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Catanitas

Os catanitas, também chamados Banu Catã, constituem, na tradição genealógica árabe, o grande conjunto de povos da Arábia meridional cuja ascendência era atribuída a Catã. Formavam um dos dois grandes agrupamentos nos quais os genealogistas muçulmanos frequentemente dividiam os árabes, em oposição aos adenanitas, descendentes de Adenane e associados à Arábia setentrional. Na genealogia que se tornou predominante, a descendência de Catã prosseguia por Iarube, Iasjube e Sabá, a partir do qual grande parte dos catanitas era organizada em dois ramos principais, os descendentes de Himiar e de Calane. Os primeiros eram associados sobretudo às populações sedentárias e aos antigos reinos da Arábia meridional, enquanto numerosas tribos atribuídas a Calane, tradicionalmente caracterizadas como nômades, migraram para outras regiões da península, a Síria e o Iraque.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 21/08/2026
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Origem e genealogia

Os catanitas constituem, na tradição genealógica árabe, o grande conjunto de povos da Arábia meridional cuja ascendência era atribuída a Catã. Os genealogistas muçulmanos dividiram com frequência os árabes em dois grandes agrupamentos: os catanitas, associados ao sul, e os adenanitas, associados ao norte e considerados descendentes de Adenane. Catã era, por isso, apresentado como o equivalente meridional de Adenane, embora algumas classificações o contrapusessem antes a Maade ou a Nizar. Seus descendentes podiam ser designados coletivamente como Banu Catã ("filhos de Catã"), tribos de Catã ou simplesmente Catã. Na terminologia tradicional, eram também classificados como "árabes puros" (al-ʿArab al-ʿāriba), em oposição aos adenanitas, considerados "árabes arabizados" (al-ʿArab al-mustaʿriba). Outras classificações, contudo, reservavam a condição de árabes puros aos chamados árabes desaparecidos e incluíam os catanitas entre os árabes arabizados, distinguindo-os, por sua vez, dos adenanitas.

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Identidade e rivalidade tribal

As fontes genealógicas e historiográficas muçulmanas apresentam frequentemente os catanitas e os adenanitas como dois grandes agrupamentos rivais cuja oposição remontaria ao período pré-islâmico. A antiguidade dessa divisão, contudo, é incerta. Na poesia atribuída à Jailia, as rivalidades tribais não aparecem normalmente formuladas em nome de Catã e Adenane. Os árabes setentrionais são designados sobretudo por nomes como Modar, Maade, Nizar, Caice e Tamime, enquanto entre os meridionais aparecem designações como Iêmem, iamanitas, Azede e Calbe. Os poemas preservam inclusive hostilidades entre grupos que a genealogia posterior reuniria sob uma mesma ascendência, como Auce e Cazeraje, sem recorrer aos nomes dos ancestrais Catã e Adenane para definir essas divisões. Fischer e Irvine consideram possível que a hostilidade entre os povos posteriormente classificados como catanitas e os descendentes de Maade possuísse antecedentes pré-islâmicos, talvez relacionados à oposição entre populações do deserto e comunidades sedentárias. Segundo os autores, essa rivalidade teria sido intensificada pelas incursões dos iamanitas nos territórios dos grupos considerados ismaelitas e, posteriormente, pelo antagonismo entre os ançares de Medina e os coraixitas, que adquiriu particular importância após a morte de Maomé. Esses conflitos podem ter contribuído para aproximar tribos até então distintas em unidades genealógicas mais abrangentes, colocando de um lado os iamanitas e, de outro, os povos associados à descendência de Ismael. Uma manifestação menos violenta dessa competição foi a mufacara, disputa literária e social pela precedência, honra e prestígio entre os grupos rivais.

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Tradições genealógicas e literárias

A rivalidade entre os árabes meridionais e setentrionais refletiu-se na elaboração de tradições genealógicas destinadas a fundamentar a antiguidade e o prestígio de cada grupo. Os catanitas podiam recorrer à memória dos antigos reinos da Arábia meridional, cuja prosperidade e poder lhes forneciam um passado prestigioso. A ascensão do islã, contudo, alterou os termos dessa competição, pois a missão de Maomé e a primazia adquirida pelos coraixitas conferiam especial prestígio aos grupos classificados como descendentes de Adenane. Segundo Fischer e Irvine, autores ligados aos iamanitas procuraram compensar essa vantagem mediante a elaboração de narrativas que apresentavam em termos particularmente grandiosos o passado dos povos meridionais. Essas disputas influenciaram também as genealogias atribuídas aos catanitas. Entre as tradições desenvolvidas para conferir maior antiguidade e prestígio à sua ascendência estava aquela que fazia Catã filho do profeta Hude, por vezes identificado com Abir. Outra procurava integrar os catanitas à linhagem de Ismael, fazendo deste o ancestral de todos os árabes. Nesse contexto, os jurumitas, tradicionalmente apresentados como parentes de Ismael por casamento, foram incluídos entre os descendentes diretos de Catã. Fischer e Irvine relacionam ao mesmo ambiente de competição algumas das classificações que distinguiam catanitas, adenanitas e árabes desaparecidos segundo diferentes graus de antiguidade e arabidade.

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Grupos posteriores chamados Catã

O nome Catã continuou a ser empregado por grupos tribais da Península Arábica em períodos posteriores, embora sua relação com a antiga coletividade pré-islâmica e com o conjunto muito mais amplo dos catanitas da tradição genealógica não seja estabelecida com segurança. Fischer e Irvine registram uma grande população tribal denominada Catã, predominantemente beduína, distribuída pelo território entre Bixa, em Assir, e Hauta, na Arábia Central. Os Catã encontrados por Charles Montagu Doughty em Hail afirmavam descender do profeta Hude e situavam sua terra ancestral nas regiões montanhosas em torno de Aljur, em Assir. Viviam principalmente da criação de camelos e eram descritos como sunitas de orientação hambalita. Os grupos de Assir, por sua vez, distinguiam-se de seus parentes nômades pelo modo de vida sedentário e pela importância da agricultura e do comércio. Formavam uma federação de seis tribos autônomas estabelecidas a leste de Abha, que permaneciam independentes umas das outras e se uniam sobretudo em períodos de crise.

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