Pesquisa · Mapa mental

Central Tejo

A Central Tejo foi uma central termoeléctrica, propriedade das Companhias Reunidas de Gás e Electricidade (CRGE), que abasteceu de electricidade toda a cidade e a região de Lisboa, estando situada em Belém, na capital portuguesa. Desde 1990, a Central Tejo está aberta ao público como Museu da Electricidade/Circuito Central Elétrica.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 18/07/2026
01

História

Imagem: lfaisco · BY-NC-SA · Openverse

Os edifícios construídos em 1909, que já não existem, constituíam a primitiva Central Tejo que se manteve a trabalhar até 1921. Foi desenhada e projectada pelo engenheiro Lucien Neu e a sua construção ficou a cargo da firma Vieillard & Touzet (este último, Fernand Touzet, discípulo de Gustave Eiffel). Durante anos a maquinaria foi sendo modificada para aumentar a potência da central e, em 1912, momento em que se encontra todo o equipamento instalado, a central dispunha de quinze pequenas caldeiras Belleville e cinco grupos geradores com uma potência de 7,75MW. Desde 1916 até ser desactivada em 1921, recebeu vapor das novas caldeiras instaladas no edifício actual da baixa pressão sendo desactivada, desmantelada e usada como arrecadações e oficinas a partir dessa data até 1938, momento em que foi demolida para a construção do edifício das caldeiras de alta pressão.

Fase da Baixa Pressão

As naves da baixa pressão começaram a ser construídas em 1914 e foram concluídas em 1930, tendo três fases de construção de grande importância. A primeira (de 1914 a 1921) abraça a construção de duas naves industriais para as caldeiras, a sala das máquinas para os alternadores e para a subestação. A segunda fase (de 1924 a 1928) corresponde à primeira ampliação da sala das caldeiras com uma nova nave longitudinal, da aquisição de um novo grupo gerador, da construção de um distribuidor de carvão e dos cais para os canais do circuito de refrigeração. Finalmente, na terceira fase (de 1928 a 1930) deu-se a ultima ampliação da sala das caldeiras, com uma nova nave industrial de maiores proporções que as anteriores, da sala de máquinas e da subestação.

Fase da Alta pressão

Com o aumento de potência dos dois novos grupos turboalternadores AEG montados em 1934, foi necessária a instalação de novas caldeiras, que funcionassem com vapor de alta pressão. A construção foi feita nos terrenos anteriormente ocupados pela primitiva Central Tejo, a qual foi demolida em 1938 para a construção deste novo edifício das caldeiras de alta pressão, o edifício mais imponente do conjunto. O seu interior albergava três grandes caldeiras de alta pressão da marca Babcock & Wilcox, as quais começaram a funcionar em 1941. Com a destruição da primitiva Central Tejo e instalação do edifício das caldeiras de alta pressão, houve necessidade de espaço para as oficinas e arrecadações. As CRGE compraram então os terrenos contíguos localizados no lado nascente do seu complexo, onde laborava a antiga refinaria de açúcar Senna Sugar Estates, Ltd. propriedade da Companhia de Açúcar de Moçambique. Foi também necessário criar uma sala de auxiliares, para tratamento de águas, a qual foi instalada no interior do edifício das caldeiras de baixa pressão, desmantelando as duas primeiras caldeiras.

A Integração na Rede Eléctrica Nacional

Com a entrada em vigor em 1944, da Lei 2002 – Lei da Electrificação Nacional, que dava prioridade absoluta à produção de energia hidroeléctrica, a Central Tejo passou a ter um papel secundário no sector eléctrico devido à construção da primeira grande central hidroeléctrica, a barragem do Castelo do Bode, que começou a funcionar em 1951, passando a Central Tejo a ser gradualmente uma central de reserva. Não obstante, a Central Tejo manteve-se em funcionamento ininterrupto entre 1951 e 1968, excepto em 1961. Em 1972, no seguimento de um atentado contra o regime de Salazar, foram derrubadas linhas de alta tensão que transportavam energia eléctrica para Lisboa vinda da central hidroeléctrica do Castelo de Bode, a central Tejo foi novamente posta em marcha produzindo electricidade pela última vez na sua historia. O seu encerramento oficial deu-se em 1975.

A Central Tejo como Museu da Electricidade

Após o encerramento e nacionalização das companhias eléctricas, decidiu-se dar uma nova vida a esta antiga central termoeléctrica, reabrindo-a com fins culturais. Em 1986 constituiu-se a primeira equipa responsável pelo Museu, que em 1990, abriu as suas portas ao público. Entre 2001 e 2005 o Museu sofreu uma reestruturação profunda, desde todo o património arquitectónico até ao conteúdo museográfico. Finalmente, em 2006 o museu reabriu as suas portas, mas agora com um novo tipo de museologia, muito mais pedagógica e dinâmica.

02

Conjunto Arquitectónico

Imagem: Elmf · BY-SA · Openverse

O conjunto arquitectónico da Central Tejo, depois das sucessivas transformações e ampliações ao longo dos anos, encontra-se num perfeito estado de conservação tratando-se de um grande conjunto fabril da primeira metade do século XX. Todo o conjunto de edifícios encontra-se em plena harmonia estética graças ao uso de uma estrutura de ferro coberta de tijolo em todos os corpos. Apesar disso, existem diferentes estilos entre as naves de baixa pressão e o edifício de alta pressão.

03

Funcionamento da Central

Imagem: Portuguese_eyes · BY-SA · Openverse

O princípio de funcionamento de uma central termoeléctrica baseia-se na queima de um combustível para produzir vapor que, por sua vez, faz girar um gerador de corrente elétrica. Isto é simples de realizar na teoria, mas na prática é necessário um conjunto complexo de máquinas, circuitos e logística. Na Central Tejo o combustível principal foi o carvão, o qual chegava por via marítima e era descarregado para a praça com o mesmo nome para, posteriormente, ser depositado no triturador e seguir para os silos misturadores. Dai, seguia para o tapete de distribuição no topo do edifício, de onde caía para o tapete de combustão no interior da fornalha. Aqui era queimado a uma temperatura de sensivelmente 1200 °C. O calor assim gerado transformava em vapor a água que passava pelos tubos interiores da caldeira e que, posteriormente, era conduzido para os turboalternadores. A água aqui utilizada, circulava em circuito fechado e era quimicamente pura. Para tal passava por um processo de depuração e filtragem para prevenir que deteriorasse os equipamentos da própria central.

04

Condições de trabalho na Central

Imagem: Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian · BY-NC-ND · Openverse

O funcionamento da central era impossível sem as pessoas que, durante gerações, ali trabalharam. Foi necessária uma estrita divisão de tarefas, e um sistema laboral por turnos, de forma a garantir o funcionamento ininterrupto da central. Os cerca de quinhentos operários que trabalhavam durante todo o dia e toda a noite, distribuíam-se por mais de quarenta e cinco funções diferentes. Essas funções iam desde os descarregadores de carvão, até aos técnicos e engenheiros mais especializados, passando pelos trabalhadores da sala das caldeiras, das oficinas de carpintaria e forja, etc. Os trabalhos mais duros eram os que envolviam a queima do carvão, quer na sala das caldeiras quer na sala dos cinzeiros, tendo os trabalhadores que suportar temperaturas ambiente extremamente elevadas, pela queima de carvão no interior das caldeiras, poeiras com origem na combustão e ruídos ensurdecedores durante todo o turno de trabalho. Mesmo assim, era na sala das caldeiras onde trabalhavam mais operários e havia mais tarefas diferentes. Era ai que se encontravam o Engenheiro técnico - chefe, engenheiros técnicos, cabos - fogueiros, vice – cabo - fogueiros, fogueiros, chegadores e os trabalhadores (extracção de cinzas), todos tinham condições de trabalho duríssimas, sobretudo os últimos.

05

Valor Patrimonial

A Central Tejo apresenta um enorme valor patrimonial, não só em aspectos arquitectónicos ou arqueológicos, mas também históricos, sociais, antropológicos e económicos. O património deixado ao longo do tempo de actividade da Central é inegável. Foi a grande central de Lisboa e de Portugal até meados do século XX. O seu raio de acção chegava a toda a cidade e ao Vale do Tejo, iluminando ruas, casas e fornecendo energia as fábricas. Sem ela, a história de Lisboa teria sido diferente. Foi a parte invisível da expansão e crescimento da cidade no século XX, a fundação da industrialização regional e da primeira linha férrea electrificada no país (Lisboa – Cascais). Ao mesmo tempo, a Central Tejo, foi determinante para a modernização de Lisboa; Diversas gerações trabalharam e sofreram debaixo das caldeiras para que outros pudessem acender as luzes em casa, passear pelas ruas à noite iluminados por luz artificial, ou viajar tranquilamente sentados em carros eléctricos que subiam as infernais encostas de Lisboa.

Vídeos recomendados

Fontes consultadas

Continue pesquisando