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Causalidade

Causalidade é a relação entre um evento A e um segundo evento B, provido que o segundo evento seja uma consequência do primeiro. Identifica-se logicamente a causalidade em "se não A, então não B", provida a ocorrência empírica de ao menos um B. A expressão anterior não equivale a rigor à expressão "se A, então B", sendo contudo esta e não aquela a usualmente atrelada em senso comum ao conceito de causalidade.Em termos diretos, A é causa de B quando A é requisito necessário, mas não necessariamente um requisito suficiente, para ocorrência de B. A expressão popular "Se A então B" implica suficiência, o que faz a mesma não abarcar todos os casos de causalidade, e ajusta-se também às situações ocasionais onde, mesmo que o escrutínio revele que a ocorrência de B seja por facto independente de A, A tenha precedido a ocorrência de B em todos os casos não controlados.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 25/07/2026
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Filosofia

Modelos de causalidade

Muitos modelos de causalidade são utilizados para explicar os fenômenos, seja nas ciências (humanas ou exatas), seja no senso comum. A seguir, alguns exemplos:

As quatro causas de Aristóteles

Aristóteles acreditava que toda questão "por quê?" pode ser respondida de quatro diferentes maneiras, que são os quatro tipos de causas: Desse modo, pode-se explicar, por exemplo, uma casa. Sua causa material são os tijolos e demais materiais, sua causa formal é o projeto, sua causa eficiente é o trabalho do pedreiro e sua causa final é a finalidade da casa, sua função, a de prover abrigo. Todas as causas também podiam ser distinguidas entre causalidade acidental e causalidade essencial: Ademais, os filósofos aristotélicos medievais (escolástica), acrescentaram a distinção dos seguintes modos de causa: As investigações sobre causalidade que ocorrerão depois de Aristóteles, até o renascimento, consistirão em impor uma hierarquia favorita sobre a ordem (prioridade) das quatro causas, por exemplo, "final > eficiente > material > formal" (São Tomás de Aquino), ou em restringir toda causalidade somente às causas material e eficiente (Francis Bacon), ou ainda apenas à causa eficiente (determinismo).

Da causalidade linear à causalidade complexa

O entendimento aristotélico da causalidade foi predominante no pensamento ocidental durante quase dois mil anos, até o renascimento e o iluminismo. Até então, toda explicação causal se baseava na ideia de causalidade linear (isto é, mecanicista), que vê todo efeito como já estando completamente presente na causa que o precedeu, que por sua vez é efeito de outra causa anterior e assim por diante. A determinação é portanto colocada no passado, numa única linha ou cadeia causal totalmente explicada pelas condições iniciais do universo que teria sido posto em movimento por um primeiro motor imóvel, uma causa sem causa. Esse motor imóvel também era considerado o responsável pela existência de ordem no universo, ao colocar causas finais (teleologia) em cada evento que surge na cadeia causal.

Causalidade, acaso e liberdade

A relação entre causalidade (ou determinação) e liberdade é um dos assuntos mais debatidos em filosofia. Muitos veem a causalidade como sinônimo de mecanicismo (tal como no modelo de causalidade linear), e acreditam que nenhuma determinação (nenhuma relação de causalidade) pode explicar a liberdade humana ou o livre-arbítrio. Esta posição fundamenta o dualismo, segundo o qual causalidade e liberdade são inconciliáveis, afirmando que há duas substâncias separadas ou dois universos separados (pensamento/extensão, espírito/matéria, vontade/necessidade, alma/corpo). Os deterministas argumentam que, se a inteligibilidade de qualquer fenômeno supõe sempre apreender sua determinação (ou seja, apreender a maneira específica na qual os eventos se relacionam e surgem), então quem afirma que a liberdade se opõe à determinação afirma também que a liberdade não é inteligível, o que para eles é absurdo. Para eles, o acaso (a falta de causa) de um fenômeno é apenas uma aparência que se origina quando ignoramos a maneira como os eventos se relacionam e surgem. Afirmam que a liberdade não é sinônimo de acaso, mas sim um modo de determinação fundamentado em outros modos de determinação (os quais não podem ser explicados pela pré-determinação, como fazia o mecanicismo).

Determinação, inteligibilidade, epistemologia e lógica

A inteligibilidade de um fenômeno ocorre quando a determinação deste fenômeno é passível de ser pensada ou conhecida. Não é possível compreender um evento sem apreender a maneira como esse evento se determina ao se relacionar com outros eventos (sejam eles simultâneos ou anteriores). Por esta razão, a inteligibilidade de algo depende também da aptidão ou habilidade do pensamento para apreender as relações pelas quais ocorre a determinação desse algo. Esta aptidão do pensamento é o que se chama inteligência, raciocínio ou perspicácia. Assim surge a lógica, isto é, o problema de saber se o que pensamos de um evento é verdadeiro ou falso, bem como o problema de saber maneiras corretas de pensar as relações entre os eventos. Além disso, a questão de conhecer as capacidades e os limites do pensamento fundamenta a epistemologia.

Teorias filosóficas da origem da causalidade

As primeiras tentativas de explicar a fonte da causalidade remontam aos pré-socráticos e confundem-se com a ideia de devir (vir-a-ser). Para Heráclito de Éfeso, o devir é exemplificado pelas águas de um rio, “que continua o mesmo graças à suas águas que afluem incessantemente”. Os filósofos pré-socráticos desenvolveram a ideia de que a condição para que exista causalidade no mundo é o fato de os eventos ocorrerem num mesmo plano (substância ou Arché) pelo qual torna-se possível um evento afetar outro evento, raciocinando em geral pelos seguintes argumentos: "[..] Todas as coisas são diferenciações de uma mesma coisa e são a mesma coisa. E isto é evidente. Porque se as coisas que são agora neste mundo - terra, água ar e fogo e as outras coisas que se manifestam neste mundo -, se alguma destas coisas fosse diferente de qualquer outra, diferente em sua natureza própria e se não permanecesse a mesma coisa em suas muitas mudanças e diferenciações, então não poderiam as coisas, de nenhuma maneira, misturar-se umas as outras, nem fazer bem ou mal urnas as outras, nem a planta poderia brotar da terra, nem um animal ou qualquer outra coisa vir a existência, se todas as coisas não fossem compostas de modo a serem as mesmas. Todas as coisas nascem, através de diferenciações, de uma mesma coisa, ora em uma forma, ora em outra, retomando sempre a mesma coisa." Diógenes de Apolônia

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Ciências exatas

Contemporaneamente, as ciências exatas se validam e fundamentam na descrição de sequências regulares medidas nos fenômenos e na relação quantitativa e física entre eles, através de relações matemáticas. A ideia de causalidade é em princípio secundária, considerada interpretativa e às vezes até desnecessária em alguns casos, embora ainda essencial para outros. Filósofos e cientistas, tais como Ernst Mach e Hermann von Helmholtz, entre meados do século XIX e a primeira metade do século XX, teorizaram a substituição do conceito de causalidade na ciência pelo conceito de descritividade, pela qual as leis científicas se limitam a descrever sinteticamente o que há de modo constante e uniforme nos fenômenos. Ressalta-se entretanto que a identificação dos mecanismos que transformam uma correlação entre dados atrelados a dois eventos em uma relação ainda mostram-se essenciais e indispensáveis ao método científico. Matematicamente, é fácil estabelecer uma correlação entre o aumento acentuado da temperatura média da terra (aquecimento global) nos últimos séculos e o decréscimo do número de piratas no mesmo período, contudo estabelecer uma relação entre os dois eventos de forma que ambos devam ser considerados nos modelos acerca do aquecimento global é notoriamente algo meio incoerente. E pelo que se sabe, até a presente data pelo menos, nos modelos climáticos que visam a compreender o aquecimento global, não há, entre as variáveis consideradas, uma variável intitulada "numero de piratas". Pelas mesmas razões, as correlações que se podem estabelecer no contexto da astrologia não implicam relações, e tampouco implicam essa área de estudo como uma cadeira científica.

Seta do tempo e causalidade

O conceito de seta do tempo ou flecha do tempo tem origem na termodinâmica e afirma que um evento presente só pode afetar um evento futuro, jamais afetar um evento passado. Segundo alguns filósofos da ciência, este simples fato seria uma consequência da segunda lei da termodinâmica, que postula que a entropia sempre tende a aumentar com o tempo. O termo foi cunhado em 1927 pelo astrônomo britânico Arthur Eddington para distinguir a direção do tempo em um mapa do mundo relativístico e de quatro dimensões. De acordo com Eddington, a direção do tempo pode ser determinada por um estudo das organizações de átomos, moléculas e corpos.

Física moderna

Na física, a causalidade é a detecção da origem do fenômeno físico, mor das vezes pela aplicação da terceira das leis de Newton - segundo a qual a toda ação corresponde uma reação de igual intensidade e em sentido contrário. Em física, a terceira lei não trata de um conceito, como o de morte a exemplo, mas sim de um princípio, oriundo da natureza das interações entre as partículas serem extremamente regulares; se ocorrendo, ocorrendo em completude. Nesses termos, a intensidade do efeito é sempre proporcional à causa. Contudo, há de se destacar que em física, em especial nas questões relacionadas à mecânica quântica - segundo a interpretação mais difundida, a Interpretação de Copenhaga - nem sempre os eventos envolvendo escolhas possuem causa; sendo pois, incausados, ou ao acaso.

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Direito

Imagem: Fernan Federici · BY-NC-SA · Openverse

No direito, a causalidade é a relação factual entre o agente (ou sujeito ativo, ou autor) e o resultado danoso (infração de direito, causação de prejuízo), também chamada de nexo causal.

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Fontes consultadas

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