Pesquisa · Mapa mental

Catarina de Bragança

Catarina Henriqueta foi a esposa do rei Carlos II e Rainha Consorte da Inglaterra, Escócia e Irlanda de 1662 até 1685. Era filha de D. João IV, primeiro rei da Casa de Bragança em Portugal, e de sua esposa Luísa de Gusmão.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 19/07/2026
01

Início de vida

Nascida no Paço Ducal de Vila Viçosa, Catarina Henriqueta era a segunda filha sobrevivente de João, 8.º Duque de Bragança e de sua esposa Luísa de Gusmão. Após a Guerra da Restauração Portuguesa, seu pai foi aclamado rei D. João IV de Portugal, em 1 de dezembro de 1640. A irmã mais velha de Catarina, Joana, Princesa da Beira, morreu em 1653, deixando Catarina como a filha mais velha sobrevivente de seus pais. A nova posição de seu pai, como o monarca de um amplo império colonial, fez de Catarina uma das princesas em idade casamenteira mais cobiçadas da Europa, tendo sido cortejada por diversos nobres e monarcas do período, como João da Áustria, filho natural de Filipe IV da Espanha, Francisco de Bourbon, Duque de Beaufort, neto de Henrique IV da França, Luís XIV da França e Carlos II da Inglaterra. Apesar da luta contínua de seu país contra a Espanha, Catarina desfrutou de uma infância feliz na sua amada Lisboa.

02

Casamento

As negociações de um casamento Anglo-Português tiveram início durante o reinado do rei Carlos I e foram renovadas imediatamente após a Restauração. Em 23 de junho de 1661, apesar da oposição espanhola, o contrato matrimonial foi formalmente assinado, em Londres sob a negociação de Francisco de Melo e Torres. A Inglaterra assegurou o controle de Tânger, no Norte da África, e das Sete Ilhas de Bombaim, na Índia, além de privilégios comerciais no Brasil e nas Índias Orientais Portuguesas, liberdade religiosa e comercial para os súditos ingleses em Portugal, bem como a quantia de dois milhões de coroas portuguesas (aproximadamente £ 300.000). Em contrapartida, Portugal obteve apoio militar e naval inglês, o qual se revelaria decisivo em sua luta contra a Espanha, além de assegurar a liberdade de culto para Catarina. Em 23 de abril de 1662, recebeu-se em Lisboa a notícia da realização do contrato de casamento entre o rei inglês e a infanta portuguesa, aprovado pelo Conselho de Estado. Seguiu-se um contrato de paz, com artigos muito curiosos, publicado no Gabinete histórico, de Frei Cláudio da Conceição, tomo V. Pouco depois, chegou a armada inglesa, que devia conduzir a seu bordo a nova rainha. O general comandante era Eduardo de Montaigne, Conde de Sandwich, revestido com o caráter de embaixador extraordinário. Antes de embarcar todos se dirigiram à Sé, onde se celebrou missa solene e Te-­Deum. Houve salvas da artilharia, repiques de sinos, pomposos ornatos nas ruas por onde passava o cortejo, o som das trombetas, charamela e outros instrumentos, tudo contribuía para abrilhantar a festa dos desposórios reais. Finalmente, a nova rainha entrou no bergantim real, adornado com magnificência, e navegou para bordo da nau capitania Grão-Carlos. Acompanharam as damas D. Elvira de Vilhena, Condessa de Pontével, e D. Maria Drago de Portugal, Condessa de Penalva.

03

Rainha

Catarina não foi uma rainha popular na Inglaterra por ser católica, o que a impediu de ser coroada. Sem posteridade, deixou à Inglaterra a geleia de laranja, o hábito de beber chá, além de lá ter introduzido o uso da faca, a marmelada e o tabaco. Antes de Catarina de Bragança, a aristocracia britânica comia com os dedos, o que chocou-a. A faca foi usada para cortar a comida de pedaços grandinhos de comida enquanto a colher servia para molhos ou pudins. A sua responsabilidade pela introdução do chá é disputada já que no ano de 1657, Thomas Garraway o vendia na sua loja de café em Londres na Exchange Alley. Isto aconteceu num período em que a East India Company estava a vender abaixo dos preços dos Holandeses e o anunciava como uma panaceia para a apoplexia, catarro, cólica, tuberculose, tonturas, epilepsia, pedra, letargia, enxaquecas, parálise e vertigem. O hábito de beber chá já existiria, Catarina apenas o transformou na "instituição" que hoje conhecemos por "five o'clock tea".

04

Catolicismo

Embora conhecida por manter sua fé como um assunto privado, a religião de Catarina e proximidade com o rei fizeram dela um alvo do sentimento anticatólico na Inglaterra. Seu séquito continha entre quatro e seis padres e, em 1665, Catarina decidiu construir uma casa religiosa a leste do Palácio de St. James para ser ocupada por treze franciscanos portugueses da Ordem de São Pedro de Alcântara. O projeto foi concluído em 1667 e se tornaria conhecido como The Friary (O Convento). Em 1675, o estresse de uma possível retomada do projeto de divórcio levou Catarina indiretamente a outra doença, que os médicos da Corte alegaram ser "devido tanto a causas mentais quanto físicas". No mesmo ano, todos os padres católicos irlandeses e ingleses foram obrigados a deixar o país, o que deixou Catarina dependente de padres estrangeiros. À medida que medidas cada vez mais duras eram colocadas em prática contra os católicos, Catarina nomeou seu amigo próximo e conselheiro, o devoto católico Francisco de Melo e Torres, ex-embaixador português na Inglaterra, como seu Lorde Camareiro. Foi um movimento incomum e controverso, mas desejando agradar Catarina e talvez demonstrar a futilidade dos movimentos de divórcio, o rei concedeu sua permissão. De Melo foi demitido no ano seguinte por ordenar a impressão de um livro católico, deixando a sitiada Catarina ainda mais isolada na Corte.

Trama Papista

O Ato de Prova de 1673 afastou todos os católicos dos cargos públicos, e os sentimentos anticatólicos se intensificaram nos anos seguintes. Embora não fosse ativa na política religiosa, em 1675 Catarina foi criticada por supostamente apoiar a ideia de nomear um bispo para a Inglaterra que, esperava-se, resolveria as disputas internas dos católicos. Os críticos também notaram o fato de que, apesar das ordens em contrário, os católicos ingleses frequentavam sua capela particular. Como a católica de mais alta patente no país, Catarina era um alvo óbvio para extremistas protestantes, e não era de se surpreender que a Trama Papista de 1678 ameaçasse diretamente sua posição. Em 1678, um eclesiástico anglicano corrupto, de nome Titus Oates, anunciou que tinha descoberto uma conspiração, que supostamente envolvia Catarina, que pretendia assassinar ao rei Carlos II e substituí-lo por seu irmão de convertido ao catolicismo. No entanto, Catarina estava completamente segura no favor de seu marido; "ela nunca poderia fazer nada perverso, e seria uma coisa horrível abandoná-la", confidenciou Carlos II a Gilbert Burnet, e a Câmara dos Lordes, a maioria dos quais a conhecia e gostava dela, recusou-se por uma maioria esmagadora a destituí-la. As relações entre o casal real tornaram-se notavelmente mais calorosas: Catarina escreveu sobre a "maravilhosa gentileza" de Carlos para com ela e foi notado que suas visitas aos seus aposentos se tornaram mais longas e frequentes.

05

Morte de Carlos e retorno a Portugal

Durante a doença final de Carlos em 1685, ela demonstrou ansiedade sobre sua reconciliação com a fé católica romana, e demonstrou grande pesar com sua morte. Quando ele estava morrendo em 1685, ele perguntou por Catarina, mas ela enviou uma mensagem pedindo que sua presença fosse desculpada e "implorasse seu perdão se ela o havia ofendido durante toda a sua vida". Ele respondeu: "Ai, pobre mulher! Ela pede meu perdão? Eu imploro o dela de todo o meu coração; retire essa resposta dela." Mais tarde no mesmo ano, ela intercedeu sem sucesso com Jaime II pela vida de Jaime Scott, 1.º Duque de Monmouth, filho natural de Carlos e líder da Rebelião de Monmouth - embora Monmouth em rebelião tivesse apelado ao apoio representado pelos protestantes ferrenhos que se opunham à Igreja Católica. Enviuvando em 16 de fevereiro de 1685, Catarina permaneceu na Inglaterra, , vivendo em Somerset House, durante o reinado do cunhado Jaime II e regressou a Portugal no reinado conjunto de Guilherme III e Maria II, depois da Revolução Gloriosa, instalando-se no Palácio da Bemposta.

Regência

Em Portugal, Catarina ainda esteve envolvida nos negócios do reino, tendo assumido a regência por duas vezes,, primeiro em 1701 e depois a partir de 1704 até 1705, por impedimento do seu irmão doente, o rei D. Pedro II.

06

Morte

Morreu em Lisboa em 31 de dezembro de 1705 no palácio do Campo Real ou Bemposta. Enterrada no real convento de Belém ou Igreja dos Jerónimos, o seu corpo foi depois trasladado para o panteão dos Braganças em São Vicente de Fora.

07

Legado

Seu dote trouxe as cidades de Bombaim e Tânger para o domínio britânico, pois Portugal, em busca de apoios contra Filipe IV da Espanha na Guerra da Restauração, a isso se comprometera pelo tratado de paz e aliança assinado em 3 de junho de 1661: obrigava-se o país a pagar dois milhões de cruzados pelo dote da infanta, e transferia para a Inglaterra a posse de Tânger, e do porto e ilha de Bombaim. Além disso, os mercadores ingleses podiam habitar quaisquer praças do reino e gozavam de idênticos privilégios no Rio de Janeiro, na Bahia e em Pernambuco. No caso de os Portugueses recuperarem dos Holandeses a ilha do Ceilão, obrigavam-se a repartir com os Ingleses o trato da canela. Catarina é frequentemente creditada por popularizar o consumo de chá na Grã-Bretanha. Queens, um distrito da cidade de Nova Iorque, foi supostamente nomeado em homenagem a Catarina de Bragança, já que ela era rainha quando o Condado de Queens foi estabelecido em 1683. A nomeação de Queens é consistente com a do Condado de Kings (o distrito de Brooklyn, originalmente nomeado em homenagem a seu marido, o rei Carlos II) e do Condado de Richmond (o distrito de Staten Island, nomeado em homenagem a seu filho ilegítimo, o 1.º Duque de Richmond ). No entanto, não há evidências históricas de que o Condado de Queens tenha sido nomeado em sua homenagem, nem há um documento da época que o proclame assim. Algumas histórias escritas de Queens ignoram completamente a monarca e não fazem menção a ela.

08

Informações de arquivo

Documentos sobre o casamento de Catarina com o rei Carlos II de Inglaterra encontram-se guardados no Arquivo Nacional da Torre do Tombo, em Lisboa.

Vídeos recomendados

Fontes consultadas

Continue pesquisando