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Clítoris

Clitóris (português brasileiro) ou clítoris (português europeu) é um órgão sexual feminino presente em todos os mamíferos e outros animais. É a zona erógena de maior sensibilidade da mulher e geralmente a principal fonte anatómica de prazer sexual. O clitóris é uma estrutura complexa de tamanho e sensibilidade variáveis. No ser humano, a glande do clitóris tem aproximadamente o mesmo tamanho de uma ervilha e estima-se que possua mais de 8000 terminações nervosas sensoriais. A parte visível do órgão situa-se na união frontal dos pequenos lábios da vulva, anterior à abertura da uretra.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 28/06/2026
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Etimologia

De acordo com o Oxford English Dictionary, a palavra clitoris é derivada do grego antigo κλειτορίς, kleitoris, possivelmente derivado do verbo κλείειν, klein, fechar, ou fechado. Na língua portuguesa, a palavra clitóris não se flexiona no plural. O termo clitóride, apesar de mais correto do ponto de vista filológico, tem atualmente poucas ou nenhumas ocorrências.

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Descoberta

A descoberta desta região é normalmente atribuída ao professor de anatomia e cirurgia da Universidade de Pádua, Matteo Realdo Colombo (1516-1559), quando Colombo publicou e o denominou de "prazer de Vénus". No entanto, a descoberta foi reivindicada dois anos mais tarde, por Gabriele Falloppio. Sendo que ambas reivindicações foram descartadas por Caspar Bartholin, o Jovem, no século XVII, quando afirmou que o clitóris já era conhecido por anatomistas desde o século II a.C..

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Estrutura

Durante o desenvolvimento dos órgãos urinários e reprodutores na embriogénese, a genitália indiferenciada é chamada de falo e pode se desenvolver e dar origem ao clitóris ou ao pênis, o que os torna homólogos, assim como os grandes lábios são homólogos do saco escrotal. A cabeça ou glande do clitóris apresenta normalmente 8000 feixes de fibras nervos (nervo dorsal do clitoris), tendo aproximadamente o dobro do número de fibras nervosas encontradas na pele do pênis. É preenchido internamente por tecido vascular, envolvido pelo músculo isquio -cavernoso. Na parte externa, é revestido por uma mucosa fina. O ápice do clitóris é bulboso, chamado de glande (glans clitoridis, em alusão à glande do pênis dos homens), onde se encontra a maior parte dos terminais nervosos responsáveis pela sensação de prazer. O clitóris é uma estrutura complexa que inclui componentes internos e externos. Visível está o capuz de clitóris (prepúcio), que cobre totalmente ou em parte a cabeça (glande clitoridiana) quando este está em repouso. Dentro do corpo estão os crus clitoris (crura) que são constituídos por dois corpos cavernosos que se unem formando o corpo do clitóris.A uretra esponjosa, bulbo clitoridiano (anteriormente designada por vestíbulo bulbar) e períneo esponjosa, de uma rede de nervos e vasos sanguíneos, ligamentos suspensivos, músculo e diafragma pélvico.As estruturas perineais estão interligadas no que se refere à estimulação sensitiva estendendo-se desde a frente da junção dos pilares (crura) das bordas dos lábios externo (grandes lábios), que se reúnem na base do monte púbico ao frenulum labiorum pudendi, junção posterior dos pequenos lábios. Nos seres humanos, a região da coluna, após a glande clitorial, estende-se vários centímetros para cima e em direção à parte traseira, em frente da divisão da crus do clitóris, que tem forma de um "V" invertido, esta crus estende-se na profundidade, ao longo dos 2 ramos isquio-pubicos da bacia.

Origem do clitóris

Pesquisadores têm se dedicado a estudar as origens ontogenéticas dos órgãos sexuais masculinos e femininos, observando seu desenvolvimento desde o embrião até à puberdade. Os estudos apontaram uma homologia, ou seja, uma origem comum entre pênis e clitóris. No início do desenvolvimento do embrião, suas células ainda indiferenciadas são influenciadas pelos hormônios maternos, direcionando o desenvolvimento do corpo dos embriões masculinos e femininos para uma forma feminina. Num estágio imediatamente anterior à diferenciação sexual, a região que se tornara a genitália externa apresenta os grandes lábios e a saída da uretra e o falo, ainda neste estado não há a entrada do canal vaginal, assim como o próprio canal vaginal. Somente quando as gônadas masculinas são formadas e começam a produzir testosterona é que o falo começa a se desenvolver e ocorre o processo de criação da uretra para dar origem ao órgão sexual masculino e os grandes lábios se fusionam para dar origem ao saco escrotal. Ou seja, é basicamente pela influência de um hormônio que existe diferenciação sexual entre homens e mulheres no início de seu desenvolvimento. Quando ocorre a diferenciação em gônadas femininas o falo não se desenvolve e há a criação do canal vaginal.

O clitóris em outras espécies

O clitóris, como descrito acima, só é conhecido em mamíferos, embora outros grupos de animais possam apresentar estruturas análogas. Em muitas espécies de mamíferos, o clitóris não apresenta uma função evidente ligada ao sexo, visto que nessas espécies não é detetado o orgasmo nas fêmeas. Em hienas, por exemplo, o clitóris é tão grande quanto o pênis dos machos, e durante a cópula, a fêmea sente dores intensas ao passo que seu clitóris sofre lacerações. Em muitas espécies, o clitóris é pequeno ou quase inexistente. Em baleias, pode chegar a 8 centímetros de comprimento. Em algumas espécies, sobretudo em marsupiais, o clitóris apresenta duas glandes. Em gatos e civetas, o clitóris é sustentado por um pequeno osso, que o torna rígido e semelhante a um pênis.

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Função evolutiva

Em seres humanos, o clitóris é especialmente sensível, e assume função importante durante o ato sexual. O prazer ligado ao sexo é um mecanismo evolutivo que favorece a reprodução, oferecendo o orgasmo como recompensa ao ato sexual. Nas mulheres, o clitóris é uma das estruturas envolvidas diretamente na penetração capazes de causar orgasmo (a outra, interna, é uma zona sensível no interior da vagina, e chamada popularmente de ponto G). Na posição sexual mais comum em nossa espécie, onde o homem deita-se de frente sobre o corpo da mulher, o clitóris é constantemente friccionado pela pelve do homem, o que pode levar ao orgasmo mesmo sem a excitação do "ponto G". Há controvérsias sobre este assunto, pois o se o clitóris ficar posicionado longe da penetração não e algo que estimula a reprodução. O clitóris sensível pode ter sido, portanto, uma solução evolutiva, uma característica selecionada para se adequar à anatomia e ao posicionamento durante o ato sexual, de forma a produzir prazer intenso e favorecer a reprodução.

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Clitóris e as sociedades

Imagem: Ente inexistente · BY · Openverse

O clitóris é tradicionalmente encarado pela maioria das sociedades humanas como um tabu que não pode ser visto, tocado, ou mencionado sem que haja extrema intimidade entre a mulher e seu(ua) parceiro(a), mesmo em culturas onde não se utilizam vestimentas cobrindo as genitálias. A circuncisão feminina, ou seja, a laceração ou amputação (excisão) do clitóris (mutilação genital feminina), é praticada em algumas sociedades, especialmente em algumas tribos africanas, famosas pelas reportagens e relatos da imprensa, que muitas vezes qualificam este ritual como sendo "bárbaro" (o que é uma verdade perante os Direitos Humanos, já que são feitos sem a permissão das mulheres vitimizadas) e uma "violação dos direitos humanos". O termo técnico para a "castração feminina" é clitoridectomia.

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Clitoromegalia

Como a maior parte das estruturas do corpo humano, cada clitóris varia em tamanho e constituição. Um artigo publicado no Journal of Obstetrics and Gynecology, em Julho de 1992, estipula que a largura média da glande clitoridiana está entre 2,5 milímetros a 4,5 milímetros em indicando que a sua dimensão é em média menor do que uma borracha de lápis. O tamanho do clítoris pode variar imenso, sendo que em alguns podem ser quase impercetíveis, e outros é extremamente grande. Alguns clitóris podem ser muito reduzidos (que nem quando eretos conseguem emergir do prepúcio) ou muito desenvolvidos, embora isso não influencie na sensação de prazer, porém há casos em que terminações nervosas são defeituosas e o clitóris é incapaz desta sensação. Há casos raros em que o clitóris é hipertrofiado ao ponto de se assemelhar a um micropênis. Algumas variações intersexo estão associadas a essa atipicidade.

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Fontes consultadas

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