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Cerco

Cerco, assédio ou sítio é um método de estratégia militar onde unidades militares cercam o inimigo ou uma edificação, como as praças-fortes, onde se abriga o inimigo, com o intuito de não permitir a sua evasão ou o seu recebimento de provisões. Geralmente, nessa estratégia, é comum o uso de armas de assédio para a destruição de edificações. A técnica do cerco, tanto a de defesa como a do ataque, chama-se poliorcética.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 22/07/2026
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Exemplos históricos

Existem vários eventos históricos importantes em que houve o cerco de cidades, tais como:

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Táticas

Ofensivas

O primeiro ato de um atacante num cerco pode ser um ataque surpresa, com a finalidade de derrotar o inimigo antes que ele esteja preparado ou mesmo consciente da ameaça. Foi assim que William de Forz capturou o castelo de Fotheringhay em 1221. A prática mais comum de cerco, no entanto, é cercar e esperar pela rendição do inimigo, ou pela traição de alguém dentro da cidade sitiada. Durante a Idade Média, frequentemente ocorriam negociações no período inicial do cerco. O atacante, consciente do grande custo do cerco em termos de tempo, dinheiro e vidas, podia oferecer compensações se o defensor rendesse-se rapidamente. Por exemplo, podia ser permitido que o defensor abandonasse a cidade ileso, porém desarmado. Se, no entanto, um chefe militar rapidamente se rendesse, ele poderia ser condenado por traição pelos seus pares.

Defensivas

O método universal para defender-se contra cercos é o uso de fortificações, principalmente muralhas e valas, para suplementar as defesas naturais. Um estoque suficiente de água e alimento também é importante para derrotar o método mais simples de cerco: a inanição. Eventualmente, a cidade sitiada pode expulsar alguns habitantes para reduzir a demanda por água e comida. Durante o Período dos Estados Combatentes na China (481–221 a.C.), os cercos perderam a aura nobre que possuíam no Período das Primaveras e Outonos e passaram a ser mais pragmáticos. A invenção chinesa da besta durante esse período revolucionou a guerra, aumentando a importância da infantaria e da cavalaria e diminuindo a importância dos tradicionais carros de guerra.

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Era da pólvora

Imagem: Eneas · BY · Openverse

A introdução da pólvora e do canhão trouxe uma nova era para os cercos. Os canhões foram usados pela primeira vez na dinastia Sung, na China, no começo do século XIII, mas só se tornaram armas importantes aproximadamente 150 anos depois. Nas primeiras décadas, os canhões pouco podiam fazer contra castelos e fortalezas poderosos, não gerando mais do que fumaça e fogo. Por volta do século XVI, no entanto, eles já eram um elemento essencial e regular de qualquer exército em campanha, ou da defesa de um castelo. A maior vantagem dos canhões sobre outras armas de cerco é a sua capacidade de disparar projéteis mais pesados, a maior velocidade e a maior distância do que as armas anteriores. Eles também podiam disparar projéteis em linha reta, destruindo as bases de altas muralhas. Então, as muralhas de velho estilo — isto é, altas e relativamente finas — tornaram-se ótimos alvos, facilmente demolíveis. Em 1453, as grandes muralhas de Constantinopla, a capital do império Bizantino, foram postas abaixo pelos 62 canhões do exército de Maomé II, o Conquistador, em apenas seis semanas.

Teorias

Se os castelos antes eram obstáculos formidáveis, com o advento dos canhões, passaram a ser facilmente invadidos. Por exemplo: na Espanha, o exército recém-equipado com canhões dos Reis Católicos pôde conquistar as fortalezas dos mouros em Granada em 1482–92 após estas terem resistido por séculos. No início do século XV, o arquiteto italiano Leon Battista Alberti escreveu um tratado intitulado De Re aedificatoria, o qual teorizava sobre métodos de construção de fortificações capazes de resistir às novas armas. Alberti propôs que as muralhas fossem "construídas em linhas irregulares, como os dentes de uma serra". Ele também propôs fortalezas em formato de estrela, com muralhas baixas e grossas.

Novas fortalezas

A maneira mais efetiva de proteger muralhas contra o fogo de canhões provou ser a grossura e o ângulo das muralhas (que fazia com que estas só pudessem ser atingidas em um ângulo oblíquo). Inicialmente, as muralhas foram abaixadas e reforçadas, por trás e pela frente, com terra. As torres foram transformadas em bastiões triangulares. Esse desenho evoluiu para a chamada fortificação abaluartada. Essas fortificações em formato de estrela envolvendo cidades provaram ser muito difíceis de ser invadidas, mesmo para exércitos bem equipados. Fortalezas construídas nesse estilo por todo o século XVI não se tornaram completamente obsoletas até o século XIX e ainda estavam em uso durante a Primeira Guerra Mundial (1914–1918) (embora estivessem adaptadas para a guerra no século XX). Durante a Segunda Guerra Mundial (1939–1945), as fortificações abaluartadas ainda ofereciam considerável resistência. Por exemplo: nos últimos dias da guerra, durante a batalha de Berlim, os soviéticos não tentaram atacar a cidadela de Spandau (construída entre 1559 e 1594), mas preferiam circundá-la e negociar a sua rendição.

Marechal Vauban e Van Coehoorn

No fim do século XVII, dois influentes engenheiros militares, o francês Sébastien Le Prestre de Vauban e o neerlandês Menno van Coehoorn, levaram as novas fortalezas ao seu ápice. Valas podiam ser escavadas; muralhas podiam ser protegidas por rampas, e baluartes podiam enfileirar atacantes. Ambos os engenheiros desenvolveram as suas ideias de forma independente, mas chegaram a conclusões semelhantes no que toca a construção defensiva e ação ofensiva contra fortificações. Ambos eram experientes na condução de cercos e nas defesas contra eles. Antes de Vauban e Van Coehoorn, os cercos eram descuidados. Ambos levaram o cerco ao status de ciência com um processo metódico que, se não fosse interrompido, poderia conquistar até as mais poderosas fortalezas. Exemplos do seu estilo de fortificação são Arras (Vauban) e a não mais existente fortaleza de Bergen op Zoom (Van Coehoorn). A principal diferença entre os dois engenheiros era o tipo de terreno em que costumavam construir: Vauban construía no terreno montanhoso da França, e Van Coehoorn construía nas baixadas planas e inundáveis dos Países Baixos.

Guerra de sítio

A guerra de sítio dominou a Europa ocidental pela maior parte dos séculos XVII e XVIII. Toda uma campanha podia resumir-se em um único cerco (por exemplo, Oostende em 1601–04; La Rochelle em 1627–28). Isso resultou em conflitos extremamente prolongados, em que prevalecia o maior poder econômico. As raras batalhas campais (Gustavo II Adolfo da Suécia em 1630; França contra Países Baixos em 1672 e 1688) eram, quase sempre, caros fracassos.

Avanços industriais

Avanços na artilharia tornaram frágeis defesas que antes eram inexpugnáveis. Por exemplo, as muralhas de Viena, que mantiveram os turcos afastados em meados do século XVII, não foram obstáculos para Napoleão Bonaparte no início do século XIX. Quando ocorreram cercos (como o cerco de Délhi e o de Cawnpore na Rebelião Indiana de 1857), os atacantes foram geralmente capazes de vencer em dias ou semanas — ao contrário de semanas ou meses, como era usual até então. O forte de Karlsborg foi construído na tradição de Vauban para ser uma capital de reserva para a Suécia, mas já estava obsoleto antes de ser finalizado em 1869. Com a criação das ferrovias, os cercos voltaram à moda, pois os exércitos atacantes que quisessem apoderar-se de linhas férreas em território inimigo precisavam conquistar as fortalezas que bloqueavam essas linhas férreas.

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Cerco policial

Imagem: Eneas · BY · Openverse

Táticas de cerco são empregadas costumeiramente pelas polícias, sempre tendo em vista a preservação das vidas de policiais, sitiados, espectadores e reféns. Elas usam negociadores treinados, psicólogos e, quando necessário, a força, ou mesmo as forças armadas. Uma das dificuldades para a polícia durante os cercos é a síndrome de Estocolmo, quando os reféns identificam-se com os seus captores. Quando isso protege os reféns de danos físicos, é considerado uma coisa positiva, mas é considerado uma coisa negativa quando os reféns protegem os seus captores ou se recusam a cooperar com a polícia. O cerco de Waco, em 1993, durou 51 dias, um período de tempo anormalmente longo. Ao contrário de cercos militares, os cercos policiais costumam durar horas ou dias, ao invés de semanas, meses ou anos.

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Fontes consultadas

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