Cinema do Japão
A história do cinema do Japão estende-se por mais cem anos, o país tem uma das mais antigas e maiores indústrias cinematográficas do mundo; começando a produzir filmes no final do século XIX com a chegada dos primeiros cinegrafistas estrangeiros. No ano de 2011, o Japão produziu 411 filmes o que rendeu numa porcentagem de 54,9 da bilheteria japonesa de 2,338 bilhões de dólares estadunidenses. Em 2021, figurou como o quarto maior produtor de longas-metragens de todo o mundo.
Inícios (1896—1919)
O cinema foi introduzido no Japão pela primeira vez em 25 de novembro de 1896, quando o cinetoscópio — inventado três anos antes nos EUA por Thomas Edison — foi exibido na cidade de Cobe, ocorrendo ali a primeira exibição pública de um filme no país, expandindo-se seguidamente para Osaka e Tóquio. Em fevereiro de 1897, o cinematógrafo e o vitascópio dos Irmãos Lumière foram implementados no Japão por empresários como Inabata Katsutaro. As imagens em movimento, contudo, não eram exclusividade para os nipônicos devido à sua rica tradição de equipamentos pré-cinemáticos; tais como o gentō (utsushi-e) ou a lanterna mágica. No ano de 1898, foram produzidos alguns curtas-metragens, em destaque Bake Jizo e Shinin no sosei. A película rodada em 1899, Momijigari, de Tsunekichi Shibata, é o mais antigo registro disponível para o público japonês e o primeiro a ser considerado propriedade cultural.
Ascensão (1920—39)
Vários estúdios começaram suas atividades por volta de 1920, no caso da Shochiku — que se tornou uma das mais influentes do país — e Taishō Katsuei, este último ficou em operação por apenas dois anos.[N 3] Pelo mesmo, Thomas Kurihara dirigiu filmes com roteiro do romancista Jun'ichirō Tanizaki, onde era forte defensor da reforma cinematográfica. Os longas-metragens japoneses obtiveram popularidade em meados da nova década, em contrapartida aos estrangeiros, estimulados pela popularidade dos astros do cinema nacional e por um novo estilo do jidaigeki. Diretores como Daisuke Itō e Masahiro Makino realizam produções do gênero chanbara, a exemplo Chūji tabi nikki e Roningai; apresentando rebeldes anti-heróis em rápidas cenas de lutas que obtiveram aclamação pela crítica. Os atores Tsumasaburō Bandō, Kanjūrō Arashi, Chiezō Kataoka, Utaemon Ichikawa e Takako Irie, seguiram o exemplo de Makino e fundaram suas próprias empresas cinematográficas de forma independente. Muitos historiadores japoneses designam as causas do grande sismo de Kantō que ocorreu em setembro de 1923, como de grande consequência para a indústria cinematográfica do país. Alguns estúdios localizados na área de Tóquio foram completamente destruídos, em exceção ao Shochiku,[N 4] com as outras companhias transferindo suas sedes para o oeste nipônico. Para o crítico Tadao Satō o terremoto foi "monumental para pontuar a história cultural do Japão moderno, desaparecendo uma e surgindo outra".


