowledges). A engenharia de software, por exemplo, é similar à engenharia de sistemas em termos de áreas de processo, mas com um foco diferente. As áreas de processo necessárias para ambas são as mesmas, porém o nível de maturidade exigido pode variar entre elas.

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Representações do CMMI

Historicamente, o CMMI oferecia duas representações: 'contínua' e 'por estágios', permitindo às organizações escolherem o caminho de melhoria que melhor se alinhasse aos seus objetivos. Na versão 2.0, essa separação foi unificada em um modelo coeso.

Representação Contínua

Esta representação permite definir uma sequência de melhoria para áreas de processo específicas, oferecendo flexibilidade na escolha das áreas a serem aprimoradas. Assim, a organização pode focar seus esforços onde julgar mais relevante. É caracterizada por 'Níveis de Capacidade', onde a capacidade é medida por processos individualmente. Por exemplo, um processo pode estar no nível um e outro no nível cinco, dependendo dos interesses da empresa. No nível 1, o processo é executado para completar o trabalho necessário. A representação contínua é ideal para empresas que desejam amadurecer apenas alguns processos, já utilizam um modelo de maturidade contínua ou não pretendem usar a maturidade alcançada para comparação externa.

Representação Por Estágios

Esta representação oferece uma sequência pré-determinada de melhoria baseada em estágios, onde cada estágio serve de base para o próximo e não deve ser desconsiderado. É caracterizada por 'Níveis de Maturidade', onde a maturidade é medida para um conjunto de processos. Para que a empresa seja certificada com um determinado nível, todos os processos desse conjunto devem atingir o nível de maturidade correspondente. Por exemplo, se quase todos os processos estão no nível três, mas um está no nível dois, a empresa não alcançará o nível de maturidade três. Esta representação é indicada para empresas que já utilizam um modelo de maturidade por estágios, desejam usar o nível de maturidade para comparação com outras empresas ou pretendem aproveitar o conhecimento de outros para sua área de atuação.

Contínua vs. Por Estágios: Diferenças

Na representação contínua, o nível de capacidade é avaliado para uma ou um conjunto de áreas de processo definidas pela própria organização. Já na representação por estágios, o nível de maturidade é medido para um conjunto de áreas de processo que são predefinidas pelo modelo CMMI.

Modelo de Estrutura (CMMI v2.0)

Na versão 2.0, a distinção entre representações contínua e por estágios foi eliminada, resultando em um modelo único e coeso. Este modelo é organizado em 4 categorias, 12 capacidades e 25 áreas de processo. As iniciais das áreas de processo e os mais altos níveis de maturidade atingíveis são indicados entre parênteses e colchetes, respectivamente.

Modelo de Estrutura (CMMI v1.3)

Na versão 1.3, as áreas de processo contidas no modelo variavam dependendo das áreas de interesse selecionadas (aquisição, serviços, desenvolvimento). As áreas de processo são os domínios que serão cobertos pelos processos da organização. A versão 1.3 do CMMI lista dezessete áreas principais de processo que são comuns a todas as áreas de interesse.

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Áreas de Processo do CMMI

Imagem: Taissa77 · BY-SA · Openverse

O modelo CMMI v1.3 (CMMI-DEV) compreende um total de 32 áreas de processo. Na sua representação por estágios, estas áreas são categorizadas em diferentes níveis, como o Nível 4: Quantitativamente Gerenciado / Gerido Quantitativamente.

Modelos e Categorias de Processo

As áreas de processo não são as mesmas para todos os modelos CMMI (CMMI-DEV, CMMI-ACQ ou CMMI-SVC), variando de acordo com o modelo escolhido. O CMMI-DEV, por exemplo, organiza os processos em quatro categorias principais: 1. Gestão de Processos (5 processos), 2. Gestão de Projetos (8 processos), 3. Engenharia (6 processos) e 4. Suporte (6 processos). Exemplos de processos de Gestão de Processo incluem: Foco no Processo Organizacional (OPF), Definição do Processo Organizacional (OPD), Treinamento Organizacional (OT), Desempenho de Processo Organizacional (OPP) e Inovação e Implementação Organizacional (OID), aplicáveis a Engenharia de Software (SW) e Engenharia de Sistemas (SE).

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CMMI e ISO/IEC 15504 (SPICE)

Imagem: Taissa77 · BY-SA · Openverse

A norma ISO/IEC 15504, também conhecida como SPICE, estabelece um 'processo para relatórios técnicos no assessoramento em desenvolvimento de software' e, de forma similar ao CMMI, define níveis de maturidade para cada processo. É importante notar que o CMMI não é baseado nesta norma, mas é compatível com ela.

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Avaliações CMMI

Imagem: Guy4261 · BY-SA · Openverse

Uma organização não recebe uma 'certificação' CMMI, mas sim é 'avaliada'. Dependendo do tipo de avaliação, a organização pode obter uma classificação de nível de maturidade (de 1 a 5) ou um perfil de realização de nível de capacidade. Muitas organizações consideram valioso medir seu progresso através de avaliações. Estas são geralmente realizadas por diversos motivos e devem estar em conformidade com os requisitos definidos no documento 'Requisitos para o CMMI' (ARC).

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Segurança no CMMI

Imagem: Hanes282 · BY-SA · Openverse

Para abordar as preocupações de segurança do usuário, existem dois guias de segurança não oficiais disponíveis. No CMMI para Serviços, há uma área de processo dedicada ao Gerenciamento de Segurança. Na versão 1.3 do CMMI para Desenvolvimento, a 'Segurança por Design' é contemplada por áreas de processo como: Preparação Organizacional para o Desenvolvimento Seguro (OPSD), Gerenciamento Seguro em Projetos (SMP), Requisitos de Segurança e Solução Técnica (SRTS), e Verificação e Validação de Segurança (SVV). Embora essas áreas de processo não afetem diretamente os níveis de maturidade ou capacidade, seus resultados podem ser relatados nas avaliações.

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Aplicações e Flexibilidade do CMMI

Imagem: Mi [de Camila] Cortielha · BY-NC-SA · Openverse

O modelo CMMI foca principalmente nos processos que devem ser implementados, e não tanto em como eles podem ser implementados. Não há garantia de que a aplicação do CMMI em uma organização aumentará automaticamente o desempenho e a qualidade. Turner & Jain (2002) argumentam que, apesar das diferenças entre o CMMI e o desenvolvimento de software ágil, ambas as abordagens compartilham muitos pontos em comum. Eles sugerem que nenhuma é o 'caminho certo' exclusivo, mas que a combinação de fragmentos de ambos os métodos em uma abordagem híbrida pode ser mais eficaz em diferentes fases de um projeto. Sutherland et al. (2007) afirmam que a combinação de Scrum e CMMI pode oferecer mais adaptabilidade e previsibilidade. David J. Anderson (2005) também oferece orientações sobre como interpretar o CMMI de uma perspectiva ágil.

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