Carl Johnson
Carl Johnson é um personagem fictício da franquia de jogos eletrônicos Grand Theft Auto, servindo como o protagonista do quinto título principal da série, Grand Theft Auto: San Andreas (2004). Membro da gangue de rua Grove Street Families, Carl decidiu deixar Los Santos, sua cidade natal, em busca de uma vida melhor, mas a crescente violência em torno de seu antigo lar resulta no assassinato de sua mãe, fazendo com que CJ retorne para seu funeral. Sua volta a Los Santos dispõe Carl a ter que lidar com conflitos entre gangues, confrontos com policiais e suas relações com sua família e amigos.
Com o objetivo de criar personagens que se adequassem ao mundo do jogo eletrônico Grand Theft Auto: San Andreas (2004), a equipe de desenvolvimento da Rockstar North tomou a decisão de que o protagonista do jogo seria um negro, ao contrário de seus antecessores Grand Theft Auto III (2001) e Grand Theft Auto: Vice City (2002), que eram retratados por brancos. Durante o início da produção, o co-fundador da Rockstar Games, Jamie King, observou que, já que o jogo seria ambientado na Califórnia, durante a década de 1990 e no meio de um cenário de gangues, ele achou que seria algo óbvio e "muito legal" a implementação de um protagonista negro. O presidente da Rockstar Games, Sam Houser, disse que eles "imediatamente" se dedicaram a esta escolha, e não a via como um risco a ser tomado, já que "com certeza era meio radical para a indústria naquele momento, mas, sabe, tenho orgulho de fazer coisas desse tipo", expressando desejo em quebrar uma certa "barreira racial" que existia na indústria de jogos eletrônicos. Ele complementou dizendo: "Qualquer um que tenha problema com isso, não queremos que você compre o jogo de qualquer maneira, cara, francamente".
Intérprete
A Rockstar queria adicionar uma voz ao personagem que não recordasse nenhuma celebridade de Hollywood. O produtor e co-escritor do jogo, Dan Houser, desejava encaixar uma voz que fosse autêntica e que se adequasse ao protagonista: "Não vamos colocar uma voz famosa ali só porque é uma voz famosa. Vamos conseguir alguém que soe perverso para o personagem e, se não for famoso, isso não nos incomoda em nada." O aspirante a rapper em início de carreira, Young Maylay, foi escalado para o papel do personagem. Maylay estava trabalhando em Nova Iorque quando recebeu um telefonema de seu amigo e co-escritor de San Andreas, DJ Pooh, que estava em uma reunião com a equipe da Rockstar. Durante um diálogo entre os dois relacionado a criações de novas músicas, Pooh estava próximo aos interlocutores do jogo; a ligação, sem o conhecimento de Maylay, ocorria no viva-voz. A equipe da Rockstar ouviu a conversa e, depois que o diálogo entre os dois terminou, eles encorajaram Pooh a trazer Maylay para uma audição. O processo de testes ocorreu primeiramente em Los Angeles, antes de seguir para Nova Iorque.
Customização e jogabilidade
Ao contrário dos personagens jogáveis dos jogos anteriores, a aparência de Carl é amplamente personalizável, fazendo com que o jogador possua liberdade em comprar uma grande variedade de roupas, acessórios, cortes de cabelo e tatuagens para ele. Certas personalizações dão mais respeito ao personagem, bem como mais apelo sexual. O presidente da Rockstar North, Leslie Benzies, disse que gostaria que cada jogador tivesse controle total sobre o personagem: "Se eles não gostarem da maneira como ele se veste, podem ganhar dinheiro suficiente para comprar roupas novas [...] Um recurso de tatuagem funciona de forma semelhante, só que a motivação é diferente. Se você estiver em uma gangue, você fará uma tatuagem de gangue mostrando isso". Apesar do elevado nível de customização, o gerente de relações públicas da Rockstar, Hamish Brown, disse: "Não é The Sims. Nós apenas pegamos um pouquinho disso para que você se importe com o personagem".
Origem
Carl Johnson, filho de Beverly Johnson e de pai anônimo, cresceu em Los Santos, numa casa localizada na Grove Street, no bairro de Ganton. Ele tinha três irmãos: Sean, apelidado de "Sweet", Kendl e Brian. Pouco se sabe sobre seu pai, a quem ele nunca conheceu. Quando jovens, Carl, Sweet e Brian fizeram amizade com Melvin "Big Smoke" Harris e Lance "Ryder" Wilson, que viviam na mesma rua, e todos os cinco eventualmente se juntaram a Grove Street Families, com Sweet se tornando o líder da gangue, Carl o vice-líder, e Brian, Big Smoke e Ryder, membros de alto escalão. Em 1987, Brian foi morto em um ataque de gangue; é implícito que Carl testemunhou o ataque, mas optou por não intervir. Isso arruinou seu relacionamento com sua família e amigos, especialmente Sweet, que o culpou pela tragédia. Eventualmente, CJ decidiu deixar sua antiga vida para trás e se mudou para Liberty City, onde começou a trabalhar para o mafioso Joey Leone, no negócio de roubo de carros.
Retorno a Los Santos
Cinco anos depois, Carl retorna para Los Santos para o enterro de sua mãe, assassinada em um tiroteio. Em sua chegada, Carl é confrontado pelos policiais Frank Tenpenny, Edward "Eddie" Pulaski e Jimmy Hernandez, três membros altamente corruptos da unidade de policiamento comunitário da cidade, C.R.A.S.H. Tenpenny e seus parceiros ameaçam incriminar Carl pelo assassinato do policial Ralph Pendlebury, a quem eles mesmos mataram propositalmente, a fim de impedir que Carl divulgue seus atos corruptos. Eles forçam CJ a trabalhar para eles, ameaçando a segurança dele e de sua família. Depois de se reunir com Sweet, Kendl, Big Smoke e Ryder, Carl descobre que a sua gangue perdeu influência e quase todos os seus territórios para seus rivais. Com a expansão do tráfico de drogas, a maioria das gangues sediadas em Los Santos começaram a vender drogas em um esforço para aumentar seu poder. No entanto, a moralidade de Sweet o impediu de fazer o mesmo, fazendo com que a Grove perdesse lentamente a maior parte de sua influência e territórios para seus rivais, os Ballas e os Vagos. CJ então concorda em ficar em Los Santos e ajudar a reerguer a sua gangue. Ele faz amizade com o namorado de sua irmã Kendl e líder da gangue Varrios Los Aztecas, Cesar Vialpando, apesar de Sweet inicialmente não ter aprovado o namoro dos dois, e ajuda seu amigo, Jeffrey "OG Loc" Cross, a iniciar sua carreira como rapper, apesar de sua falta de talento. Ele também ajuda no renascimento de sua gangue, recuperando territórios.
Exílio, novas alianças e empreendimentos
Durante seu tempo na área rural, Carl faz amizade com um velho hippie cultivador de ervas conhecido como "The Truth", e realiza vários roubos ao lado de sua amante, prima de Cesar, Catalina, com quem CJ mantém um relacionamento de curta duração. Ele também participa de algumas corridas de rua ilegais organizadas pelo líder cego da tríade Mountain Cloud Boys, Wu Zi Mu, conhecido como "Woozie", nas quais ele ganha um carro esportivo e uma garagem abandonada do novo namorado de Catalina, Claude. Carl e seus associados viajam mais tarde para San Fierro, onde transformam a garagem abandonada em uma oficina de veículos, com a ajuda de vários novos aliados, e compram uma concessionária de automóveis. Enquanto isso, CJ trabalha para a tríade local de Woozie, fortalecendo seus laços com ele no processo, e se infiltra e destrói o maior cartel de drogas do estado de San Andreas, o Loco Syndicate, que agia como o principal fornecedor para os Ballas. No processo, ele também se vingou de Ryder por sua traição, matando-o durante uma reunião com os líderes do Syndicate.
Pontas soltas
Pouco depois de seu retorno à Los Santos, Carl é contatado por Toreno para um último trabalho. Após a conclusão, Sweet é finalmente solto da prisão. Embora feliz por ter seu irmão de volta, Sweet não fica impressionado com os empreendimentos comerciais de CJ e o julga por se esquecer de sua gangue, antes de convencê-lo a ajudar a reconstruir a força da Grove mais uma vez. Durante esse tempo, Tenpenny é julgado por conta de seus crimes, mas é absolvido por falta de provas, causando um tumulto por toda Los Santos. No meio do caos, CJ recupera territórios perdidos pela Grove enquanto rastreia Big Smoke, até descobrir que ele se esconde em seu "Palácio do Crack", onde CJ o mata por sua traição. Tenpenny então chega atrás de sua parte do dinheiro e tenta matar Carl, mas CJ sobrevive e o persegue com a ajuda de Sweet. A perseguição eventualmente faz com que Tenpenny bata e capote seu veículo, e então ele morre devido aos ferimentos. Com a morte do policial, os tumultos cessam e todas as pontas soltas na vida de CJ são resolvidas. Após isso, Carl e seus associados são vistos discutindo o que seu futuro os reserva, quando Madd Dogg os visita para anunciar que ele ganhou uma certificação de disco de ouro com seu novo álbum. Enquanto todos comemoram, Carl sai de casa para checar como andam as coisas na vizinhança.
Carl Johnson é caracterizado como um personagem mais sentimental em comparação aos protagonistas dos títulos anteriores da série Grand Theft Auto, bem como uma pessoa menos violenta e que demonstra arrependimento para determinados atos, apesar de expressar um lado mais agressivo e profundo quando sua gangue e sua família são ameaçadas. Os irmãos Houser desejavam que os conflitos e problemas do personagem dessem um novo nível de profundidade e complexidade à franquia. No início do jogo, CJ, assim como seu irmão Sweet, possui fortes crenças em relação as lealdades de gângsters, nas quais o fez acreditar ingenuamente que todos os membros possuíam tais propósitos. Pouco depois de ser exilado de Los Santos, Carl continuou a manter essas crenças até que Cesar Vialpando o revela que Big Smoke era traficante de drogas há bastante tempo. A personalidade ingênua de Carl faz com que alguns personagens questionem a sua inteligência, apesar de que, em algumas situações, ele demonstre um lado mais profissional, bem como uma mentalidade mais estratégica na medida que a trama do jogo avança. No prólogo, o personagem também possui traços de egoísmo, mas ao passar do tempo se torna um criminoso bem-sucedido e que se preocupa mais com sua gangue e com seus próximos, ganhando destaque ao possuir contatos com criminosos e se tornando um grande investidor em vários negócios por todo o estado de San Andreas.
Inicial
Após o lançamento de San Andreas, o protagonista Carl Johnson recebeu aclamação da crítica. Mikel Reparaz, da GamesRadar+, caracterizou-o como um "anti-herói extremamente simpático", enquanto que Mike Smith, da Yahoo! Games, descreveu-o como "talvez, a característica mais forte do jogo". John Davison, em sua revisão para a Official U.S. PlayStation Magazine, referiu-o como "possivelmente um dos personagens de jogos eletrônicos mais bem desenvolvidos e críveis já criados. [...] Claro, ele é um criminoso e tem uma propensão a ser particularmente desagradável, mas muito rapidamente, você começa a perceber que realmente gosta dele." Davison comparou CJ a Sam Fisher (de Tom Clancy's Splinter Cell), Solid Snake (de Metal Gear) e Ratchet (de Ratchet & Clank), afirmando que Carl "não fornece o distanciamento que você tem com esses caras. [...] Você gosta dele porque rapidamente começa a sentir que realmente o conhece". Vicious Sid, da GamePro, achou que o personagem realiza "algumas piadas divertidas", apesar de considerar que ele não se igualou ao carisma de Tommy Vercetti, de Vice City.
Retrospectivo
Retrospectivamente, Carl Johnson foi incluído em diversas listas de melhores personagens de jogos eletrônicos de todos tempos. Jesse Schedeen, da IGN, incluiu CJ em sua lista dos seus "Fodões Favoritos de Grand Theft Auto", afirmando: "De todos os protagonistas de todos os jogos da franquia GTA, poucos são tão convincentes ou tão fodões como Carl "CJ" Johnson"; ele também elogiou a customização do personagem e os recursos disponíveis. Paul Tamburro, da Crave Online, classificou Carl em oitavo lugar em sua lista dos dez personagens mais memoráveis do GTA, afirmando que "foi revigorante assumir o controle de um personagem que pensava duas vezes se deveria ou não cometer massacres desenfreados". Matthew Cooper, da Sabotage Times, listou-o entre os dez melhores personagens principais da franquia Grand Theft Auto, afirmando que Carl Johnson "foi o primeiro [da série] a apresentar consciência, o primeiro que não parecia gostar de matar um grande número de pessoas".
Imagem: MiiiSH · BY · Openverse
Semelhanças com Michael Washington
No final de 2012, o vocalista do grupo de rap Cypress Hill, Michael "Shagg" Washington, abriu um processo contra a Take-Two Interactive, no qual alegou, na corte da Califórnia, que Carl Johnson foi criado com base em sua vida, história pessoal e aparência física. Por conta disso, ele solicitou uma indenização de 250 milhões de dólares por abuso contra ele. Como prova, ele afirmou que em 2003 se reuniu com um grupo de desenvolvedores de jogos, com quem discutiu seu passado como lutador e como integrante de gangue de rua. Durante o referido encontro, Shagg cedeu-lhes uma foto sua, que acabou no arquivo de sua defesa. No entanto, o juiz determinou que as evidências não eram suficientes, uma vez que o demandante deveria apresentar indícios como tatuagens, marcas de nascença ou outros tipos de características físicas. À luz disso, a Take-Two usou uma emenda descrevendo que o uso de personagens "transformativos" exclui qualquer tipo de base concreta para seu design. Como a lei da Califórnia invoca tais regulamentações, a empresa acabou vencendo a ação, ao qual o juiz decidiu que, na ausência de provas conclusivas, Washington não merecia o dinheiro por danos.
Declarações de Young Maylay
Em outubro de 2019, durante a Brasil Game Show (BGS), o ator do personagem Franklin Clinton de Grand Theft Auto V, Shawn Fonteno, primo de Young Maylay, especulou um possível retorno de Carl Johnson para um provável futuro jogo da franquia, dizendo: "Eu e [Maylay] temos algo vindo por aí, mas eu não posso falar nisso neste momento. Nós poderemos trazer o CJ de volta, eu só não posso falar nada sobre isso agora". No final de dezembro de 2019, Maylay negou, através do Instagram, as especulações em torno da sua participação em um futuro jogo da série, comentando: "Foda-se a Rockstar. CJ precisará ser dublado por outro filho da puta, e não por mim. Não dou a mínima para o que vocês ouviram". Maylay cedeu críticas a Rockstar por, segundo ele, não fornecer o devido valor às pessoas que trabalham na empresa, dizendo: "Eles são abutres da cultura. O pessoal de Londres está fazendo bilhões com caras de Los Angeles e nós não vemos 10% [do dinheiro]". Além disso, ele poupou críticas a Dan Houser e defendeu o intérprete de Niko Bellic, Michael Hollick, este último que argumentou que não foi pago o suficiente por seu trabalho em Grand Theft Auto IV.


