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Clube de Futebol Os Belenenses

O Clube de Futebol "Os Belenenses" ComC • OB, mais conhecido como Os Belenenses ou simplesmente Belenenses, é um clube português fundado a 23 de setembro de 1919, tem sede em Lisboa, na freguesia de Santa Maria de Belém e realiza os seus jogos no Estádio do Restelo, que é sua propriedade.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 17/07/2026
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Dados históricos

Clube fundador da 1.ª Divisão Nacional em 1935, o CF "os Belenenses" permaneceu neste campeonato até 1982, ano em que aconteceu a 1.ª descida à 2.ª Divisão Nacional. No dia 23 de Fevereiro de 2014, contra o CS Marítimo, o Belenenses completou 2000 jogos no campeonato e pese embora a fase menos boa dos últimos anos, o clube regista números dignos de registo: 834 vitórias; 482 empates e 683 derrotas. Ao longo da sua história, o Belenenses defrontou e venceu algumas das mais poderosas e conhecidas equipas do mundo: o Barcelona, o Valência, o Borussia Dortmund (na Alemanha), o Bayer Leverkusen, o Mónaco, o Olympique Lyonnais, o Benfica, o Vasco da Gama, o Cruzeiro de Belo Horizonte, o Sporting, o Newcastle, o Deportivo de La Coruña, o Porto o Bayern de Munique, o Sevilha, o Stade de Reims, o Dínamo de Zagreb, o Basileia e o Real Madrid (uma das vezes por 3-0). Com o Real Madrid, o mais bem sucedido clube mundial do século XX, o Belenenses teve fortes ligações: foi especialmente convidado para inaugurar o Estádio daquele clube, e voltou a sê-lo quando o estádio fez as bodas de prata e houve a festa de homenagem ao hexacampeão europeu, Francisco Gento.

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História

Costuma-se dizer que na história do Belenenses há um “antes de Cristo” e um “depois de Cristo”, neste caso, a época de 1954/55, umas das últimas nas Salésias, marcou para sempre a história do Belenenses. Partindo para a última jornada na liderança, o Belenenses só dependia de si para ser campeão, numa luta contra o Benfica. O último adversário a enfrentar era o Sporting, já arredado desta luta e o jogo até começou da melhor maneira quando Perez inaugurou o marcador logo aos 4 minutos, Albano empatava aos 11 minutos de pénalti, mas antes do intervalo ainda Matateu recolocava os azuis na liderança. Matateu ainda fez o 3-1, mas o árbitro anulou o golo (apesar do fiscal apontar para o meio campo!), alegando que a bola não passar a linha de golo, algo desmentido anos mais tarde pelo guardião do Sporting numa entrevista à Bola. Eis que a 10 minutos do final, Martins gela as Salésias, fazendo o 2-2 que sagrou o Benfica campeão nacional. Ainda por cima, no banco dos leões estava Scopelli, treinador tão querido dos azuis.

Fundação

No início do século XX já tinha havido em Belém aquele que seria o germe aglutinador do Belenenses, o Sport União Belenense que, não resistindo à evolução do futebol, acabou por se extinguir em 1919, precisamente o ano de fundação do Clube de Futebol “Os Belenenses”. Assim, foi numa “noite de verão” (como descreve Acácio Rosa) que, num banco de jardim, Artur José Pereira reuniu os primeiros entusiastas: o seu irmão Francisco Pereira, Henrique Costa, Carlos Sobral, Joaquim Dias, Júlio Teixeira Gomes, Manuel Veloso e Romualdo Bogalho. Depois desse encontro a ideia do novo clube foi submetida ao juízo de Virgílio Paula e Francisco Reis Gonçalves. Várias reuniões sucederam-se, com mais intervenientes ainda, até que a uma terça-feira, 23 de Setembro, na Praça Afonso de Albuquerque, decidiu-se a fundação do novo Clube: o Clube de Futebol “Os Belenenses”.

Década 1920

Apesar de recentemente criado e muitos lhe terem vaticinado um fim rápido, o Belenenses cedo se impôs como um dos maiores clubes de Portugal desde o Campo do Pau de Fio, nome dado devido ao poste de telégrafo situado no terreno e logo em 1919/20 marcou presença na final do Campeonato de Lisboa, perdendo contra o Benfica. A 10 de Junho de 1921, realiza-se o primeiro jogo internacional, vitória por 2-0 contra o Sevilla Fútbol Club. A época 1925/26 marca o início da grande afirmação do Belenenses, com a conquista do Campeonato de Lisboa, em casa do Sporting, após um triunfo por 1-0 (no ano anterior havia perdido a final). Mas mais troféus seguiram-se, apesar da derrota na final do Campeonato de Portugal (1922–1938) desse ano, no ano seguinte a história foi diferente. Ao vencer por 3-0 o Vitória FC, o Belenenses sagrou-se campeão nacional, repetindo a façanha 2 anos depois, com vitória na final por 3-1 ao União de Lisboa. No fim dessa década, o Belenenses era, a par do Futebol Clube do Porto, o clube de Portugal com mais campeonatos vencidos.

O nascimento dos "15 minutos à Belenenses"

O dia 28 de Fevereiro de 1926 marcou a estreia oficial de José Manuel Soares (Pepe) pela equipa principal do Belenenses, num jogo contra o Benfica, que chegou ao intervalo a vencer por 1-0. Na segunda parte, o Belenenses recuperou da desvantagem e empatou o jogo por duas vezes (2-2), no entanto, a 15 minutos do fim o resultado sorria aos encarnados (4-2), eis que aos 80 minutos, o Belenenses reduz a desvantagem para 4-3 e três minutos depois empata o jogo. Já nos minutos finais, o árbitro assinala a grande penalidade a favor dos azuis da Cruz de Cristo. Os jogadores de Belém sentiram o peso do momento e ninguém queria assumir a responsabilidade de marcar. Augusto Silva, o capitão, aponta então para Pepe, que não se vergou e marcou o 5-4 final, sorrindo a vitória aos de Belém. Era o nascimento dos “15 minutos à Belenenses” e não mais saiu Pepe da equipa principal.

Década 1930

Nos anos 1930, o Belenenses continua a mostrar a sua grandiosidade, vencendo novamente o Campeonato de Lisboa em 1931/32 e o Campeonato de Portugal na época seguinte, estando presente na final ainda em 1931/32 e 1935/36. Foi também nesta década que prosseguiram as obras de melhoramento do agora denominado Estádio José Manuel Soares, após a trágica morte dessa lenda azul em 1931, que muito abalou os Belenenses, em particular, e o desporto português e a cidade de Lisboa, em geral. Em 1937, este foi considerado o melhor estádio português, sendo também a casa da seleção nacional e das finais da Taça de Portugal até à inauguração do Estádio Nacional.

Década 1940

Esta década inicia-se com a tripla presença na final da Taça de Portugal, primeiro em 1939/40, com a derrota por 3-1 frente ao Sport Lisboa e Benfica e, novamente em 1940/41, 4-1 frente ao Sporting. Finalmente, à terceira foi de vez e, na época seguinte, graças aos golos de Artur Quaresma e Gilberto Vicente frente ao Vitória Sport Clube, o vencedor da Taça de Portugal foi o Belenenses. Ainda em 1947/48, nova presença e nova derrota, desta feita por 3-1 frente ao Sporting. Após vários anos no pódio, em 1945/46, o Belenenses sagra-se pela primeira e única vez Campeão Nacional da Primeira Divisão, estando essa conquista relatada de forma mais pormenorizada no capítulo seguinte. Para a posterioridade fica a equipa: Artur Quaresma, Mariano Amaro, Serafim das Neves, Vasco Oliveira, Armando, Feliciano, Francisco Gomes, António Capela, Rafael Correia, Manuel Andrade, José Pedro, Elói, Mário Coelho, José Sério, Francisco Martins, Mário Sério e António Martinho. Era treinador, Augusto Silva. A defesa desta magnífica equipa ficou para sempre conhecida como as “Torres de Belém”, Capela, Vasco, Feliciano, Gomes e, nalgumas versões, Serafim.

O título

A 26 de Maio de 1946, o Belenenses foi pela última vez campeão de Portugal com um saldo de golos de 74-24, a melhor defesa no Campeonato Nacional. Invicto nos jogos em casa do Campeonato Nacional. Campeão de Lisboa (3 pontos de avanço sobre o Sporting, 5 sobre o Atlético e 6 sobre o Benfica). Mais uma vez o Belenenses teve de lutar contra várias adversidades e a tarefa não se afigurava muito fácil. O então Sport Lisboa e Elvas era filial do Benfica que, para lá enviou um técnico seu, a fim de tentar afastar o Belenenses do título. E o jogo não podia ter começado pior. Logo aos 2 minutos, o Elvas colocou-se em vantagem. O Belenenses, até ao intervalo, apesar de todo o esforço desenvolvido, não conseguiu chegar ao golo. E era preciso mais do que um golo: o empate não bastava. Ao intervalo, alguns jogadores mais experientes ou mais frios reuniram a equipa, procuraram readquirir a calma e reagrupar as forças, dizendo: “Nós temos que ganhar isto!”. E ganharam!

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Infraestruturas desportivas

Estádio das Salésias

O primeiro campo do Belenenses foi o Campo do Pau de Fio, mas rapidamente o clube construiu o Estádio das Salésias, o primeiro campo relvado em Portugal e o primeiro estádio com bancadas e iluminação artificial. Foi palco, além de inúmeros jogos do clube também de jogos da Seleção Nacional e da Final da Taça de Portugal, infelizmente o Belenenses foi obrigado a abandonar o local, onde supostamente seria construído um empreendimento de luxo, tal não aconteceu e a zona ficou abandonada mais de 50 anos, tendo em 26 de Maio de 2016, o Belenenses inaugurado o "Estádio das Salésias/Fundação EDP", para ser utilizado pelas camadas jovens e pelo rugby do clube. Tal só foi alcançado, após uma grande luta dos sócios e adeptos do clube que durante anos reclamaram o que era seu por direito próprio.

Estádio do Restelo

O Estádio do Restelo foi inaugurado a 23 de setembro de 1956, tendo feito 50 anos em 2006, com o Clube a realizar uma série de eventos comemorativos, nomeadamente um evento de grande sucesso, a Corrida das Salésias (antigo estádio do clube) até ao Restelo. A lotação original era de 44.000 pessoas (com projeto para aumentar para 62.000), tendo esgotado pela primeira vez em 1 de fevereiro de 1959. Hoje, tem cerca de 19.856 cadeiras. Mas a maior assistência ter-se-á verificado em outubro de 1975, quando 60.000 pessoas assistiram à vitória do Belenenses sobre o Benfica, por 4-2, alcançado os azuis a liderança do Campeonato Nacional. Geralmente considerado um dos mais belos estádios portugueses, pela magnífica vista sobre o Tejo, foi durante anos local de eleição para mostrar a ilustres visitantes estrangeiros, desde a Rainha de Inglaterra ao Imperador da Etiópia.

Pavilhão Acácio Rosa e Piscinas Olímpicas

Integram ainda o complexo desportivo do Restelo 4 campos relvados (dois dos quais sintéticos), 1 Pavilhão Gimnodesportivo e umas Piscinas Olímpicas. O Pavilhão foi inaugurado em 1977, com grandes sacrifícios, sendo-lhe 15 anos mais tarde dado o nome de "Acácio Rosa", um grande dirigente, historiador e amigo das modalidades no Belenenses. Inicialmente com lotação para mais de 3.000 pessoas, tem hoje capacidade para cerca de 1.700 lugares (com a colocação de cadeiras). É temido pelo ambiente nele gerado no apoio às equipas do Belenenses, sobretudo em Andebol. As piscinas olímpicas, as únicas que um clube de futebol de topo possui em Portugal, foram inauguradas em 1993, depois de um longo processo. Já tiveram cerca de 3.000 utentes mas encontram-se encerradas desde 2011, por falta de condições financeiras, estando a ser estudadas possíveis outras soluções para esse espaço.

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Símbolos do clube

Emblema

O emblema do Belenenses pouco se alterou do original, apenas com mudanças nas cores (e padrões) e no escudo. O emblema atual é constituído por um escudo branco (com margens azuis), duas faixas azuis em X (com margens brancas), a Cruz de Cristo ao centro e as iniciais do clube (CFB) foram postas em três dos quatro espaços brancos (em dourado). Ao longo do tempo o emblema foi gradualmente alterado até ao atual (que mesmo assim não difere muito do inicial), o original era parecido ao atual diferindo apenas na forma do escudo, que era mais triangular e a cor que era um azul acinzentado, mais tarde o fundo do emblema foi arredondado e as margens do escudo e das faixas passaram a ser douradas. Em tempos mais recentes as margens (do escudo e das faixas) passaram a ser azuis, as iniciais passaram a ser douradas e mantiveram o escudo, as modificações seguintes iriam da origem ao emblema atual.

Hino

O hino do CF “Os Belenenses” data de 1962, num disco gravado com a voz de Alberto Ramos e Margarida Amaral, juntamente com outras canções como “Ser Belenense”, “Seremos Campeões” e “Se és Belenenses”. Mais recentemente, foi gravado outro hino que toca igualmente no Estádio do Restelo, o “Canto do Mar” de Pedro Barroso. Em 2019, de forma a celebrar o centenário do Belenenses, foi lançada a canção “Rapazes da Praia”, da autoria de Miguel Majer (Donna Maria), com a voz de Rui Pregal da Cunha (Heróis do Mar) e a participação de João Cabeleira (Xutos e Pontapés). Outras músicas que se ouvem no Estádio do Restelo são igualmente, a “Marcha do Belém”, de Gonçalo da Câmara Pereira, “Glória Glória Belenenses” e “Matateu”, ambas de Marion Cobretti.

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Associados e adeptos

Belenenses na Cultura Popular

Sendo um dos clubes com maior implantação em Portugal, a grandeza do Belenenses é também visível na sua presença na cultura popular. Desde logo, esta presença nota-se na expressão “olho à Belenenses”, não se sabendo exatamente qual a origem da expressão, provavelmente tal prende-se à cor azulada, fruto do hematoma causado. Também o Mercedes-Benz 180D, especialmente usado pelos taxistas, ficou para os lisboetas conhecido como o “Mercedes Matateu”, sinónimo da enorme influência do astro naquela época de 1951/52. Reza a lenda, que tal também se deveu ao facto do jogador ter sido um dos primeiros donos de um destes modelos no nosso país. Por fim, destacam-se as novelas “Palavras Cruzadas” de 1986, onde a personagem principal tinha o papel de jogador da equipa sénior do Belenenses, havendo inclusive filmagens de treinos reais incorporadas e “Sedução” de 2011, que conta a história fictícia de uma antiga glória do Belenenses, incluindo gravações no estádio do Restelo em dias de jogo. O filme de 2016, “A Mãe é que sabe” conta também a história de uma fervorosa família Belenense nos anos.

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Rivalidades

Outras rivalidades

Também existe uma certa rivalidade com o Braga, o Boavista e o Vitória SC, devido à proximidade no número de títulos, à qualidade das suas infraestruturas, ao histórico de participações nacionais e europeias e por serem alguns dos clubes com o maior número de adeptos em Portugal. Com efeito, esses clubes constituem um grupo secundário de equipas relevantes que, em determinadas épocas ou período de tempo, conseguiram destacar-se e intrometerem-se entre os três principais clubes, levando muitos adeptos e observadores a debaterem sobre qual deles mereceria o título de "4.º Grande". Porém, a distância entre esses clubes e os Três Grandes é considerável em qualquer modalidade para se atribuir tal designação.

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Futebol

Prestações por Temporada

seguindo a decisão dos sócios. Promovido. Cova da Piedade e por ser o melhor 3º classificado. Legenda: POS = Posição na tabela de classificação; J = Jogos realizados; V = Vitórias; E = Empates; D = Derrotas; GM = Golos Marcados; GS = Golos Sofridos; PTS = Pontuação Final

Prestações nas Competições Europeias

1 Barcelona avançou para a 2ª eliminatória após vencer o jogo de desempate por 3–2. 2 Shelbourne avançou para a 2.ª eliminatória após vencer o jogo de desempate por 2–1. 3 Velež Mostar avançou para a 2.ª eliminatória após vencer por 4–3 no desempate por grandes penalidades.

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Modalidades

O Belenenses é um dos mais titulados emblemas portugueses, podendo ser vistos no seu Museu mais de dez mil troféus, conquistados nas diversas modalidades do Clube. Destacam-se os seguintes:

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Fontes consultadas

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