Jane Goodall
Jane Morris Goodall DBE, Ph.D. ; nascida Valerie Jane Morris-Goodall,, anteriormente chamada Baronesa Jane van Lawick-Goodall, foi uma primatologista, etóloga e antropóloga britânica. Ela foi considerada a maior especialista mundial em chimpanzés, tendo seu trabalho mais reconhecido com o estudo das interações sociais e familiares de chimpanzés selvagens, desde em que ela trabalhou em campo no Parque Nacional de Gombe Stream na Tanzânia na década de 60, onde ela foi a primeira a testemunhar comportamentos de primatas semelhantes ao de humanos, incluindo o conflito armado.
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Valerie Jane Morris-Goodall nasceu em 1934, em Hampstead (Londres), filha do negociante Mortimer Herbert Morris-Goodall (1907–2001) e Margaret Myfanwe Joseph (1906–2000), uma romancista de Milford Haven, Pembrokeshire, a qual assinava com o nome de Vanne Morris-Goodall. A família mais tarde se mudou para Bournemouth, e Goodall ingressou em uma escola independente perto de Poole. Quando criança, ganhou um chimpanzé de pelúcia em alternativa a um ursinho, chamado Jubilee. Goodall disse que o carinho por animais começou precocemente graças a esta figura, comentando que: "Minha mãe ficava horrorizada com esse brinquedo, pensando que me assustaria e me daria pesadelos." Em seus últimos anos de vida, Goodall continuava com a posse de Jubilee em Londres.
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Goodall sempre nutriu uma paixão por animais africanos, o que levou ela a ir para uma fazenda de um amigo nos planaltos do Quênia em 1957. A partir dai, ela conseguiu o emprego de secretária, e atuando como conselheira de seu amigo, ela telefonou para Louis Leakey, paleontólogo e arqueólogo queniano, sem qualquer outra coisa em mente do que discutir sobre animais. Leakey, acreditando que o estudo dos grandes primatas contemporâneos poderiam indicar como os primeiros hominídeos se comportavam, estava em busca de um pesquisador de chimpanzés mas não tinha se manifestado publicamente por um. Ao invés disso, ele propôs que Goodall trabalhasse para ele como secretária. Após obter a aprovação de sua esposa e também pesquisadora, a paleoantropologista Mary Leakey, Louis mandou Goodall para a Garganta de Olduvai em Tanganica (atual Tanzânia), onde ele planejava seus estudos.[carece de fontes?] Em 1958, Leakey mandou Goodall para estudar o comportamento dos primatas com Osman Hill e a anatomia desses animais com o especialista John Napier. Leakey arrecadou fundos e, em 14 de julho de 1960, Goodall foi enviada para o Parque Nacional de Gombe Stream, se tornando a primeira do que seria chamada de Os Anjos de Leakey. Ela foi acompanhada de sua mãe, cuja presença era necessária para sua segurança de acordo com os requerimentos. Goodall dá créditos a sua carreira de primatologia graças aos trabalhos de sua mãe, pois a primatologia era dominada por homens na época. Goodall afirma que as mulheres não eram aceitas nesse campo de atuação quando ela começou a trabalhar no final da década de 50. Hoje, a primatologia é composta tanto por homens e mulheres, em parte por causa dos Anjos de Leakey e os encorajamentos de Goodall para que mulheres entrassem no campo de estudo.
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Pesquisas no Parque Nacional de Gombe Stream
Goodall é melhor conhecida por seus estudos da vida familiar e social dos chimpanzés. Ela começou pesquisando os chimpanzés da comunidade Kasakela no Parque Nacional de Gombe Stream, Tanzânia, em 1960. Ao invés de numerar os chimpanzés que observava, ela deu nome para cada um deles como Fifi e David Greybeard, e observou que cada um tinha personalidades individuais e únicas, uma ideia não convencional para o período. Ela se deparou que "não são somente seres humanos que tinham personalidade, eram capazes de ter pensamento racional [e] emoções como alegria e tristeza." Ela também percebeu comportamentos como beijos, abraços, tapinha nas costas, laços emocionais e até mesmo fazer cócegas, coisas que consideramos como "atividades humanas". Goodall insistiu que este gestos são evidência de "conexões próximas e de ajuda mútua que se desenvolvem entre membros familiares e outros indivíduos dentro da comunidade, que podem persistir por um ciclo de vida de mais de 50 anos". Estes achados sugerem similaridade entre humanos e chimpanzés além dos genes e podem ser vistos nas emoções, inteligência, família e relações.
Nomes ao invés de números
Goodall utilizou práticas não convencionais em seus estudos; por exemplo, nomear indivíduos (os chimpanzés) em vez de numerá-los. Na época, a numeração era usada para evitar o apego emocional e perda de objetividade. Goodall escreveu em 1993: "Quando, no início dos anos 60, usei abertamente palavras como 'infância', 'adolescência', 'motivação', 'excitação' e 'humor', fui muito criticada. Pior ainda foi meu "crime" de sugerir que os chimpanzés tinham 'personalidades'. Eu estava atribuindo características humanas a animais não humanos e, portanto, era culpada daquele pior dos pecados etológicos - o antropomorfismo".
Estações de alimentação
Muitos métodos científicos padrões visam evitar a interferência dos observadores e, em particular, alguns acreditam que o uso de estações de alimentação para atrair chimpanzés em Gombe alterou os padrões normais de forragem e alimentação e as relações sociais deles. Este argumento é o foco de um livro publicado por Margaret Power em 1991. Foi sugerido que níveis mais altos de agressão e conflito com outros grupos de chimpanzés na área foram devidos à alimentação, o que poderia ter criado as "guerras" entre grupos sociais de chimpanzés descritas por Goodall, aspectos dos quais ela não testemunhou nos anos anteriores ao início das estações de alimentação em Gombe. Assim, alguns consideram as observações de Goodall como sendo anomalias do comportamento normal dos chimpanzés.
Plágio em Seeds of Hope
Em 22 de março de 2013, o Hachette Book Group USA anunciou que o novo livro de Goodall e da co-autora Gail Hudson, Seeds of Hope, não seria lançado em 2 de abril, como planejado, devido à descoberta de partes plagiadas. Um revisor do The Washington Post encontrou seções não atribuídas devidamente que foram copiadas de websites sobre chá orgânico, tabaco e um "site amador de astrologia", bem como da Wikipedia (em inglês). Goodall pediu desculpas e declarou: "É importante para mim que as fontes apropriadas sejam creditadas, e eu estarei trabalhando zelosamente com minha equipe para abordar todos os pontos preocupantes sobre esse episódio. Meu objetivo é assegurar que quando este livro for lançado não só esteja de acordo com os mais altos padrões editoriais, mas também que o foco esteja nas mensagens cruciais que deseja transmitir". O livro foi lançado em 1 de abril de 2014, após a revisão e a adição de 57 páginas em notas finais.
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Goodall já se casou duas vezes. Em 28 de março de 1964, casou-se com um nobre holandês, o fotógrafo de vida selvagem e Barão Hugo van Lawick, e ficou conhecido durante seu casamento como Baronesa Jane van Lawick-Goodall. O casal teve um filho, Hugo Eric Louis (nascido em 1967); eles se divorciaram em 1974. No ano seguinte, ela casou-se com Derek Bryceson, membro do Parlamento da Tanzânia e diretor dos parques nacionais daquele país. Bryceson morreu de câncer em outubro de 1980. Devido à sua posição no governo tanzaniano como chefe dos parques nacionais do país, Bryceson pôde proteger o projeto de pesquisa de Goodall e implementar um embargo ao turismo em Gombe. Goodall declarou que o cão é o seu animal preferido. Goodall sofria de prosopagnosia, o que dificulta o reconhecimento de rostos que está familiarizada. Morreu aos 91 anos, a 1 de outubro de 2025, em Los Angeles, na Califórnia, de causas naturais.
Religião e espiritualidade
Goodall foi criado em uma família cristã congregacionalista. Quando jovem, ela teve aulas de Teosofia. Sua família era frequentadora ocasional da igreja, mas Goodall começou a frequentar mais regularmente a religião na adolescência quando a sua igreja nomeou um novo ministro, Trevor Davies. "Ele era bastante inteligente e seus sermões eram poderosos e provocadores. Eu poderia escutar sua voz por horas... Eu me apaixonei loucamente por ele... De repente, ninguém tinha que me encorajar a ir à igreja. De fato, nunca houve um número de cultos suficientes para o meu gosto". De sua posterior descoberta do ateísmo e do agnosticismo de muitos de seus colegas científicos, Goodall escreveu que "por sorte, quando cheguei a Cambridge eu tinha vinte e sete anos e minhas crenças já tinham se fixado para que eu não fosse influenciado por essas opiniões".
Goodall muitas honrarias por seu trabalho ambiental e humanitário, assim como em outros campos. Ela foi premiada com a Ordem do Império Britânico em uma premiação realizada no Palácio de Buckingham em 2004. Em abril de 2002, o Secretário-Geral Kofi Annan nomeou Goodall como Mensageira da Paz das Nações Unidas. Suas outras honrarias incluem o Prêmio Tyler de Conquista Ambiental, a Ordem Nacional da Legião de Honra da França, a Medalha da Tanzânia, o prestigiado Prêmio Kyoto do Japão, a Medalha Benjamin Franklin em biologia, o Prêmio Gandhi-King para o reconhecimento da não-violência e o Prémios Princesa das Astúrias. Ela também era membro do conselho da revista BBC Wildlife e patrocinadora da Population Matters (anteriormente chamado Optimum Population Trust). Ela recebeu muitas homenagens, distinções e prêmios de governos locais, escolas, instituições e instituições de caridade ao redor do mundo. Goodall foi homenageada pela The Walt Disney Company com uma placa em uma escultura chamada Tree of Life no parque temático Animal Kingdom do Walt Disney World Resort, ao lado de uma escultura de seu querido David Greybeard, o primeiro chimpanzé que se aproximou de Goodall durante seu primeiro ano em Gombe. Ela era membro da Academia de Artes e Ciências dos Estados Unidos e da Sociedade Filosófica Americana.


