Catão, o Velho
Marco Pórcio Catão foi um político e escritor da gente Pórcia da República Romana eleito cônsul em 195 a.C. com Lúcio Valério Flaco. Ficou conhecido como Catão, o Velho, Catão, o Censor, Catão Sapiente e Catão Prisco para distingui-lo de seu bisneto, Marco Pórcio Catão, o Jovem.
Gente Pórcia
Catão, o Velho, nasceu em 234 a.C., em Túsculo uma cidade do interior da Itália, anexada no Lácio onde seus antepassados viveram por muitas gerações. Seu pai havia conquistado uma grande reputação como soldado e seu bisavô havia chegou a receber uma recompensa do estado ao matar cinco soldados montados em uma batalha. Apesar disto, os integrantes da gente Pórcia jamais conseguiram obter um posto na magistratura romana. Quando começou sua carreira na capital, Catão foi considerado pelos patrícios como um homem novo; o sentimento de estar em uma posição injusta aliada à sua crença em sua própria superioridade em relação aos seus rivais políticos contribuíram para estimular ainda mais sua ambição.
Cognome Catão
Os homens das três gerações imediatamente anteriores ao nascimento de Catão haviam recebido o nome de "Marco Pórcio" e, segundo Plutarco, Catão era conhecido originalmente como "Prisco" ("Priscus"); apesar disto, adotou posteriormente o cognome "Catão" ("Cato"). Mas é provável que seu epíteto mais comum fosse "Prisco" — utilizado para distingui-lo de seus sucessores, como o célebre Catão, o Uticense — já que não existem registros sobre qual teria sido a primeira ocasião na qual se utilizou o sobrenome Catão. Também é possível que ele tenha ganho o apelido durante a sua infância, como símbolo de distinção, pois as qualidades implícitas no significado deste cognome estavam resumidos no obsoleto título de "Sapiente" ("Sapiens"), como ele era conhecido em sua velhice e que foi transformado por Cícero em seu cognome "formal". Dotado de grande eloquência em suas dissertações e dotado de um grande estilo oratório, atualmente ele é mais conhecido como "Catão, o Velho" ou "Catão, o Censor".
Ano de nascimento
Para determinar a data de nascimento de Catão, o Velho, é preciso considerar os registros que fazem referência à sua idade na data de sua morte, um acontecimento que se sabe com certeza ter ocorrido em 149 a.C.. Segundo a obra de Cícero, Catão teria nascido em 234 a.C., o ano anterior ao consulado de Fábio Máximo, e morreu com 85 anos de idade, durante o consulado de Lúcio Márcio Censorino (o cônsul que iniciou o cerco de Cartago) e Mânio Manílio. Plínio concorda com Cícero, apesar da da marcante tendência dos escritores clássicos de exagerarem a idade de Catão. Segundo Valério Máximo, Catão passou dois oitenta e seis anos, enquanto que Lívio e Plutarco defendem que ele teria mais de noventa anos quando morreu.
Segunda Guerra Púnica
Quando Catão era ainda muito jovem, seu pai morreu e deixou como herança algumas propriedades no território dos sabinos, a pouca distância de sua terra natal. Ali Catão passou a maior parte da infância, treinando seu corpo através de rigorosos exercícios físicos, dirigindo as operações agrícolas de suas propriedades, aprendendo a cuidar dos negócios da família e estudando as regras da agricultura rural. Perto de suas terras existia uma modesta cabana onde morava, antes de seus três triunfos, Mânio Cúrio Dentato, cujas proezas no exército romano e cujo caráter reto e moralista ficaram na memória de todos os romanos. Dentato era muito admirado na região e suas realizações inspiraram Catão, então com 17 anos, decidiu imitá-lo em sua busca de alcançar a glória, alistando-se para combater os cartagineses durante a Segunda Guerra Púnica em 217 a.C.. Existem muitas discrepâncias tanto nas fontes antigas como nas modernas sobre o ano no qual Catão iniciou seus serviço militar. Em 214 a.C., Catão serviu em Cápua e o historiador Wilhelm Drumann teoriza que Catão teria, nesta época, vinte anos de idade, um mero tribuno militar. Fábio Máximo, que era o comandante em Cápua durante seu consulado, não tardou a perceber o valor de Catão e travou com ele uma amizade que duraria muitos anos. Ainda que Fábio continuamente afirmasse a Catão o quanto valorizava sua experiência militar, ele preferiu não revelar suas reais afinidades políticas com o objetivo de manter a seu lado o jovem Catão. No cerco de Taranto, em 209 a.C., Catão lutou novamente com Fábio e, dois anos depois, fez parte do seleto grupo que acompanhou o cônsul Caio Cláudio Nero da Lucânia até o norte da península Itálica, com o objetivo de reter o avanço de Asdrúbal Barca. Os escritores antigos contam que Catão contribuiu de forma decisiva para a vitória romana na Batalha de Metauro, na qual Asdrúbal foi morto. A notícia da morte do grande general, que era irmão de Aníbal, deixou-o numa situação desesperadora, especialmente depois que os romanos atiraram a cabeça decepada de Asdrúbal por cima da muralha do acampamento cartaginês.
Período de paz
No período entre as duas campanhas, Catão voltou às suas terras na Sabínia, onde revelava frequentemente sua austeridade, vestindo-se e comportando-se da mesma forma que seus escravos. Os seus vizinhos o admiravam quando jovem, pelo seu modo de vida e por sua oratória concisa e articulada, escolhendo-o frequentemente para servir de árbitro em suas disputas ou para representá-los perante o estado, tarefas para as quais Catão estava sempre disposto a ajudar. Por conta disto, a oratória de Catão foi melhorando: o jovem camponês ganhou confiança em si mesmo, aprendeu os modos utilizados pelos patrícios em suas disputas, aprendeu as leis romanas e empregou os princípios da justiça que havia aprendido mediando as disputas entre vizinhos para analisar a diversidade de comportamentos de seus concidadãos.
Moral romana
Perto das terras de Catão estava as de Lúcio Valério Flaco, um jovem patrício membro da poderosa gente Valéria. Na sociedade romana da época estava ocorrendo uma transição entre os valores tradicionais da vida rústica, baseada havia muito tempo no Lácio (e, de forma geral, em toda a Itália), para valores mais ostensivos, procedentes da civilização helênica e oriental. A magistratura mais alta da política romana, o consulado, estava nas mãos de uma poucas famílias aristocráticas imensamente ricas. Estes patrícios, apesar de famosos por sua corruptibilidade, também eram populares entres os romanos por sua generosidade, modos elegantes, oratória refinada, conhecimentos artísticos e literários e, sobretudo, pela fama de seus antepassados. Os nobres menos favorecidos reagiram criando uma facção no Senado que defendia o retorno aos valores tradicionais herdados dos sabinos, um sinal da resistência e da robustez. Flaco, um membro desta facção conservadora, não pôde ignorar a energia e a moral de Catão, sua austeridade e padrão de vida, características às quais se somavam ainda a sua eloquência e talento militar. Os líderes da facção senatorial que promovia a transição para um modelo orientalizado eram da família dos Cipiões, com Cipião Africano à frente, Marco Cláudio Marcelo e Tito Quíncio Flaminino; a facção conservadora era liderada por Flaco, Fábio Máximo, Catão e seus aliados.
Trajetória política
Flaco era um político muito perspicaz e esperava que emergissem jovens de valor para apoiarem sua facção, o que fez de Catão, com sua eloquência e espírito marcial, um possível candidato. Ele sabia que as virtudes da coragem e da capacidade de persuasão que Catão possuía eram muito valorizadas em Roma e que a única forma de ele conseguir alcançar as magistraturas mais elevadas era se destacando no Fórum Romano. Por isto, ele sugeriu ao jovem camponês que dirigisse suas ambições para o campo político, assessorando-o sempre que possível. Flaco convidou Catão até sua casa em Roma e ratificou seu apoio político, fazendo com que o jovem começasse a se destacar por suas próprias habilidades na audiência do Fórum, o que fez de Catão um candidato mais do que viável para uma magistratura.
Questor
Em 205 a.C., Catão foi nomeado questor e, no ano seguinte, começou a desempenhar suas funções, marchando com Cipião Africano até a Sicília. Quando Cipião conseguiu, apesar da forte oposição do Senado, obter a autorização para cruzar para o norte da África, Catão e Caio Lélio foram nomeados para escoltar a frota de transporte. A relação entre Catão e Cipião não revelava simpatia alguma e não existia cooperação entre o procônsul e o questor, já que, quando Cipião pediu ao Senado a permissão para levar suas tropas para África para atacar os cartagineses em seu próprio território, Fábio Máximo — o antigo general de Catão — se opôs e Catão, cuja nomeação tinha por objetivo vigiar as ações de Cipião, aprovou os pontos de vista de seu antigo comandante.
Edilato (199 a.C.) e pretorado (198 a.C.)
Em 199 a.C. Catão foi eleito edil curul. Com seu colega Hélvio restaurou os jogos plebeus e autorizou que fosse celebrado um banquete em homenagem a Júpiter. Foi eleito pretor em 198 a.C. e recebeu a Sardenha como província, para onde partiu à frente de uma força de 3 000 soldados de infantaria e 200 cavaleiros. Ali, Catão teve sua primeira oportunidade de demonstrar ao mundo suas crenças sobre a obrigação de uma estrita moral pública. Ele reduziu os custos das operações navais, viajou por toda a província na companhia de um único assistente e revelou o forte contraste entre seu modo de vida austero e a suntuosidade com a qual viviam os magistrados provinciais de status ordinário. Os ritos religiosos se celebraram com uma razoável economia, a justiça foi administrada com razoável imparcialidade, a usura foi perseguida com grande severidade e os culpados foram desterrados. A Sardenha havia permanecido em paz por um longo período, mas se acreditarmos a improvável e carente de fontes versão de Aurélio Vítor, Catão teria subjugado uma revolta na ilha durante seu mandato.
Lex Oppia
Em 195 a.C., Catão foi eleito cônsul com seu amigo de longa data e patrono, Lúcio Valério Flaco, que apresentou Catão à sua futura esposa, Licínia, com que ele se casou aos trinta e nove anos de idade. Durante seu consulado dos dois irrompeu uma grande disputa legal que revelou os arraigados ideais conservadores do cônsul. Em 215 a.C., no auge da Segunda Guerra Púnica, um tribuno da plebe chamado Caio Ópio havia aprovado uma lei chamada Lex Oppia. O objetivo dela era restringir o luxo desmesurado das mulheres romanas instaurando uma série de proibições, entre elas a de vestir jóias de valor superior a uma onça de ouro, a utilização de vestidos multicoloridos e a utilização de veículos para deslocamentos curtos, de menos de uma milha, exceto para comparecer a atos religiosos. Com Aníbal derrotado e a economia da República novamente próspera, principalmente graças à incorporação dos tesouros cartagineses, não havia necessidade de se continuar seguindo a Lex Oppia. Por isso, os tribunos Marco Fundânio e Lúcio Valério tentaram derrogar a lei, mas foram combatidos por seus colegas Marco Júnio Bruto e Tito Júnio Bruto. Curiosamente, esta disputa legislativa gerou mais interesse que os assuntos administrativos e estatais, que ficaram em segundo plano. As mulheres de meia idade se postaram no Fórum e interpelavam seus maridos, suplicando-lhes que ajudassem a restaurar os direitos das mulheres romanas. Cada vez mais decididas, as matronas imploraram aos pretores, cônsules e consulares que derrogassem a lei, pressionando de tal modo o Senado que Flaco começou a ter dúvidas, mas Catão se mostrou inflexível e proferiu um grosseiro discurso cujo teor foi preservado por Lívio. Mas, no fim, as mulheres conseguiram o que queriam, Cansados da persistência das matronas, os tribunos que se opunham retiraram seus vetos e a odiada lei foi derrogada por todas as tribos. As mulheres, para celebrar a vitória, desfilaram em procissão pelas ruas da capital ostentando as mais voluptuosas jóias e vestidos que possuíam, finalmente liberados,
Hispânia Citerior
Durante a sua campanha na Hispânia, Catão se comportou de acordo com sua reputação de trabalhador incansável e constantemente alerta. Viveu em função de seus ideais estoicos, da forma mais sóbria possível e compartilhando tanto as tarefas como os suprimentos de seus soldados rasos e, sempre que possível, supervisionava pessoalmente as tarefas de seus subordinados. Catão dirigia suas tropas de forma dinâmica e hábil, sem revelar negligência na direção ou em suas táticas. Os movimentos do exército de Catão eram cuidadosamente controlados para ajustarem-se às estratégias dos demais generais romanos na região. Apesar de ser um general jovem e talentoso, Catão mostrou uma rara humildade ao elaborar suas estratégias seguindo os conselhos de suas principais lideranças. Catão semeou a discórdia entre as tribos hispânicas e, aproveitando-se de suas fragilidades, chegou inclusive a empregar algumas delas contra outras na forma de mercenários.
Triunfo
Depois de sufocar os revoltosos no território localizado entre o Ebro e os Pirenéus, Catão voltou a sua atenção para a administração da província. Durante seu governo, as rendas aumentaram, especialmente por causa da exploração das minas situadas na porção norte da Península Ibérica. Graças aos seus sucessos, o Senado Romano decretou três dias de "ação de graças" ao glorioso general. No final de 194 a.C., Catão voltou para Roma e o Senado votou a favor da celebração de um triunfo, no qual Catão exibiu uma quantidade extraordinária de ouro, prata e latão. Durante a distribuição do butim, Catão se mostrou muito mais liberal do que suas próprias forças esperavam dele.
Fim de seu consulado
Aparentemente o regresso de Catão ocorreu antes do previsto por que seu inimigo, Cipião Africano, que era o cônsul, desejava retirar-lhe o comando da província. Há uma certa divergência entre os relatos de Cornélio Nepos e Plutarco neste ponto: o primeiro afirma que Cipião não conseguiu tomar posse da província e que, irritado, resolveu permanecer em Roma até o final de seu consulado. Plutarco, por outro lado, afirma que Cipião conseguiu obter a província do rival, mas não conseguiu aprovar uma moção de censura contra ele e que, por isto, permaneceu durante seu proconsulado em Roma. As obras consultadas por Lívio afirmam que Sexto Digítio foi nomeado governador da Hispânia Citerior. É provável que Plutarco tenha se equivocado neste ponto, pois, neste mesmo ano, Cipião Násica foi nomeado governador da Hispânia Ulterior.
Batalha de Termópilas
Apesar de não ser mais tão jovem, a carreira militar de Catão ainda não havia terminado. Em 191 a.C., ele foi nomeado tribuno militar pelo cônsul Mânio Acílio Glabrião, com o qual seguiu para a Grécia para enfrentar Antíoco III, o imperador selêucida. Na decisiva Batalha de Termópilas, que não deve ser confundida com a famosa batalha do mesmo nome travada durante as Guerras Médicas, que marcou o começo do fim de Antíoco, Catão provou seu grande valor. Em uma ousada invasão ao território inimigo, o exército romano eliminou seus inimigos da Liga Etólia que estavam no ponto mais alto do monte Eta, e, rapidamente desceu em direção ao acampamento inimigo, provocando grande terror e forçando a retirada dos selêucidas da Grécia. Depois desta perigosa estratégia, Catão tornou-se muito popular entre as tropas, que atribuíram-lhe todo o mérito pela vitória. Em seguida, no período entre a perseguição de Antíoco e a pacificação do território grego, Catão foi enviado até Roma por Glabrião para comunicar a notícia da vitória. Ele fez a viagem muito rapidamente e chegou à capital antes de Cipião Asiático, que havia partido antes que ele.
Visita a Atenas
Segundo Plutarco, durante a campanha na Grécia sob o comando de Glabrião, depois de Termópilas, Catão foi enviado para proteger os territórios de Corinto, Patras e Égio, com o objetivo de impedir que elas se bandeassem para o lado de Antíoco. Foi então que Catão visitou Atenas para impedir que os atenienses escutassem as propostas do imperador selêucida e proferiu um discurso para a população local em latim. É bastante provável que Catão tivesse conhecimentos básicos de grego, já que, segundo Plutarco, Catão estudou este idioma durante a juventude em Tarento, onde ficou amigo do filósofo grego Nearco. Segundo Aurélio Vítor, durante o pretorado de Catão na Sardenha, Quinto Ênio lhe deu aulas de grego. Independente disto, já se conhecia na época o desdém de Catão pelo mundo helênico. É provável ainda que ele tenha feito seu discurso em latim por que era um dever dos magistrados romanos fazê-lo, pois reforçava a dignidade da República.
Catão foi eleito censor em 184 a.C. junto com seu antigo patrocinador, Lúcio Valério Flaco. Com uma já bem estabelecida reputação como soldado, Catão preferiu servir à República, esmiuçando a conduta dos candidatos aos cargos públicos e dos generais em campo de batalha. Ainda que não tenha se envolvido pessoalmente na perseguição contra os Cipiões (os irmãos Cipião Africano e Cipião Asiático) por corrupção, foi por sua iniciativa que se inflamou os ataques políticos contra eles. Cipião Africano foi absolvido por aclamação depois de recusar-se a se defender das acusações.[a] Apesar disso, o escândalo das acusações acabou com a vida pública de Africano, que se retirou para sua villa em Literno. Apesar de tudo, Catão tinha em suas mãos uma tarefa ainda mais séria, já que ele era contra à expansão da nova cultura helênica que ameaçava destruir a rude simplicidade do modo de vida romano. Ele considerava esta resistência à invasão cultural como sua missão de vida e exibiu esta determinação com mais firmeza durante seu censorado, razão pela qual receberia depois o epíteto de "o Censor". Catão revisou com severidade inusitada as listas de senadores e cavaleiros, expulsando da sociedade romana todos os que ele não considerava merecedores, seja por motivos morais ou pela ambição desmedida dos punidos. A expulsão de Lúcio Quíncio Flaminino por crueldade foi um exemplo de sua rígida interpretação da justiça.
De seu período como censor (184 a.C.) até a sua morte (149 a.C.), Catão não ocupou nenhum cargo público, mas continuou se destacando como um dos mais proeminentes Senadores como um persistente adversário das novidades orientais. Assim como muitos outros romanos da época, tinha horror da licenciosidade dos mistérios bacanais e exigiu a expulsão dos filósofos gregos (Carnéades, Diógenes da Babilônia e Critolao), que haviam chegado à cidade como embaixadores de Atenas, por causa da natureza perigosa de seus pontos de vista. Além disso, Catão detestava médicos, que eram na sua maioria gregos. Articulou também a libertação do historiador Políbio e seus companheiros prisioneiros, perguntando jocosamente aos senadores se não tinham nada melhor para fazer além de discutir se uns poucos gregos deveriam morrer em Roma ou na Grécia. Não conheceu a literatura grega antes dos oitenta anos, apesar de alguns estudiosos de suas obras defenderem que ele deve ter conhecido as obras durante a sua vida.
Delenda est Carthago
A sua última atividade pública foi inflamar seus compatriotas sobre a necessidade de iniciar o quanto antes a Terceira Guerra Púnica e a destruição total de Cartago. Em 157 a.C. foi um dos emissários enviados até Cartago para arbitrar entre os cartagineses e Massinissa, rei da Numídia. A missão não teve sucesso e os emissários voltara para casa, mas Catão ficou tão impressionado com a prosperidade cartaginesa que se convenceu de que a segurança da República dependia da aniquilação de Cartago. Naquela época, durante as sessões do Senado e fora delas, repetia quase que como um mantra: "Ceterum censeo Carthaginem esse delendam"» (que significa "Além disso, acredito que Cartago deve ser destruída"). Esta frase o imortalizou para a história.
Para Catão, a vida privada foi uma contínua disciplina, e a pública, a disciplina da maioria. Ele considerava o pater familias como o germen da família e esta como o gérmen do Estado. Apesar do pouco tempo que dispunha, realizava uma quantidade imensa de trabalho, exigindo a mesma atitude de seus familiares, o que deu-lhe a imagem de esposo duro, pai rígido e um amo severo e cruel de seus escravos. Aparentemente, tratava de maneira praticamente idêntica seus parentes e seus escravos e só o orgulho o levou a despender mais tempo com seus filhos, Marco Pórcio Catão Liciniano e Marco Pórcio Catão Saloniano. Nada havia no comportamento de Catão que pudesse lhe valer uma censura de seus compatriotas, que o viam como exemplo da forma de vida romana tradicional. Numa passagem na qual Lívio descreve o caráter de Catão, não há uma só palavra de crítica, nem mesmo para sua rígida disciplina doméstica.
Catão não ficou famoso apenas por sua importância política e feitos militares, mas também por sua habilidade como escritor. Foi também historiador credita-se a ele o primeiro escritor de relevo de prosa em latim e o primeiro autor de uma história da Itália em latim. Alguns historiadores argumentaram que, não fosse pelo impacto que provocaram as obras de Catão, o grego teria substituído o latim como língua literária em Roma. Catão é um dos poucos autores nativos da literatura latina que podiam afirmar que este idioma era sua língua materna. As coleções de provérbios que sobreviveram até nossos dias e conhecidas como "Ditos de Catão" ("Monosticha Catonis"), escritas em versos hexâmeros, são provavelmente do século IV a.C. e, portanto, não foram escritas por Catão, o Velho, apesar da atribuição tradicional.


