Congresso Internacional da Arquitetura Moderna
Os Congressos Internacionais da Arquitetura Moderna constituíram uma organização e uma série de eventos organizados pelos principais nomes da arquitetura moderna internacional a fim de discutir os rumos a seguir nos vários domínios da arquitetura. Em 1928, em La Sarraz, na Suiça, ocorre a formalização de uma organização que potencia encontros visando o debate acerca do Movimento Moderno, os CIAM. Os eventos realizaram-se antes e depois da 2ª Guerra Mundial (1939-1945) distribuindo-se pela Europa. Frankfurt (1929), Bruxelas (1930), Atenas (1933), Paris (1937), Bridgewater (1947), Bérgamo (1949), Hoddesdon (1951), Aix-en-Provence (1953) e Dubrovnik (1956). Juntando os mais influentes arquitetos da época na qual defendiam que a Arquitetura Moderna devia promover o progresso social, político e económico, cada Congresso era dotado de um tema previamente definido, variando desde a cidade, a habitação ou a profissão. O resultado mais preponderante dos CIAM antes da 2ª Grande Guerra, além dos debates em torno dos vários assuntos sempre marcados pela questão da cidade e da habitação, foi a Carta de Atenas. Surge como um manifesto resultante do IV Congresso realizado em Atenas, que tem como foco principal "A Cidade Funcional", o qual é dominado pelo escritor da Carta, Le Corbusier, num confronto às ideologias italianas acerca do património.
Fundados em 1928 na Suíça, os CIAM foram responsáveis pela definição daquilo que costuma ser chamado international style: introduziram e ajudaram a difundir uma arquitetura considerada limpa, sintética, funcional e racional. Os CIAM consideravam a arquitetura e urbanismo como um potencial instrumento político e econômico, o qual deveria ser usado pelo poder público como forma de promover o progresso social. Talvez o produto mais influente dos CIAM tenha sido a Carta de Atenas, escrita por Le Corbusier baseada nas discussões ocorridas na quarta conferência da organização. A Carta praticamente definiu o que é o urbanismo moderno, traçando diretrizes e fórmulas que, segundo seus autores, são aplicáveis internacionalmente. A Carta considerava a cidade como um organismo a ser planejado de modo funcional e centralmente planejada, na qual as necessidades do homem devem estar claramente colocadas e resolvidas. Entre outras propostas revolucionárias da Carta está o de que todo a propriedade de todo o solo urbano da cidade pertence à municipalidade, sendo, portanto público.
Com a revisão do movimento moderno empreendida a partir dos anos 70, os CIAM e todo o seu ideário passaram a ser duramente criticados, seja pela dita "monotonia" das paisagens urbanas por ele criadas, seja pelo fato de a Carta alegadamente exagerar na quantificação das necessidades dos indivíduos. Experiências diversas ao redor do mundo que adotaram os ideais modernos em geral tenderam a criar "espaços-de-ninguém", nos quais a definição abstrata entre o espaço público e o espaço privado não fica clara, fazendo com que todo o espaço que teoricamente é de todos, passe a não ser de ninguém. Os críticos dos CIAM alegam que seus autores foram ingênuos ao confiar exageradamente nas possibilidades do estado de bem-estar social, ao qual o modernismo, segundo aqueles, é um projeto de mundo indissociável. Ainda segundo estes críticos, os CIAM, acreditando no poder mediador do Estado, ignoravam o aspecto conflitivo essencial à sociedade capitalista, propondo um mundo que não se encaixa nem no Capitalismo nem no Socialismo.


