Ciclo econômico
O conceito do ciclo econômico refere-se às flutuações da atividade econômica no curto prazo. O ciclo envolve uma alternância de períodos de crescimento relativamente rápido do produto, com períodos de relativa estagnação ou declínio.
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A explicação dos ciclos econômicos é uma das principais atividades da macroeconomia, porém, há uma grande variedade de explicações propostas De acordo com a Teoria austríaca do ciclo económico de Ludwig von Mises a redução artificial das taxas de juros pelos Bancos centrais leva a uma má alocação de recursos devido ao fato de as empresas realizarem vários projetos de capital que antes da redução das taxas de juros não eram considerados viáveis. Essa má alocação de recursos é comumente descrita como uma Bolha especulativa. Os Economistas da Escola Austríaca argumentam que os ciclos de negócios são causados pela emissão excessiva de crédito pelos bancos em sistemas bancários de reservas fracionárias. De acordo com economistas austríacos, a emissão excessiva de crédito bancário pode ser exacerbada se a política monetária do banco central definir as taxas de juros muito baixas, e a expansão resultante da oferta de moeda causar um "boom" no qual os recursos são mal alocados ou "mal investidos" por causa de taxas de juros artificialmente baixas. Eventualmente, o boom não pode ser sustentado e é seguido através de um "colapso" em que os maus investimentos são liquidados (vendidos por menos que o seu custo original) e a oferta de dinheiro diminui.
Exógena x endógena
Na economia, tem-se debatido se as flutuações de um ciclo econômico são ou não atribuíveis a causas externas (exógenas) ou causas internas (endógenas). No primeiro caso, os choques são estocástico; no segundo caso, os choques são deterministicamente caóticos e integrados no sistema econômico. A escola clássica defende causas exógenas e a escola keynesiana defende causas endógenas. Estas também podem ser amplamente classificadas como explicações do "lado da oferta" e do "lado da procura": as explicações do lado da oferta podem ser denominadas, seguindo a lei de Say, como o argumento de que "a oferta cria a sua própria procura", enquanto as explicações do lado da procura argumentam que a procura efetiva pode ficar aquém da oferta, provocando uma recessão ou depressão.
Economia Mainstream
A economia mainstream vê os ciclos de negócios essencialmente como "a soma aleatória de causas aleatórias". Em 1927, Eugen Slutzky observou que a soma de números aleatórios, como os últimos dígitos da lotaria estatal russa, poderia gerar padrões semelhantes aos que vemos nos ciclos económicos, uma observação que desde então tem sido repetida muitas vezes. Isto fez com que os economistas deixassem de ver os ciclos econômico como um ciclo que precisava de ser explicado e, em vez disso, encarassem a sua natureza aparentemente cíclica como um artefacto metodológico. Isto significa que o que parecem ser fenómenos cíclicos pode, na verdade, ser explicado apenas como eventos aleatórios que são inseridos num modelo linear simples. Assim, os ciclos econômico são essencialmente choques aleatórios que se alteram ao longo do tempo. Os economistas tradicionais construíram modelos de ciclos econômico baseados na ideia de que são causados por choques aleatórios. Devido a esta aleatoriedade inerente, as recessões podem, por vezes, demorar décadas a ocorrer; por exemplo, a Austrália não sofreu qualquer recessão entre 1991 e 2020.
Economia Keynesiana
De acordo com a economia keynesiana, as flutuações na demanda agregada fazem com que a economia chegue ao equilíbrio de curto prazo em níveis diferentes da taxa de produção de pleno emprego. Estas flutuações expressam-se como os ciclos econômicos observados. Os modelos keynesianos não implicam necessariamente ciclos econômicos periódicos. Contudo, modelos keynesianos simples que envolvem a interação do multiplicador e do acelerador keynesianos dão origem a respostas cíclicas aos choques iniciais. O “modelo oscilador” de Paul Samuelsonsupostamente leva em conta os ciclos de negócios graças ao multiplicador e ao acelerador. A amplitude das variações na produção econômica depende do nível do investimento, pois o investimento determina o nível da produção agregada (multiplicador) e é determinado pela demanda agregada (acelerador).
Ciclos de crédito/débito
Uma teoria alternativa é que a principal causa dos ciclos econômicos se deve ao ciclo de crédito: a expansão líquida do crédito (aumento do crédito privado, equivalentemente da dívida, como percentagem do PIB) produz expansões econômicas, enquanto a contração líquida causa recessões, e se persistir, depressões. Em particular, o rebentamento de bolhas especulativas é visto como a causa imediata das depressões, e esta teoria coloca as finanças e os bancos no centro do ciclo econômico. Uma teoria primária neste sentido é a teoria da deflação da dívida de Irving Fisher, que ele propôs para explicar a Grande Depressão. Uma teoria complementar mais recente é a Hipótese da Instabilidade Financeira de Hyman Minsky, e a teoria do crédito dos ciclos econômicos é frequentemente associada à economia pós-keynesiana, como Steve Keen.
Ciclo político econômico
Outro conjunto de modelos tenta derivar o ciclo econômico a partir de decisões políticas. A teoria do ciclo econômico político está fortemente ligada ao nome de Michał Kalecki, que discutiu "a relutância dos 'capitães da indústria' em aceitar a intervenção governamental na questão do emprego". O pleno emprego persistente significaria aumentar o poder de negociação dos trabalhadores para aumentar os salários e evitar o trabalho não remunerado, potencialmente prejudicando a rentabilidade. No entanto, ele não via esta teoria como aplicável sob o fascismo, que usaria a força direta para destruir o poder dos trabalhadores. Nos últimos anos, os proponentes da teoria do “ciclo econômico eleitoral” argumentaram que os políticos em exercício encorajam a prosperidade antes das eleições, a fim de garantir a reeleição – e fazem com que os cidadãos paguem por isso com recessões posteriores. O ciclo econômico político é uma teoria alternativa que afirma que quando uma administração de qualquer matiz é eleita, adota inicialmente uma política contracionista para reduzir a inflação e ganhar uma reputação de competência econômica. Adota então uma política expansionista antes das próximas eleições, na esperança de alcançar simultaneamente uma inflação e um desemprego baixos no dia das eleições.
Economia Marxista
Para Marx, a economia baseada na produção de mercadorias para serem vendidas no mercado é intrinsecamente propensa à crise. Na visão marxista heterodoxa, o lucro é o principal motor da economia de mercado, mas a rentabilidade das empresas (capital) tem uma tendência a cair, o que cria recorrentemente crises nas quais ocorre desemprego em massa, as empresas falham, o capital restante é centralizado e concentrado e a rentabilidade é recuperada. A longo prazo, estas crises tendem a ser mais graves e o sistema acabará por falhar. Alguns autores marxistas, como Rosa Luxemburgo, viam a falta de poder de compra dos trabalhadores como causa de uma tendência da oferta ser maior do que a procura, criando crises, num modelo que tem semelhanças com o keynesiano. Na verdade, vários autores modernos tentaram combinar as opiniões de Marx e Keynes. Henryk Grossman reviu os debates e as tendências contrárias e Paul Mattick subsequentemente enfatizou as diferenças básicas entre a perspectiva marxista e a keynesiana. Enquanto Keynes via o capitalismo como um sistema que valia a pena manter e susceptível de regulação eficiente, Marx via o capitalismo como um sistema historicamente condenado que não pode ser colocado sob controlo social.
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Em 1926, o economista russo Nikolai Kondratiev apresentou a ideia de ondas longas da conjuntura, a hipótese da existência de ciclos longos na dinâmica do capitalismo mundial, com base na análise de séries cronológicas de preços no atacado, de 1790 a 1920, nos Estados Unidos e no Reino Unido. Um "ciclo de Kondratiev" tem um período de duração determinada de 20 (Vinte) anos subdivididos em 5 (cinco) anos, que corresponde aproximadamente ao retorno de um mesmo fenômeno, segundo Marx, se não houver a ação do chamado capitalista, que renova o sistema, não o deixando sucumbir. Apresenta duas fases distintas: uma fase ascendente (fase A) e uma fase descendente (fase B), essa última deve ser renovada por um governo que tenha a perspectiva de permanência por completar-se um novo ciclo virtuoso, sob pena de estagnação econômica. Essas flutuações de longo prazo seriam características essenciais da economia capitalista, se nâo houver o Capitalista. Sendo próprio portanto das economias não - capitalistas (Criativas, próprias do Capitalismo e da chamada Liberdade com Responsabilidade)
Composição
O ciclo de negócio é composto por uma sequência de expansões e contrações da produção (PIB). Uma expansão acentuada pode levar à economia a ter um PIB superior ao PIB potencial, caracterizando uma situação de superaquecimento. Um período de contracção (redução do uso da capacidade de produção) pode levar a recessão economia, ou seja, PIB efectivo abaixo do PIB potencial.


