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Centrão

No cenário político brasileiro, o termo Centrão refere-se a um conjunto de partidos políticos que compuseram uma aliança informal durante a Assembleia Nacional Constituinte de 1987 com o objetivo de implementar no texto da Constituição de 1988 as propostas ligadas ao presidente da República, José Sarney (PMDB), e combater a linha política progressista defendida pelo Presidente da Assembleia Constituinte, Ulysses Guimarães (PMDB).

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 08/07/2026
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História

Nas eleição presidencial de 2018, foi o candidato pelo PSDB Geraldo Alckmin quem conseguiu montar uma coligação com partidos do Centrão, obtendo assim maior tempo de propaganda eleitoral. Na ocasião, o pré-candidato Bolsonaro criticou Alckmin: "Ele juntou alta nata de tudo que não presta no Brasil do lado dele", garantindo ainda que, depois da sua eleição, 40% do Centrão estaria com ele e sem a necessidade de entregar cargos. Como Alckmin não alcançou o segundo turno, o Centrão dividiu-se no apoio ao candidato petista Fernando Haddad e Jair Bolsonaro então candidato do antigo Partido Social Liberal (PSL). Nas eleições federais, o Centrão conseguiu eleger 142 parlamentares, uma redução de 22 cadeiras no Congresso. Levantamento do Estadão apontou que, além da menor bancada, os membros do Centrão da nova legislatura estavam mais ligados aos seus caciques, que agora possuíam mais controle do Fundo Partidário. O jornal também destacou sete "puxadores de voto": Celso Russomanno (PRB-SP), Tiririca (PR-SP): Flávia Arruda (PR-DF), Amaro Neto (PRB-ES), Josimar Maranhãozinho (PR-MA), Hélio Costa (PRB-SC), e Tiago Dimas (SD-TO).

Surgimento durante a Assembleia Nacional Constituinte de 1987

O termo Centrão tem sua origem na Assembleia Nacional Constituinte de 1987, sendo usado para designar uma coalizão de partidos com perfil de centro a centro-direita, a maioria dos quais possuía ligação histórica com a Aliança Renovadora Nacional (ARENA) – partido de sustentação da ditadura militar brasileira. Durante o governo Sarney, estes partidos se aliaram para dar sustentação às propostas do Presidente da República para o texto da nova Constituição, e assim combater o grupo político liderado pelo presidente da Câmara, Ulysses Guimarães (PMDB-SP), que era acusado de "progressista". O grupo unia a ala mais conservadora do PMDB – apelidada de Centro Democrático – ao Partido da Frente Liberal (PFL), Partido Liberal (PL), Partido Democrático Social (PDS), Partido Democrata Cristão (PDC) e Partido Trabalhista Brasileiro (PTB). A composição deste bloco suprapartidário foi apoiado por camadas da sociedade que estavam insatisfeitas com a aprovação de direitos sociais e de dispositivos estatizantes, como a radicalização da questão da reforma agrária e da função social da propriedade.

Dissolução do Centrão após a Constituinte

Após a promulgação da Constituição de 1988, o Centrão, enquanto aliança suprapartidária, foi dissolvido e os partidos pararam de se identificar publicamente com o termo, mas as práticas políticas que lhe eram características continuaram. Alguns partidos, dos quais se destacaram o Partido da Frente Liberal (PFL) e o Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), passaram a exercer um papel semelhante ao do Centrão. Isto é, uma força centrípeta sem uma mensagem programática definida, cuja principal função no sistema político era apoiar presidentes eleitos independentemente da sua posição no espectro ideológico. No caso do PMDB, embora o partido fosse o sucessor do MDB, que se opôs à ditadura, e o seu presidente, Ulysses Guimarães, tivesse representado a principal frente de oposição ao Centrão durante a Constituinte, essa virada política foi influenciada por um fluxo de parlamentares oriundos do PFL e do PDS que aderiram ao partido.

A articulação política do governo Collor

Durante os primeiros meses do Governo Collor, o presidente precisou construir apoio junto aos deputados da 48ª Legislatura até que fossem investidos os parlamentares eleitos em 1990. A imagem de Fernando Collor (PRN-AL) durante a campanha de 1989 foi a de um perfil liberal, que reduziria o tamanho do Estado, mas, logo no início de seu mandato, o presidente se afastou deste projeto. Segundo Brasílio Sallum Jr., isso é explicado pela negociação de interesses para a articulação política, em que, visando a aprovação do Plano Collor, o presidente rompeu com a sua base liberal e passou a depender de uma base parlamentar que lhe dava apoio condicional. Haviam se comprometido a apoiar o Plano Collor o PRN, PFL, PDS, PTB, PL e PDC, quase todos ex-integrantes do Centrão. Setores do PMDB também foram decisivos para a aprovação do plano. Já no final de 1990, Collor é derrotado na votação de diversas medidas provisórias.

Governo Fernando Henrique Cardoso e a aliança com o PFL

Eleito pelo PSDB, um partido fundado em sua maioria pelos quadros mais progressistas do PMDB, Fernando Henrique Cardoso foi a primeira pessoa explicitamente perseguida pelo Regime Militar a ocupar a presidência da República. No entanto, logo durante a campanha presidencial de 1994, o tucano buscou compor com o PFL para evitar uma convergência da direita em torno da candidatura de Paulo Maluf (PDS-SP). Essa aliança incluiu a indicação de Marco Maciel (PFL-PE) a vice-presidente na chapa do PSDB. Apesar de receber críticas, essa aliança facilitou a governabilidade do PSDB, que pôde contar com PMDB, os PFL e o PTB – assim como outros partidos menores – em sua base de sustentação no Congresso Nacional. Acordos ao redor dessa aliança incluíram um apoio ativo do governo federal para as candidaturas de Luís Eduardo Magalhães (PFL-BA) e do ex-presidente José Sarney (PMDB-MA) à presidência da Câmara e do Senado respectivamente.

A ascensão do Partido dos Trabalhadores e a questão da governabilidade

Aproveitando-se das divisões na coalizão de Fernando Henrique, a campanha oposicionista do Partido dos Trabalhadores fez uma aliança com o Partido Liberal em 2002. O PL, partido que compôs o Centrão durante a Constituinte e ligado a setores da Igreja Universal do Reino de Deus, indicou o senador mineiro José Alencar para vice-presidente da República na chapa de Lula. O núcleo central do Governo Lula foi ocupado por políticos do PT, como José Dirceu na Casa Civil e Antonio Palocci no Ministério da Fazenda. Entretanto, a base de apoio ao governo foi frágil no Congresso Nacional, o que levou o Executivo a fazer diversas concessões aos partidos de fora da aliança. Neste contexto, surgiram denúncias de que o PT, em ações lideradas por membros do primeiro escalão do governo, incidiria na prática de compra de apoio político, utilizando recursos de caixa dois e sobras de arrecadação de campanha.

Reorganização do Centrão no "blocão" de Eduardo Cunha

O centrão ganharia proeminência novamente com a formação do "blocão", um grupo criado em 2014 por Eduardo Cunha, à época líder do PMDB, devido ao descontentamento dos deputados da base governista com a presidente Dilma Rousseff, que dispensava pouca atenção à articulação política com os parlamentares. O blocão reunia oito partidos (PSC, PP, PROS, PMDB, PTB, PR e Solidariedade), que somavam 242 parlamentares (47% da Câmara). A influência de Cunha sobre este grupo de deputados resultaria em sua eleição em primeiro turno à presidência da Câmara dos Deputados em fevereiro de 2015. O grupo tornar-se-ia a principal força política na Câmara dos Deputados e um agrupamento para a chamada "bancada BBB".

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Presidencialismo de coalizão

Durante a Assembleia Nacional Constituinte, o cientista político Sérgio Abranches publicou o artigo intitulado Presidencialismo de Coalizão, no qual ele desenvolveu a teoria homônima, que se consolidou como uma das mais importantes de uma primeira geração da ciência política brasileira após a redemocratização. Neste texto, Abranches argumenta que o sistema de representação proporcional, aliado à lista aberta e uma tendência do sistema partidário brasileiro ao pluripartidarismo, gera um processo de esvaziamento programático dos partidos e fragiliza o poder de coerção dos diretório centrais para coordenar sua política interna. Como consequência disso, parlamentares, embora eleitos dentro da lista partidária, agiriam como representantes independentes dentro do Congresso Nacional e, no fito de assegurar a sua reeleição, adotariam práticas clientelistas com o uso das emendas orçamentárias objetivando construir uma reputação individual destacada do partido. Isso levaria à utilização de recursos do Orçamento público por parte do Governo Federal para compor amplas coalizões supra-partidárias no Congresso.

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Partidos políticos ativos associados ao grupo

Para além dos partidos que estão associados ao Centrão em razão do fenômeno histórico que deu origem ao termo, são geralmente associados ao grupo os partidos que se valem de uma estrutura tipicamente pega-tudo. Trata-se de agremiações menos investidas na construção de uma identidade partidária e que preferem aumentar a sua bancada por meio da reputação individual dos seus membros.

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