Abiei
A Área Administrativa Especial de Abiei, também chamada área de Abiei ou Abyei, é um território de 10 546 km² na fronteira entre o Sudão e o Sudão do Sul. O Protocolo de Abiei, firmado em 2004 como parte do Acordo de Paz Abrangente que encerrou a Segunda Guerra Civil Sudanesa, concedeu-lhe estatuto administrativo especial. Sua sede é a cidade de Abiei. Pelo acordo, a área pertence provisoriamente aos dois países, em regime de condomínio.
O Sudan Tribune atribui aos dajos a ocupação da região antes do século XVII, antes de sua expulsão por novos grupos. Os dincas ngok, grupo agropecuário dos dincas, habitam Abiei pelo menos desde o século XVIII. Os messírias, povo árabe nômade, passam a maior parte do ano perto de Muglad, no norte do Cordofão do Sul, e conduzem o gado às pastagens do rio Bahr durante a estação seca. Assim, os dincas formavam a população permanente, mas em parte do ano os messírias os superavam em número. No início do Sudão Anglo-Egípcio, os messírias viviam principalmente no Cordofão, ao norte, e os dincas ngok em Bar el-Gazal, ao sul. Após ataques messírias às terras dincas, os britânicos transferiram, em 1905, nove chefias dincas ngok para a administração do Cordofão. Pretendiam conter os ataques, impor a autoridade colonial e submeter os dois grupos à mesma administração. A posição de Abiei ficou indefinida quando o Sudão conquistou a independência, em 1956. O antigo distrito pertenceu ao Cordofão Ocidental até a extinção desse estado, em 2005, quando passou a integrar o Cordofão do Sul.
Disputa pelo estatuto
O estatuto de Abiei esteve entre os pontos mais difíceis das negociações do Acordo de Paz Abrangente. O Protocolo de Machakos, de 2002, definiu o Sudão meridional pelas fronteiras existentes na independência, em 1956. Com isso, ficaram de fora Abiei, os Montes Nuba e o Nilo Azul, regiões chamadas nas negociações de "Três Áreas". O EPLS procurou garantir a seus moradores um referendo sobre a administração pelo norte ou pelo sul, o que poderia levá-las a integrar um futuro Sudão do Sul. O governo sudanês se opôs e sustentou que Machakos já as havia incluído no norte. A pressão dos Estados Unidos ajudou a romper o impasse. Seu enviado presidencial, John Danforth, apresentou uma proposta que previa a votação. O Protocolo sobre a Resolução do Conflito de Abiei criou uma administração especial diretamente subordinada à presidência. Uma Comissão de Fronteiras de Abiei deveria delimitar a área, enquanto outra comissão definiria quais messírias seriam considerados residentes e poderiam votar nas eleições locais de 2009. Todos os dincas ngok seriam tratados como residentes de sua terra tradicional.
O Protocolo de Abiei atribuiu provisoriamente aos moradores da área a condição de residentes do Cordofão Ocidental, no Sudão, e de Warab, no Sudão do Sul, enquanto o referendo não definisse o estatuto definitivo do território. A Administração da Área de Abiei foi criada em 31 de agosto de 2008.
Estrutura
A administração foi prevista com os seguintes órgãos: A UNISFA também atua na área com a missão de proteger civis e trabalhadores humanitários. Em julho de 2015, a administração passou a usar o nome "Área Administrativa Especial de Abiei" e declarou que não voltaria a partilhar o território com o Sudão.
Administradores-chefes
Edward Lino Wour Abyei atuou como assessor político do MPLS. Arop Moyak assumiu a chefia da administração criada em 2008.
Abiei situa-se na bacia de Muglad, uma grande bacia de rifte com depósitos de hidrocarbonetos. A prospecção de petróleo no Sudão começou nas décadas de 1970 e 1980. Com a expansão dos investimentos no setor na década seguinte, Abiei passou a integrar as áreas de exploração. Em 2003, respondia por mais de um quarto da produção sudanesa de petróleo bruto. A produção caiu nos anos seguintes, e relatórios apontaram que as reservas da região se aproximavam do esgotamento. O Grande Oleoduto do Nilo atravessa Abiei, vindo dos campos de Heglig e Unity, e segue por Cartum até Porto Sudão, no mar Vermelho. A operação do oleoduto começou em 1999 e ampliou as exportações de petróleo do país.


