Charles Dickens
Charles John Huffam Dickens foi o mais renomado romancista inglês da era vitoriana, também conhecido pelo pseudônimo Boz. Suas obras alcançaram popularidade sem precedentes em sua época e, no século XX, foram reconhecidas pela crítica e academia como fruto de um gênio literário. Seus romances e contos continuam amplamente lidos e apreciados até hoje.
Pontos-chave
- Charles Dickens foi o romancista inglês mais popular da era vitoriana, conhecido também como Boz.
- Suas obras, como 'Oliver Twist' e 'Pickwick', criticavam males sociais e alcançaram grande sucesso.
- Dickens tinha uma memória fotográfica e um estilo poético, publicando muitas obras em fascículos.
- Seus personagens são memoráveis e alguns termos de suas obras se tornaram neologismos na língua inglesa.
- 'Canção de Natal' é uma de suas histórias mais famosas, com inúmeras adaptações e um legado duradouro.
Nascido em Portsmouth, Charles Dickens era o segundo de oito filhos de John Dickens, um funcionário perdulário da Armada. Sua família mudou-se várias vezes, e Charles descreveu-se como uma criança 'muito pequena e não muito mimada'. Educado pela mãe, ele passava muito tempo lendo, desenvolvendo uma memória fotográfica que mais tarde influenciaria suas obras.
Dickens iniciou sua vida profissional em um escritório de advocacia, mas não gostou do trabalho. Após aprender taquigrafia, foi estenógrafo e, aos dezoito anos, dedicou-se a leituras intensas na biblioteca do British Museum. Apaixonou-se por Maria Beadnell, mas o romance foi desaprovado pelos pais dela e Maria eventualmente se tornou indiferente. Superando o desgosto, Dickens tornou-se jornalista, cobrindo tribunais, debates parlamentares e campanhas eleitorais. Seus 'Sketches by Boz', pequenas peças jornalísticas, surgiram dessa época, e ele continuou a escrever para jornais ao longo de sua carreira.
Em 2 de abril de 1836, Dickens casou-se com Catherine Hogarth, com quem teve dez filhos. O sucesso de 'Pickwick' não foi imediato, mas disparou com a introdução do personagem Sam Weller. Em 1838, impulsionado pelo sucesso, propôs 'Oliver Twist', um romance que, pela primeira vez, abordava os males sociais da era vitoriana e foi ilustrado por Cruikshank. Em 1842, viajou aos Estados Unidos com a esposa, experiência que descreveu em 'American Notes' e influenciou 'Martin Chuzzlewit'. Apesar de uma recepção inicial entusiástica, sua estadia esfriou devido às suas críticas à política editorial americana, acusando editores de plágio de obras britânicas.
Após 22 anos de casamento, Dickens teve um caso com uma jovem atriz e se separou de Catherine em 1858, um ato socialmente reprovável na era vitoriana, especialmente para alguém de sua notoriedade. Ele continuou a sustentar Catherine. Embora o início do casamento tenha sido feliz, Catherine parecia não compartilhar a energia de Dickens, e a pressão de cuidar dos dez filhos e ser esposa de um romancista famoso era imensa. Sua irmã, Georgina, mudou-se para ajudar Catherine e permaneceu com Dickens após a separação para cuidar dos filhos, embora houvesse rumores de um caso entre ela e o cunhado. Um encontro em 1855 com Maria Beadnell, seu primeiro amor, pode indicar a insatisfação marital de Charles.
Filhos
Charles Dickens teve dez filhos com Catherine Thompson Hogarth. Os nomes de seus filhos frequentemente faziam referência a figuras literárias.
A obra de Dickens é um reflexo da sociedade vitoriana, abordando temas sociais com um estilo poético e uma capacidade única de criar personagens memoráveis. Publicadas em fascículos, suas histórias cativavam um público amplo, que acompanhava as tramas cheias de expectativa. Sua escrita combinava narrativa episódica com coerência total, muitas vezes acompanhada por ilustrações.
Contexto Social e Crítica
Dickens começou a publicar seus romances para um público moldado pela Revolução Industrial, em uma Londres em expansão devido ao êxodo rural e à criação de 'enclosures'. A indústria têxtil empregava camponeses espoliados, e o trabalho infantil era uma característica marcante da economia inglesa, como analisado por Engels em 'A situação da classe operária em Inglaterra' (1845). Dickens abordou esses problemas, mas conquistou a burguesia ao não se posicionar como revolucionário; suas personagens melhoravam de vida por acaso, e não por luta social.
Características Gerais da Escrita
A escrita de Dickens é marcada por um estilo poético. A maioria de seus principais romances foi publicada mensal ou semanalmente em episódios em jornais como 'Household Words', e depois reunida em obras completas. A publicação em fascículos tornava as histórias acessíveis a um público maior, criando expectativa com situações não resolvidas a cada episódio. O talento de Dickens residia em sua capacidade de unir uma narrativa episódica a um romance coerente. Os episódios mensais eram frequentemente acompanhados por ilustrações de diversos artistas.
Temas e Personagens Marcantes
Os temas recorrentes de Dickens refletiam seu desejo de reformar a sociedade exploradora, visível nos asilos para órfãos, locais de trabalho degradados, escolas que pareciam locais de tortura e prisões sórdidas. Ele usava metáforas poderosas, comparando órfãos a ações da bolsa ou pessoas a barcos rebocadores, para transmitir complexidades em uma única imagem. Satirizava o pedantismo da aristocracia britânica com sarcasmo. Seus personagens, como Ebenezer Scrooge, Fagin, Mrs. Gamp, Wilkins Micawber, Pecksniff, Miss Havisham e Wackford Squeers, são tão icônicos que se tornaram quase identidades próprias (Scrooge inspirou o Tio Patinhas). As excentricidades dessas figuras, algumas grotescas no estilo do romance gótico do século XVIII (gênero que Dickens apreciava, apesar de já ser parodiado na época, como em 'Northanger Abbey' de Jane Austen), não monopolizam a narrativa. A própria cidade de Londres pode ser considerada a personagem mais onipresente de Dickens, revelando aspectos que só um profundo conhecedor de suas ruas poderia descrever.
A popularidade de Charles Dickens pouco diminuiu desde sua morte, e ele permanece um dos autores ingleses mais lidos e apreciados. Cerca de 180 filmes e adaptações televisivas de suas obras atestam seu sucesso contínuo. Mesmo em vida, suas histórias foram adaptadas para o palco, e em 1913, 'The Pickwick Papers' já virava filme mudo. Seus personagens eram tão sugestivos que ganharam vida própria, tornando-se proverbiais. A língua inglesa incorporou neologismos de suas obras, como 'Gamp' para guarda-chuva, e termos como 'Pickwickiano' ou 'Pecksniffiano' para descrever tipos de pessoas. Seu conto 'Canção de Natal' é talvez sua história mais conhecida, com inúmeras adaptações em diversos gêneros, criando um fenômeno de popularidade que transcende a obra original e, para muitos, resume o verdadeiro significado do Natal.


