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Noam Chomsky

Avram Noam Chomsky é um linguista, filósofo, sociólogo, cientista cognitivo, comentarista e ativista político norte-americano, também é uma das mais renomadas figuras no campo da filosofia analítica.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 20/07/2026
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Biografia

Chomsky nasceu na cidade de Filadélfia, no estado da Pensilvânia, nos Estados Unidos, filho de um estudioso do hebraico e professor, William Chomsky. Em 1945, começou a estudar filosofia e linguística na Universidade da Pensilvânia com Zellig Harris, professor com cuja visão política ele se identificou. Antes de receber seu doutoramento em Linguística pela Universidade da Pensilvânia em 1955, Chomsky realizou a maior parte de sua pesquisa nos quatro anos anteriores na Universidade Harvard como pesquisador assistente. Na sua tese de Ph.D., um trabalho de mais de mil páginas, desenvolveu a sua abordagem original às ideias linguísticas, tendo um resumo sido publicado no seu livro de 1957 Syntactic Structures (Estruturas Sintácticas), numa editora neerlandesa, por recomendação de Roman Jakobson. A recensão crítica desta obra por Robert B. Lees teve um papel fundamental na sua divulgação e reconhecimento como trabalho revolucionário.

Vida pessoal

Amigo de Edward Said, Eqbal Ahmad, Stephen Jay Gould, Alexander Cockburn, Salvador Luria, Robert Fisk, Morris Halle, Norman Finkelstein, Howard Zinn.

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Linguística

Syntactic Structures foi uma destilação do livro Logical Structure of Linguistic Theory (1955) no qual Chomsky apresenta sua ideia da gramática gerativa. Ele apresentou sua teoria de que os "enunciados" ou "frases" das línguas naturais devem ser interpretados em dois tipos de representação distintas: as "estruturas superficiais" correspondendo à estrutura patente das frases, e as "estruturas profundas", uma representação abstrata das relações lógico-semânticas das mesmas. Esta distinção conserva-se hoje, na diferenciação entre Forma Lógica e Forma fonética, embora o processo de derivação transformacional com regras específicas tenha sido substituído pela operação de princípios gerais. Na versão de 1957/65 da teoria de Chomsky, as regras transformacionais (juntamente com regras de sintagmáticas, phrase structure rules e outros princípios estruturais) governam ao mesmo tempo a criação e a interpretação das frases. Com um limitado conjunto de regras gramaticais e um conjunto finito de palavras, o ser humano é capaz de gerar um número infinito de frases bem formadas, incluindo frases novas.

Gramática Gerativa

A abordagem de Chomsky em relação à sintaxe, freqüentemente chamada de gramática gerativa, embora geralmente dominante, deu origem a escolas que dela divergem em aspectos técnicos como a Gramática Lexical-Funcional ou a HPSG. Noutros casos, há diferenças mais profundas, especialmente nas abordagens ditas funcionalistas, em parte herdeira do legado da Escola de Praga. A análise sintática de Chomsky, muitas vezes altamente abstrata, se baseia fortemente em uma investigação cuidadosa dos limites entre enunciados gramaticais e enunciados agramaticais numa língua. Deve-se comparar esta abordagem aos assim chamados casos patológicos (pathological cases) que possuem um papel semelhantemente importante em matemática. Tais julgamentos sobre a gramaticalidade ou agramaticalidade dos enunciados só podem ser realizados de maneira exata por um falante nativo da língua, entretanto, e assim, por razões pragmáticas, tais linguistas normalmente (mas não exclusivamente) focalizam seus trabalhos em suas próprias línguas-mães ou em línguas em que eles são fluentes (geralmente inglês, francês, alemão, holandês, italiano, japonês ou em uma das ramificações idiomáticas do chinês).

Hierarquia de Chomsky

Chomsky é famoso por pesquisar vários tipos de linguagens formais procurando entender se poderiam ser capazes de capturar as propriedades-chave das línguas humanas. A hierarquia de Chomsky divide as gramáticas formais em classes com poder expressivo crescente, por exemplo, cada classe sucessiva pode gerar um conjunto mais amplo de linguagens formais que a classe imediatamente anterior. De maneira interessante, Chomsky argumenta que a modelagem de alguns aspectos de linguagem humana necessita de uma gramática formal mais complexa (complexidade medida pela hierarquia de Chomsky) que a modelagem de outros aspectos. Por exemplo, enquanto que uma linguagem regular é suficientemente poderosa para modelar a morfologia da língua inglesa, ela não é suficientemente poderosa para modelar a sintaxe da mesma. Além de ser relevante em linguística, a hierarquia de Chomsky também tornou-se importante em Ciência da Computação (especialmente na construção de compiladores) e na Teoria de Autômatos.

Crítica da Linguística de Chomsky

Embora a abordagem de Chomsky seja reconhecidamente uma das melhores da Linguística, ela tem sido criticada por outros autores. Talvez a mais conhecida abordagem alternativa à posição de Chomsky seja a de George Lakoff e de Mark Johnson. O trabalho destes pesquisadores sobre linguística cognitiva desenvolveu-se a partir da linguística de Chomsky, mas difere dela de maneira significativa. Especificamente, argumenta contra os aspectos neocartesianos das teorias de Chomsky, eles afirmam que Chomsky falha em não levar em conta a incorporação extensiva da cognição. Como notado acima, a visão conexionista da aprendizagem não é compatível com a abordagem de Chomsky. Também, desenvolvimentos mais recentes em psicologia como, por exemplo, cognição localizada e psicologia discursiva não são compatíveis com a abordagem chomskiana.

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Política e outras áreas

Chomsky se opõe profundamente ao sistema de "capitalismo de estado voltado para grandes empresas" praticado pelos Estados Unidos e seus aliados. Ele descreve a si mesmo como um Liberal Clássico porém, de acordo com Chomsky, o liberalismo clássico passou por tremendas transformações ao longo da história, sendo que as posições atualmente identificadas com o liberalismo clássico nada teriam a ver com os ideais destas ideologias caso fossem observadas as intenções de seus autores. De acordo com Chomsky, o liberalismo clássico coerente com as propostas de seus idealizadores seria visto hoje em dia como anarcosocialismo — exigindo liberdade econômica além do "controle da produção pelos próprios trabalhadores e não por proprietários e administradores que os governem e tomem todas as decisões". Chomsky refere-se a isto como o "socialismo real" e descreve o socialismo no estilo soviético como semelhante, em termos de controle totalitário, ao capitalismo no estilo norte-americano. Ambos os sistemas se baseiam em tipos e níveis de controle mais do que em organização ou eficiência. Na defesa desta tese, Chomsky refere por vezes que a filosofia da administração científica proposta por Frederick Winslow Taylor foi a base organizacional para o maciço movimento de industrialização soviético e, ao mesmo tempo, o modelo empresarial norte-americano.

Psicologia

O trabalho de Chomsky em linguística teve implicações importantes para a psicologia e foi um de seus principais direcionamentos, durante o século XX. Sua teoria da gramática universal foi uma crítica ao behaviorismo, bastante difundido em seu tempo, e teve consequências no entendimento de como a linguagem é aprendida pelas crianças e do que, exatamente, é a capacidade de interpretar linguagem. Alguns poucos princípios desta teoria são aceitos (embora não necessariamente as fortes reivindicações feitas pela abordagem de princípios e parâmetros descrita acima). Em 1959, Chomsky publicou uma crítica — a qual obteve uma considerável repercussão — do livro Verbal Behavior, escrito por B.F. Skinner, o mais aclamado dos psicólogos da tradição psicológica behaviorista (ou, em português, comportamentalista). Essa teoria, que domina a Psicologia Experimental na primeira metade do século XX e continua até hoje, dizia que o comportamento verbal [operante] não era de uma natureza diferente de outros comportamentos [natureza no sentido de algo que escape ao mundo físico]. Skinner argumentava que o comportamento verbal, como qualquer outro comportamento aprendido, poderia ser aprendida através das influências ambientais que modelariam a aprendizagem da linguagem. Mas, vale-se ressaltar que Skinner nunca negou [pelo contrario] a influência de mecanismos biológicos, seja no uso da linguagem, ou em qualquer outro comportamento. O uso da linguagem, segundo Skinner, podia ser aprendida através das pistas e do condicionamento proveniente do mundo no qual aquele-que-aprende está imerso.

Ciência, Teoria

Chomsky tem criticado fortemente o desconstrucionismo e as críticas do pós-modernismo à Ciência: "Tenho passado muito tempo da minha vida a trabalhar em questões como estas, a utilizar os únicos métodos que conheço e que são condenados aqui como ‘ciência’, ‘racionalidade’, ‘lógica’ e assim por diante. Portanto, leio esses artigos com certa esperança de que eles me ajudassem a ‘transcender’ estas limitações, ou talvez me sugerissem um caminho inteiramente diferente. Temo ter me desapontado. Reconheço que isso pode se dever às minhas próprias limitações. Muito frequentemente meus olhos se esgazeiam quando leio discursos polissilábicos de autores do pós-estruturalismo e do pós-modernismo. Penso que tais textos são, em grande parte, feitos de truísmos ou de erros, mas isso é apenas um pequeno pedaço dessa coisa toda. É verdade que há muitas outras coisas que eu não entendo: artigos nas edições atuais dos periódicos de Matemática e de Física, por exemplo. Mas existe uma diferença: neste último caso, eu sei como entendê-los, e tenho feito isto em casos de particular interesse para mim; e eu também sei que outras pessoas que trabalham nestes campos podem me explicar seu conteúdo em meu nível, de modo que possa obter uma compreensão (embora às vezes parcial) que me satisfaça. Em contraste, ninguém parece ser capaz de me explicar que o último artigo ‘pós-isto-e-pós-aquilo’ não seja (em sua maior parte) outra coisa que não truísmos, erros ou balbucios, de maneira que eu não sei o que fazer para prosseguir com eles."

Outras áreas

Modelos Chomskianos têm sido usados como uma base teórica em vários outros campos. A Hierarquia de Chomsky é geralmente lecionada no ensino dos fundamentos da Ciência da Computação. Um sem-número de argumentos da Psicologia evolucionária é derivado dos resultados de suas pesquisas. O Prêmio Nobel da Medicina e Fisiologia de 1984, Niels K. Jerne, usou o modelo gerativo de Chomsky para explicar o sistema imunológico humano, equacionando "componentes de uma gramática gerativa, com várias características das estruturas das proteínas". O título do trabalho de Jerne agraciado com o prémio foi "A Gramática Gerativa do Sistema Imunológico". Nim Chimpsky, um chimpanzé que aprendeu 125 sinais da Linguagem Americana de Sinais, teve seu nome inspirado em Noam Chomsky.

Visões políticas

A visão política de Chomsky mudou pouco, desde a sua infância. Sua posição ideológica se desenvolve em torno da ideia de "nutrir o caráter libertário e criativo do ser humano", e ele descreve suas crenças como "anarquistas bem tradicionais, com origens no Iluminismo e no liberalismo clássico.". Enaltece o socialismo libertário, e descreve a si próprio como um anarco-sindicalista. Chomsky é um dos intelectuais públicos mais importantes dos Estados Unidos. É membro das organizações Campaign for Peace and Democracy e Industrial Workers of the World. Também é membro do conselho consultivo provisório da International Organization for a Participatory Society. Chomsky é partidário das lutas populares como forma de ampliar a democracia. Ele também tem manifestado sua oposição às elites dominantes e a instituições como o FMI, Banco Mundial e o GATT.

Terrorismo

Chomsky considera o terrorismo de Estado como um problema mais relevante do que o terrorismo praticado por grupos políticos dissidentes. Ele distingue claramente entre o ato de matar civis e o ato de atacar pessoal militar e suas instalações. Ele afirma: "assassinato de civis inocentes é terrorismo, não guerra contra o terrorismo". Sobre o Hamas e o Hizbullah, declarou, numa entrevista de 2006:

Governo dos Estados Unidos

Chomsky tem sido um crítico coerente e contundente do governo norte-americano. Em seu livro 9-11, uma série de entrevistas sobre os ataques terroristas de 11 de setembro de 2001, ele afirma, como já tinha afirmado antes, que o governo dos Estados Unidos é o estado terrorista líder, nos tempos modernos. Chomsky tem criticado o governo do seu país pelo seu envolvimento na Guerra do Vietnã e no mais amplo conflito da Indochina, assim como pela interferência em países da América Central e da América do Sul e pelo apoio militar a Israel, Arábia Saudita e Turquia. Chomsky focaliza sua crítica mais intensa nos regimes amigos do governo dos Estados Unidos enquanto critica seus inimigos oficiais — como a antiga União Soviética e Vietnã do Norte somente de passagem. Ele explica este comportamento com o seguinte princípio: "é mais importante avaliar ações que você tem mais possibilidade de influenciar." Sua crítica da antiga União Soviética e da República Popular da China tem tido algum efeito nesses países pois ambos os governos censuraram seu trabalho, com o banimento da publicação de seus livros.

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Debates

Imagem: Chris Devers · BY-NC-ND · Openverse

Chomsky é conhecido por defender vigorosamente suas opiniões em filosofia, linguística e política. As fortes críticas que Chomsky faz ao conhecimento convencional que as pessoas têm das áreas de Política e História o transformaram em uma figura controversa. Isto faz com que ele, por sua vez, também acabe sofrendo muitas críticas. Algumas pessoas o acusam de usar citações e fatos fora de contexto para apoiar seus argumentos ou de citar fontes de legitimidade duvidosa. Muitos também o acusam de tolerar, simpatizar ou minimizar as ações dos estados e grupos hostis aos Estados Unidos e que esta posição faz com que seu trabalho seja excessivamente centrado em uma abordagem "antiamericana". A abordagem chomskiana da política americana seria, portanto, parcial. Entretanto, Chomsky frequentemente acaba por argumentar que a maior parte das críticas desses grupos são exageradas e distorcidas. Por exemplo, em seu livro "Depois do Cataclisma: Pós-guerra da Indochina e a Reconstrução da Ideologia Imperialista", Chomsky e Ed Herman afirmam que os meios de comunicação americanos utilizaram testemunhos não consubstanciados de refugiados além de distorcerem fontes relacionadas às atrocidades do Khmer Vermelho com o objetivo de servir objetivos propagandísticos do governo norte-americano na esteira da Guerra do Vietnã.

David Horowitz

O autor direitista americano David Horowitz é um dos mais estridentes críticos de Chomsky. Ele tem definido Chomsky como o "Aiatolá do Ódio Anti-Americano" e o "intelecto mais traiçoeiro na América". Ele diz que Chomsky "tem apenas uma mensagem: a de que os Estados Unidos são o Grande Satã". Entretanto, embora afirme que "é fácil demonstrar que todas as afirmações de todas as páginas existentes em todos os livros que Chomsky tem escrito são fatos distorcidos", Horowitz em seguida escreve que "realmente não há necessidade" de assim o fazer. Notavelmente ele não explicita quais são esses fatos destorcidos e deixa assim pouca coisa a refutar. Chomsky, por seu lado, não respondeu em detalhes às alegações de Horowitz afirmando em entrevista que "Eu não li Horowitz. Eu não o li quando ele era um stalinista e eu não o leio hoje." Já esta resposta foi contra-argumentada por Horowitz, que disse que ele de fato nunca foi stalinista e que Chomsky de fato teria lido e analisado seus escritos no passado..

Acusações de antissemitismo e o caso Faurisson

O affair Faurisson é o nome de uma grande controvérsia em que Chomsky se envolveu ao escrever um ensaio em defesa da liberdade de expressão de Robert Faurisson, um autor que nega que o Holocausto dos judeus tenha realmente existido. Esse ensaio de Chomsky foi então usado como uma introdução ao livro escrito por Faurisson. Chomsky defendeu Faurisson por causa de suas crenças nas liberdades civis mesmo para aqueles que ele sente que são culpados de "crimes de guerra" e reflete a posição advogada por organizações de defesa da liberdade civil, como a American Civil Liberties Union. Em várias ocasiões, geralmente por causa do affair Faurisson e de suas críticas a políticos israelenses, Chomsky tem sido acusado de apoiar o antissemitismo, notadamente no livro de Werner Cohn cujo título é "Partners in Hate: Noam Chomsky and the Holocaust Deniers" (ISBN 0-9645897-0-2).

Crítica recebida dos ativistas palestinos

Embora geralmente condene as ações dos governos israelenses no conflito israelo-palestino, Chomsky tem sofrido ataques de ativistas pró-palestinos por sua defesa de um plano relativamente moderado, que propõe dois Estados, o de Israel e o da Palestina, na região. Chomsky diz que propostas sem apoio internacional significante não são metas realísticas e responde: "estou aqui tentando defender as coisas muito seriamente: proponho algum tipo de programa de ação que seja factível, que não tenha ilusões; como, por exemplo, aqueles que propõem 'ações apenas com base em princípios', que consideram apenas o 'realismo' da vida — isto é, que não consideram o destino das pessoas que sofrem".

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Prêmios e reconhecimento

Imagem: jeanbaptisteparis · BY-SA · Openverse

De acordo com o Institute for Scientific Information, os 10 autores com o maior número de citações (Arts and Humanities Citation Index) em periódicos acadêmicos entre 1980 e 1992 são, em ordem: Marx, Lenin, Shakespeare, Aristóteles, a Bíblia, Platão, Freud, Noam Chomsky, Hegel e Cícero.

Títulos honorários (honorary degrees)

Abaixo constam apenas aqueles cujas fontes foram encontradas.

Conferências

Abaixo constam algumas, escolhidas arbitrariamente.

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Fontes consultadas

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