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Cerrado

Cerrado é bioma brasileiro de savanas, sendo o segundo maior em extensão territorial depois da Amazônia, ocupando uma área de mais de dois milhões de quilômetros quadrados. O termo "cerrado" pode ser utiilizado em três sentidos O primeiro, a "fisionomia do cerrado sensu stricto" é uma das fisionomias do bioma savana e parte da província florística cerrado sensu lato.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 22/07/2026
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Características

O domínio apresenta variações fitofisionômicas ao longo de sua extensão. É uma área zonal, como as savanas da África, e predomina, majoritariamente, no Planalto Central. Trata-se do segundo maios domínio fitogeográfico em extensão, estendendo-se, em sua área core ou nuclear, por um território de 1,5 milhão de km², abrangendo quatro estados do Brasil Central (Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Distrito Federal), além de Minas Gerais, São Paulo, Paraná, Tocantins, Bahia, Maranhão e Piauí. Incluindo-se as áreas periféricas/disjuntas, este valor pode ultrapassar 2 milhões de km². Essas áreas disjuntas podem ser encontradas em meio a outros domínios, tais como Amazônia, nos estados de Amapá, Roraima e Pará, e Caatinga, em alguns locais do Ceará, Paraíba e Pernambuco. Além disso, há manchas de Cerrado no estado do Paraná, um pouco abaixo do trópico de Capricórnio. É cortado por três das maiores bacias hidrográficas da América do Sul, tem índices pluviométricos regulares que lhe propiciam sua grande biodiversidade. O Cerrado possui duas classificações principais: o Cerrado stricto sensu, que abrange as formações savânicas; e o Cerrado lato sensu, que engloba formações florestais e campestres. O Cerrado stricto sensu cobre a maior parte do domínio, e está representado pelas formações de cerrado ralo, típico e denso, parque de cerrado, palmeiral e vereda. Por outro lado, as formações florestais engloba os cerradões, as matas ciliares e de galeria, e as matas secas; enquanto as campestres exibem campos sujos e limpos e os campos rupestres.

Clima

O clima do Cerrado é classificado predominantemente como Aw (tropical chuvoso) na Classificação climática de Köppen-Geiger, com áreas de clima Cwa ao sul do bioma, condicionado não somente por sua localização no centro da América do Sul, mas pela dinâmica dos sistemas atmosféricos que atuam no continente sul-americano e que podem ser positivos, como os centros de alta pressão subtropicais do Atlântico Norte, do Atlântico Sul e do Pacífico Sul, das altas pressões polares, ou negativos, como as depressões amazônicas e do Chaco. A dinâmica positiva manifesta-se através de anticiclones, que são massas de ar de origem oceânica e que se deslocam sobre o continente; estas massas sofrem influência dos centros negativos, que se formam no continente.

Recursos hídricos

Segundo maior bioma do Brasil, ocupando cerca de 204 milhões de hectares e 24% do território nacional, o Cerrado é o local de origem de grandes bacias hidrográficas brasileiras e da América do Sul. Recebem contribuição das águas do Cerrado, os rios Xingu, Madeira e Trombetas na Bacia Amazônica, ao norte; os rios Araguaia e Tocantins, na Bacia do Tocantins; os rios Parnaíba e Itapecuru, na Bacia Atlântico Norte/Nordeste; os rios São Francisco, Pará, Paraopeba, das Velhas, Jequitaí, Paracatu, Urucuia, Carinhanha, Corrente e Grande, na Bacia do São Francisco; rios Paranaíba, Grande, Sucuriú, Verde, Pardo, Cuiabá, São Lourenço, Taquari e Aquidauana, na Bacia Paraná/Paraguai. O bioma contribui assim para a produção hídrica de seis das oito principais bacias brasileiras (ficando de fora apenas as bacias do Atlântico Sul/Sudeste e do rio Uruguai), conforme definição do extinto Departamento Nacional de Águas e Energia Elétrica (DNAEE). No caso específico da Bacia do São Francisco, Minas Gerais responde por cerca de 70% da vazão gerada ao longo do seu curso e por 94% da vazão em sua foz.

Solos

Do ponto de vista da pedologia, os latossolos, altamente permeáveis, compõe cerca de 48,66% das terras do Cerrado, ostentando topografia plana a suave-ondulada. Por ser predominante, apresenta maior biodiversidade, o que justifica a criação neles de unidades de conservação, não somente para evitar o risco de extinção de espécies nativas, mas também pela preservação de vegetais que podem possuir valor alimentício, medicinal e comercial. Os latossolos devem ter um manejo adequado, pois quando expostos à chuva pelo desmatamento indiscriminado, podem provocar o surgimento de sulcos e voçorocas, além de assorear os cursos d'água. Outro importante solo do Cerrado, é o neossolo quartzarênico, que ocupa cerca de 15% do bioma. São solos arenosos, e portanto, muito suscetíveis à erosão. Se estiverem adjacentes a mananciais, devem ser necessariamente isolados e preservados.

Vegetação

Martius (1824), embora não tenha proposto um sistema formal, descreve vários tipos de vegetação presentes no atual domínio do Cerrado. Warming (1892), em seu trabalho em Lagoa Santa, usa uma terminologia que seria formalizada por Löfgren (1898). Este é creditado como o primeiro a usar formalmente o termo "cerrado" no sentido fisionômico atual (cerrado sensu stricto), além de elaborar um sistema de tipos de vegetação para a Oreades (futuro cerrado sensu lato). Formações (subtipos de vegetação) do cerrado (sensu lato), segundo Coutinho (1978): Fitofisionomias presentes no "bioma" (domínio) cerrado, segundo Ribeiro & Walter (1998):[p.150] Entretanto, deve-se notar que alguns autores (ex., Ribeiro & Walter, 1998) não incluem o campo limpo no cerrado enquanto área fitogeográfica (cerrado sensu lato).[p.94]

Fauna

O Cerrado apresenta uma alta diversidade de vertebrados, com 150 espécies de anfíbios, 120 espécies de répteis, 837 espécies de aves e 161 espécies de mamíferos registradas. A diversidade de lagartos é geralmente considerada relativamente baixa no Cerrado em comparação com outras áreas como a caatinga ou a floresta tropical de planície, embora um estudo recente tenha encontrado 57 espécies em uma área de Cerrado, com a alta diversidade sendo impulsionada pela disponibilidade de habitat aberto. O Ameiva ameiva está entre os maiores lagartos encontrados no Cerrado e é o predador de lagartos mais importante da região onde ocorre. Há uma diversidade relativamente alta de serpentes no Cerrado (22–61 espécies, dependendo do local), sendo a família Colubridae a mais rica. A natureza aberta da vegetação do Cerrado provavelmente contribui para a alta diversidade de serpentes. As informações sobre anfíbios do Cerrado são extremamente limitadas, embora o Cerrado provavelmente possua um conjunto único de espécies, algumas endêmicas da região.

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Histórico e povoamento

Visão geral

A história ambiental do Cerrado brasileiro no século XVII se deu com a corrida para a região interiorana no Brasil. Contudo, a região remonta ao contexto do pleistoceno, com a corrida do ouro seu lugar da natureza aliado ao papel na vida humana, os valores, relações ambientais com um mundo natural para a sociedade como um todo no que diz respeito as concepções do território sendo a fronteira elemento fundamental. O primeiro relato europeu detalhado sobre o Cerrado brasileiro foi fornecido pelo botânico dinamarquês Eugenius Warming (1892) no livro Lagoa Santa, no qual ele descreve as principais características da vegetação do Cerrado no estado de Minas Gerais. O botânico Johannes Eugenius Bülow Warming (1841-1924) professor de botânica na Universidade de Copenhague e na Universidade de Estocolmo, além de decano nas duas instituições e diretor do Jardim Botânico de Copenhague. Fez expedições científicas e palestras em eventos, em diversos países incluindo o Brasil. Warming esteve no Brasil, mais precisamente em Lagoa Santa, Minas Gerais, de 1863 a 1866.

Ocupação indígena do Cerrado

Os primeiros povoadores do Cerrado parecem ter provindo de um núcleo ocupacional estabelecido entre 12 e 11 mil anos antes do presente (AP), no entorno do vale do rio Guaporé, importante afluente do Mamoré. Desta forma, o povoamento do Cerrado (grosso modo, da região central do continente sul-americano) teria sido iniciado por volta de 11.000 anos AP com o estabelecimento da Tradição Itaparica, uma cultura que desenvolveu formas características de produzir ferramentas de pedra (silexito, arenito, quartzito e quartzo, dentre outras). Há 10 mil anos AP, as populações constituintes desta "tradição" já teriam colonizado uma área com cerca de 2 milhões de quilômetros quadrados, a qual se estendia pelos atuais Mato Grosso, Goiás, Tocantins, além de áreas da Caatinga, em Pernambuco e Piauí. Em torno de 9 mil anos AP, a Tradição Itaparica perde suas características básicas, sendo substituída pelo uso de instrumentos de pedra mais refinados e por uma "indústria de lascas".

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Hidrografia

O bioma Cerrado é estratégico para os recursos hídricos do Brasil e da América do Sul. O bioma contém as nascentes e oito das principais regiões hidrográficas brasileiras: O bioma contém 78% da área da bacia do Araguaia-Tocantins, 48% do Paraná e 47% da área do São Francisco. Além disso, fornece a maior parte da água que abastece estas bacias: 94% do São Francisco (o que impacta diretamente no semiárido brasileiro), 71% do Araguaia/Tocantins e o mesmo percentual para o Paraná/Paraguai. Durante as últimas quatro décadas, as bacias hidrográficas do Cerrado foram fortemente impactadas pelo desmatamento extremo, pela expansão da fronteira agrícola e pecuária, pela construção de barragens e pela extração de água para irrigação.

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Atividade comercial

A expansão da agricultura no Cerrado, incentivada pelo governo brasileiro a partir de meados da década de 1970, deparou-se com seis problemas limitantes: Este conjunto de fatores levou à criação da Embrapa Cerrados em 1975, a qual desenvolveu trabalhos de levantamento dos recursos naturais em cooperação com empresas estaduais, institutos de pesquisa e universidades. Os dados obtidos permitiram desenvolver soluções efetivas para os problemas apresentados: O conhecimento adquirido pelos pesquisadores foi disseminado entre os produtores, e alida à uma política agrícola bem definida e com crédito abundante, provocou um crescimento na área cultivada, aumento na oferta de grãos, e uma rápida expansão da fronteira agrícola.

Agricultura

O solo do Cerrado historicamente representou um desafio para a agricultura até que pesquisadores da Embrapa, a agência brasileira de pesquisa agropecuária, descobriram que ele poderia ser adaptado para o cultivo industrial com a adição adequada de fósforo e calcário. No final da década de 1990, entre 14 e 16 milhões de toneladas de calcário eram aplicadas anualmente nos campos brasileiros. Essa quantidade subiu para 25 milhões de toneladas em 2003 e 2004, o que equivale a cerca de cinco toneladas de calcário por hectare. Esse manejo do solo permitiu que a agricultura industrial crescesse exponencialmente na região. Os pesquisadores também desenvolveram variedades tropicais de soja, até então uma cultura de clima temperado, e atualmente o Brasil é o principal exportador mundial de soja devido ao aumento na produção de ração animal causado pela crescente demanda global por carne.

Produção de carvão vegetal

A produção de carvão vegetal para a indústria siderúrgica brasileira é uma importante atividade geradora de renda no Cerrado. Ela está intimamente ligada à agricultura. Quando terras são desmatadas para uso agrícola, os troncos e raízes das árvores são frequentemente utilizados na produção de carvão vegetal, financiando o desmatamento. Tradicionalmente, a indústria siderúrgica brasileira utiliza troncos e raízes do Cerrado para a produção de carvão vegetal, mas, com as siderúrgicas do estado de Minas Gerais entre as maiores do mundo, o impacto sobre o Cerrado aumentou consideravelmente. Devido aos esforços de conservação e à diminuição da vegetação, o carvão vegetal tem sido cada vez mais extraído de plantações de eucalipto.

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Conservação

Destruição de habitats

Originalmente com cobertura de pouco mais de 20% do território brasileiro, o Cerrado sofre diversas ameaças à sua biodiversidade, principalmente por conta da profusão das atividades econômicas do agronegócio a partir da década de 1970 e que se intensificaram nos últimos anos. Depois da Mata Atlântica, o Cerrado é o ecossistema brasileiro que mais alterações sofreu com a ocupação humana. O bioma é considerado um dos 25 ecossistemas do planeta com alto risco de extinção. Um dos primeiros impactos ambientais graves na região foi causado por garimpos e a atividade mineradora em grande escala, que contaminaram os rios com mercúrio, provocaram o assoreamento dos cursos de água e, em alguns casos, chegou até mesmo a impossibilitar a própria extração do ouro rio abaixo. Contudo, atualmente, a expansão da monocultura intensiva de grãos e da pecuária extensiva de baixa tecnologia representam a principal ameaça à biodiversidade do Cerrado.

Invasoras

Dentre as principais espécies exóticas invasoras do Cerrado, que competem com plantas nativas, estão algumas gramíneas forrageiras africanas, usadas na pecuária desde os anos 1970, como Melinis minutiflora (capim-gordura), Hyparrhenia rufa (capim-jaraguá), Panicum maximum (capim-colonião) e Brachiaria spp. (braquiárias). Ainda na década de 1970, começou a ser comum também a ocorrência no Cerrado de Pinus elliottii (pinheiro) e Eucalyptus spp. (eucaliptos), usadas em silvicultura. Há também invasões por Pteridium aquilinum (samambaia-brava), uma espécie ruderal de ampla distribuição em todo o mundo.

Peculiaridades das formações abertas

A conservação das formações abertas, sejam campestres ou savânicas, enfrenta uma porção de problemas peculiares, como: Embora quase sempre apresentado como danoso aos ambientes naturais, o fogo é, no entanto, indispensável para a preservação das formações abertas (campestres e savânicas) do Cerrado. As espécies e vegetações do Cerrado não são exatamente adaptadas ao fogo, mas sim a diferentes regimes de fogo. Frequências maiores do fogo tendem a promover a ocorrência de vegetações campestres (campos limpos) ou savânicas (como o cerrado sensu stricto), com suas plantas herbáceas e lenhosas de baixo porte, ao invés das vegetações florestais (cerradão), com suas plantas lenhosas de alto porte.

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Tendências e desafios ecológicos

O Cerrado é o segundo maior bioma da América do Sul e a savana com maior biodiversidade do mundo. Abrange o Aquífero Guarani e abriga os maiores reservatórios subterrâneos de água doce do continente. O Cerrado também desempenha um papel hidrológico crucial, fornecendo água para um terço do rio Amazonas e sustentando diversas das principais bacias hidrográficas da América do Sul. Apesar de sua importância ecológica, as políticas agrícolas e o planejamento de uso da terra no Brasil historicamente consideraram o Cerrado como de baixo valor de conservação. Como resultado, apenas 1,5% do bioma está protegido por reservas federais. Em 1994, aproximadamente 695.000 km² (69.500.000 ha), representando 35% de sua área total, já haviam sido convertidos em paisagens antropogênicas. No total, 37,3% do Cerrado foi completamente convertido para uso humano, enquanto outros 41,4% são utilizados para pastagens extensivas e produção de carvão vegetal.

Áreas protegidas

De acordo com o Cadastro Nacional de Unidades de Conservação do Brasil, existiam, em novembro de 2024, 560 áreas protegidas no bioma Cerrado. No Brasil, as áreas protegidas são conhecidas como unidades de conservação, e as do Cerrado representam 19% de todas as unidades do país. Embora uma avaliação em março de 2026 tenha constatado que existiam 645 unidades de conservação no bioma, totalizando 186.416 km² (18641,6 ha), isto representava apenas cerca de 9,81% da área total do Cerrado protegida. Apesar de sua importância ecológica, o Cerrado não é reconhecido pela Constituição brasileira como Patrimônio Nacional. A primeira área protegida no Cerrado brasileiro foi a Floresta Nacional de Paraopeba, criada em 1952. Até o início da década de 1990, o desenvolvimento da rede foi lento, com apenas algumas áreas protegidas sendo criadas a cada ano. No final da década de 1990 e início dos anos 2000, houve um aumento significativo na criação de novas áreas protegidas, o que coincidiu com a promulgação da Lei nº 9.985, de 18 de julho de 2000. Essa lei estabeleceu o Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza (SNUC) e define os conceitos para a criação e o manejo de unidades de conservação no Brasil, marcando o início de sua regulamentação legal. Entre 1997 e 2006, foram estabelecidas 179 unidades de conservação no Cerrado, representando quase um terço de toda a rede atual. Desde esse período de expansão, o ritmo de criação de novas unidades de conservação a cada ano diminuiu, mas varia consideravelmente de ano para ano.

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Fontes consultadas

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