Serra Leoa
Serra Leoa, oficialmente República da Serra Leoa, é um país vibrante localizado na África Ocidental. Cercada pela Guiné, Libéria e o vasto Oceano Atlântico, sua paisagem diversificada abrange de savanas a florestas tropicais. Com uma área de 71.740 km² e uma população estimada em 6,8 milhões em 2021, o país é uma república constitucional com quatro províncias e Freetown como sua capital. Serra Leoa ostenta a universidade mais antiga da África Ocidental, o Fourah Bay College (fundado em 1827), e possui o terceiro maior porto natural do mundo, evidenciando sua importância histórica e geográfica.
Pontos-chave
- Serra Leoa é um país da África Ocidental com clima tropical e paisagens variadas.
- Sua capital é Freetown, e o país possui o terceiro maior porto natural do mundo.
- A história recente inclui a epidemia de Ebola e a estabilização política pós-guerra civil.
- A economia, embora em desenvolvimento, é marcada por recursos naturais e desafios.
- A cultura serra-leonesa é rica em tradições musicais, literárias e culinárias.
A etimologia de Serra Leoa remonta à expedição do explorador português Pedro de Sintra em 1462. Ele nomeou as montanhas ao sul de Freetown como 'Serra Leoa', metaforicamente associando a paisagem 'agreste e selvagem' ao rugido de um leão. Embora essa seja a atribuição mais comum, existem contestações históricas, com algumas teorias sugerindo origens anteriores ou influências sonoras de trovoadas.
A história recente de Serra Leoa é marcada pela epidemia de Ebola (2014-2016), que levou a medidas drásticas como o estado de emergência e quarentena nacional. Após a guerra civil, o país tem buscado estabilidade política com eleições multipartidárias e julgamento de crimes de guerra. A dívida externa foi significativamente perdoada, e o país tem se recuperado gradualmente.
Período Pré-Colonial
Achados arqueológicos indicam habitação contínua em Serra Leoa por pelo menos 2.500 anos, com a introdução do ferro por volta do século IX e da agricultura no ano 1000. Migrações e mudanças climáticas moldaram a região, com povos como Sherbros, Timenés, Limba, Mendés, Vais e Lokos estabelecendo-se e registrando suas vivências ao longo do tempo.
Contato Europeu
No século XV, Serra Leoa foi um dos primeiros locais na África Ocidental a ter contato com europeus. Pedro de Sintra mapeou a região em 1462, influenciando a etimologia do nome. Exploradores portugueses, neerlandeses e franceses estabeleceram postos comerciais, inicialmente focados em ouro e marfim, mas a partir de 1550, o comércio de escravos tornou-se predominante. Em 1562, a Inglaterra iniciou o Comércio Triangular, transportando escravos africanos para as Américas.
Período Colonial
No final do século XVIII, após a independência dos EUA, milhares de afro-americanos escravizados que apoiaram os britânicos durante a Guerra Revolucionária Americana foram evacuados e reassentados em colônias britânicas na América do Norte e em outras partes do mundo, incluindo a própria Inglaterra.
Independência
Em 1951, líderes de diferentes grupos formaram o Partido Popular da Serra Leoa (SLPP) para negociar a independência com os britânicos. Liderado por Sir Milton Margai, o SLPP obteve poderes ministeriais locais em 1953 e realizou sua primeira eleição parlamentar em 1957, garantindo a maioria e a reeleição de Margai como Ministro-Chefe. Uma nova constituição em 1951 uniu as legislaturas da Colônia e do Protetorado, estabelecendo a estrutura para a descolonização.
Golpes Militares e Unipartidarismo
As eleições de 1967 levaram o Congresso de Todo o Povo (APC) à vitória, com Siaka Stevens como primeiro-ministro. No entanto, ele foi deposto poucas horas depois por um golpe militar liderado pelo general David Lansana. Stevens foi colocado em prisão domiciliar e, após sua libertação, exilou-se na Guiné.
Guerra Civil (1991-2002)
A guerra civil em Serra Leoa, iniciada em 1991, foi influenciada pelo conflito na vizinha Libéria. A Frente Revolucionária Unida (FRU), liderada por Foday Saybana Sankoh e possivelmente apoiada por Charles Taylor, lançou seu primeiro ataque em um distrito rico em diamantes. O governo, enfraquecido pela corrupção e problemas econômicos, teve dificuldade em resistir. O recrutamento de meninos-soldados foi uma tática recorrente dos rebeldes. Em 1991, um sistema multipartidário foi restabelecido com uma nova constituição.
Localizada na costa oeste da África, Serra Leoa possui uma área de 71.740 km² e apresenta quatro regiões geográficas distintas, incluindo planaltos, montanhas e planícies. O Monte Bintumani é o ponto mais alto. O país tem um clima tropical de monções, com estações seca e chuvosa bem definidas. A biodiversidade é rica, mas enfrenta desafios como o desmatamento e a pesca ilegal, especialmente após a guerra civil.
Topografia
O centro de Serra Leoa é caracterizado por planícies de baixa altitude com florestas e campos agrícolas. A parte norte pertence à ecorregião de mosaico floresta-savana guineense, enquanto o sul é dominado por planícies de floresta tropical. O país possui cerca de 400 km de costa atlântica, com áreas de baixa altitude e pântanos. A capital, Freetown, situa-se em uma península costeira.
Clima
O clima é tropical de monções, com influências equatoriais e de savana. As duas estações principais são a seca (novembro a maio), com ventos do Saara, e a chuvosa (junho a outubro). Dezembro e janeiro são os meses mais frios, com temperaturas que podem ultrapassar 40°C, mas a umidade moderada torna o calor mais tolerável. Março e abril são os mais quentes e úmidos. A temperatura média é de 26°C, variando entre 16°C e 36°C.
Meio Ambiente e Biodiversidade
Devido à guerra civil, o manejo florestal foi negligenciado até 2002, resultando em aumento do desmatamento. Desde 2003, 55 áreas protegidas cobrem 4,5% do território. O país abriga 2.090 espécies de plantas, 147 mamíferos, 626 aves, 67 répteis, 35 anfíbios e 99 peixes. A pesca ilegal tem impactado severamente as populações de peixes, afetando a subsistência das comunidades locais.
Em 2021, Serra Leoa tinha uma população estimada em 8,1 milhões de habitantes, com uma densidade populacional de 111 hab/km². A população é predominantemente jovem, com 43,3% vivendo em áreas urbanas. A taxa de crescimento populacional é de 2,216% ao ano. O país é composto por diversos grupos étnicos, com os Temne e Mende sendo os maiores. A religião predominante é o Islã, seguido pelo Cristianismo e religiões tradicionais. O Krio é a língua franca, falada por mais de 90% da população.
Composição Étnica e Urbanização
Os principais grupos étnicos são os Temne (35,4%) e Mende (30,8%). Minorias incluem Limba, Kono, Korankoh, Fullah, Mandingo, Loko e Sherbro. Os Krios, descendentes de escravos jamaicanos libertos, representam 1,2%. Os maiores centros urbanos são Freetown (800,6 mil habitantes), Bo, Kenema, Koidu e Makeni.
Religiões
Conflitos religiosos são raros em Serra Leoa, promovendo liberdade religiosa. Estima-se que 60% da população seja muçulmana, 30% cristã e 10% praticante de religiões tradicionais. Há também sincretismo religioso. Historicamente, muçulmanos se concentram no norte e cristãos no sul, com casamentos inter-religiosos sendo comuns.
Idiomas
O inglês é a língua oficial, usada em educação, governo e mídia. O Krio, derivado do inglês e de línguas tribais africanas, é a língua franca, falada por mais de 90% da população. Outras línguas importantes incluem Mende, Limba e Temne.
Serra Leoa é uma república constitucional com um parlamento unicameral de 124 assentos. O país tem um sistema multipartidário, com o Congresso de Todo o Povo (APC), o Partido Popular da Serra Leoa (SLPP) e o Movimento Popular para a Mudança Democrática (PMDC) sendo os principais partidos. A aplicação da lei é responsabilidade da Polícia da Serra Leoa, e as Forças Armadas da República da Serra Leoa (RSLAF) garantem a segurança territorial.
Crime, Aplicação da Lei e Direitos Humanos
A Polícia da Serra Leoa, fundada em 1894, é subordinada ao Ministério de Assuntos Internos e atua na prevenção e investigação de crimes, manutenção da ordem e acesso à justiça. Chefiada pelo Inspetor-Geral, a polícia é dividida em seis distritos policiais e conta com cerca de 12.000 membros.
Forças Armadas
As Forças Armadas da República da Serra Leoa (RSLAF), formadas em 1961, compreendem o Exército, a Marinha e a Ala Aérea, com cerca de 15.500 efetivos. O Presidente é o Comandante-em-Chefe, e o Ministro da Defesa é responsável pela política de defesa. Existe também um Chefe do Estado-Maior de Defesa.
Política Externa
O Ministério de Relações Exteriores e Cooperação Internacional coordena a política externa. Serra Leoa mantém relações diplomáticas com diversos países, incluindo Reino Unido, China e Rússia, e é membro da Commonwealth. O Reino Unido desempenhou um papel crucial na ajuda ao país, especialmente após a guerra civil. O Brasil também ofereceu apoio financeiro para o combate ao Ebola.
Serra Leoa é dividida em cinco regiões: Província do Norte, Província do Noroeste, Província do Sul, Província do Leste e a Área do Oeste (incluindo Freetown). Estas subdivisões de primeiro nível são divididas em 16 distritos provinciais (segundo nível), que por sua vez se organizam em 186 chefias. A governança local é exercida por conselhos distritais e municipais.
A economia de Serra Leoa é de mercado, mas enfrenta desafios significativos, com um PIB per capita baixo. O turismo é um setor pouco explorado. A infraestrutura educacional, de saúde, energética e de transportes está em processo de recuperação e desenvolvimento após a guerra civil e a epidemia de Ebola.
Turismo
O setor de turismo, administrado pelo Ministério do Turismo e Assuntos Culturais, contribui pouco para a economia, empregando cerca de 8.000 pessoas. As principais atrações incluem praias, reservas naturais e montanhas, com o Aeroporto Internacional de Freetown como principal ponto de entrada.
A cultura de Serra Leoa é expressa através de música, dança, literatura, artes visuais, culinária e esportes. As tradições orais são ricas, e a música popular ocidental coexiste com formas folclóricas. O futebol é o esporte mais popular, embora o país nunca tenha se classificado para a Copa do Mundo FIFA.
Música e Dança
Músicas folclóricas tradicionais são populares no interior, enquanto a música popular ocidental domina as cidades. Instrumentos como o tambor Sangbai, Bundu e Bote são comuns. O Bundu é manipulado pelas mulheres sandes, e o Drum é uma baqueta usada para tocar tambores.
Literatura
A literatura serra-leonesa aborda história, sociedade, natureza e valores tradicionais. Embora a tradição oral seja forte, a ficção escrita se desenvolveu no século XX. Escritores como Africanus Horton e Adelaide Casely-Hayford são notáveis. Thomas Decker promoveu o uso da língua Krio na literatura a partir dos anos 1950.
Artes Visuais
Historicamente, a arte visual consistia em artesanato, como máscaras de madeira e esculturas de marfim, populares entre os Sherbros e Temnes. Figuras de pedra-sabão chamadas nomoli são usadas em rituais locais para boa colheita, fertilidade e adoração dos mortos.
Culinária
O arroz é o alimento básico, servido com diversos molhos feitos de folhas de batata, mandioca, quiabo, peixe ou amendoim. Frutas, vegetais, batata e mandioca fritas, pão, milho assado e espetos de carne ou camarão são comuns. Bebidas populares incluem cerveja de gengibre e poyo (vinho de palma).
Esportes
O futebol é o esporte mais popular, com a Seleção Nacional classificada em 114º lugar no ranking da FIFA em maio de 2021. Serra Leoa participou duas vezes da Copa Africana de Nações e onze vezes dos Jogos Olímpicos de Verão, sem conquistar medalhas. Atletas como Eunice Barber, nascida em Freetown, competiram internacionalmente por outros países.
Música e dança
As formas tradicionais de música folclórica são populares no interior da Serra Leoa, mas a música popular ocidental também tomou conta das cidades do país. Muitos instrumentos musicais são comuns a muitas nações. Entre estes, destaca-se o tambor Sangbai, também conhecido como yimbei e jimberu pelos povos Koranko e Fula, respectivamente. Ele é encontrado em todo o país e acaba por assumir várias formas, sendo utilizado por muitos grupos étnicos. Trata-se de um tambor de madeira, tocado com as mãos e equipado com uma extensão de chocalho. Outros instrumentos musicais notáveis encontrados em Serra Leoa incluem o Bundu, o Bote e o Drum. O Bundu é um tambor cilíndrico de madeira manipulado pelas mulheres sandes, uma sociedade de iniciação feminina. O Bote também é um tambor, porém, em forma de tigela e tocado por uma vara, estando associado aos Sossos. Já o Drum é uma baqueta compilada na forma da letra L, utilizada para bater tambores.
Literatura
A literatura serra-leonesa tem como pano de fundo a história do povo, a situação socioeconômica, a natureza e os valores tradicionais. Embora o país tenha uma rica tradição oral, a ficção escrita não se desenvolveu de fato até o século XX. No entanto, algumas obras literárias já apareceram no século XIX, como os livros e panfletos de Africanus Horton e uma obra sobre a história da ABC Sibthorpe na Serra Leoa. Até pouco antes da independência, a literatura era acessada principalmente por meio de jornais impressos, com destaque para o Weekly News, que disponibilizava uma ampla seção literária, especialmente aquelas oriundas do mundo ocidental. Os primeiros escritores serra-leoneses conhecidos na contemporaneidade foram Adelaide Casely-Hayford, que foi uma das primeiras poetisas a tratar sobre a África subsaariana e a sociedade serra-leonesa em seus poemas, além de George Crispin e Jacon Stanley Davi. Em meados da década de 1950, Thomas Decker promoveu o uso da linguagem krio na literatura nacional, compilando poemas folclóricos, traduzindo obras de Shakespeare para o krio e publicando seus próprios poemas e peças. Dada sua iniciativa, a literatura em língua krio começou a se espalhar.
Artes visuais
Historicamente, a arte visual serra-leonesa consistia em artesanato. Máscaras de madeira com figuras humanas ou de animais costumam ser feitas para várias danças. Um ornamento típico é uma máscara alongada de cômoros com um penteado alto ornamentado e vários colares. As esculturas de marfim são especialmente populares entre os sherbros (também chamados de bollons) e os temnes que habitam a costa litorânea e partes do norte do país. Esculturas serra-leonesas conhecidas também incluem figuras humanas feitas de pedra-sabão chamada nomoli. Elas são usadas em rituais locais voltados a uma boa colheita, mas no passado provavelmente eram usadas na adoração dos mortos e em rituais de fertilidade.
Culinária
O arroz é o alimento básico na Serra Leoa e é consumido em praticamente todas as refeições diárias. O arroz é preparado de várias maneiras, e coberto com uma variedade de molhos feitos a partir de alguns recheios, feitos de folhas de batata, folhas de mandioca, corchorus, sopa de quiabo, peixe frito e ensopado de amendoim. Ao longo das ruas das vilas e cidades de toda a Serra Leoa, encontram-se alimentos compostos por frutas e vegetais, entre os quais mangas, laranjas, abacaxis, bananas, cerveja de gengibre, batata e mandioca fritas com molho de pimenta, pão, milho assado ou espetos de carne grelhada ou camarão. A cerveja de gengibre é tipicamente uma bebida caseira não alcoólica, feita de gengibre puro e adoçada com açúcar, com cravo-da-índia e suco de lima às vezes adicionados para dar sabor. O poyo é uma bebida popular da Serra Leoa. É um vinho de palma doce, levemente fermentado, sendo encontrado em bares nas cidades e aldeias de todo o país.
Esportes
O futebol é o esporte mais popular na Serra Leoa. O país nunca participou de qualquer edição da Copa do Mundo FIFA. Em maio de 2021, o ranking mundial da FIFA classificava a Seleção de Futebol do país como a 114ª melhor do mundo. Na Copa Africana de Nações, a Serra Leoa se classificou duas vezes, mas em ambas as ocasiões não conseguiu avançar do bloco inicial.[carece de fontes?] Em 2016, as ligas de futebol do país ainda estavam se recuperando dos efeitos da epidemia de Ebola, que havia restringido os jogos nos dois anos anteriores. A Serra Leoa participou dos Jogos Olímpicos de Verão onze vezes desde 1968, mas nunca alcançou lugares de medalha. Alguns atletas no mundo nasceram ou possuem ascendência serra-leonesa, como Eunice Barber, natural de Freetown e que fugiu do país durante a guerra civil, tendo competido pela França nos eventos desportivos internacionais.


