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Cinema Novo

Cinema Novo foi um movimento cinematográfico brasileiro, destacado pela sua crítica à desigualdade social que se tornou proeminente no Brasil durante os anos 1960 e 1970. O Cinema Novo se formou em resposta à instabilidade racial e classista no Brasil. Influenciados pelo neorrealismo italiano e pela Nouvelle Vague francesa, filmes produzidos sob a ideologia do Cinema Novo se opuseram ao cinema tradicional brasileiro de até então, que consistia principalmente em musicais, comédias e épicos ao estilo "hollywoodiano". Glauber Rocha é amplamente considerado o cineasta mais influente do Cinema Novo. Hoje, o movimento é muitas vezes dividido em três fases sequenciais que diferem em tom, estilo e conteúdo.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 11/07/2026
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Origens

Tudo começa em 1952 com o primeiro Congresso Paulista de Cinema Brasileiro e o primeiro Congresso Nacional do Cinema Brasileiro. Por meio desses congressos, foram discutidas novas ideias para a produção de filmes nacionais. Essas ideias estão bem representadas no filme Rio, 40 Graus (1955), de Nelson Pereira dos Santos, obra fortemente influenciada pelas propostas do neorrealismo italiano que Alex Viany vinha divulgando. Um trecho do livro A Fascinante Aventura do Cinema Brasileiro (1981), de Carlos Roberto de Souza, expressa bem quais viriam a ser as pretensões do cinema nessa época:.mw-parser-output .flexquote{display:flex;flex-direction:column;background-color:#F1F1F1;border-left:3px solid #C7C7C7;font-size:100%;margin:1em 4em;padding:.4em .8em}.mw-parser-output .flexquote>.flex{display:flex;flex-direction:row}.mw-parser-output .flexquote>.flex>.quote{width:100%}.mw-parser-output .flexquote>.flex>.separator{border-left:1px solid #C7C7C7;border-top:1px solid #C7C7C7;margin:.4em .8em}.mw-parser-output .flexquote>.cite{text-align:right}@media all and (max-width:600px){.mw-parser-output .flexquote>.flex{flex-direction:column}}@media screen{html.skin-theme-clientpref-night .mw-parser-output .flexquote{background-color:transparent}}@media screen and (prefers-color-scheme:dark){html.skin-theme-clientpref-os .mw-parser-output .flexquote{background-color:transparent}}

Influências

Os cineastas brasileiros modelaram o Cinema Novo segundo gêneros conhecidos por subversão: neorrealismo italiano e Nouvelle Vague francesa. Johnson e Stam afirmaram ainda que o Cinema Novo tem algo em comum "com o filme soviético dos anos vinte", que, como o neorrealismo italiano e a francesa Nouvelle Vague, "tinha uma propensão para teorizar sua própria prática cinematográfica". O cinema neorrealista italiano filmava frequentemente em localização com atores não-profissionais e cidadãos da classe trabalhadora representados durante os tempos econômicos difíceis após a Segunda Guerra Mundial. A Nouvelle Vague absorveu fortemente o neorrealismo italiano, pois os diretores franceses rejeitaram o cinema clássico e abraçaram a iconoclasia.

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Ideologia

O cineasta Alex Viany descreve o movimento como tendo elementos de cultura participativa. De acordo com Viany, enquanto o Cinema Novo era inicialmente "tão fluido e indefinido" como sua antecessora, Nouvelle Vague, exigia que os cineastas tivessem paixão pelo cinema, um desejo de usá-lo para explicar "problemas sociais e humanos" e uma vontade de individualizar seu trabalho. A teoria do autor também influenciou muito o Cinema Novo. Embora suas três fases fossem distintas, o Cinema Novo encorajava os diretores a enfatizar suas políticas pessoais e preferências estilísticas. Como o cineasta Joaquim Pedro de Andrade explicou a Viany em uma entrevista de 1966: Em nossos filmes, as proposições, posições e idéias são extremamente variadas, às vezes até contraditórias ou pelo menos múltiplas. Acima de tudo, elas são cada vez mais livres e desmascaradas. Existe uma total liberdade de expressão. À primeira vista, isso parece indicar alguma incoerência interna no movimento Cinema Novo. Mas, na realidade, penso que isso indica uma maior coerência: uma correspondência mais legítima, verdadeira e direta entre o cineasta - com suas perplexidades, dúvidas e certezas - e o mundo em que vive.

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Temas e estilo

A maioria dos historiadores do cinema divide o Cinema Novo em três fases sequenciais que diferem em tema, estilo e assunto. Stam e Johnson identificam "uma primeira fase que vai de 1960 a 1964," uma segunda fase em execução "de 1964 a 1968," e uma terceira fase em execução "de 1968 a 1972" (embora também reivindiquem que a fase final se conclui "grosso modo" "no final de 1971"). Há pouco desacordo entre os críticos de cinema sobre essa linha do tempo. O cineasta Carlos Diegues afirma que, embora a falta de fundos reduza a precisão técnica dos filmes do Cinema Novo, também permitiu que diretores, escritores e produtores tivessem uma quantidade incomum de liberdade criativa. "Porque o Cinema Novo não é uma escola, não tem um estilo estabelecido", afirma Diegues. "No Cinema Novo, as formas expressivas são necessariamente pessoais e originais sem dogmas formais". Esta liberdade de direção, juntamente com a mudança do clima social e político no Brasil, fez com que o Cinema Novo experimentasse turnos de forma e conteúdo em um curto período de tempo.

Primeira fase (1960-1964)

Os filmes da primeira fase representam a motivação original e os objetivos do Cinema Novo. Eles tomaram um tom mais intenso e rural no cenário, lidando com doenças sociais que afetaram a classe trabalhadora como fome, violência, alienação religiosa e exploração econômica. Eles também abordaram o "fatalismo e estoicismo" da classe trabalhadora, o que o desencorajou de trabalhar para resolver esses problemas. "Os filmes compartilham um certo otimismo político", escrevem Johnson e Stam, "uma espécie de fé que apenas mostrando esses problemas seria um primeiro passo para a solução deles". Ao contrário do cinema tradicional brasileiro que retratava belos atores profissionais em paraísos tropicais, o Cinema Novo de primeira fase "procurou os cantos sombrios da vida brasileira - suas favelas e seu sertão - os lugares onde as contradições sociais do Brasil apareceram de forma mais dramática". Esses tópicos foram apoiados por estética que "foram visualmente caracterizadas por uma qualidade documental, muitas vezes alcançada pelo uso de uma câmera de mão" e foram filmadas "em preto e branco, usando cenários simples e vivos que enfatizavam vividamente a dureza da paisagem". Diegues sustenta que o Cinema Novo de primeira fase não se concentrou na edição e no enquadramento, mas sim na divulgação de uma filosofia do proletariado. "Os cineastas brasileiros (principalmente no Rio, na Bahia e em São Paulo) levaram suas câmeras e saíram para as ruas, o país e as praias em busca do povo brasileiro, o camponês, o trabalhador, o pescador, o morador das favelas."

Segunda fase (1964-1968)

Em 1964, o popular presidente democrata João Goulart foi retirado do cargo por um golpe militar, transformando o Brasil em uma ditadura militar sob o novo presidente Humberto de Alencar Castelo Branco. Por conseguinte, os brasileiros perderam a fé nos ideais do Cinema Novo, uma vez que o movimento prometeu proteger os direitos civis, mas não conseguiu defender a democracia. O cineasta Joaquim Pedro de Andrade culpou vários diretores, que ele afirmou terem perdido contato com os brasileiros enquanto apelavam aos críticos: "Para que um filme seja um instrumento verdadeiramente político", disse De Andrade, "deve primeiro se comunicar com o público". O Cinema Novo de segunda fase procurou tanto desviar a crítica quanto enfrentar a "angústia" e a "perplexidade" que os brasileiros sentiram depois que Goulart foi expulso. Fez isso produzindo filmes que eram "análises do fracasso - do populismo, do desenvolvimentismo e dos intelectuais de esquerda" para proteger a democracia brasileira.

Terceira fase e o Novo Cinema Novo (1968-1972)

Hans Proppe e Susan Tarr caracterizam a terceira fase do Cinema Novo como "uma mistura de temas sociais e políticos contra um pano de fundo de personagens, imagens e contextos que não são diferentes da riqueza e floridez da selva brasileira". O Cinema Novo de terceira fase também foi chamado de "fase canibal-tropicalista" ou simplesmente "tropicalista". O tropicalismo era um movimento que se concentrava em kitsch, mau gosto e cores turvas. Os historiadores do cinema referem-se ao canibalismo tanto literal como metaforicamente. Ambos os tipos de canibalismo são visíveis em Como Era Gostoso o Meu Francês (Nelson Pereira dos Santos, 1971), em que o protagonista é sequestrado e comido por canibais literais ao mesmo tempo em que é "sugerido que os índios (ou seja, o Brasil) deve metaforicamente canibalizar seus inimigos estrangeiros, apropriando-se de sua força sem serem dominados por eles". Rocha acreditava que o canibalismo representava a violência necessária para promulgar mudanças sociais e representá-la na tela: "Do Cinema Novo deve-se aprender que uma estética da violência, antes de ser primitiva, é revolucionária. É o momento inicial em que o colonizador se torna consciente dos colonizados. Somente quando confrontado com a violência o colonizador compreende, através do horror, a força da cultura que ele explora".

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Fim do Cinema Novo

Imagem: Dani Botelho · BY-NC · Openverse

Burnes St. Patrick Hollyman, filho do famoso fotógrafo estadunidense Thomas Hollyman, afirma que "em 1970, muitos dos filmes do Cinema Novo ganharam inúmeros prêmios em festivais internacionais". Em 1970, Rocha publicou um manifesto sobre o progresso do Cinema Novo, no qual disse que estava satisfeito que o Cinema Novo "ganhou aceitação crítica como parte do cinema mundial" e se tornou "um cinema nacionalista que refletiu com precisão as preocupações artísticas e ideológicas de o povo brasileiro"(Hollyman). Mas Rocha também advertiu os cineastas e consumidores que ser muito complacente nas conquistas do Cinema Novo retornaria o Brasil ao seu estado pré-Cinema Novo: "O movimento é maior do que qualquer um de nós. Mas os jovens devem saber que não podem ser irresponsáveis quanto ao presente e ao futuro, porque a anarquia de hoje pode ser a escravidão de amanhã. Em pouco tempo, o imperialismo começará a explorar os filmes recém-criados. Se o cinema brasileiro é a palmeira do tropicalismo, é importante que as pessoas que vivenciaram a seca estejam em guarda para garantir que o cinema brasileiro não se torne subdesenvolvido."

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Legado

Imagem: uniondocs · BY-NC-SA · Openverse

Embrafilme

Em 1969, o governo brasileiro instituiu a Embrafilme, empresa destinada a produzir e distribuir o cinema brasileiro. A Embrafilme produziu filmes de vários gêneros, incluindo fantasias e épicos de grande orçamento. Na época, o cineasta Carlos Diegues disse que apoiava a Embrafilme porque era "a única empresa com poder econômico e político suficiente para enfrentar a devastadora voracidade das corporações multinacionais no Brasil". Além disso, Diegues afirmou que enquanto o Cinema Novo "não está identificado com a Embrafilme", ​​"a existência [da Embrafilme] é, na realidade, um projeto do Cinema Novo". Quando a Embrafilme foi desmantelada em 1990 pelo presidente Fernando Collor de Mello, "as conseqüências" para o setor cinematográfico brasileiro "foram imediatas e sombrias". À falta de investidores, muitos diretores brasileiros co-produziram filmes em inglês. Isso causou que o cinema inglês ultrapassasse o mercado brasileiro, que passou de 74 filmes produzidos em 1989 para nove filmes produzidos em 1993. O presidente brasileiro Itamar Franco encerrou a crise implementando o Prêmio Resgate do Cinema Brasileiro, que financiou 90 projetos entre 1993 e 1994. A premiação "abriu novas portas para uma nova geração de novos cineastas (e alguns dos veteranos) confiantes de que, como o título de um filme do cineasta veterano Carlos Diegues, anunciado profeticamente, chegariam melhores dias (Dias Melhores Virão, 1989). "

Terceiro Cinema

Segundo Aristides Gazetas, Cinema Novo é o primeiro exemplo de um gênero influente chamado Terceiro Cinema. Como o Cinema Novo, o Terceiro Cinema se baseia no neorrealismo italiano e na Nouvelle Vague francesa. Gazetas alega que o Cinema Novo pode ser caracterizado como um precursor do Terceiro Cinema, porque Glauber Rocha "adotou as técnicas do Terceiro Cinema para conscientizar as realidades sociais e políticas em seu país através do cinema". Depois de desaparecer com o Cinema Novo, o Terceiro Cinema foi revivido em 1986, quando as empresas de cinema inglesas procuravam criar um gênero que "se concentrasse em práticas cinematográficas não anglo-americanas" e "evitasse a teoria cultural sentimental do Reino Unido e as práticas culturais e educacionais alinhadas com culturas empresariais e consumismo de mercado que se relacionam com variantes do pós-modernismo".

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Lista de filmes-chave

Imagem: uniondocs · BY-NC-SA · Openverse

Primeira fase

A primeira fase do Cinema Novo é marcada por uma forte influência do neorrealismo italiano e da nouvelle vague francesa. Os filmes desta fase focam em temas sociais e políticos, retratando a vida dos pobres e marginalizados no Brasil.

Segunda fase

A segunda fase é mais radical e experimental, refletindo o crescente descontentamento com a situação política do Brasil. Esta fase é marcada por uma abordagem mais alegórica e menos realista, com filmes que exploram a violência e a opressão.

Terceira fase

A terceira fase do Cinema Novo lida com a repressão política mais intensa após o golpe militar de 1964. Os filmes dessa fase são frequentemente mais pessimistas e introspectivos, refletindo a desilusão com a política e a sociedade brasileiras.

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Documentário

Imagem: Peixo2 · CC0 · Openverse

Em 2016, o documentário brasileiro "Cinema Novo", dirigido por Eryk Rocha, recebeu prêmio Olho de Ouro no Festival Internacional de Cinema de Cannes.

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Música

Imagem: uniondocs · BY-NC-SA · Openverse

Há uma música composta por Caetano Veloso e Gilberto Gil do álbum Tropicália 2 que se chama Cinema Novo (canção) e é dedicada a esse movimento.

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Fontes consultadas

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