Cid Gomes
Cid Ferreira Gomes é um engenheiro civil e político brasileiro filiado ao Partido Socialista Brasileiro (PSB). Graduado pela Universidade Federal do Ceará (UFC). Cid Gomes ocupou diversos cargos, incluindo deputado estadual, prefeito de Sobral, governador do Ceará, ministro da Educação e senador da república.
Filho do defensor público José Euclides Ferreira Gomes Júnior, ex-prefeito de Sobral, e da professora Maria José Santos Ferreira Gomes, iniciou seus estudos em sua cidade natal. Graduou-se em engenharia civil na Universidade Federal do Ceará (UFC), em Fortaleza, onde chegou a ocupar a presidência do Centro Acadêmico. É irmão de Ciro Gomes e Ivo Gomes. Em 2013, foi listado como um dos 60 nomes mais poderosos do país pelo portal IG. Cid Gomes é casado com Maria Célia Habib Moura Ferreira Gomes e pai de Rodrigo Dias Ferreira Gomes (nascido em 1997), Matheus Habib Ferreira Gomes (nascido em 2007) e Pedro Gomes (nascido em 2015).
Nas eleições de 2018, foi eleito senador pelo Ceará, com 41,62% dos votos. Nessa eleição, Cid alcançou a marca histórica de o congressista mais bem votado da história do Ceará. Em agosto do mesmo ano, junto com o irmão Ciro e políticos ligados a ambos, fechou acordo de migração do PROS para o Partido Democrático Trabalhista (PDT). Sobre as invasões em celulares de autoridades e sobre as mensagens divulgadas pela “Vaza Jato”, Cid Gomes defendeu na Comissão de Constituição e Justiça uma CPI para investigar e propor medidas de segurança para o sigilo de comunicações e também para apurar se realmente houv conluio entre o Poder Judiciário e o Ministério Público. Em matéria do Jornal Metrópoles, Cid Gomes foi um dos quatro únicos Senadores que não registraram custos de despesas com serviços de cartas em 2019. Ao longo do seu primeiro ano como Senador da República, Cid Gomes foi autor de 18 proposições legislativas e foi relator de 19 matérias.
Início da vida pública
Ingressou na política aos 25 anos, em 1988, como vice na chapa de José Linhares Ponte (popularmente conhecido como Padre Zé) à prefeitura de Sobral, derrotados com uma pequena margem de votos pelo candidato José Parente Prado. Logo depois disso, entre 1989 e 1990, Cid Gomes foi coordenador político regional no Ceará, tendo sido convidado pelo então governador Tasso Jereissati.
Deputado estadual
Em outubro de 1990, Cid concorreu ao cargo de deputado estadual (PSDB) e foi eleito com 21.895 votos. Em 1991 se tornou líder do PSDB na Assembleia Legislativa do Ceará. Ao longo do mandato, Cid se tornou primeiro-secretário da Mesa Diretora. Em 1994 disputou novamente como deputado estadual e foi reeleito com 45.570 votos, alcançado a terceira melhor votação do estado. Em 1995, Cid Gomes foi reeleito para o cargo deputado estadual. No segundo mandato, foi eleito por unanimidade presidente da Assembleia, com 32 anos, sendo o presidente mais jovem da história do parlamento estadual. Cid Gomes, por seu destaque como presidente da assembleia cearense, participou da Conferência Nacional de Assembleias Legislativas dos Estados Unidos, em 1996, e do Encontro de Integração de Jovens Políticos da América Latina e da Europa, realizado pela Fundação Konrad Adenauer no mesmo ano.
Prefeito de Sobral
Em 1996, disputou o cargo de prefeito municipal de Sobral, sendo eleito com um montante de mais de 64% dos votos do eleitorado. Deixou o cargo de Deputado Estadual em 1997 para assumir a prefeitura. Quando assumiu o cargo de prefeito de Sobral, em 1997, Cid Gomes quebrou a divisão de poder das famílias Prado e Barreto, que governaram a cidade de Sobral desde o ano de 1963. Durante sua gestão como prefeito realizou convênios para a construção de seis escolas de grande porte e investiu mais de R$ 2,5 milhões para a recuperação de 23 escolas do município, dando os primeiros passos para a melhoria da educação do município de Sobral. Em 2000, concorreu à reeleição, vencendo novamente com mais de 68% dos votos.
Consultor
No começo de 2005, mudou-se para Washington D.C, nos Estados Unidos, onde exerceu a função de consultor do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).
Governador do Estado do Ceará
Em 2006, Cid Gomes foi eleito Governador do Ceará, derrotando o então ocupante do cargo, Lúcio Alcântara, em primeiro turno, com 62,38% dos votos. Quatro anos depois, foi reeleito, também no primeiro turno, com 62,31% dos votos. No primeiro mandato de governador, o vice foi Professor Pinheiro e, no segundo, Domingos Filho. Nos seus primeiros anos de mandato criou projetos nas áreas de inclusão digital e segurança pública, além de medidas para a preparação do Estado para receber uma refinaria, que não chegou a ser instalada, e de uma siderúrgica, concebida em 2008 e que já está em funcionamento desde 2016 no Complexo Portuário do Pecém. Cid também foi responsável pela criação do A criação do CONSESP (Conselho Estadual de Segurança Pública), prevista na Constituição Estadual de 1989, assim como na Lei Estadual de número 12.120/93. Em março de 2007, o Governador Cid Gomes nomeou os 13 integrantes do Conselho.
Ministro da Educação
Em janeiro de 2015, foi escolhido pela presidente Dilma Rousseff para assumir o Ministério da Educação, compondo a base ministerial de seu segundo mandato. O decreto de nomeação para o Ministério da Educação foi publicado no Diário Oficial da União em 1 de janeiro de 2015. Uma das primeiras medidas de Cid Gomes frente ao ministério foi o aumento de cerca de 13% do piso salarial dos professores. Com o reajuste, o salário passou de R$ 1.697 para R$ 1.917,68. Em discussões sobre o FIES para alunos de ensino superior, Cid afirmou “não defender quantidade, mas qualidade”, apontando a necessidade de avaliações mais rigorosas tanto para as instituições de ensino participantes quanto para os alunos. Cid Gomes deu declaração afirmando que iria trazer mais rigor para o FIES, e que o governo não deveria “iludir” os jovens para fazer faculdades ruins. A afirmação, na altura fez as ações da Kroton (maior empresa do setor privado de ensino superior do Brasil), caírem em 6%.
Imagem: EudesXavierPT · BY-ND · Openverse
Suposta investigação
Em 2010, a revista Veja anunciou uma suposta investigação da Polícia Federal para apurar um desvio de 300 milhões de reais em verbas do Ministério da Integração Nacional entre 2003 e 2009 para financiar campanhas políticas de Cid e seu irmão Ciro Gomes. A investigação também teria apurado um envolvimento de Cid Gomes e do político cearense Zezinho Albuquerque em um esquema de desvio de recursos. O envolvimento de Cid e Ciro Gomes no caso foi negado pela Polícia Federal e pelo Ministério Público. Ciro entrou com uma ação judicial contra a revista e Cid acionou jurídica e administrativamente a Polícia Federal.
Professores grevistas
Em 2011, ao se pronunciar contra professores grevistas, disse: "Quem quer dar aula faz isso por gosto, e não pelo salário. Se quer ganhar melhor, pede demissão e vai para o ensino privado. Eles pagam mais? Não. O corporativismo é uma praga no meu ponto de vista. (...) Isso é uma opinião minha que governador, prefeito, presidente, deputado, senador, vereador, médico, professor e policial devem entrar, ter como motivação para entrar na vida pública, amor e espírito público". Em janeiro de 2015, Cid afirmou que a declaração foi distorcida e que tal interpretação alegadamente equivocada seria contrassenso por ser filho de professores, destacando: "O que eu disse é que qualquer servidor público, seja ele vereador, governador, médico, deputado, professor, antes de qualquer coisa precisa ter vocação. É um espaço que você tem por natureza a posição de sacrifício pessoal. Claro que você tem que ter boa remuneração. Eu nunca disse que não. Seria um contrassenso porque sou filho de professores. Até por experiência pessoal, sei da importância de se ter boa remuneração."
Mudança de partido
Em 2013, por ter sido contrário à decisão do PSB de apoiar a então provável candidatura presidencial do governador de Pernambuco e presidente nacional da sigla, Eduardo Campos, nas eleições de 2014, Cid Gomes, juntamente com seu irmão Ciro Gomes, saiu do partido e filiou-se ao recém-criado PROS, levando consigo mais de 300 políticos, entre prefeitos, vereadores, deputados e lideranças municipais, e cerca de 500 filiados em geral. Em 2015, Cid Gomes se filiou ao PDT. No seu ato de filiação, acusou Michel Temer de "chefe de uma quadrilha de achacadores que assola o Brasil". Em 2024, Cid Gomes e seu grupo político retornaram ao PSB.
O episódio da retroescavadeira e o motim
Em 19 de fevereiro de 2020, Cid Gomes foi atingido por tiros de bala de borracha enquanto avançava contra um motim de policiais militares. O ataque ocorreu quando Cid utilizou uma retroescavadeira para arrancar o portão da sede do 3º BPM em Sobral, que estava sendo ocupados pelos policiais . Os amotinados, de forma inconstitucional, afirmavam estar em estado de greve[nota 3], ainda que o ordenamento jurídico não permita greve para forças militares. Os amotinados tinham como uma de suas reivindicações o aumento salarial. O motim dos policiais foi extremamente polêmico, já que no dia 13 de fevereiro o governo do Estado do Ceará e os policiais já haviam chegado a um consenso a respeito dos reajustes salariais. Mesmo assim, foi organizado um motim por policiais em Sobral e em Fortaleza. Duas semanas depois da greve o Governo do Estado aprovou uma lei proibindo a anistia de policiais em motim e mais de 200 policiais foram afastados de suas atividades.


