Pesquisa · Mapa mental

Cinemateca Brasileira

A Cinemateca Brasileira é uma instituição cinematográfica sediada na cidade de São Paulo e responsável pela preservação e promoção da produção audiovisual do Brasil. Desde 1940, desenvolve atividades em torno da restauração e da divulgação de seu acervo, com mais de um milhão de documentos relacionados ao cinema nacional e também estrangeiro do quais fazem parte fotografias, roteiros, livros, revistas e pôsteres.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 04/07/2026
01

História

O embrião do projeto da Cinemateca Brasileira nasceu quando Paulo Emílio Salles Gomes, na época bacharel em filosofia pela Universidade de São Paulo (USP), emigrou para a Europa e conheceu o museu vivo de cinema francês. A emigração se deu em um contexto de fuga, já que ocorreu logo após Paulo Emilio escapar da sua prisão por ter participado da Intentona Comunista de 1935. Durante sua estadia na França, o estudante trabalhou diretamente na Cinémathèque Française, e lá aprendeu sobre a importância da cultura de preservação das obras audiovisuais. De volta ao Brasil em 1940, iniciou seu projeto para difundir essa cultura cinematográfica no país ao fundar, juntamente com colegas da USP como Décio de Almeida Prado e Antonio Candido de Mello e Souza, o primeiro Clube de Cinema de São Paulo. O Clube se propunha a estudar o cinema por meio de projeções, conferências, debates e publicações. Porém, o projeto não conseguiu se desenvolver. Criado durante o período do Estado Novo, sob o governo de Getúlio Vargas, o primeiro Clube de Cinema de São Paulo foi fechado pelo Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP), o que o forçou a operar de forma clandestina na residência de Emílio Machado e Lourival Machado a partir de 1941.

02

Sociedade Amigos da Cinemateca

A SAC (Sociedade de Amigos da Cinemateca) é uma entidade civil sem fins lucrativos criada em 1962, por iniciativa de Dante Ancona Lopez, que tem como objetivo desenvolver ações de apoio à Cinemateca Brasileira. Sua atuação está principalmente voltada para a difusão da cultura do cinema e da produção audiovisual do país, além da viabilização de projetos da Cinemateca. Por muitos anos, ficou instalada em uma pequena sala do Cine Belas Artes, onde promovia as retrospectivas dos filmes nacionais e estrangeiros. A SAC desenvolveu um importante trabalho de formação de público cinematográfico por meio da realização de festivais e mostras de filmes inéditos na Sala Cinemateca. Atualmente, ela promove a exibição de filmes, palestras, debates, cursos, pesquisas históricas, pesquisas artísticas, exposições, produção e edição de livros. Também é responsável pela captação de recursos, por meio da Lei Rouanet e de convênios com a Prefeitura de São Paulo e com a União, para a realização de projetos especiais, como o restauro de filmes, a digitalização de cartazes e obras, além da compra de equipamentos diversos.

03

Laboratório de Restauração

Desde 1978, a Cinemateca Brasileira possui um Laboratório de Restauração devidamente equipado, que foi reconhecido pela FIAF (International Federation of Film Archives) como um exemplo para as cinematecas latino-americanas. Entre as suas atividades permanentes está a restauração de filmes do acervo em estado de deterioração, a transferência de materiais em suporte de nitrato de celulose para suporte de segurança (poliéster) e a confecção de cópias (matrizes ou reproduções para empréstimo). O que diferencia o Laboratório de Restauração da Cinemateca Brasileira dos demais são equipamentos como: o copiador óptico, capaz de processar filmes 35 mm com até 4% de encolhimento; a mesa de comparação com 4 pistas; a moviola-telecine para filmes de 35 mm e de 16 mm que, ao contrário de copiadores normais, consegue projetar filmes até mesmo em estado de alta deterioração. É também um dos poucos que faz controle sensitométrico de cópias em 35 e 16 mm.

04

Sala Cinemateca

A Sala Cinemateca foi inaugurada em 10 de março de 1989, no espaço onde funcionava o Cine Fiametta, na rua Fradique Coutinho, em Pinheiros. O filme em cartaz era "A Paixão de Joana D’Arc", de Carl Dreyer. Durante oito anos, mais de 200 mil pessoas assistiram a retrospectivas variadas promovidas pela Sociedade Amigos da Cinemateca, muitas vezes formadas por obras inéditas. No local, o público pode conhecer o estilo de importantes autores estrangeiros, tais como Charles Chaplin, Orson Welles, David Griffith, Ingmar Bergman, Federico Fellini, Pier Paolo Pasolini, Luchino Visconti, Jean-Luc Godard, François Truffaut Jean Renoir, Fritz Lang, Friedrich Murnau, Carl Dreyer, Yasujiro Ozu, Akira Kurosawa, Kenji Mizoguchi, Roberto Rosselini e Andrei Tarkovski. Em 5 de novembro de 1997, a Sala Cinemateca foi transferida para a sede oficial da entidade, na Vila Clementino. No final de 2005, a sala passou por uma reforma, sendo reaberta em março de 2006 incluindo equipamentos modernos de projeção e som que proporcionam uma exibição de alta qualidade técnica, de acordo com as normas internacionais.

05

Imagens em movimento

Imagem: Alexandre Possi · BY · Openverse

O acervo de imagens é formado por cerca de 250 mil rolos de filmes, que correspondem a 42 mil títulos de todos os períodos da cinematografia audiovisual nacional, possuindo obras de ficção, documentários, cinejornais, filmes publicitários e registros familiares, nacionais e estrangeiros, produzidos desde 1895. Quanto ao acervo da biblioteca é de aproximadamente 70 mil itens: livros, recortes de jornais, periódicos, catálogos, produção acadêmica e folhetos, etc. As coleções mais significativas de cinejornais são as do Cine Jornal Brasileiro, Carriço e Bandeirantes da Tela, todos feitos a partir da década de 1930, em nitrato de celulose. Também pertence ao acervo a coleção de imagens da extinta TV Tupi – a primeira emissora de televisão brasileira. Em 1985, a instituição herdou 180 000 rolos de filme 16 mm com reportagens veiculadas nos telejornais da emissora, além de fitas de vídeo com a programação de entretenimento.

06

Acervo digital

Imagem: Everton Zanella Alvarenga from São Paulo, Brazil · BY-SA · Openverse

Desde 2016, o acervo da Cinemateca Brasileira, que possui mais de 250 mil rolos de filmes, composto por curtas, médias, longas-metragens, cinejornais, obras de ficção e documentários, está disponível em versão digital. Por meio de página na internet é possível conferir telenovelas antigas, filmes e reportagens de produções brasileiras e internacionais. Para conferir o acervo, basta entrar no site do Banco de Conteúdos Culturais (BBC). Em 2016, cerca de 50 mil usuários realizaram 781 319 visualizações no site - sendo mais de oito mil de cunho internacional - que inclui reportagens da TV Tupi, produções dos estúdios Vera Cruz e Atlântida, além de um vasto acervo de entrevistas, filmes mudos e reportagens nacionais e internacionais.

07

Logotipo

Criado por Alexandre Wollner em 1954 para a então Filmoteca do MAM, o logotipo da Cinemateca Brasileira é representante da influência da arte concreta no design brasileiro do século XX. Retratando, de forma estilizada, o corte transversal de um projetor de cinema, o símbolo é composto de dois círculos e uma linha central que "pode tanto significar a tira de um filme quanto o fluxo luminoso que o projeta na tela". O desenho original passou por pequenos ajustes em 1962, ano em que seu criador ajudou a fundar a Escola Superior de Desenho Industrial (ESDI) e, em 1984, ganhou a assinatura "cinemateca brasileira". Reconhecida popularmente pela associação das suas formas com uma figura fálica, a marca clássica foi substituída em 2018, durante a gestão da Acerp. O novo símbolo recebeu críticas pela falta de elaboração do conceito e a baixa qualidade da execução. O logotipo original foi resgatado em 2022, quando a gestão da Cinemateca foi assumida pela Sociedade Amigos da Cinemateca, e segue em uso desde então.

08

Incêndios

Imagem: Andréia Reis · BY · Openverse

A Cinemateca Brasileira sofreu com 5 incêndios ao longo de sua história. O primeiro deles aconteceu em Setembro de 1957 e foi causado pela autocombustão sofrida pelos filmes em suporte de nitrato de celulose, o que resultou na destruição de todas as instalações da organização e quase todo seu acervo, até então localizados na rua Sete de Abril, no centro de São Paulo. Para a recuperação, a instituição recebeu apoio e doações de diversas entidades nacionais e estrangeiras. O segundo incêndio ocorreu em Abril de 1969 e também levou a Cinemateca a uma situação de crise, quando foram perdidos 2 000 filmes do acervo. O terceiro, com semelhantes causas e consequências, aconteceu em 1982 e levou a perda de 1 500 fitas. O quarto incêndio sofrido pela Cinemateca ocorreu em 3 de Fevereiro de 2016, quando exatamente 1 007 rolos de filmes, armazenados na atual sede da instituição, foram perdidos em outro incêndio, segundo nota oficial do Ministério da Cultura. Ainda de acordo com a nota, neste último caso, foram perdidos filmes nacionais originais de 731 títulos, que consistiam em cinejornais (98,1%), curtas-metragens (1,7%), testes de atores de longa metragem (0,1%) e um registro publicitário (0,1%).

Vídeos recomendados

Fontes consultadas

Continue pesquisando