Figueira de Castelo Rodrigo
Figueira de Castelo Rodrigo é uma vila raiana portuguesa pertencente ao Distrito da Guarda, na antiga província da Beira Alta, região do Centro e sub-região das Beiras e Serra da Estrela.
Atualmente, é possível enunciar um conjunto variado de infraestruturas destinadas à satisfação das necessidades básica da população, ao lazer e à cultura e outras, de criação mais recente, apontadas no sentido do progresso e da modernidade económicos da região, bem como da prevenção dos problemas sociais e ambientais. Merecem assim ser destacados:
* População residente; ** População presente (1900-1950)
O município de Figueira de Castelo Rodrigo divide-se em 10 freguesias:
Trata-se de um território cujo povoamento remonta à fase final da Pré-história, à Proto-história e à época romana. Além do lugar da Faia, na freguesia de Vale de Afonsinho, que se integra no complexo de arte rupestre do vale do rio Côa, portanto de mais remota ocupação, os casos mais representativos da fixação humana durante os períodos mencionados, são alguns povoados de altura típicos da cultura castreja, tais como o lugar do Rodo do Castelão, situado no limite da freguesia de Escalhão, fronteiro com o da freguesia de Vilar de Amargo, onde também se recolheram vestígios que pertenceram à Pré-história recente, o lugar de Santo André, situado na freguesia de Almofala, que é apontado como o povoado indígena mais importante da região e onde terá existido um santuário proto-histórico a que podem estar associados os berrões que lá se avistam, à mistura com abundantes vestígios da época romana, o sítio da serra da Marofa, com vestígios há muito assinalados que confirmam a existência de um castro e onde se recolheram também provas claras da cultura romana, o local da Palumbeira, na freguesia das Cinco Vilas, provavelmente um povoado mineiro e onde foram recolhidos materiais cerâmicos do calcolítico e da Idade do Ferro, o local designado de Castelo em Algodres, com vestígios do calcolítico, o sítio de Santa Bárbara, na mesma freguesia, com sinais de ocupação na Idade do Ferro, o sítio do Castelo em Escalhão, de que só resta o topónimo, e o local designado de Fortaleza, na freguesia de Escarigo, entre a ribeira com o mesmo nome e a de Tourões.
Em Figueira de Castelo Rodrigo podem ser visitados os seguintes espaços museológicos
O município de Figueira de Castelo Rodrigo exprime nas suas características naturais sinais evidentes do contexto geográfico onde se encontra inserido, mas revela, por outro lado, aspetos singulares que merecem ser destacados, tanto no domínio do seu enquadramento geográfico, como no da sua rede hidrográfica, como ainda na sua constituição orográfica, no seu clima, fauna e flora. Desde 2010 Figueira de Castelo Rodrigo possui a primeira área protegida privada do país, a Reserva da Faia Brava, gerida pela Associação Transumância e Natureza (ATN). A propriedade tem uma área contínua com 526 ha., nas freguesias de Algodres e Vale de Afonsinho (município de Figueira de Castelo Rodrigo) e freguesia de Cidadelhe (município de Pinhel). A Faia Brava é gerida, exclusivamente, para efeitos de conservação da natureza e da biodiversidade.
Contexto geográfico
Muito da singularidade geográfico-natural do município de Figueira de Castelo Rodrigo deve-se ao seu enquadramento físico que em termos morfológicos se caracteriza por um profundo dualismo: Toda a área envolvente é composta pela superfície da Meseta que prolonga, no sector Sul do município, o Planalto de Castela-a-Velha, decrescendo em altitude no sentido de Noroeste, em contraste com a serra da Marofa, que se destaca como um «relevo residual» das assentadas quartzíticas de sentido Este-Oeste, nas quais também se ergue a aldeia histórica de Castelo Rodrigo; o dualismo também se verifica em termos paisagísticos, tanto pela diversidade litológica predominantemente granítica e xistosa, em contraste com os depósitos grosseiros do tipo raña que se encontram no sopé da Marofa, «como pela diversidade climática em que a predominância da vinha, da oliveira, da amendoeira e outras culturas marcadamente mediterrânicas, situadas na área planáltica parecem traduzir uma unidade morfoclimática que já se identifica bastante com a Terra Quente transmontana, por oposição às vertentes da serra da Marofa que pela morfologia, ocupação do solo e disponibilidade de água se aproxima mais da Terra Fria transmontana».
Orografia
Orograficamente, no extenso planalto que descende desde a serra da Malcata, no Sabugal, até ao Norte de Escalhão e ao rio Douro, destaca-se a serra da Marofa como o ponto mais elevado do município de Figueira de Castelo Rodrigo que, com os seus 977 metros de altitude, oferece uma vista extraordinária sobre toda a região, podendo daí observar-se a olho nu as linhas que constituem a fronteira internacional. Segue-se a colina de Castelo Rodrigo, com 821 metros, e a serra de Nave Redonda, situada na mesma freguesia, com 776 metros. Outros «cabeços» menos destacados, dispersam-se pelas restantes freguesias e não deixam de proporcionar vistas igualmente interessantes.
Clima
Havendo no município de Figueira de Castelo Rodrigo um dualismo orográfico bem vincado, constata-se a existência de uma correlação desse dualismo em termos morfoclimáticos, podendo-se distinguir uma zona duriense ou terra quente na faixa setentrional constituída pelos vales e encostas abrigadas do Douro e dos cursos inferiores do Côa e do Águeda, com uma altitude abaixo dos 500 metros, onde predominam culturas mediterrânicas e com Invernos moderados e Verões extremamente quentes e secos, de uma zona fria, com uma altitude média de 700 metros, constituída pelas vertentes da serra da Marofa, com farto arvoredo, e pelo espaço mais aplanado da faixa meridional do município, de escasso arvoredo, onde os Invernos são frios e longos e os Verões bastante quentes. A transição entre estas duas zonas é gradual, pelo que se considera que entre elas se interpõe uma terceira zona intermédia designada de zona de transição.
Hidrografia
O município de Figueira de Castelo Rodrigo é delimitado a Norte pelo rio Douro, a Este pelo rio Águeda e a ribeira de Tourões, que constituem a sua fronteira internacional, e a Sul e Oeste pelo rio Côa que define a sua fronteira com o município de Pinhel. Outro curso de água de menor expressão é a ribeira de Aguiar, que atravessa o município na direção do Noroeste. O rio Côa, com um comprimento de 130 km, nasce na serra das Mesas, nos Fóios, freguesia do município do Sabugal e corre no sentido Sul-Norte, desaguando na margem esquerda do rio Douro, junto a Vila Nova de Foz Côa. O rio Águeda, a que se tem chamado de «irmão gémeo do rio Côa», também nasce na serra das Mesas, próximo da localidade espanhola de Navasfrías, possui a mesma extensão aproximada de 130 km e desagua igualmente no rio Douro junto à freguesia de Barca de Alva.
Flora
Para além das culturas olerícolas destinadas ao auto-consumo de muitas famílias e que são, aliás, comuns às restantes regiões do Norte e Centro do país, existe uma variedade de espécies botânicas, sendo as mais conhecidos nos grupos arvense e arbustivo e menos estudadas as espécies herbáceas. As explorações vitícolas e oleícolas são as principais fontes de riqueza do município, pelo que a videira (Vitis vinífera) e a oliveira (Olea europaea) são as plantas predominantes da sua flora agrícola cuja zona de implantação por excelência é a zona duriense com um clima continental de feição mediterrânica e solos derivados do xisto e uma paisagem natural de vales íngremes há muito modificada e transformada em socalcos. A figueira (Ficus carica) e a amendoeira (Prunus dulcis), adquire aí também alguma expressão. Nas arribas do vale do Águeda aquelas culturas coexistem com uma vegetação natural constituída por bosques de zimbro (Juniperus oxycedrus) e por azinheiras (Quercus rotundifolia), enquanto na área planáltica que estende para Sul, em locais marcadamente mediterrânicos, proliferam azinhais e sobreirais (Quercus suber) de mistura com zimbros, e, em locais mais temperados existem carvalhais de carvalho-negral(Quercus pyrenaica). O pinheiro (Pinus pinaster) e, com menor expressão, o castanheiro (Castanea sativa) são outros exemplos da cultura arvense e distribuem-se um pouco por todo o restante espaço do município, formando algumas manchas florestais distintas, à exceção da área constituída pelas freguesias de Vale de Afonsinho, Algodres e Vilar de Amargo, devido à elevada concentração de monólitos de granito. Ainda com uma existência mais rara, assinala-se a presença do freixo (Fraxinus Angustofila) e do choupo (Populus sp.). Das espécies arvenses existentes no município cabe ainda apontar as árvores de fruto, designadamente a pereira e o pessegueiro, que são na maior parte dos casos integrados em explorações mistas de sequeiro nas vinhas e olivais, a macieira que chega a constituir grandes pomares de exploração comercial, o marmeleiro, com maior representatividade no extremo Nordeste, nomeadamente em Escalhão, e a laranjeira, na região de Barca de Alva, onde o clima mediterrânico proporciona a implantação de extensos laranjais e se colhem laranjas de excelente qualidade.
Fauna
A pecuária tem resistido a muito custo no município, sobretudo através da criação de gado transumante com mais expressão na exploração de rebanhos de ovelhas do que de cabras, o que tem assegurado a sobrevivência da empresa Lacticínios da Marofa que continua a produzir queijos de reconhecida qualidade. Os animais domésticos, de um modo geral, são comuns aos que existem no resto do país, sendo na fauna selvagem que o município de Figueira de Castelo Rodrigo merece referências especiais. As principais espécies cinegéticas são a perdiz-vermelha (Alectoris ruf), a rola-brava (Streptopelia turtur) e, com menos representatividade, o pombo-bravo (Columba Oenas) no que respeita à avifauna; o coelho (Oryctolagus cuniculus), e a lebre (Lepus europaeus), no que toca aos mamíferos.


