Ruão
Ruão é uma cidade localizada na região histórica da Normandia, no noroeste da França. Uma das mais prósperas cidades do norte europeu na Idade Média, Ruão é, hoje, a capital da região francesa da Normandia e do departamento do Sena Marítimo. Segundo o censo demográfico francês de 2014, possui uma população de 110 618 habitantes, sendo atualmente a 36° cidade mais populosa da França.
A cidade foi estabelecida na margem direita do rio Sena e, posteriormente, expandiu-se para a margem esquerda. Ruão tem atualmente cerca de 111 000 habitantes. Em 2006, tinha 523 236 habitantes na região metropolitana.
O local é evidenciado nas formas Ratumacos (casa da moeda dos Veliocasses), Ρατό-μαγος (Ratomagos, Ptolomeu), Ratomagos (Rota de Antonino, Peutinger), Rotomagus (Amiano Marcelino, Notitia dignitatum), in Rodomo em 779, Rodomo, Rodom, Rothom na Idade Média, Ruëm em 1130, Roüan sob o Antigo Regime, etc. François de Beaurepaire nota uma alternância das formas em Rato- e em Roto-. O elemento Roto- se encontra na Normandia em Le Vaudreuil (Eure, anteriormente Rotoialum, Rothoialensis villa 584; com gaulês *ialon "local limpo, clareira" cf. galês tir ial). Quanto a Rato-, é observado em Reviers (Calvados, Radaverum 1077, com gaulês var- / ver- "água, rio"). Xavier Delamarre considera implicitamente Rato- neste caso, como uma variante de Roto-, acrescentando sobre Ratumacos inscrito nas moedas dos Veliocasses : "Mas esta é talvez uma outra palavra." O significado de *roto- é restituído de acordo com o irlandês antigo roth "corrida" e o galês rhod "corrida, roda, objeto redondo" (cf. latim rota "roda", alemão Rad "roda"), a partir do Indo-Europeu *ret(h) "correr, andar na carruagem", de daí a importância deduzida em gaulês de "roda" ou "corrida de carruagens". A interpretação do segundo elemento é mais assegurado: ele vem do gaulês *magos "campo" , depois "mercado" cf. irlandês antigo mag "plano, campo", bretão antigo ma "local, localização". O sentido geral de *Rotomagos seria então o de "mercado da roda", ou ainda de "pista de corrida" em termos da paixão sentida pelos Celtas pelas corridas de bigas.
Ruão foi fundada na época do imperador Augusto (r. 27 a.C.-14 d.C.), no século I, com o nome de Rotômago (em latim: Rotomagus). Foi no século III que a cidade romana alcançou seu período de maior desenvolvimento, sabendo-se da existência de um anfiteatro e termas. Nos séculos seguintes, a cidade sofreu com as invasões dos povos bárbaros e presenciou a chegada definitiva do cristianismo. No século IX, a cidade foi invadida pelos viquingues (normandos), e Ruão, junto com a região circundante (a partir de então, chamada Normandia), foi cedida aos conquistadores escandinavos no Tratado de Saint-Clair-sur-Epte (911). O chefe viquingue Rollo tornou-se, assim, o primeiro duque da Normandia. Um dos duques, Guilherme, o Conquistador, conquistou a Inglaterra em 1066 e ligou Ruão às possessões normandas nas Ilhas Britânicas. O ducado normando terminou em 1204, quando Filipe II invadiu Ruão e anexou a Normandia ao reino da França. A cidade continuou sendo um importante centro comercial, chegando a ser a segunda cidade do reino. A partir de meados do século XII é construída a Catedral de Ruão, em estilo gótico, terminada em grande parte em 1250. A Guerra dos cem anos com a Inglaterra, além da peste negra, foram fonte de muitos problemas para a cidade no fim da Idade Média. Uma revolta popular ocorrida em 1382 foi duramente esmagada pelas forças reais. A cidade perdeu seus privilégios comerciais no comércio do Sena, o que favoreceu Paris. No contexto da guerra, e após a Batalha de Azincourt (1415), os ingleses cercaram e tomaram Ruão em 1419. É na cidade controlada pelos ingleses que foi aprisionada e executada Joana d'Arc, em 30 de maio de 1431.
Monumentos
Ruão é famosa pelos seus vários monumentos. Particularmente importantes são os edifícios góticos da cidade, como a Catedral de Ruão, começada em 1145 e terminada apenas no século XVI, a Igreja abacial de Saint-Ouen, começada em 1380, e a pequena Igreja de Saint-Maclou, construída entre 1437 e 1517 em estilo gótico flamejante. Destacam-se ainda a Place du Vieux Marché, praça onde a heroína Joana d'Arc foi queimada viva em 1431, e o Palácio de Justiça, construído a partir de 1499 e considerado um dos melhores exemplos de arquitetura civil gótica do final da Idade Média na França. Do início do século XVI datam o Gabinete das Finanças (começado em 1509) e o Hotel de Bourgtheroulde, este último um magnífico palácio urbano construído para a família Le Roux em uma mistura entre os estilos gótico e renascentista. Também no século XVI foi construído um dos cartões-postais da cidade: o Grande-Relógio (Gros-Horloge) instalado num arco sobre uma rua. No interior da estrutura renascentista funciona um museu.
Transportes
Ruão possui uma estação principal, a Gare de Rouen Rive Droite, com uma frequência de cerca de 7 milhões de passageiros em 2015. Esta estação está conectada à rede TGV e Intercités Normandie às redes e TER da Normandie (ex TER Haute-Normandie e Basse-Normandie), Nord -Pas-de-Calais e Picardie. Ela oferece acesso direto ao tramway. É o assunto de trabalhos de modernização (acessibilidade, comércios, etc., fim da construção até junho de 2017). Ruão tinha, antes Segunda Guerra Mundial, outras três estações: Rouen-Orléans, Rouen-Martainville e Saint-Sever. Esta última deverá ser reconvertida em estação para aliviar a Gare de Rouen Rive Droite que não pode ser ampliada. O início do serviço está previsto até 2030 na melhor das hipóteses.


