Comédia stand-up
Comédia stand-up é um termo que designa um espetáculo de humor executado por apenas um comediante, que se apresenta geralmente em pé, sem acessórios, cenários, caracterização, personagem ou o recurso teatral da quarta parede, diferenciando o stand up de um monólogo tradicional. O estilo é também chamado de humor de cara limpa, termo usado por alguns comediantes e veículos de comunicação.
Origem
Não há exatamente um consenso sobre como surgiu esse estilo de humor. Existem estudiosos que defendem que tudo começou com os bobos da corte que se apresentavam para os reis na Idade Média (muitas vezes, ironizando a própria plateia, como os stand-ups de hoje). Outros pesquisadores apontam os palhaços do teatro popular inglês, no século 16, ou os menestréis que faziam performances nos EUA no início do século 19. O stand-up pode ter suas raízes em variadas tradições do entretenimento popular americano do final do século XIX, incluindo o vaudeville, (teatro de revista) e monólogos humorísticos. A maioria dos comediantes era meramente vista como contadores de piadas que esquentavam a plateia com um número de abertura, ou mantinham o público entretido durante os intervalos. Os pais da comédia stand-up eram os mestres de cerimônia, como eram chamados na época de ouro do rádio, Jack Benny, Fred Allen e Bob Hope, que vieram do vaudeville e geralmente abriam seus programas com monólogos ou números cômicos. Ser um comediante era considerado um degrau para uma carreira verdadeira no show business.
Surgimento dos clubes
No final dos anos 1950 e no decorrer da década de 1960, stand-up se tornou uma moda entre boêmios e intelectuais. Alguns clubes noturnos eliminaram os números musicais e começaram a se chamar de "clubes de comédia". Uma nova geração de comediantes começou a explorar tópicos políticos, relações raciais e humor sexual. O ambiente, tido como culto e evoluído, acabou permitindo a entrada de comediantes negros e mulheres. Foi quando surgiram nomes como Woody Allen, Shelley Berman, Redd Foxx e Bill Cosby. O stand-up comedy explodiu durante os anos 1970, com muitos artistas se tornando conhecidos nacionalmente. O estilo nascido nos clubes noturnos alcança teatros e até grandes concertos em estádios esportivos.
Projeção na televisão e no cinema
Programas como Saturday Night Live e The Tonight Show lançaram carreiras de outras tantas estrelas de stand-up. Richard Pryor, George Carlin e Lenny Bruce se transformaram em ícones da contracultura. Steve Martin e Bill Cosby tiveram nível similar de sucessos com números mais suaves. Muitas estrelas do stand-up obtiveram grandes contratos com a televisão e também com estúdios de cinema, como Chris Rock, Robin Williams, Eddie Murphy e Billy Crystal. Há uma nova explosão de locais para comédia, espaços para artistas locais e até para comediantes em turnê por várias cidades. Nos anos 1980 com o advento da HBO (que pode apresentar os comediantes sem censura) e outros canais a cabo como o Comedy Central contribuíram para o boom do stand-up comedy.
Ressurgimento
Por volta de 1990 a comédia stand-up parece entrar em declínio. O mercado é inundado por comediantes considerados medíocres, muitos trabalhando em função do conceito de que o sucesso no stand-up pode abrir as portas para outras áreas como música, atuação em televisão e filmes de cinema. Mas alguns humoristas conseguem reerguer o gênero, trazendo seus temas particulares para programas de televisão de incrível sucesso popular e reconhecimento normalmente inacessível em circuitos de clubes de comédia. Exemplos disto incluem Jerry Seinfeld, Ellen DeGeneres, Roseanne, Tim Allen, Chris Rock e Ray Romano. Com o novo século, a comédia stand-up é oxigenada, graças ao surgimento de novas mídias como a internet e canais de tv a cabo como o Comedy Central. Por todo o mundo houve um interesse no stand-up comedy e fazendo com que ocorresse crescimento na cena cômica no Canadá, Reino Unido, Portugal, Irlanda e Países Baixos.
Material
O texto de stand-up consiste na apresentação de frases, histórias e/ou observações próprias de quem apresenta. Cada humorista tem uma metodologia própria de organização do material falando sobre si, do cotidiano ou sobre suas visões em relação ao mundo. Deve-se sempre trazer um texto original, nunca um plágio do trabalho de outros humoristas ou artistas. Apropriação, roubo de piadas e plágio são considerados "crimes sociais" pela maioria dos humoristas de stand-up. Na cena americana, houve várias acusações sobre roubo de piadas, algumas terminando em ações judiciais por violação de direitos autorais. Os acusados, às vezes, reivindicam criptomnésia ou pensamento paralelo, mas é difícil processar com sucesso por roubo de piadas, independentemente da intenção, ou não, de quem se apoderou das piadas.
Locais de apresentação
Apesar da apresentação de stand-up aparentar ser de simples realização podendo ser feita em quase qualquer lugar (clubes de comédia, bares, casas noturnas, faculdades, teatros, centros de convenção, anfiteatros e estádios) deve-se haver um mínimo de estrutura para que o evento seja agradável tanto para o humorista quanto para a plateia. O local precisa ser adequado porque parte do apelo de ficar em pé é a apreciação da habilidade do artista, a maioria das pessoas acha a ideia de ficar no palco extremamente assustadora; a pesquisa sobre o assunto tem consistentemente descoberto que o medo de falar em público é mais intenso do que o medo de morrer.
Termos
Os humoristas desenvolveram algumas terminologias que fazem parte do universo do stand-up. São elas:
Década de 1960: Primeiros passos
O gênero do "one man show", que permite outras abordagens (interpretação de personagens, músicas, cenas, piadas de salão), foi introduzido no Brasil por José Vasconcellos, na década de 60. Aproximando-se um pouco mais do estilo americano, Chico Anysio e Jô Soares mantiveram o gênero - principalmente em seus shows ao vivo, e geralmente, na abertura de seus programas - se aproximando da comédia stand up como vemos hoje, apesar de ainda existirem piadas de domínio público adaptadas em seus repertórios.
Década de 2000: Regras, grupos e pioneirismo
No início de 2005, diferentemente do cenário dos Estados Unidos, onde o stand-up é bastante individual, surgiram grupos de humor responsáveis pelo pioneirismo e popularização do gênero. Para que não se confundisse o estilo de humor com apresentações de "one man show", o humorista Claudio Torres Gonzaga criou "os dez mandamentos do stand-up" pelo que serviu como um guia para iniciantes e para a cena de comédia. São eles: No início de 2005, o Comédia em Pé estreou no Rio Design Leblon, no Rio de Janeiro, sendo o primeiro grupo de stand-up do Brasil. Era formado pelos humoristas Cláudio Torres Gonzaga, Fábio Porchat, Fernando Caruso e Paulo Carvalho. O grupo se apresentava em teatros, ficando em cartaz nos dois extremos da cidade simultaneamente.
Década de 2010
Durante a década de 2010, o stand-up se estabeleceu e vários clubes de comédia surgiram em São Paulo e pelo Brasil com destaque para o Comedians Comedy Club, casa de shows inaugurada em outubro de 2010 e que tinham como sócios Danilo Gentili, Rafinha Bastos e Ítalo Gusso. Outras casas também se destacaram nesta década. Em São Paulo, foram o Clube Do Minhoca (centro), Bar do Rone (Zona Leste), Hillarius Comedy (com unidades no Tatuapé, Santo André e São José dos Campos), Paulista Comedy Club e Bixiga Comedy Club na região da avenida Paulista. Em outras cidades, tiveram o Curitiba Comedy Club, Interiorano Comedy Club (Campinas), Balangandã Comedy Club (Londrina), Maringá Comedy Club, Floripa Comedy Club e Poa Comedy Club (Porto Alegre).
Década de 2020
A pandemia ocasionada por conta do COVID-19, fez com que alguns comedy clubs fechassem as portas, como foi o caso do tradicional Comedians Comedy Club em 2021. Mas, um ano depois, foi inaugurado no mesmo local o Clube Barbixas de Comédia. Outro local para humor inaugurado durante a pandemia foi o My Fucking Comedy Club, o novo bar de comédia de Danilo Gentili no Jardim Paulista que traz a presença de nomes já consagrados no humor desde o Clube da Comédia Stand-up como Oscar Filho e Diogo Portugal que voltaram a se apresentar juntos no show Stand-Up Raiz, além de se apresentarem pelo país. Outro grande nome que participou da popularização do stand-up à retornar aos palcos é Fábio Porchat com ingressos esgotados meses a frente.
Em 2003, a stand-up comedy tornou-se mais popular a partir do início do programa Levanta-te e Ri da SIC. Ricardo Araújo Pereira, João Seabra e Bruno Nogueira são alguns dos nomes expressivos do género em Portugal. ==Referências==


