Bandeira do Japão
A bandeira do Japão tem um formato retangular branco com um grande disco carmesim no centro, e é oficialmente denominada Nisshōki em japonês, embora seja mais comumente conhecida como Hinomaru .
Antes de 1900
A origem exata do Hinomaru é desconhecida, mas o sol nascente parece ter algum significado simbólico desde o começo do século VII. Em 607, uma correspondência oficial que começa com "do imperador do sol nascente" foi enviada ao Imperador Sui Yangdi. O Japão é frequentemente referido como "a terra do sol nascente". Na obra do século XII, Heike Monogatari, foi escrito que diferentes samurais carregavam desenhos do sol em seus leques. Outro possível motivo para o uso do sol era o desejo de modelos simples e elegantes pelos guerreiros japoneses para refletir a condição culta dos samurais. Uma lenda relacionada à bandeira nacional é atribuída ao sacerdote budista Nichiren. Supostamente, durante uma invasão mongol ao Japão no século XIII, Nichiren deu um estandarte solar ao xogun para carregar na batalha. O sol também é fortemente relacionado à família imperial pelo fato da mitologia atestar que o trono imperial descendia da deusa Amaterasu.
Primeiros conflitos e a Guerra do Pacífico
O uso da bandeira nacional cresceu à medida que o Japão se desenvolveu como império, e o Hinomaru estava presente em celebrações após vitórias na Primeira Guerra Sino-Japonesa e na Guerra Russo-Japonesa. A bandeira também foi usada em esforços de guerra dentro do país. Um filme japonês de propaganda de 1934 retratava bandeiras nacionais estrangeiras como incompletas ou defeituosas em seus designs, enquanto a bandeira do Japão é perfeita em todas as suas formas. Em 1937, um grupo de garotas da prefeitura de Hiroshima demonstrou solidariedade aos soldados japoneses combatendo na China durante a Segunda Guerra Sino-Japonesa, comendo "refeições da bandeira" que consistiam em um umeboshi no meio de uma camada de arroz. O bento Hinomaru se tornou o principal símbolo da mobilização de guerra e da solidariedade do Japão com seus soldados até a década de 1940.
Ocupação dos Estados Unidos
O Hinomaru foi a bandeira de facto durante a Segunda Guerra e o período de ocupação. Durante a ocupação do Japão após a guerra, permissão do Comandante Supremo das Forças Aliadas (SCAPJ em inglês) era necessária para hastear o Hinomaru. As fontes divergem no grau de restrição do uso do Hinomaru; algumas usam o termo “banido”; todavia, apesar das restrições originais terem sido severas, elas não chegavam a um banimento indiscutível. Depois da guerra, uma bandeira era usada por navios civis japoneses da Autoridade de Controle Naval dos Estados Unidos para Navios Mercantes Japoneses. Modificada do código sinal "E", a bandeira foi usada de setembro de 1945 até a cessação da ocupação dos EUA no Japão. Navios norte-americanos em águas japonesas usavam uma bandeira com um sinal "O" modificado como bandeira.
Pós-guerra até 1999
Desde a Segunda Guerra, a bandeira do Japão foi criticada pela associação ao passado militarista do país. Objeções similares foram feitas ao hino nacional japonês, Kimigayo. Os sentimentos sobre o Hinomaru e o Kimigayo representaram o deslocamento de um sentimento patriótico do "Dai Nippon" – Grande Japão – ao pacifista e antimilitarista "Nihon". Por causa dessa mudança ideológica, a bandeira foi usada com menos frequência no Japão diretamente após a guerra mesmo com o fim das restrições do SCAPJ em 1949. À medida que o Japão começou a se restabelecer diplomaticamente, o Hinomaru foi usado como uma arma política no além-mar. Numa visita do Imperador Showa e da Imperatriz aos Países Baixos, o Hinomaru foi queimado por cidadãos holandeses que pediam que ele fosse mandado embora para o Japão ou julgado pela morte de prisioneiros de guerra holandeses durante a Segunda Guerra Mundial. Domesticamente, o Hinomaru não foi utilizado nem mesmo em protestos contra um novo Status of Forces Agreement que estava sendo negociado entre Japão e EUA. A bandeira mais usada por uniões de comércio e outros manifestantes era a bandeira carmesim de revolta.
Desde 1999
A Lei sobre a Bandeira e o Hino Nacional foi passada em 1999, escolhendo o Hinomaru e o Kimigayo como símbolos nacionais do Japão. A aprovação da lei foi motivada pelo suicídio do diretor de uma escola em Hiroshima que não conseguira resolver uma disputa entre seu conselho escolar e seus professores sobre o uso do Hinomaru e do Kimigayo. O primeiro-ministro Keizō Obuchi do Partido Liberal Democrata (LDP) decidiu esboçar uma legislação para fazer o Hinomaru e o Kimigayo símbolos oficiais do Japão em 2000. Seu Secretário Geral do Gabinete, Hiromu Nonaka, queria a legislação completada no 10º aniversário da coroação de Akihito como Imperador. Os principais apoiantes dessa lei eram o LDP e o Komeito (CGP), enquanto a oposição incluía o Partido Social Democrata (SDPJ) e o Partido Comunista (CPJ), que alegaram conotações dos símbolos com a guerra. O CPJ era o mais oposto por não querer que o assunto fosse decidido pelo povo. Enquanto isso, o Partido Democrático do Japão (DPJ) não obteve consenso partidário sobre o tema. O presidente do DPJ, Naoto Kan defendeu que o DPJ deveria apoiar a legislação porque seu partido já reconhecia os símbolos como símbolos do Japão. O deputado secretário geral e futuro primeiro-ministro Yukio Hatoyama entendeu que essa lei poderia causar divisões na sociedade e nas escolas públicas.
Passada em 1870, a Proclamação No. 57 do primeiro-ministro tinha duas previsões relacionadas à bandeira nacional. A primeira previsão determinava quem poderia empunhar e como deveria empunhar a bandeira; a segunda especificava como a bandeira deveria ser feita. A razão era sete unidades de largura e dez unidades de extensão (7:10). O disco carmesim, que representa o sol, foi calculado para ser de três quintos do tamanho total do comprimento. A lei decretou que o disco ficaria no centro, mas geralmente era colocado a um centésimo (1/100) para cima. Em 3 de outubro do mesmo ano, regulamentações sobre o design da bandeira mercantil outras bandeiras navais foram passadas. Para a bandeira mercantil, a razão era duas unidades de largura e três unidades de extensão (2:3). O tamanho do disco permaneceria o mesmo, contudo o disco solar era colocado a um vigésimo (1/20) para cima. Quando a Lei sobre a Bandeira e o Hino Nacional passou, as dimensões da bandeira foram levemente alteradas. A razão geral da bandeira foi trocada para duas unidades de largura e três unidades de extensão (2:3). O disco carmesim foi deslocado para o ponto morto, mas o tamanho geral do disco permaneceu o mesmo. O fundo da bandeira é branco e o disco solar é carmesim beni iro (紅色), mas a cor exata das sombras não foi definida na lei de 1999. A única pista é que a sombra da cor carmesim deveria ser "profunda".
Quando o Hinomaru foi primeiramente introduzido, o governo pediu aos cidadãos que reverenciassem o Imperador com a bandeira. Havia um pouco de ressentimento entre os japoneses sobre a bandeira, resultando em alguns protestos. Levou algum tempo para a bandeira ganhar a aceitação do povo. Durante a Segunda Guerra Mundial, era um costume popular entre amigos, colegas e parentes de um soldado em partida presenteá-lo com um Hinomaru. A bandeira também era usada como símbolo de boa sorte e um amuleto para desejar ao soldado o retorno seguro da batalha. Um termo para esse tipo de amuleto é Hinomaru Yosegaki (日の丸寄せ書き). Uma tradição é que nenhum escrito deve tocar o disco solar. Depois de batalhas, essas bandeiras eram frequentemente capturadas ou encontradas sobre soldados japoneses mortos. Enquanto essas bandeiras se tornavam souvenires, houve o costume de enviar as bandeiras de volta aos descendentes do soldado.
Segundo votações conduzidas pela mídia, a maioria dos japoneses via a bandeira do Japão como a bandeira nacional mesmo antes da passagem da Lei Sobre a Bandeira e o Hino Nacional em 1999. A despeito disso, controvérsias sobre o uso da bandeira em evento escolares ou na mídia ainda acontecem. Por exemplo, jornais liberais como o Asahi Shimbun e o Mainichi Shimbun frequentemente publicam artigos criticando a bandeira do Japão, refletindo o espectro político dos seus leitores. A exibição do Hinomaru em casas e negócios é também discutida na sociedade japonesa. Por causa da associação do Hinomaru com ativistas uyoku dantai (extrema-direita), políticos reacionários ou hooliganismo, algumas casas e empresas não hasteiam a bandeira. Para outros japoneses, a bandeira representa o tempo em que a democracia foi suprimida quando o Japão era um império. Percepções negativas do Hinomaru existem em antigas colônias do Japão, assim como no próprio Japão, como em Okinawa. Em um exemplo notável, em 26 de outubro de 1987, o dono de um supermercado de Okinawa queimou o Hinomaru antes do começo do Festival Nacional de Esportes do Japão. Chibana Shôichi queimou o Hinomaru não apenas para demonstrar oposição às atrocidades do exército japonês e à presença das forças dos EUA, mas também para ele não ser exibido em público. Outros incidentes em Okinawa a bandeira sendo rasgada em cerimônias escolares e estudantes se recusando a reverenciar a bandeira sendo hasteada ao som do Kimigayo. Na República Popular da China e na Coreia do Sul, que foram ocupados pelo Império do Japão, bandeiras japonesas foram queimadas em protestos contra a política externa do Japão ou se um primeiro-ministro japonês visitasse o Santuário Yasukuni em Tóquio, em honra aos japoneses mortos na guerra, que incluem catorze criminosos de guerra classe A. Sob essa bandeira, os soldados japoneses cometeram vários crimes que resultaram em várias mortes em países ocupados. As leis japonesas permitem a queimadura do Hinomaru, mas bandeiras estrangeiras não podem ser queimadas no Japão.
De acordo com o protocolo, a bandeira pode tremular do nascer ao pôr do sol; empresas e escolas podem hastear a bandeira da abertura ao fechamento. Ao hastear a bandeira do Japão e de outro país ao mesmo tempo, a bandeira do Japão toma a posição de honra e a bandeira do outro país fica à direita. As duas bandeiras devem estar na mesma altura e ter o mesmo tamanho. Quando mais de uma bandeira estrangeira é hasteada, a Bandeira do Japão é alocada na ordem alfabética prescrita pelas Nações Unidas. Quando a bandeira se torna imprópria para uso, costuma ser queimada em âmbito privado. A Lei sobre a Bandeira e o Hino Nacional não especifica como a bandeira deve ser utilizada, mas cada prefeitura tem seus próprios regulamentos sobre o uso do Hinomaru e outras bandeiras das prefeituras. A bandeira Hinomaru tem pelo menos dois estilos para luto. Um consiste em hastear a bandeira a meio-mastro (半旗, Han-ki), como é prática em diversos países. Os escritórios do Ministério das Relações Exteriores içam a bandeira a meio-mastro durante funerais de chefes de Estado estrangeiros. Um estilo alternativo de luto é cobrir o florão da esfera com roupas pretas e colocar uma tarja preta acima da bandeira, conhecida como "bandeira de luto" (弔旗, Chō-ki). Esse estilo remete a 30 de julho de 1912, quando o Imperador Meiji faleceu e o Gabinete publicou uma ordem estipulando que a bandeira nacional deveria ser hasteada de luto quando morre o Imperador. O Gabinete possui a autoridade de anunciar o hasteamento a meio-mastro da bandeira.
Escolas públicas
Desde o final da Segunda Guerra Mundial, o Ministério da Educação publicou estatutos e regulamentos para promover o uso do Hinomaru e do Kimigayo nas escolas sob sua jurisdição. O primeiro desses estatutos foi publicado em 1950, afirmando ser desejável, mas não obrigatório, usar os dois símbolos. Esse desejo foi depois expandido para incluir os dois símbolos em feriados nacionais e durante eventos cerimoniais para inculcar nos estudantes o que representam os feriados nacionais e para promover a defesa da educação. Numa reforma das diretrizes educacionais em 1989, o governo, comandando pelo LDP, demandou que a bandeira deveria ser utilizada em cerimônias escolares e o devido respeito deveria ser atribuído à bandeira e ao Kimigayo. Punições para diretores de escolas que não seguissem a ordem também estavam elencadas na reforma.
Forças Armadas
As Forças de Autodefesa do Japão (JSDF) e a Força Terrestre de Autodefesa do Japão usam uma versão do disco solar com oito raios carmesins saindo do disco central, chamada Hachijō-Kyokujitsuki (八条旭日旗). Há uma borda dourada parcialmente em volta dos cantos. Uma variante bem conhecida do disco solar é o disco solar com 16 raios em uma formação Siemens star, usada historicamente pelas Forças Armadas do Japão, particularmente a Marinha Imperial do Japão. A bandeira, conhecida em japonês como Kyokujitsu-ki (旭日旗), foi adotada pela primeira vez como bandeira naval em 7 de outubro de 1889, e foi usada até o final da Segunda Guerra Mundial em 1945. Foi re-adotada em 30 de junho de 1954, e hoje é usada como bandeira naval da Força Marítima de Autodefesa do Japão (JMSDF). Nos países asiáticos vizinhos que foram ocupados pelo Japão, essa bandeira ainda carrega uma conotação negativa. A JMSDF também usa um galhardete. Adotada pela primeira vez em 1914 e re-adotada em 1965, a bandeirola contém uma versão simplificada da bandeira naval no final do mastro, com o resto da bandeirola de cor branca. A razão da bandeirola está entre 1:40 e 1:90.
Imperial
Começando em 1870, bandeiras foram criadas para o Imperador (o então Imperador Meiji), a Imperatriz e outros membros da família imperial. Primeiramente, a bandeira do imperador era ornada com um sol no centro de um modelo artístico. Ele tinha bandeiras usadas na terra, no mar e para quando estivesse em uma carruagem. A família imperial também recebeu bandeiras para serem usadas no mar ou na terra (uma para uso a pé e outra para uso em carruagens). As bandeiras da carruagem eram um crisântemo monocromático, com 16 pétalas, no centro de um fundo monocromático. Essas bandeiras foram descartadas em 1889 quando o Imperador decidiu usar o crisântemo em um fundo carmesim como sua bandeira. Com pequenas mudanças nas sombras das cores e nas proporções, as bandeiras adotadas em 1889 ainda estão em uso pela família imperial.
Subnacional
Cada uma das 47 prefeituras do Japão tem uma bandeira baseada na bandeira nacional na medida em que consistindo de um símbolo, mon, em um campo monocromático (com a exceção de Ehime, que usa um símbolo num fundo bicolor). Há algumas bandeiras de prefeituras, como a de Hiroshima, que coincidem suas características com a da bandeira nacional (razão 2:3, mon colocado no centro e 3/5 do tamanho da bandeira). Alguns mon colocam o nome da prefeitura em caracteres japoneses; outras são pinturas estilizadas do lugar ou alguma outra característica especial da prefeitura.Um exemplo é a bandeira da prefeitura de Nagano, em que um caractere katakana laranja ナ (na) aparece no centro de um disco branco. Uma interpretação do mon é que o símbolo na representa uma montanha e o disco branco, um lago. A cor laranja representa o sol, enquanto o branco representa a neve da região.
Outras
Além das bandeiras usadas pelas Forças Armadas, algumas outras bandeiras foram inspirada na bandeira nacional. A antiga bandeira do Japan Post consistia no Hinomaru com uma barra horizontal carmesim no centro da bandeira. Também tinha um fino anel branco em volta do sol carmesim. Foi depois substituída por uma bandeira que consiste no 〒 em carmesim com um fundo branco. Duas bandeiras nacionais criadas recentemente se assemelham à bandeira do Japão. Em 1971, Bangladesh conseguiu a independência do Paquistão e adotou uma bandeira nacional com um fundo verde, acompanhado de um disco carmesim fora do centro que contém um mapa dourado do Bangladesh. A bandeira atual, adotada em 1972, retirou o mapa dourado e manteve o restante. O governo do Bangladesh oficialmente considera o disco carmesim um círculo; a cor carmesim simboliza o sangue derramado para criar o país. A nação insular de Palau usa uma bandeira com um design similar, mas o esquema de cores é totalmente diferente. Apesar do governo de Palau não citar os japoneses como influência em sua bandeira nacional, o Japão administrou Palau de 1914 até 1944. A bandeira de Palau é uma lua cheia dourada não localizada no centro, com um fundo azul celeste. A lua representa a paz e uma nação nova enquanto o fundo azul celeste representa a transição de Palau para um governo próprio entre 1981 e 1994, quando foi obtida a independência total.


