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Charles Burke Elbrick

Charles Burke Elbrick foi um diplomata de carreira e membro do United States Foreign Service.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 27/07/2026
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Sequestro

Em setembro de 1969, no período da ditadura militar no Brasil, Elbrick foi sequestrado por membros das organizações de extrema-esquerda Dissidência Comunista da Guanabara, que adotou o nome MR-8 em homenagem a um grupo guerrilheiro niteroiense homônimo, cuja erradicação pela repressão militar fora anunciada como um grande triunfo na imprensa, poucos meses antes, e Ação Libertadora Nacional, que participavam da luta armada no país. Este episódio é narrado no livro O Que É Isso, Companheiro?, de Fernando Gabeira. Franklin Martins, militante estudantil da Dissidência, juntamente com Cid Benjamin, idealizou o sequestro. A ideia inicial de Franklin era uma ação armada para tirar da cadeia o líder estudantil Vladimir Palmeira, principal articulador político das manifestações contra a ditadura, em 1968, na Guanabara. Por acaso, Franklin descobriu que o trajeto que Elbrick fazia de sua casa para a embaixada diariamente era rigorosamente o mesmo, e percebeu que seria bem mais fácil tomá-lo como refém para exigir a libertação de Vladimir. Com a ideia de Franklin e Cid, a organização clandestina solicitou ajuda logística e militar à Ação Libertadora Nacional, em São Paulo, que enviou um de seus líderes, Toledo (Joaquim Câmara Ferreira), e um guerrilheiro operário de origem humilde, Jonas (Virgílio Gomes da Silva), integrante dos Grupos Táticos Armados (GTA) da ALN, escolhido para comandar a ação de sequestro.

Os envolvidos

Participaram da ação e da posterior detenção de Elbrick um total de treze envolvidos:

A carta

A carta-manifesto, que pedia a libertação de quinze presos políticos em troca de Elbrick, foi escrita por Franklin Martins sob supervisão de Joaquim Câmara. Nela, a ALN e a DI-GB (assinando como MR-8) assumiam a autoria do sequestro e denunciavam os crimes e torturas da ditadura. A carta foi lida em cadeia nacional de rádio e televisão. Seu texto integral era: “Grupos revolucionários detiveram hoje o sr. Charles Burke Elbrick, embaixador dos Estados Unidos, levando-o para algum lugar do país, onde o mantêm preso. Este ato não é um episódio isolado. Ele se soma aos inúmeros atos revolucionários já levados a cabo: assaltos a bancos, nos quais se arrecadam fundos para a revolução, tomando de volta o que os banqueiros tomam do povo e de seus empregados; ocupação de quartéis e delegacias, onde se conseguem armas e munições para a luta pela derrubada da ditadura; invasões de presídios, quando se libertam revolucionários, para devolvê-los à luta do povo; explosões de prédios que simbolizam a opressão; e o justiçamento de carrascos e torturadores.

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Libertação

Imagem: Fieldsofhay · BY-SA · Openverse

O governo militar, na época comandado pela junta militar de 1969, formada pelo general Aurélio Lyra Tavares, almirante Augusto Rademaker e brigadeiro Sousa Melo, apesar de já saber o local do cativeiro, acabou cedendo às demandas dos sequestradores, após uma reunião entre os militares, o corpo diplomático e os órgãos de segurança, com medo que o embaixador fosse morto. Revoltados com as negociações, uma tropa paraquedista indisciplinada pretendeu invadir o aeroporto para matar os prisioneiros, mas tomou somente a Rádio Nacional em Parada de Lucas e leu um comunicado contra a "medida impatriótica", sem maiores consequências. Com a chegada dos presos no México, Elbrick foi solto no sábado, 6 de setembro, nas proximidades do Estádio do Maracanã, durante a saída de um clássico America vs. Fluminense, de maneira a que seus sequestradores pudessem sumir mais rápido no meio da multidão. Na saída da casa, os sequestradores em dois fuscas foram seguidos por militares em camionetes Rural-Willys. Após uma tentativa de separar o comboio, os sequestradores conseguiram fugir.

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Fontes consultadas

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