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Clodovil Hernandes

Clodovil Hernandes, nome artístico de Clodovir Hernandes, foi um estilista, ator, apresentador de televisão, político e filantropo brasileiro.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 13/07/2026
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Controvérsias

Ao longo de sua trajetória na televisão brasileira, Clodovil Hernandes notabilizou-se por um estilo de apresentação caracterizado pela espontaneidade, comentários satíricos e críticas diretas, características que frequentemente geraram atritos com direções de emissoras e outras personalidades públicas. Na década de 1980, durante sua passagem pela Rede Bandeirantes, e nos anos 2000, na RedeTV!, o apresentador protagonizou episódios de quebra de protocolo ao vivo. Suas declarações contundentes a respeito de colegas de trabalho e de decisões editoriais das próprias redes resultaram em múltiplas rescisões contratuais antecipadas e processos judiciais por danos morais movidos por figuras do meio artístico, tornando sua longevidade nas grades de programação um tema de frequente debate na crônica de mídia da época.

Atuação parlamentar e processo no Conselho de Ética

Em 2006, Clodovil elegeu-se deputado federal pelo estado de São Paulo, transpondo sua persona midiática para o ambiente político institucional. Logo no primeiro ano de mandato, em 2007, sua postura contundente tornou-se objeto de contestação formal na Câmara dos Deputados após um embate verbal com a deputada Cida Diogo nos corredores do Congresso Nacional. O teor das declarações do parlamentar motivou uma representação por quebra de decoro parlamentar perante o Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara. Embora o processo não tenha resultado na cassação de seu mandato, o episódio gerou ampla repercussão pública e debates jurídicos e sociais sobre os limites da imunidade parlamentar e os padrões de conduta exigidos no exercício do cargo público.

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Biografia

Família, origens e educação

Clodovil Hernandes nasceu em Elisiário no interior do estado de São Paulo. No ano de seu nascimento, a localidade era ainda um distrito do município de Catanduva. O distrito de Elisiário só seria elevado à categoria de município em 30 de dezembro de 1991. Ainda bebê foi adotado informalmente (sem processo legal de adoção) por um casal de imigrantes espanhóis, o comerciante Domingo Hernández (1903-1961), natural de Múrcia, e sua esposa Isabel Sánchez (1908-1986), natural de Jaén. Foi registrado no ofício de registro civil do município de Floreal em março de 1952, quando já tinha catorze anos com o nome de Clodovir Hernandes, devido ao rotacismo típico do dialeto caipira do interior de São Paulo. Posteriormente passaria a usar o nome Clodovil.

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Carreira artística

Moda

O interesse de Clodovil por moda começou ainda criança, quando dava palpites de vestuário para a mãe, as tias e as primas, escondido do pai, dono de uma loja de tecidos em Floreal, que não podia saber disso, e ele costumava desenhar croquis em cartolina em seu tempo livre, declarando que jamais sofreu qualquer influência para isso e que seus desenhos eram de boa qualidade. Quando estudante em um colégio interno católico, por causa dos cadernos rabiscados de desenhos de vestidos, recebeu de um professor o apelido de "Jacques Fath", um costureiro francês famoso da época. Aos dezesseis anos, no último ano da Escola Normal no Dom Pedro II, quando pensava em cursar Filosofia, uma colega de Clodovil lhe perguntou por que não desenhava vestidos para uma loja. Clodovil pegou então uma página de caderno e desenhou onze vestidos; porém, segundo ele, a Florence Modas, loja do centro de São Paulo, lhe comprou "apenas um desenho e copiou o restante". Apesar disso, ele ganhou com isso quase metade da mesada que o pai lhe mandava para morar na capital paulista.

Música

Na década de 1970, tendo aulas de canto, o costureiro Clodovil começou a se apresentar como cantor em boates e shows privados. Na época, o jornal Diário de Notícias escreveu que o costureiro estava "atacando de cantante". Em janeiro de 1975, ele participou do então programa Fantástico: O Show da Vida interpretando "Ma Mélo Mélodie", uma canção originalmente cantada pela egípcio-francesa Dalida em 1972. O videoclipe foi feito ao ar livre, em um grande gramado e piscina, contando com a presença de seis modelos trajando vestidos desenhados por Clodovil, além de quatro músicos. Em junho daquele ano, ele fez sua segunda apresentação no programa, interpretando "Senza Fine", do italiano Gino Paoli.

Teatro

Clodovil atuou no teatro três vezes em sua vida. A primeira peça de que participou, Seda Pura e Alfinetadas (1981), coescrita por ele e por Leilah Assumpção, estreou no Teatro Brigadeiro, em São Paulo. Nela, Clodovil atuou ao lado de Bruno Barroso, Hilton Have, Isadora de Faria, Lilia Cabral e Márcia Real. A segunda peça, Sabe Quem Dançou? (1990), de Zeno Wilde, teve Clodovil no papel principal. A terceira e última peça de Clodovil, Eu e Ela, foi escrita por ele e estreou no Teatro Brigadeiro em 15 de janeiro de 2006, quando era candidato a deputado.

Rádio

No final da década de 1960, o jovem costureiro Clodovil trabalhou para a Rádio Panamericana (hoje Jovem Pan), onde dava conselhos de moda feminina durante poucos minutos em quadro chamado "Clodovil, o Divino", dentro da sequência radiofônica do programa matinal "Show da Manhã" (1968-2005). Apesar de breve, por conta da censura, que colocou funcionário na escuta, a participação de Clodovil no programa matinal atraía milhares de ouvintes, e serviu como uma experiência importante para o estilista antes de começar a participar e a trabalhar efetivamente na televisão nas décadas de 1970 e 1980. Em setembro de 1968, Clodovil teria criticado ao vivo na rádio as roupas que Yolanda Costa e Silva, esposa do então presidente-general Costa e Silva, usou na ocasião da visita oficial da primeira-ministra indiana Indira Gandhi ao Palácio da Alvorada. Anos mais tarde, Clodovil desmentiu dizendo que não havia criticado a indumentária da primeira-dama, mas sim sua atitude:

Televisão

Desejoso de alavancar sua carreira como jovem costureiro e distinguir-se dos demais profissionais, em especial de Denner, com quem tinha uma conhecida concorrência, Clodovil apostou em participações na televisão para aumentar a sua popularidade, porque tinha ciência de seu poder como veículo de comunicação, muito embora tenha sofrido censura pelo governo militar por conta de suas falas polêmicas e também pela sua sexualidade. Em 1977, Clodovil participou do programa "8 ou 800?", apresentado por Paulo Gracindo na Globo, respondendo corretamente todas as perguntas sobre Dona Beja - uma personalidade do século XIX de Araxá, Minas Gerais - e venceu o prêmio máximo de Cr$ 800 mil; porém, ao retirar o dinheiro da caderneta de poupança Delfin, instituição financeira que patrocinava o programa, Clodovil percebeu que só teria direito a Cr$ 566 mil em razão da incidência de 30% de imposto de renda retido na fonte e, indignado, recusou-se a receber o prêmio, criticando o grupo Delfin.

Comerciais de televisão

Clodovil Hernandes já foi contratado para fazer alguns comerciais de televisão, a maioria deles destinado para o público feminino. Em 1977, fez um comercial de sutiãs para a francesa Valisère. Em 1984, participou de um comercial de esmaltes e batons para a Colorama. Em 1985, Clodovil apareceu em um comercial da antiga marca de desodorantes para mulheres "Mistral", ao lado de Ingra Lyberato, no qual dizia que a protagonista tinha que usá-lo para não cheirar "igual a um homem". Em 2004, Clodovil protagonizou um comercial de kit de cozinha, Kit Cozinha Brasil, que ele mesmo criou, filmado em sua residência em Ubatuba. Em abril de 2008, um comercial realizado por ele para uma agência de publicidade contratada pela Suvinil acabou vetado para ir ao ar pela própria companhia porque nele o estilista usou palavra de baixo calão e gesto impróprio.

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Carreira política

Em 1997, durante entrevista dada no Programa Livre de Serginho Groisman, questionado pela plateia sobre o que faria caso fosse presidente do Brasil, Clodovil afirmou que "não serviria para ser político", pois teria um "infarto no primeiro problema que tivesse", por conta de sua personalidade, e porque se entregaria de "corpo e alma" à profissão e "acabaria se dando mal". Em setembro de 2005, Clodovil, desempregado da televisão desde janeiro daquele ano, anunciou que descobriu que tinha um tumor maligno de próstata. Segundo Clodovil, o diagnóstico de câncer serviu a ele como um insight para entrar na política. Naquele mesmo mês, a então senadora Heloísa Helena procurou seu amigo Clodovil para tratar da possibilidade de sua filiação como candidato a deputado ao seu partido, o PSOL, classificado por ele como "uma nova esperança". No entanto, as tratativas não se realizaram. Em 2006, Clodovil candidatou-se a deputado federal para a 53.ª legislatura da Câmara de Deputados Federais do Brasil pelo Partido Trabalhista Cristão (PTC) de São Paulo. Seu número de candidato era o "3611" e, em sua campanha política na televisão, dizia que se eleito "Brasília nunca mais será a mesma", valendo-se também de ironias como a frase: "Vocês acham que eu sou passivo? Pisa no meu calo para você ver…". A campanha de Clodovil no PTC foi uma das mais econômicas dentro do cenário eleitoral de 2006, com um custo total de R$ 14,3 mil.

Tramitação de processos ao STF

Após sua eleição como deputado federal, o Ministério Público de São Paulo tramitou ao STF um inquérito sobre denúncia de crime ambiental cometido por Clodovil, acusado de ter suprimido vegetação nativa do Parque Estadual da Serra do Mar e aterrado local próximo à sua casa em Ubatuba para construir uma rua particular.

Intrigas políticas

Muito antes de ter entrado na política, Clodovil já causava publicamente intrigas com políticos conhecidos. Em 7 de julho de 1994, em seu programa Clodovil abre o jogo, o apresentador afirmou ao entrevistado Carlos Brickmann que o então candidato da Frente Brasil Popular Luiz Inácio Lula da Silva promoveria, se eleito, "a distribuição de bens particulares de pessoas" e que ele era proprietário de um apartamento em Paris, na França, onde "residia com sua família". Em agosto daquele ano, após solicitação de direito de resposta pelos advogados da Frente, Lula ocupou um minuto do programa de Clodovil para rebater as insinuações difamantes. Em fevereiro de 2007, em seu primeiro discurso na Câmara Federal, Clodovil Hernandes chamou atenção da mídia ao pedir silêncio de todo o plenário para ser ouvido, reclamando do barulho causado pelos colegas parlamentares, afirmando: "Eu não sei o que é decoro com um barulho desses enquanto a gente fala. Parece um mercado e isso aqui é a Casa do povo. Não entendo tanto barulho. Nem na TV, que é popular, as pessoas fazem isso." Na mesma ocasião, ele reclamou da interrupção do deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), que queria iniciar a ordem do dia, chamando-o de "mal educado". Ao final do pronunciamento, recebeu elogios da deputada Luiza Erundina (PSB-SP) e do deputado Paulo Maluf (PP-SP), porém provocou indiretamente esse último, afirmando que era reconhecido no país por seu trabalho, e não por "coisas desonradas".

Alianças políticas

Em março de 2007, o deputado Clodovil uniu-se com o então deputado Jair Messias Bolsonaro para elaborar um projeto de lei em defesa da Semana Nacional da Saúde do Homem, em virtude das estatísticas sobre o aumento gradual de cirurgias de câncer de próstata no país, que beiravam então cerca de 40 mil por ano. Para Clodovil, era necessário mudar a cultura masculina de resistência à saúde preventiva. Antes de sofrer um AVC que resultou em sua morte, Clodovil tinha planejado um jantar na noite seguinte com o então recém-eleito presidente da Câmara Michel Temer em seu apartamento funcional em Brasília, a fim de comemorar a sua absolvição de infidelidade partidária e a manutenção de seu mandato, juntamente com outras autoridades, como José Múcio Monteiro (então ministro das Relações Institucionais), a ministra do STF Carmen Lúcia e os deputados Sandro Mabel (PR-GO), Valdemar Costa Neto (PR-SP) e Rafael Guerra (PSDB-MG).

Projetos propostos

Em julho de 2008, apresentou proposta de emenda constitucional, a PEC 280/08, pretendendo reduzir o número de deputados de 513 para 250 em nome da economia e da eficiência, na qual constava que nenhuma Unidade da Federação poderia ter menos de 4 deputados, nem mais de 35. Hoje, a menor representação tem 8 assentos e a maior 70. Apresentou o projeto 580/07 para regulamentar a união civil entre homossexuais. Em 27 de março de 2009, dez dias depois da sua morte, três de seus projetos foram aprovados na Comissão de Constituição e Justiça:

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Imagem pública

Em 2004, já na RedeTV!, passou por uma fase polêmica devido ao desentendimento com integrantes do programa Pânico na TV. Um dos quadros do programa propunha que personalidades consideradas arrogantes pela equipe calçassem as "sandálias da humildade", e em certo momento Clodovil tornou-se o alvo dos humoristas. O apresentador se esquivou de duas investidas dos repórteres do Pânico. Na terceira tentativa, foi perseguido por dois carros, um helicóptero e um trio elétrico. Seguido desde os estúdios da emissora, em Barueri, na Grande São Paulo, o veículo do apresentador foi fechado no meio da Marginal Pinheiros, e acabou por escapar. No dia seguinte à apresentação de todo o incidente no Pânico, Clodovil fez um desabafo ao vivo em seu próprio programa, A Casa é Sua, que apresentava desde 2003. Seu programa, a partir de então, passou a ser gravado. Em 2005, ofendeu ao vivo Luisa Mell, contratada da mesma emissora, quando este declarou em seu programa, que Luisa terminaria seus dias como atriz pornográfica, assim como Rita Cadillac. A ofensa rendeu a demissão do estilista. Em 2004, durante o programa A Casa é Sua, Clodovil chamou a vereadora Claudete Alves de "macaca de tailleur metida a besta". A vereadora entrou com uma queixa-crime e o apresentador respondeu por dois processos criminais no Tribunal de Justiça de São Paulo. Clodovil alegou em sua defesa que a palavra "macaca" foi usada com o intuito de demonstrar que a vereadora "gostava de aparecer", e não com conotação racista. O apresentador, porém, foi condenado a pagar indenização por danos morais.

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Vida pessoal

Espiritualidade

A despeito da vida de glamour e da fama, Clodovil sempre fez questão de demonstrar sua espiritualidade e evidenciar o amor recíproco entre ele e o Criador e o amor que tinha por sua mãe, Dona Isabel, citando Deus de forma recorrente nos diálogos e entrevistas: "Eu não sou briguento. Como eu poderia ser? Eu sou temente a Deus". Filho adotivo de espanhóis, Clodovil foi criado como católico romano. Em 1981, Clodovil havia se definido como um "espiritualista divorciado da igreja", acreditando que Deus deu ao homem duas dádivas: o amor (o sentido da vida) e a religião (a fé para suportar o mundo); mas que o diabo deu-lhe a igreja e o casamento; que, no tocante ao sexo, o homem era reprimido a partir de uma educação castradora da moral da igreja e do Estado; que sua visão de felicidade estava no orgasmo e que o paraíso era o amor. Em 2008, revelou que tinha afinidades com a igreja católica, mas que não considerava mais essa sua religião, embora a respeitasse por sua hierarquia, liturgia, os cantos e a arte sacra, mas criticando sua postura julgadora diante dos homossexuais.

Sexualidade e relacionamentos

Sobre seu processo de "desenrustimento", Clodovil afirmou que ocorreu aos dezoito anos de idade, por volta de 1955, quando seu pai adotivo Domingos indagou, no jantar em casa, ao lado da mãe Isabel, se era verdade que ele era "fresco", ao que Clodovil lhe respondeu: "Verdade ou não, o meu afeto por você não muda nada. Agora, se o seu afeto por eu mudar, o problema é só seu". Em agosto de 1978, Clodovil contou ao jornal O Lampião da Esquina, de cunho ativista dos direitos dos homossexuais, uma série de relatos sobre sua sexualidade: que era "sempre" assediado por mulheres; que, na verdade, gostaria de ter nascido bissexual e que, na opinião dele, o sexo com mulher ou com homem tinha o mesmo "resultado físico"; mas que não gostava muito de "levantar bandeiras", que não frequentava guetos, ou "endereços homossexuais" como sua tábua de salvação, porque preferia viver no "meio onde nasceu", de pessoas consideradas "normais"; que se apaixonava com frequência, mas pelas pessoas "erradas", isto é, pessoas que viviam no "meio de heterossexuais", o que para ele se tornavam paixões "impossíveis", que logo tentava tirar da cabeça ocupando-se com coisas quaisquer; em certa ocasião, com a finalidade de "matar a paixão" por um dentista, ele fez um show de travesti dançando e cantando em um palco em frente a colunistas, e também de clientes, algo arriscado para sua reputação de costureiro, porque poderia sair desmoralizado; e que, antes disso, em 1960, no início de sua carreira, teve uma "paixão violenta" por uma moça, mas acabou esquecendo, para que "não tivesse nada a ver".

Problemas financeiros

Em vida, Clodovil Hernandes ganhou muito dinheiro como estilista e apresentador de televisão, mas também perdeu muito dinheiro devido a perdas em processos judiciais, a investimentos pouco rentáveis e, sobretudo, aos gastos com o estilo de vida extravagante a que estava habituado. Ao falecer, ele deixou inúmeras dívidas, as quais passaram a ser respondidas por seu espólio. Em seu testamento, havia nomeado sua advogada, Maria Hebe Pereira de Queiroz, sua inventariante. Antes de ser demitido da RedeTV! em janeiro de 2005, Clodovil recebia um salário de R$ 15 mil, acrescidos de R$ 130 mil de comissão por merchandising. Em 1983, enquanto apresentava o Manchete Shopping Show, Clodovil suspendeu temporariamente sua carreira de alta costura por conta de um prejuízo em seu ateliê em São Paulo, obrigado a pagar nada menos do que Cr$ 400 milhões em impostos.

Doença e morte

Clodovil Hernandes foi diagnosticado em 2005 com um tumor maligno na próstata. Ele retirou o tumor em uma cirurgia e não precisou fazer tratamentos complementares, porém passou a apresentar um quadro de incontinência urinária. Em 2007, o deputado sentiu fortes dores no corpo e febre, com princípio de infarto. Depois voltou a passar mal na Câmara dos Deputados, teve um derrame cerebral e ficou com o lado direito do corpo paralisado. Em agosto de 2008, passou por mais uma cirurgia em decorrência das deficiências na próstata. Após a cirurgia, durante a recuperação o estilista e deputado sofreu uma embolia pulmonar. Clodovil morreu em 17 de março de 2009, após ser registrada sua morte cerebral, causada por um acidente vascular cerebral (AVC). O velório ocorreu no Salão Nobre da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo e o sepultamento teve lugar no dia seguinte à morte no Cemitério do Morumbi, na capital paulista.

Espólio, fundação e instituto

Clodovil morreu sem deixar descendentes, tampouco nomeou herdeiros para seu patrimônio. Em vez disso, doou seus bens para a criação de uma fundação que idealizou ainda em vida. Conforme mencionado pelo próprio Clodovil, em entrevista a Amaury Júnior em 2008, o testamento do estilista propunha a criação da "Fundação Isabel Hernandes", que teria sua sede em sua casa em Ubatuba, com o escritório administrativo em uma parte do imóvel e outra parte transformada em museu, para que as pessoas pudessem conhecer mais sobre a casa que Clodovil viveu por décadas e os hábitos do estilista. Em relação à gestão da "Fundação Isabel Hernandes", Clodovil deixou claro que não queria deixar para a prefeitura de Ubatuba. Dentro dessa fundação, funcionariam as “Casas Clô”, que abrigaria durante o dia meninas abandonadas e também funcionaria como uma espécie de "creche", onde meninas poderiam ficar das 7h até 17h e ser capacitadas para o mercado de trabalho. No entanto, devido à falta de verbas, problemas com a casa de Ubatuba (que está construída em uma área protegida de Mata Atlântica) e uma série de dificuldades enfrentadas por seu Espólio em andamento (considerando 2022), até o momento não foi possível realizar o sonho de Clodovil de criar uma fundação beneficente. A casa do estilista tem ido para leilão e também corre o risco de ser demolida, em razão de estar em reserva florestal.

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Memorial e homenagens

Em outubro de 2017, a prefeitura municipal de Ubatuba, no litoral paulista, onde Clodovil residiu por décadas, inaugurou o "Espaço Clodovil Hernandes", dentro do Teatro Municipal Pedro Paulo Teixeira Pinto. Inaugurado como parte das comemorações dos 380 anos da localidade, o espaço reúne uma série de objetos e fotografias do acervo pessoal e artístico do estilista, formalmente adquirido e doado à prefeitura por um amigo pessoal e ex-assessor dele. Os objetos foram inicialmente expostos em uma pousada da cidade, em 2012. Em 2021, a câmara municipal de Ubatuba aprovou, por unanimidade, o projeto de lei 83/2021, que institui no calendário oficial de eventos da cidade o "Dia de Clodovil Hernandes" na data de 17 de junho (o aniversário do estilista, apresentador e político), para promover a exposição de seu acervo artístico através da Fundart, a fundação cultural municipal, e apoiar o trabalho de artistas locais.

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Na cultura popular

Por conta de sua voz, trejeitos e estilo próprio, Clodovil Hernandes já foi imitado por diversos humoristas e artistas. Sobre as sátiras que testemunhou em vida, Clodovil teve divergências com alguns dos parodistas. Em 1981, Mussum imitou Clodovil (através do personagem Criolovil) em um quadro de Os Trapalhões. Quando o comediante faleceu em 1994, Clodovil o elogiou chamando-o de divertido e muito alegre. Em 1981, Clodovil ganhou uma liminar judicial que interditou uma publicidade que faziam de sua imagem. Em 1982, Agildo Ribeiro fez uma sátira de Clodovil em seu programa "Estúdio A...gildo", com o personagem "Clô Clô". Recebendo-o em seu programa TV Mulher naquela época, Clodovil afirmou que Agildo era "engraçado", mas que o personagem era "triste". Em 1993, Agildo novamente parodiou Clodovil ao seu lado, no seu programa "Não Pergunta que Eu Respondo", mas ressaltou que Clodovil era "inimitável" em sua arte na televisão e na costura.

Livros

Clodovil Hernandes, em vida, jamais publicou a sua autobiografia. O primeiro livro sobre o estilista, "Clodovil Hernandes do Palco aos Bastidores", publicado pela CD Editora em 2012, foi escrito pelo escritor Carlinhos Columbia, que trabalhou como copeiro do estilista. Em novembro de 2017, o jornalista Carlos Minuano publicou a biografia "Tons de Clô" (ISBN 9788546500697), pela editora Best Seller, com aba escrita por Ronaldo Ésper.

Podcast

Em 2024, a revista Elle Brasil produziu um podcast sobre a vida de Clodovil Hernandes, intitulado "Clodovil do Avesso", apresentado pelos jornalistas Patricia Oyama e Gabriel Monteiro. O podcast foi dividido, cronologicamente, em seis partes: O Menino que desenhava; A guerra das tesouras; A moda de Clô; A lente da verdade; Clô, para os íntimos; e O pivô final.

Projetos de minisséries e de cinebiografia póstumas

Em fevereiro de 2014, a produtora Casablanca, da família Siaretta, anunciou que estava captando recursos e contatando emissoras interessadas para lançar uma minissérie sobre a vida de Clodovil Hernandes, o qual havia negociado com a Casablanca seus direitos de imagem antes de seu falecimento. Uma parceria chegou a ser negociada entre Casablanca e a Record; no entanto, em 2015, a Record engavetou o projeto, que se chamava A Lente de Clodovil, previsto para contar com 13 episódios. Em 2019, o filme Hebe: A Estrela do Brasil (2019) mostrou em uma cena uma fotografia de Clodovil ao lado de Hebe. Em 2019, a Ancine autorizou a captação de recursos para uma cinebiografia, intitulada Clodovil. Em junho de 2021 foi anunciada uma série biográfica a ser produzida, tendo o ator Silvero Pereira como intérprete do estilista. Em setembro de 2022, o início da série foi adiada para o início de 2023.

Documentário

O programa "Investigação Paralela" da Brasil Paralelo lançou um documentário sobre a causa da morte de Clodovil e as alegações de assassinato por parte do círculo íntimo do falecido, devido a supostas intrigas políticas em Brasília.[carece de fontes?]

Clodovil Presente

Em março de 2019, no décimo aniversário da morte de Clodovil, foi lançada a campanha Clodovil Presente, um projeto cultural do grupo Endireita Fortaleza, um grupo suprapartidário de posicionamento ideológico de direita e conservador com atuação política, social e cultural na capital cearense. O objetivo do projeto, cujo embaixador é Elias Soares, é servir para um "resgate da memória" do estilista e político Clodovil, que foi o primeiro deputado publicamente homossexual do Brasil, era rechaçado pelo Movimento LGBT e tinha opiniões conservadoras sobre a sociedade. No seu lançamento, diversos políticos, a maioria de direita, manifestaram apoio à campanha, tais como Marco Feliciano (que apoiou a campanha no Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados), Carla Zambelli (que propôs batizar a sala II do plenário como Plenário Deputado Clodovil Hernandes), Damares Alves (então ministra dos Direitos Humanos), Joice Hasselmann, Hélio Lopes e Alexandre Frota. Em outubro daquele ano, integrantes da campanha participaram do Conservative Political Action Conference (CPAC) Brasil. No entanto, a campanha sofreu críticas por utilizar a imagem de Clodovil por "puro oportunismo".

Retratos no teatro

Em 21 de novembro de 2021, estreou no Teatro União Cultural, em São Paulo, a peça teatral e monólogo Simplesmente Clô, escrita por Bruno Cavalcanti, a qual teve o ator Eduardo Martini no papel de Clodovil Hernandes. Martini, que conhecia Clodovil, venceu o Prêmio Bibi Ferreira de 2022, na categoria de "melhor ator de peça teatral" por seu trabalho. Em abril de 2023, após o sucesso de '"Simplesmente Clô"', estreou no mesmo teatro "Clodovil, pra sempre!", outra peça monólogo com Eduardo Martini no papel de Clodovil, que aprofundou os temas de sua vida em relação à peça anterior. O texto foi escrito por Raphael Gama e dirigido por Viviane Alfano.

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Fontes consultadas

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